MICRO CURSOS, Brasil, post 02.01.06, 06.07.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 06 de julho 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06h10, 12 graus C, 74% umidade, novo temporal chegando

Depois de 50 anos em sala de aula, nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).  Elas estão subdivididas em (1) informações internacionais, (2) informações do Brasil e (3) informações do Estado do Rio Grande do Sul. criar loja virtual

02.01.06 Brasil, uma conjuntura inverossímil

A cada semana que passa há mais desempregados no Brasil.   O IBGE informou na sexta-feira que há dois milhões de desempregado a mais em uma semana.    Antes, a PNAD Continua já tinha registrado que se perderam 7,8 milhões de empregos de abril para maio.   Enfim, o número de 12,7 milhões de desempregados no país deveria ser o fio da meada para Guedes desenrolar. 

Lamentavelmente, os dias passam e o que se sabe do Brasil é que ele já contabiliza, na primeira hora da manhã desse domingo, um total de 1,577 milhões de infectados e 64.625 óbitos.    Os registros da Johns Hopkins University destacam os Estados Unidos se mantém em primeiro lugar e, logo a seguir, vem o Brasil que, a cada dia que passa, diminui a diferença no ranking para o país líder.

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Os presidentes, Trump e Bolsonaro, tem uma trajetória com alguns pontos em comum.   Isolaram-se no quadro político internacional, desdenham o desempenho desastroso das suas economias,  não possuem uma coordenação setorial para conter a pandemia, recorrem a um discurso pueril para a conjuntura interna e sofrem uma pressão danada da mídia que os arrolou em sua pauta diária e os submetem a críticas sistemáticas ao que deixaram de fazer.

Dois Dom Quixotes, dois cavaleiros andantes, por países continentais.   Richard Nixon e Jânio Quadros, antes, cada um ao seu modo, entraram em cena e, ao final, sobraram grandes imbróglios políticos.  Agora, os perfis são outros, mas é possível antecipar onde os seus governos irão chegar?   Certamente que a ausência de Sancho deixa a peça sem realismo, incompleta.

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De concreto, a imagem externa do país não está boa.  Eu percebo que Macron passou a utilizar a palavra ecocídio, com alguma frequência.  Certamente que ele está de olho no Brasil de Bolsonoro.   As desavenças entre ambos já vem desde o início do governo.   Agora, ele tem na mira o acordo entre o Mercosul e o bloco europeu.   Parece-me que chegou a hora dele revidar.   

De concreto, a crise política arrastou a possibilidade de uma cassação anda na base de um leva e traz entre o plenário do Supremo Tribunal Eletitoral e o pedido de vista dos seus ministros.   Há razões anteriores ao pleito que levou Bolsonaro ao Planalto e motivos recentes, como aquele relacionado ao inquérito das fake news.  

De concreto, a crise econômica levou a um desemprego gigantesco no Brasil.   Nesse sentido cabe lembrar o estudo divulgado pelo Banco Central que evidencia que mostra um número superior a quatro milhões de pessoas com a renda comprometida desde o primeiro semestre de 2018.  

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Ora, a pessoas estão desempregadas, no que diz respeito ao crédito a renda de inadimplentes já atingiu o patamar de 4,6 milhões de pessoas no segundo semestre de 2019 e a economia se encontra em mais uma recessão, sem ter se recuperado da anterior.   

E, pior, a economia se recuperará em algum momento no futuro, contudo quando isso, efetivamente, acontecer, haverá um processo extremamente demorado.   

É interessante que em retomadas normais, a recuperação acontece em forma acelerada porque a base de comparação é muito fraca.   Dessa vez, isso não deve acontecer porque a destruição na economia é muito densa. …

Dentre os setores mais atingidos, certamente, está a educação privada.   A inadimplência no âmbito do SEMESP,  o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo, é crítica.  Ela cresceu em 51,7% de maio de 2019 para maio de 2020.

No site da Instituição eu li que ela reúne mantenedoras de todo o país e está voltada para o desenvolvimento acadêmico do setor privado.   A informação referente à inadimplência do mês de maio está no endereço eletrônico   http://institucional.ae.com.br/cadernos/financeiro/?id=TFZTSi96WW05RVc4SHk3Vk5rRHZIZz09

Eu penso que no âmbito do business, o empresário precisa reunir o que sobrou, verificar se há como reestruturar o negócio e, ainda, se haverá demanda para tal.

É possível que muitos empresários, que já vinham com os seus negócios fragilizados, desistam de dar continuidade ao que sobrou e migrem para uma outra atividade que lhes sinalizem melhor oportunidade. 

O governo tem recorrido ao perdão de parte expressiva da dívida tributária.  É verdade que o governo tem advertido, e o faz com razão, que a sua iniciativa visa alcançar o pagador de impostos que foi atingido pela crise do coronavírus.   

De qualquer forma, se houve aumento da despesa com a crise do coronavírus, fica difícil imaginar uma recuperação da economia posterior se a política fiscal estiver debilitada em demasia.

Uma última observação que me parece pertinente é o momento do agronegócio, aquele que, repito mais uma vez, tem conseguido manter a economia do país em pé.   Há muita incerteza com relação a China ter suspendido as licenças para frigoríficos exportarem produtos para a segunda maior economia do planeta.  

A terra de Xi Jinping enfrenta o brote do coronavírus em Beijing conforme eu leio na mídia internacional.  De qualquer forma, ela representa metade do volume de carne bovina exportada pelo Brasil.   É preciso atenção redobrada à parceria setorial.   Uma medida preventiva em tempos de crise sanitária?  Uma reação ao discurso recente das autoridades brasileiras? 

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É isso aí.  A conjuntura é dificílima para qualquer governo.   Para o Brasil, também.   Fica difícil fazer frente a tamanho desafio sem uma convincente estratégia de retomada do desenvolvimento econômico do país. 

Fica ainda pior sem titulares nas pastas da Saúde e Educação e com as imagens dos bares do Leblon correndo mundo em plena crise do coronavírus.   A comunidade internacional tem dificuldades de entender o que acontece no Brasil porque há toque de recolher em cidades da Região Metropolitana de Salvador até dia 12 de julho.

Bom dia leitor do blog!

MEMÓRIAS e outras histórias, post 60, 05.07.2020, o meu gabinete de trabalho (II)

Porto Alegre, 05 de julho 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 00h10,  15,4 graus C, 58% de umidade

Estou começando este post às 20:00 de sábado.   Pretendia seguir numa direção.  Não deu certo e andei no sentido contrário.  Cavacos do ofício.  Quando a atividade não obedece a ordem de comando inicial é preciso deixar a razão à beira do caminho e seguir adiante em companhia da emoção. 

Foi o que aconteceu agora.  Eu imaginava seguir para Brasília, a terra do nunca, e comecei a desbravar os meandros da memória.   Não deu outra.  Terminei o post e reescrevi esse novo início.  Às vezes a emoção recarrega as imagens do trem de Cacequi na minha mente.  Era a década de 50, o trem passava aqui, dava uma volta gigantesca e passava de novo no ponto de observação do viajante. 

Bem, nas próximas horas chegará o primeiro domingo do segundo semestre do corrente ano.  O ciclone bomba foi terrível no meu beco.  Eu confesso que não conhecia o termo.  Eu tenho sentido muito frio desde então.  Eu sempre acho que é a velhice que chegou de vez.   Às vezes bate a dúvida.   E, aí, volto a apostar que a cabeça segue em ordem por mais uma “indiada”. 

O que eu percebo é que não há mais sobra de tempo.   Ou, quem sabe, não há mais tempo a perder.  Eu tinha vontade de escrever um livro sobre a música brasileira.   Arredondando o foco, a música brasileira no sentido do samba e das suas raízes.  Tenho gravado muito material. 

Na minha mente eu me vejo eu escrevendo um livro em brochura.  Na verdade, seria uma obra de capa dura, e com a capa em papel gessado.  Eu gostaria de levar o texto do Samba do Telefone até o surgimento do Partido Alto. 

É somente sobre esse período que eu tenho curiosidade de aprender.   Sei que é muita coisa, mas é o meu sonho.  No Canal Brasil eu gravo todos os programas Som do Vinil, do Charles Gavin.  Eu acho admirável o trabalho que ele realiza.  O meu problema é que o meu foco é anterior ao que aparece no dia a dia da televisão.  

Eu sinto que os brasileiros estão sendo encaminhado para um perfil de música diferente daquele que me interessa.   Eu me ressinto da falta de samba na tela.  Ao mesmo tempo, eu vejo a quantidade de música sertaneja que vem sendo absorvida pelos jovens.   Parece-me que a oferta quase que exclusiva dessa música está criando a sua própria demanda.  Fazer o quê?   Em nome de quem?  Para quem? 

A par desse meu desejo de escrever sobre a música nacional, cabe o registro que eu tenho assistido muita televisão nesses dias de isolamento.  Um hábito de 50 anos.  Escrevendo e a televisão acima da tela do computador. 

Nesse momento, o canal Escola está apresentando um programa especial, Os linguistas.  Formidável!  Depois vem um documentário intitulado, QI, a história de uma farsa.  Estou com muita expectativa de acompanhar esse último programa. 

Eu concentro o meu tempo entre os canais internacionais e muito Canal Brasil.  A propósito, o Canal Brasil permite que o telespectador preencha todos, ou melhor, muitos dos vazios acumulados no âmbito da História e da Cultura.  Nesse contexto eu preciso de uma dose recorrente de GloboNews e CNN Brasil como uma condição quase que imprescindível para acompanhar o barco em alto mar. 

Humor?  Vai que cola.  Musical?   É preciso estar ligado na TV Cultura, canal 2 da SKY, e muito do Canal Brasil.  Uma vez por dia eu dou uma repassada no Youtube para resgatar o que perdi de música nesses meus 75 anos de vida.   Rádio?  Sempre fora da atividade de rotina do blog.  Percorro o mundo ouvindo rádios de diversos países.  Priorizo as estações em que há muita matéria falada e pouca música.      

A chuva deve retornar nessa madrugada.  Tomara que o ciclone bomba não mostre a cara outra vez.  Os estragos foram muitos aqui, no Estado, e também em Santa Catarina. 

Em suma, nesses tempos de isolamento total, que não termina nunca, eu já não sei mais o que pode acontecer.  Por enquanto, boa noite, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Internacional, post 01.03.02, 04.07.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 04 de julho 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06h10,  5,4 graus C, 57% de umidade, frio de congelar 

Depois de 50 anos em sala de aula, nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).  Elas estão subdivididas em (1) informações internacionais, (2) informações do Brasil e (3) informações do Estado do Rio Grande do Sul. criar loja virtual

01.03.02, UNIÃO EUROPEIA, as reuniões dos dias 07.07 e 17.07 para negociar o Fundo de Resgate 

Na próxima terça-feira, dia 08 de julho, Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, reunirá com Angela Merkel (há quatro dias na Presidência Rotativa), Charles Michel (Conselho) e David Sassoli (Parlamento), as três lideranças maiores do bloco europeu para fechar o acordo do fundo de resgate de auxilio do coronavírus no valor de 750 bilhões de euros entre os 27 países.

O bloco tem três meses para o fim do verão.  É o tempo da mudança no clima e do receio de vivenciar um novo brote do vírus.    É o tempo de reverter a recessão da economia e a perda de empregos.   É tempo de fazer o Fundo de Recuperação estar em condições de ser internalizado no Orçamento Plurianual 2021-27.   É tempo da negociação acertada no topo passar pela retificação dos 27 países membros.

Entre a reunião preliminar de quarta-feira, dia 8, e a reunião definitiva, decisória, do que se pretende por em prática, é preciso, ainda, negociar a configuração do Fundo de Resgate.   A ideia era alocar 500 bilhões de euros a fundo perdido, mas há divergências no bloco. 

Mark Rutte, o primeiro ministro da Holanda, defende a ideia que é preciso adotar a opção única de empréstimo e, não, de recorrer ao uso de fundo perdido.    Do outro lado a lideranças de peso, Emmanuel Macro, Pedro Sánchez e a própria Angela Merkel. 

Enfim. é tempo de preparar tudo para que se atinja o objetivo de operacionalizar o processo administrativo a partir do primeiro dia do próximo ano. 

Além de todas as negociações para se chegar a acordo, não se pode ignorar que a União Europeia tem outros pontos na agenda que já estão em curso e que precisam ser reavaliados e, possivelmente, corrigir rumos na reunião do dia 17. 

Dentre eles, o programa sanitário, o EU4Health, que faz frente à crise do coronavírus.  Ele vem apresentando resultados desde a sua criação, mas o cenário ao fim da primeira onda e a transição para a segunda onda vão exigir que se incorpore tudo o que apreendeu na Lombardia, em Madri e tudo o que surgiu depois. 

Eu imagino que a convergência de ações entre o bloco e o Banco Central Europeu.  Para tanto é preciso considerar que Cristine Lagharde assumiu a presidência do Banco em novembro do ano passado e que Ursula ven der Leyen assumiu a Comissão Europeia em dezembro passado.   Ambas são profissionais qualificadas e experientes, mas estão há pouco mais de seis meses nas suas funções.

Não fosse a densidade da pauta, é preciso, finalmente considerar que os europeus priorizam levar adiante a agenda da sustentabilidade e, mais do que isso, discutir a normalização da economia com toda a incerteza que a cerca.  Há necessidade de ajustar normas para a educação, emprego energia, gestão de estoques e transportes no pós pandemia.

É isso aí.  

MICRO CURSOS, Internacional, post 01.11.02, 03.07.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 03 de julho 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06h10,  5,4 graus C, 67% de umidade, frio de congelar 

Depois de 50 anos em sala de aula, nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).  Elas estão subdivididas em (1) informações internacionais, (2) informações do Brasil e (3) informações do Estado do Rio Grande do Sul. 

01.11.02 CHINA, atividades no retorno à normalização da economia 

(01 Economia Internacional, 11 China, 02 Número de ordem do post) 

Começaram a surgir as primeiras informações sobre indicadores acumulados nos primeiros cinco meses do ano.  É isso.  Ao mesmo tempo que o mundo tomou conhecimento de um brote de coronavírus em Beijing, há uma preocupação generalizada sobre a normalização da economia que já se encontrava em curso desde há algumas semanas.

Nesses dias de coronavírus eu tenho percorrido, virtualmente, a mídia chinesa.    Nesse post, eu selecionei três informações que eu obtive nos jornais chineses ao longo dessa semana.   Uma medida de natureza financeira, outra de desempenho da economia e, uma última, de comércio exterior. 

O Banco da China decidiu reduzir as taxas de juros de refinanciamentos e redescontos para pequenas empresas a partir deste início de julho.   As autoridades monetárias acreditam um impacto minimo sobre a inflação local.  Ao mesmo tempo em que há previsão de uma desaceleração do IPC nos trimestres à frente.   A fonte da informação é a edição de hoje do People’s Daily.     

Na mesma fonte, no início dessa semana constou uma matéria que dava conta do aumento de 11,5% nas vendas on line do segmento do varejo nos primeiros cinco meses do ano.   De acordo com o Bureau Nacional de Estatísticas da China, as vendas on line já representam 24,3%  da venda no varejo dos bens de consumo.

A terceira e última informação selecionada diz respeito ao serviço de um trem de carga unindo Yiwu, na província de Zhejiang, no leste do país com Madri, na Espanha.   Yiwu, local que reúne muitas unidades fabris, é uma cidade de 1,2 milhão de habitantes.  Daí, desse leste da China, partem trens carregados de containers, como se fossem navios, para a Europa.   Junto, muitos produtos baratos que só a China consegue produzir a esses custos.

…    

O que diz na matéria do jornal?  Ele informa o leitor que o trem levou 70 containers, de 20 pés de comprimento, 8 de largura e 8 de altura, de Yiwu para Madri.    Essas medidas são consideras padrão e são denominadas TEU, em inglês, que significa the twenty-foot equivalent unit, ou seja, uma unidade equivalente a 20 pés.  

O porquê da importância desse trem?   Ele carregava material para se utilizado no setor sanitário para enfrentar a pandemia.  Algo como 25 milhões de máscaras e 400 mil uniformes para uso profissional.  Peso de tudo? 257 toneladas.

Vou continuar selecionando outras informações que me chamam a atenção sobre o retorno à normalidade da China e publicá-las no blog.

Bom dia, leitor do blog! 

MICRO CURSOS, Internacional, post 01.14.02, 02.07.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 02 de julho 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 12,4 graus C, 67% de umidade

Depois de 50 anos em sala de aula, nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos na Universidade.  Elas estão subdivididas em (1) informações internacionais, (2) informações do Brasil e (3) informações do Estado do Rio Grande do Sul. criar loja virtual

01.14.02 ARGENTINA, a atuação do governo em tempos de pandemia   

(01 Economia Internacional, 14 Argentina, 02 Número de ordem do post) 

Eu começo a quinta-feira buscando informações sobre o momento da economia argentina.  Hoje há um evento no âmbito do Mercosul e eu julguei oportuno verificar, antes de tudo, como se encontra a conjuntura do país vizinho.

Percebo, desde o início, que também a Argentina tem a atenção voltada para o coronavírus.  Dos 10,7 milhões de infectados no presente momento, de acordo com o Centro de informações da Universidade de Johns Hopkins, a Argentina ocupa, apenas, o 25o lugar, com 67.197 pessoas infectadas.   

No que diz respeito aos óbitos, a Argentina se mantém na 35a posição, com 1.363 casos, de um total de 516.970 mortes contabilizadas em âmbito global.   Um desempenho elogiável devido às medidas adotadas em âmbito interno.

Os números da crise sanitária no país quando comparada com o que está acontecendo no plano maior mostra uma atuação responsável dos governantes nesse momento de tamanha incerteza que assola o mundo. 

… 

Entretanto, o governo de Alberto Fernández não pode abrir mão da segunda onda, a crise da economia.   No Micro Curso 01.14.01, de 19.6.2020, eu fiz uma retrospectiva histórica do que aconteceu na Argentina até recentemente.  Deixei o momento atual para um novo post.  Redijo-o, hoje.

Ontem houve reunião do gabinete junto com os cinco autoridades da área da economia – Guzman, Moroni, Kulfas, Pesce e del Pont – no Palácio de Olivos.    O objetivo do encontro era avaliar o momento das duas iniciativas – IFE e ATP – do governo para o enfrentamento da crise. 

Ao contrário do Brasil em que o auxilio foi pago até para quem morava no Exterior e o incentivo não chegou à ponta das empresas conforme a expectativa, a Argentina apostou nos programas de auxilio a nove milhões de famílias e de incentivo à produção com base na metade do salário empresarial vigente e em duas taxas – zero e 24% – para fazer frente às limitações de liquidez nesses tempos de crise.

A oposição argentina vem alertando para o risco de um novo impulso para um novo teto, verdadeira Via Crúcis do governo Mauricio Macri, que fechou o exercício de 2019 com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) em 53,5% ao ano.  Não esquecendo que houve recessão no mesmo período com queda do PIB de 2,2% em 2019.

Hoje, Hernán Lacunza, 51 anos, ministro da Economia de Macri nos últimos três meses do governo, alertou que o governo priorizou combater a economia à retomar o crescimento da mesma.  Adotou medidas para o curto prazo, mas desconsiderou o que vem depois. 

Além do coronavírus, da recessão e do risco de uma hiperinflação, o governo de Alberto Fernandez tem na agenda uma negociação da dívida e um acordo de standby com o Fmi, cujos compromissos financeiros foram herdados do governo Macri que não os honrou na data aprazada.

… 

No dia primeiro do corrente mês, o FMI emitiu comunicado técnico sobre a Argentina.  O governo portenho propôs uma revisão da reestruturação da dívida, no dia 26 de maio, decorrente do marco constante da nota técnica de 20 de março próximo passado.

… 

A equipe do FMI considera que a revisão de 26 de maio acerta o passo com relação à sustentabilidade da dívida prevista no marco de 20 de março, todavia alerta que não haverá recursos para honrar compromissos da dívida e dos serviço na nota da mesma data.

Em post anterior eu escrevi sobre o evento realizado no Vaticano sobre a conjuntura argentina.  Eu creio que é chegado o momento de Francisco e o FMI voltarem a realizar uma nova conversa sobre a atuação do governo Fernández nesses tempos de pandemia.

Boa noite, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Brasil, post 02.01.04, 30.06.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 30 de junho de 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 12h10, 17,2 graus C, 94% de umidade, tempestade

Depois de 50 anos em sala de aula, nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  Elas estão divididas em (1) informações internacionais, (2) informações do Brasil e (3) informações do Estado do Rio Grande do Sul.   

02.01.04 Brasil, a recessão está de volta    

(02) Brasil, (01) Desempenho da economia e (04) Número de ordem do post).  

Pois é, no sexto ano consecutivo de economia em crise, a recessão está de volta.  O Ministro Paulo Guedes disse que a economia estava se recuperando no fim do ano e os números mostraram que o PIB cresceu menos que nos dois anos anteriores, durante o governo Temer.   

Pior, Paulo Guedes disse que o Brasil iria surpreender o mundo com a recuperação da sua economia.  De veras, surpreendeu, a recessão foi antecipada.   Já começou no primeiro trimestre do corrente ano.

Todavia, o pior de tudo é o momento do mercado de trabalho no país.   O IBGE contabilizou 10,9 milhões de desempregados no mês no fim do mês de maio.   E outros 17,7 milhões nem procuram mais trabalho em função de tudo o que acontece no país. 

Hoje, o IBGE divulgou que metade da população está desempregada.   Os números sinalizam que 50,5% da população com 14 anos, ou mais, está desocupada.    Realmente, um quadro desolador.   E o que mais me surpreende é que a Pasta da Economia não abandone o discurso surrado do teto dos gastos e tudo que o envolve a conjuntura e adote uma postura de estímulo à economia como muitas nações tem demonstrado.   

E tudo acontece em um ambiente em que as perdas salariais são expressivas.    No mês de maio, segundo a FIPE, o reajuste mediano real ficou em -27,5%.   A situação ficou difícil também, na ponta da empresa.  A Indústria, Transformação e Construção, o Comércio e os Serviços aderiram à pauta governamental dos salários, dos contatos e do pagamento de Impostos, mas o crédito não chegou conforme a expectativa.

No fim de uma semana, havia uma medida provisória que tratava de tudo o que escrevi acima, mas foi ampliada na Câmara, à medida que incluiu a participação de lucros e resultados no seu conteúdo.   De um lado, haverá segurança jurídica na visão do relator da matéria; de outro, maior flexibilidade no tratamento da PLR.

Se a conjuntura mudou e se agravou era de se esperar que o governo estivesse atento e apresentasse um novo receituário frente a pior crise econômica que o país já enfrentou. 

Na verdade, Paulo Guedes migrou de um discurso em que pregava a prática de uma democracia responsável, no fim do ano passado, para opiniões despropositadas como aquela que ele expressou sobre a privatização do Banco do Brasil, durante a lamentável reunião do ministério realizada em Brasília, no dias 22 de abril próximo passado. 

O Banco do Brasil vem da época do Império, criado e 1808 e liquidado em 1829.  Um novo Banco do Brasil foi criado em 1851.   Fundido com o Banco Comercial do RJ em 1853, e com o Banco da República dos Estados Unidos do Brasil em 1893, e passou a chamar-se Banco da República do Brasil.  Finalmente, em 1905, a instituição financeira voltou a chamar-se como Banco do Brasil.

Quando eu iniciei as minhas atividades docentes em 1967, o Banco Central havia sido criado no último dia do ano de 1964.   Nesse interregno entre 1965 e 1967 eu lembro de ter acompanhado essa transição no perfil das autoridades financeiras do país.

Pois, uma instituição com toda essa história deveria ser, no mínimo, respeitada.   Ao enfatizar o desejo de privatizá-la, o ministro da Fazenda a classificou com um impropério verbal totalmente despropositado.    

Bem, esse é o Brasil da nova recessão.   Boa tarde, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Internacional, post 01.09.04, 30.06.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 30 de junho de 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06h10, 13,2 graus C, 92% de umidade, ciclone bomba

Depois de 50 anos em sala de aula, nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul.  Elas estão divididas em (1) informações internacionais, (2) informações do Brasil e (3) informações do Estado do Rio Grande do Sul.   

01.09.04 EUA, o troca pé, ações na cobertura e o desempenho no subsolo da economia

(01 Economia Internacional, 09 EUA, 04 número de ordem do post) 

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Puxa, quando eu li essa manhã, cedinho de um novo vírus detectado na China junto aos porcos, eu resolvi deixar a notícia passar e depois eu escrevo sobre o assunto.   É impossível sobrepor dois posts, mas está feito o registro e eu retorno ao texto original. 

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Está complicada a situação da maior economia do mundo.  Somente o presidente Donald Trump defende a ideia que o coronavírus já virou o sinal.    No momento em que escrevo esse post eu abro o site da Johns Hopkins e percebo que o número de infectados nos Estados Unidos superou a casa de 2,5 milhões de casos. 

Pior, é que é os Estados Unidos que estão dando o ritmo do avanço mundial da epidemia desde o momento em que a Lombardia e a Espanha mostraram mudança na suas curvas de infectados. 

Ontem, à tarde, eu assisti a entrevista que os executivos da OMS realizam diariamente na mídia global.   O que eu ouvi?  Segundo o chairman da Instituição o pior está por vir.   

A informação do que está acontecendo em Beijing preocupa a todo o mundo.   O fato de haver 500 mil isolados significa que há um segundo brote no país depois de Wuhan, ou o ocorrido ainda é parte da primeira onda do coronavírus?

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De costas para do que está acontecendo na crise sanitária, os três principais índices da bolsa de Nova York registraram valorizações nessa segunda-feira.   Os incrementos alcançado foram de Nasdaq (+1,20%), S&P 500 (+1,47%) e DOW (2,32%).

Mais cedo, o comportamento das bolsas na Ásia e na Europa registraram comportamentos diferentes.  Na Ásia, as variações foram de Nikkei (0,00%), Shangai Composite (-0,61%) e Hang Seng (-1,01%);  na Europa, as variações foram positivas no FTSE Eurofirst 300 Europe (+0,40%), CAC 40 França (+0,73%), FTSE 100 Grã Bretanha (+1,08%) e DAX Alemanha (+1,18%).

Os resultados do primeiro dia da semana evidenciam que os investidores estão acreditando na recuperação da economia global.  Nos Estados Unidos eu não percebo qualquer sincronia entre a bolsa e a economia. 

Eu prossigo visualizando o sinal que representa a radiciação definido pelo braço da direita do V.    Ele parece melhor formatado no comportamento do Nasdaq do que no S&P 500.  

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Eu estou sempre atento às recomendações de Anthony Fauci, um dos principais epidemiologistas dos Estados Unidos e o assessor de Donald Trump.  As suas opiniões são recorrentes no meu blog.  Trump divergiu dele no início da crise mas fez um mea culpa em seguida.   

Fauci falou, primeiro, que poderia haver um novo brote do vírus em setembro, ou melhor, quando o frio chegasse nos EUA.   Na época, alertou para a necessidade de se fazer um retorno à normalidade de forma muito organizada.  Num segundo momento, ele alertou que a normalização da economia poderia acontecer somente no ano que vem.

Na semana passada fiz um post sobre o médico.  Ele estava em audiência em Capito Hill com congressistas americanos.  A CNN retransmitiu todo o questionamento formulado a Fauci.   Dessa vez, ficou a ideia que o portador do coronavírus, sem sintoma, ou seja, o assintomático, possa ser o elo para o risco de terceiros.

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Os números e as estatísticas do coronavírus surfam intensamente na mídia norte-americana.    E a reprovação da administração de Donald Trump frente a crise sanitária já representava 55% dos entrevistados em pesquisa da NBC realizada inicio do corrente mês.

Ora, esse percentual não para de crescer em meses recentes.   E os números de Donald Trump representam uma verdadeira gangorra na comparação com Joe Biden.   Trump embaixo e Biden, lá, em cima.

O que dá para perceber é que a opinião do eleitor republicano parece estar descolando da figura do presidente.  Exatamente ao contrário do que acontece entre os partidários do lado da figura do seu principal corrente.   

Nesses 53 anos desde que eu comecei a minha experiência docente na Universidade, eu sempre escrevi sobre a economia norte-americana.   O desempenho da mesma sinalizava a possibilidade do morador da Casa Branca ir, ou não, para um processo de reeleição.  

Eu ensinava aos alunos em aula que fazia parte da convenção entre os analistas políticos afirmar que taxa de desemprego de 4,0%, que representava o pleno emprego, era um “bilhete de acesso” a concorrer por um novo período na presidência.  Se a taxa de desemprego alcançasse 6,0%, o presidente era considerado “fora do baralho”.

Nas crises, a régua mudava.  Na Grande Recessão de 2009 a taxa de desemprego chegou a 10%.   Era a crise das subprimes que foi tomando corpo e se transformou na grande crise do sistema financeiro.   Houve uma grande demora para a economia voltar a conviver com emprego em menor patamar.

A taxa de desemprego demorou a cair, mas caiu.   Trump pegou carona num período excepcional da economia.  O mundo estava em desaceleração, mas os Estados Unidos preservavam a economia global de um mal maior.  A taxa de desemprego caiu e se manteve no patamar de 3,8% e até menos.   

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Em meu blog eu escrevia que contra tudo e contra todos, contra toda a pauta convencional da política norte-americana e contra todos os ex-aliados, Trump ainda era candidato fortíssimo porque a economia ia bem e a taxa de desemprego estava no piso.

O coronavírus chegou.  Donald Trump não o priorizou.  Divergiu, publicamente, de Anthony Fauci.  Retrocedeu e prestigiou o médico, mas não abriu mão do seu discurso de fazer frente aos adversários. 

Desdenhou do movimento das ruas em defesa de George Floyd,  chamou-o de movimento terrorista e ameaçou colocar o Exército nas ruas para partir para o enfrentamento com a população.  Há uma desaprovação de 63% na pesquisa da CNN realizada no inicio do mês na gestão do Presidente frente à crise racial.

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Para encerrar eu sumarizo a conjuntura americana em três dimensões:

na dimensão política, Donald Trump vai muito fragilizado para enfrentar Joe Biden no pleito de 3 de novembro;

na dimensão econômica, há desconexão entre Wall Street e a economia real que é perceptível no comportamento dos principais indicadores, é como se as ações estivessem na cobertura do Empire State Building e o desempenho da economia estivessem no subsolo do mesmo prédio;  

e. finalmente, na dimensão administrativa,

Jerome Powell, chairman do FED,  procura preservar a política monetária, mas reconhece a importância de priorizar a vida e que a confiança virá só mais tarde e

Steven Mnuchin, Secretário do Tesouro, tem se empenhado em levar adiante a política fiscal, mas no início subestimou a recessão todavia, agora, prevê que, possivelmente, haverá nova lei, mais um novo apoio de estímulo à economia. 

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É isso aí, leitor amigo.  Estou concluindo esse post desde 04h00 para publicá-lo no horário de 06h10.   Aqui no beco estou convivendo com um ciclone bomba.   A chuva, ou melhor, uma tempestade se manteve toda a noite por aqui.  O ruido das trovoadas impedia qualquer sono tranquilo.         

Bom dia!

MEMÓRIAS e outras histórias, post 59, 29.06.2020, o meu gabinete de trabalho

Porto Alegre, 29 de junho de 2020

Horário oficial do beco da João Manoel, 12h10, 14 graus, 60% de umidade, dia cinza

Segunda-feira, de vez, outra vez.    Mal amanhece eu já me sinto a bordo de um poderoso instrumento de comunicação, o computador com Internet.   Algo impensável quando eu passei a ser gente, mas hoje ele é aparelho fundamental no meu ambiente de trabalho.

Eu venho da geração do rádio.  Na minha época tudo acontecia via rádio.  Eu lembro que tão logo eu cheguei aos Estados Unidos, a minha primeira preocupação foi encontrar um rádio que eu pudesse escutar o Brasil.  Eu imaginava que lá eu ia encontrar qualquer coisa.  Até um aparelho hiperpotente que ouvisse qualquer coisa, onde ela estivesse.  Afinal, eu estava no “centro do mundo”.   

Essa preocupação era antiga.  Quando eu morava aqui eu queria escutar rádios de fora. Quando eu experimentava um rádio numa loja e ele não sintonizasse uma rádio argentina, eu jamais compraria.  Buenos Aires, para mim, era o mesmo que Cacequi. 

Até então, tudo era muito pertinho.  Eu queria ouvir a Europa.  Os Estados Unidos eu já achava pouca coisa.   Eu queria ouvir a Europa, para começo de conversa.  Nunca consegui.   

Faltavam-me conhecimentos básicos de rádio frequência.   Resumindo, as ondas médias alcançam, de dia, de 50 a 150 quilômetros.  As ondas longas tem alcance de até 500 quilômetros.   As ondas curtas tem alcance de um mil a vinte mil quilômetros.   

Quando menino em Sant’Ana, o meu sonho de alguns amigos, era ouvir Flamengo e Vasco da Gama no Rádio.  A gente não ouvia falar em Grêmio e Internacional.  Até ouvíamos falar em Penharol e Nacional, mas nada de dupla Grenal. 

Também, para ir de Sant’ana a Porto Alegre era preciso viajar um dia inteiro e de trem.  Na fronteira a gente vivia exilado de tudo e de todos.    As referências para nós eram as capitais do Prata,  Montevidéu e Buenos Aires.  E quando acontecia, tudo se realizava via Cacequi, uma das localidades mais citadas nos relatos de viajantes locais do fim dos anos 40, início dos anos 50.  

Sentávamos, em torno da eletrola do pai do meu amigo Vito Gallo, que era o único instrumento que permitia ouvir a Rádio Tamoio do Rio de Janeiro.   Só era possível ouvir em ondas curtas.  O problema eram as descargas elétricas, que depois, muito depois, vim a saber que se chamavam impedância.

Sempre que havia uma jogada importante, a cobrança de uma falta grave que gerava expulsão de algum atleta, a iminência de um gol, surgia a tal descarga elétrica e perdia-se a informação.  Em alguns segundos, o som retornava e nós, em dúvida, nos perguntávamos se a jogada havia sido concluída e se houve um gol na partida. 

Dúvida atroz.  A história que eu estou contando aconteceu em 1952 ou 1953.  O transistor surgiu em 1948.  Demorou muito a chegar ao grande público.  Eu lembro que eu comprei, ou ganhei, o meu primeiro rádio portátil na Copa de 1958, quando o Brasil foi campeão do mundo na Suécia, pela primeira vez.  

Nesses “tempos modernos” em que eu consigo ligar o meu notebook pela manhã, eu me sinto como um frequentador do laboratório do Batman, escondido em algum esconderijo de Gotham City.   

Foi uma longa trajetória até aqui.   A primeira geração dos computadores é dos anos 50.   Nos ano 60 eu ouvi falar em computador pela primeira vez.  

Mais adiante eu tomei conhecimento da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada em Defesa, a DARPA, na sigla em inglês, local onde surgiu a ARPANET em 1963.    Durante muitos anos eu utilizei em sala de aula os vídeos da criação original realizada no Pentágono

Técnicos devidamente treinados, trabalhavam em Centros de Processamento de Dados (CPD), o Data Center. Eu lembro que nos anos 70 selecionavam professores nas universidade que desejassem obter treinamento nos novos equipamentos. 

O tempo passou.  Surgiu a INTERNET.   Junto vieram muitos cientistas e futurólogos.  Eu gravei a primeira entrevista do físico britânico Tim Berners Lee nos anos 80.   A criação do www permitia que a gente tivesse a Internet em sala de aula.   

E assim, nos anos 90, surgiu o JAVA, a plataforma da Sun Microsystems.  Era possível criar programas.  O Batman transformou-se em Super Homem e poderia fazer o que bem quisesse.  Em sala de aula eu apresentava uma entrevista da minha videoteca com o James Gosling. 

Gosling, 65 anos, foi um programador do Canadá que obteve PhD em Ciência da Computação.  Eu lembro que ele dizia uma frase na entrevista que eu gravei e que jamais eu esqueci.   Ele tratava da diferença entre o hardware e o software, e disse para que você vai comprar um ônibus para ir de um lugar a outro, se você só precisa de um bilhete?

Em 2020, ao amanhecer e me sentar à frente desse poderoso instrumento, o notebook, eu estou me expressando com a maior sinceridade do mundo.   

Para quem utilizou rádio a válvula e telefone à base da manivela, esperando dois a três dias para viabilizar uma ligação telefônica entre Sant’Ana e Porto Alegre, o notebook, sem dúvida, é coisa do mundo moderno.  

Não importa que ao meu lado, a minha netinha de 5 anos, a Martina, com os seus cabelos compridos, manuseie o seu smartphone com uma rapidez impressionante.   E que ela abandone tudo para ir a um notebook para assistir a aula da tarde que já está em seu início.  Que tempos são esses?

Ela me dá às costas e eu me volto para o meu notebook.  É aqui no meu gabinete, no meu ambiente ou seria no meu estúdio, que tudo acontece.   Tem piano. violão, teclado, televisão a cabo, certamente um rádio de enfeite e muito ânimo para seguir adiante nesse mundo coronavírus que mudou tudo de um dia para outro, mas que eu ainda estou tentado dimensionar o que vem por aí.   Via notebook, por certo.

A Boa tarde, leitor do blog!

CARTUM, Economista pensa demais, post 24, 28.06.2020, do momento do coronavírus na terra de Donald Trump às lembranças de alguns momentos em unidades de saúde

Porto Alegre, 28 de junho de 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 9,2 graus C, 42% de umidade, sem chuva

Inicio o domingo escrevendo sobre os Estados Unidos.  São 06h00, aqui no beco, em Porto Alegre.  O frio chegou para valer há dois dias.  Optei por redigir sobre o que está acontecendo na maior economia do planeta porque eu achava que os norte-americanos encontrariam uma saída mais rápida para o quadro de infecção que me parece tende a se generalizar ainda mais, e não diminuir, conforme eu imaginava no desdobramento do meu script.

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Eu acreditava na capacidade do establishment administrar a crise política, na capacidade da economia em amenizar a recessão, na capacidade do espirito animal do empreendedor em definir alternativas, na  capacidade do FED em gerenciar a política monetária, na capacidade do discurso da inovação da academia e na capacidade de Donald Trump em minimizar, efetivamente, a crise às vésperas da eleição de 03 de novembro.   

Ledo engano.   A sociedade americana parece acompanhar tudo o que acontece na sala de espetáculos de Hollywood.  O filme de ficção parece ter tomado conta da realidade.   A direção geral está robotizada.  Em 1955, quando eu tinha 11 anos eu vi o filme … E O VENTO LEVOU, produzido em 1939, e saí impressionado do cinema.  …

Eu estava cansado, um tanto mal humorado, como podia um filme ter tanto tempo de duração.  Ao acessar a Calle Sarandi, do lado do Uruguai, tudo parecia mudar.  Havia muita movimentação, as lojas ocupadas por muita propaganda luminosa, havia muita gente transitando em todas as  direções. 

Quando a crise atual começou, eu achava que tudo era uma questão de tempo e todos acessariam a uma tal Calle de la Esperanza e tudo voltaria ao normal. 

Nada disso está se confirmando.  As premissas eram débeis para um ambiente de crise.   A natureza da crise parece implicar uma transição abrupta na chegada e extremamente lenta na saída.   

A globalização parecia ter um hardware robusto, concebido nos Estados Unidos.    Hoje, parece que ela foi atingida em pleno voo.   Ela praticou um pouso de emergência fora dos manuais de treinamento.  Houve pane na comunicação com a torre de comando.  O software não funciona.  A globalização não conseguiu nem taxiar após o pouso.   Ela parece inerte, à revelia da tripulação. 

No geral, a minha observação me leva a acreditar que as engrenagens que movimentam a economia norte-americana estão sofrendo com o impasse da crise.  É preciso ativá-las, mas falta força para a execução da tarefa.  O controle remoto deixou de funcionar, a mão de obra se sente insegura para levar adiante o conserto.  As ordens da chefia não são convergentes.  Pior, os manuais que eram utilizados desde 1929, parecem ter perdido a validade. 

Em terra, a população norte-americana parece permanecer numa caverna onde há isolamento do ambiente externo.  Para permanecer no local é preciso convicção e meios de sobrevivência.  Muitos optaram por adotar uma vida, errante, do lado de fora.   Quem está dentro evita sair.  Que está fora, volta, mas põe em risco a vida dos que permanecem dentro. 

 

Outros tantos saíram e perderam a vida na arriscada tarefa de buscar meios de sobrevivência.  O certo é que ninguém sabe, ao certo, quando o filme acaba.  E quando terminar ficará a dúvida sobre o destino de Clark Gable, Vivien Leigh, Leslie Howard e Olivia de Havilland.   Scarlett (Leigh) e Rhett (Gable) permanecerão juntos conforme os cartazes mostravam à entrada do cinema?

Quando eu vi E O VENTO LEVOU, muitos falavam que nem os diretores aguentaram o tempo de duração das filmagens.  Fui conferir agora e percebi que, efetivamente, três diferentes diretores – George Cukor, Victor Fleming e Sam Wood – ocuparam a cadeira com braços destinada ao maior responsável pela obra apresentar o THE END na tela enquanto o público começa a levantar a se retirar da sala do espetáculo. 

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Bem, à par da ficção, a verdade é que até eu, aqui no meu beco, já começo a me preocupar com o destino da política e da economia norte-americana. 

As últimas informações que eu obtive na mídia dos Estados Unidos são que os resultados do placar da Johns Hopkins continuam em alta.   Os norte-americanos estão com um olho nos 10 milhões de infectados no mundo e com o outro nos 2,5 milhões de infectados nos Estados Unidos.  E os americanos, em grande maioria, não tem plano de saúde.  Será que isso é verdade?   Absoluta?

Quando eu cheguei aos Estados Unidos eu tinha o meu MEDICAID.  Nessa crise eu ouço que as pessoas morrem nos Estados Unidos porque deixam para recorrer ao atendimento médico no último momento.   Por isso, muitos morrem.  E os que vão para os hospitais, saem praticamente falidos.  Não há dinheiro suficiente para pagar os custos astronômicos dos serviços de saúde.   

Bem no meu Medicaid, no triênio que me mantive nos Estados Unidos, eu tive cobertura de tudo o que precisei.  Nos EUA tem um sistema público desdobrado em Medicaid, para pessoas pobres, e Medicare, para pessoas velhas.   

Eu estudei primeiro em Houston, Texas, e depois, Syracuse, Nova York.   Houston está no Golfo do México e Syracuse na região dos Grandes Lagos.   Saí do calor do sertão brasileiro e fui morar no frio do polo norte.  Foi algo mais ou menos assim que eu passei. 

Quando o frio chegou, eu sofri com a dor decorrente de algum problema em um canal dentário   A temperatura estava em 10 graus centigrados negativos.   Essa é a forma antiga de dizer 10 graus Celsius negativos.  Bem, instantaneamente a dor se tornou aterradora.   

Eu fui para os Estados Unidos na condição de professor da UFSM e com bolsa da OEA.  No dia da matrícula nos EUA, já em território norte-americano,  eu fiquei sabendo que o Brasil não pagava a OEA há mais de um ano.   Automaticamente eu ficaria em standby até que a situação normalizasse entre Washington e Brasília. 

Bem, a solução que eu encontrei foi que eu poderia pagar a matricula em algumas vezes, utilizando o meu salário de professor.  E, assim eu fiz, até a minha bolsa de estudos chegar.   Foi difícil, mas valeu.   

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Fazer o quê?   Cadê socorro do setor de saúde?   Chegou o fim de semana.   Foram 36 horas no purgatório.  Afinal, em hospital eu obtive uma receita e comprei uma medicação que me deixou o rosto como se fora uma pedra. 

Naquela época, não tendo a bolsa da OEA eu poderia obter o cartão do Medicaid.   Foi o que eu fiz.   A minha vida mudou da noite para o dia.   Havia todo o recurso de saúde – médico e odontológico – necessário.   Nunca mais me preocupei com nada de gasto em saúde.   

Eu fiquei tão grato a tudo que me foi dado que decidi participar de uma pesquisa médica em torno da intensidade da dor dentro de unidade de saúde.   Fui convidado a participar.   Pensei que quem sabe tivesse chegada a hora de eu retribuir ao que tinha usufruído do governo daquele país.   

Na hora que a oportunidade surgiu eu me senti como o Vitório Gassman no filme Il Sorpasso, uma comédia italiana de 1962.  Gassman, que contracenava com Jean-Louis Trintignant e Catherine Spaak, sabia tudo, podia tudo, fazia tudo.   Eu me sentia igual, pois, tinha cartão da Medicaid, sabia tudo, podia tudo, fazia tudo.  Cheguei a me lembrar de um filme que eu tinha assistido anteriormente no Cine Grand Rex, de Rivera.

Em português o filme Il Sorpasso tinha o título traduzido par Aquele que sabe viver.   Na película, devido ao ímpeto, Gassaman se dava mal algumas vezes.  Foi o que aconteceu comigo no dia que cheguei ao hospital para me submeter ao teste da dor.

As pessoas me cumprimentavam alegremente.  O ambiente era realmente agradável.  Em dado momento me colocaram em posição de repouso.  Começaram a surgir fios de todos os lados e de todas as cores.   Eu fiquei totalmente conectado a algum equipamento central.   Foi o que imaginei junto àquela coorte de médicos e enfermeiros. 

Havia uma música de fundo que mais parecia destinar-se a fazer às vezes de um tranquilizante.   No momento, eu lembrei das viagens que eu fazia no Viscont da VASP quando eu trabalhava no Rio de Janeiro e voltava para o Sul todas às sextas feiras, à tardinha.   

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Deixar o calor da Cidade Maravilhosa e migrar para o ar condicionado do avião. Os passageiros ainda estavam entrando pelo corredor da aeronave e aquela música me sensibilizava porque era a hora do meu retorno, depois de uma semana de trabalho fora de casa  

De repente, não mais que de repente, como no soneto da Separação do Vinícius, alguém deu um sinal e o tal teste começou.  A experiência foi horripilante.  Quando criança eu ouvia falar que havia cadeira elétrica na América para ser utilizada por determinação da justiça.

Pois, naquele dia, já adulto, eu imagino que eu deva ter experimentado algo semelhante.   Passei do purgatório, citado antes, para o inferno.  Hoje quando penso em tudo o que aconteceu eu lembro de uma vez que eu estava dando aula em João Pessoa, na Paraíba. 

No intervalo entre um turno e outro, um grupo de alunos me ofereceu uma prova de uma fruta chamada tamarino ou tamarindo.  Eles me alertaram que eu nunca mais esqueceria daquele dia,   

A fruta era muito ácida.  As papilas gustativas captavam um gosto azedo.   Eu jamais esqueceria, disseram os alunos, porque toda vez que lembrasse do fato o gosto viria, instantaneamente, à boca.

… 

O caso do meu teste da dor, em unidade de saúde do Estados Unidos, não foi diferente.  Só de lembrar eu me arrepio.  Foi algo doloroso e, quem sabe por isso, inesquecível. 

Enquanto eu continuo com os filmes que eu vi no entretenimento, o gosto do tamarino na boca e o teste da dor  na memória, eu acompanho os depoimentos do Dr Anthoni Fauci dizendo que a pandemia continua à espreita dos incautos, as cenas de Donald Trump minimizando a gripezinha e os cemitérios norte-americanos acolhendo os pacientes que vem, sem direito a viagem de volta, em sono eterno diretamente dos hospitais. 

Se alguém me contasse toda essa história há 90 dias eu não acreditaria.  Nem eu poderia reunir as peças e colocá-las em ordem.  Agora parece que conclui a tarefa com êxito. 

O que me preocupa é o meu trabalho do sonho da próxima madrugada.  Como será que o meu inconsciente vai receber toda essa catarse que eu realizei?   Qual será a conclusão do seu diagnóstico?   Um velho e, pior, um tolo? 

Leitor do blog, boa noite e bons sonhos!

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