UNIÃO EUROPEIA RUMO AO NACOTAL, UM ARDILOSO EVENTO DE NATAL EM PLENA PANDEMIA

Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre,   28.11.2020, 12:10, 26 graus C, 54% de umidade 

Post 01.03.18

01. Internacional, 03 União Europeia, 18 número de ordem do post

Eu passei alguns eventos de Natal longe da família.  É interessante porque quando se viver longe do Brasil tudo parece novidade, tudo é motivo de interesse especial.   Isso acontece até que chega a proximidade do Natal.   O mundo parece viver outra realidade à medida que as primeiras imagens natalinas começam a surgir ao longo das cidades.  

Eu não sei se o evento faz lembrar dos familiares distantes, se são as recordações dos tempos de criança ou se é um quadro lúdico de uma felicidade que um dia existiu e ficou armazenada em minha memória. 

De concreto basta ouvir jingle bells ou encontrar uma imagem de crianças frente ao trenó do Papai Noel e a memória parece ser acionada e estimular a cognição.  Distante de imaginar um recurso terapêutico de rotina, o indivíduo parece assaltado por pensamentos coloridos cuja origem desconhecida parece obedecer a um processo determinado por forte dose emocional. 

Tudo isso me veio à mente nessa manhã de sábado porque eu constatei que a Europa começou a conviver com as preparações para a noite de natal.

Eu assisti a uma manifestação de Úrsula von der Leyen, a presidente do Parlamento Europeu, em que ela afirmou o que já havia dito antes, ou seja, que esse Natal será diferente.   Será um Natal silencioso. 

Úrsula continuou afirmando que sabia que os proprietários das lojas e dos bares e restaurantes almejam o fim da restrições, a eliminação dos distanciamentos, mas é preciso aprender com o que aconteceu no último verão e não repetir os mesmos erros.   Se o confinamento for evitado, corre-se o risco de se criar uma terceira onda depois das festividades.

As imagens transmitidas pela televisão sobre a iluminação no Champs-Élysées mostram arvores em vermelho e em amarelo em meio aos postes de luz branca formando um conjunto com muita harmonia e rara beleza.

Na Itália os noticiários desse sábado mostram as luzes sendo acesas na famosa árvore de natal de Trento, uma comuna italiana que é a capital administrativa da região Trentino-Alto Ádige.   Rota de passagem na Antiguidade, ela foi conquistada pelos romanos e se tornou cidade em torno de 50 A.C.

Na Bélgica, a Grand Place, com origem no século XII e um dos lugares mais belos do Velho Continente, os edifícios anoiteceram, na sexta-feira, totalmente iluminados em vermelho e amarelo.     Eu visitei o local em 1969 eu cheguei à praça e fiquei impressionado com a beleza de um dos prédios,  conhecido como a Casa do Rei.  Mercado do pão no século XIII, foi reconstruído no século XVIII e é, atualmente, o Museu de Bruxelas.

Na Dinamarca há um Papai Noel na praça de Copenhague, saudando a todas as crianças que se deslocam até o loca.   Ele está numa bola de neve de tamanho gigante, mas a originalidade está que há uma bolha de plástico transparente isolando o velhinho das crianças. 

O ambiente de confinamento que protege as pessoas do covid19 encontra algumas capitais em que o isolamento não é observado.  Na República Checa as lojas estão abertas para que a população realize as suas compras natalinas. 

Bem, esse é o quadro vigente no bloco às vésperas do Natal.   A situação é crítica porque a população já sofreu em demasia com a crise sanitária na segunda onda.  Festas agora implicam terceira onda da covid19 logo a seguir.  Ficarei atento a tudo o que acontecer nas capitais do bloco nas próximas semanas.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  OS DIQUES NOS PAÍSES BAIXOS

Em 1969 eu vivenciei uma experiência inusitada.  No dia anterior eu havia viajado de Bruxelas para Amsterdã, onde eu permaneci por dois dias.  Encerrada a estada na capital da Holanda, eu decidi que eu queria conhecer um dique antes de viajar para a Alemanha.

Era fim de inverno, mas ainda fazia muito frio.    Eu não sabia a palavra dique em inglês e nem levava dicionário no carro.  É importante lembrar que naquela época não havia Google ou algo parecido,  Eu subi de Amsterdã rumo ao norte do país imaginando que rapidamente eu iria alcançar o meu objetivo.

Rodei bastante e nada de sinalização à margem da estrada.  Ao longo do percurso eu ia parando e tentando me informar sobre a localização certa onde eu deveria chegar.  Eu lembro que eu parava em restaurantes ou lugares com publico à vista e explicava que eu almejava conhecer um lugar onde havia uma parede, um muro, um objeto, enfim, que separasse a terra do mar.

Sempre me sinalizavam que eu devia prosseguir no mesmo rumo, ou seja, em direção ao norte.  E assim eu fui subindo a Holanda rumo ao norte e as horas iam passando.

Cansado de tanto procurar por um dique eu me propus a parar pela última vez à beira da estrada,  Eu repeti a mesma história, mas eu acrescentei que em português a palavra era dique.

Instantaneamente, uma senhora muito simpática, me respondeu, oh, a dike!  You are looking for a dike!    Levou-me até a porta do estabelecimento, apontou para a minha esquerda e me disse que tudo que havia naquele sentido eram um dique.   

Deixei o carro na frente do estabelecimento, caminhei 50 metros rumo ao dique e tirei a foto acima.  Na imagem, ao fundo está o mar, e eu estou em cima do dique que separa a terra em nível mais baixo da água em patamar mais elevado.

Coisas de um manicaca!

A CONJUNTURA ECONÔMICA CHINESA NESSE FINAL DE NOVEMBRO

Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 27.11.2020, 12:10, 24 graus C, 67 % de umidade 

Post 01.11.10

01 Internacional, 11 China, 10 número de ordem do post

Acesso os jornais da China, uma recorrida que realizo a todo momento, e me deparo com mais uma matéria sobre a Rota da Seda, o Silk Road, aquele caminho utilizado para transportar cargas do Extremo Oriente, de Xi’an  para a Europa, até a Antioquia, na Turquia. 

A influência foi muito além daí.  Era a rede mais importante na Antiguidade.  O que me chamou a atenção, em especial, é que os chineses estão partindo para a criação do Silk Road em dimensão aérea.

Vejo, também, que o presidente Xi Jinping enviou uma correspondência a Joe Biden cumprimentando-o pela eleição presidencial.  Da mesma forma, Wang Qishan, o vice presidente da China enviou os parabéns à vice presidenta eleita, Kamala Harris.

Na carta, Xi disse a Biden que o relacionamento estável entre ambos favorece as pessoas nos dois países e contribui para atender as expectativas da comunidade internacional.  Xi especificou no texto que espera o respeito mutuo e cooperação em um ambiente sereno. 

Ele afirmou a Biden que espera que ele se concentre na cooperação, gerencie as diferenças, promova o desenvolvimento sustentável e estável entre as duas potencias, visando, sempre a paz e a retomada global.

A par do novo elo de relacionamento entre a China e os Estados Unidos, o mundo está atento à recuperação da economia chinesa, a primeira a sinalizar retomada e a única a  evidenciar ausência de recessão

Ontem, em Paris,  Margit Molnar, chefe do Escritório da China na OCDE,  afirmou que o seu país foi o primeiro a retomar a atividade econômica no nível pré-pandemia.   

Isso aconteceu ao mesmo tempo em que o país atendeu, nos últimos meses, a demanda de materiais e equipamentos de proteção para o mundo enfrentar a pandemia e se adequar para o tele trabalho e estar, agora, também em condições de demandar o que o mundo produz.

Essa percepção que a economia chinesa voltou à normalidade pode ser conferida em matéria do próprio canal Bloomberg.   Segundo à fonte, a recuperação local está estabilizada com o avanço das exportações e o boom dos mercados.

A referida fonte informou que a recuperação estabilizada se concretizou em novembro.  Ao ler o texto daquele canal eu fiquei com a percepção que o governo chinês virou a chave.   

Agora, o que importa é migrar dos estímulos emergenciais para os objetivos de crescimento de longo prazo.  E só a China parece estar em condições de realizar essa empreitada no corrente ano.

A mesma assertiva que eu encontrei na entrevista de  Margit Molnar da OCDE que deu ênfase especial à  importância do acordo de Livre Comercio de Parceria Econômica Abrangente Regional (RCEP) firmado entre a China e 15 países do Continente Asiático, eu verifiquei na matéria da Bloomberg.

Essa última, a Bloomberg,  atribuiu à demanda externa a força da recuperação e, que, conjuntamente com as exportações de produtos de tecnologia e material de saúde produziram os resultados alcançados pela economia chinesa até o presente momento.

A propósito, cabe o registro que em novembro, esse cenário foi decisivo para a inserção das pequenas e médias empresas no nível da atividade econômica e na confiança empresarial vigentes.

No meu caso que trabalho com conjuntura a tantos anos, me chamou a atenção da Bloomberg incluiu alguns indicadores novos para a análise das projeções da economia.  Eles passaram a incluir a venda de casas e de carros e os estoques adicionais de aço.

Para encerrar, eu leio nos jornais chineses que depois de ter enviado a sonda Tianwen- 1 para o planeta Marte, país lançou um primeira missão Chang’e-5 que representa mais um passo à frente no seu programa de desenvolvimento aeroespacial.   

O objetivo de utilizar o foguete Longa Marcha – 5, no Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, em Hainan, visa recuperar rochas lunares.  Em dois mil e duzentos segundos a Chang’e-5 separou-se do foguete Longa Marcha-5 e entrou em órbita de transferência da terra para a lua.

Esse projeto chinês da missão Chang’e-5 é ambicioso porque implica orbitar, pousar e retornar.   Não é pouca coisa em um mundo que vivencia uma recessão sem precedentes e uma pandemia ainda sem vacina.  

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:

No período em que estudei em Portugal (1968-69) eu fui conhecer Cacilhas, uma freguesia portuguesa do outro lado do Tejo, que fica a 14,5 quilômetros de Lisboa.  Fiz o deslocamento de barco, um percurso realizado em 24 minutos. 

Lá eu pude conhecer o Santuário Nacional de Cristo Rei, uma obra iniciada em 1949 com 110 metros de altura, e dedicado ao Sagrado Coração de Jesus.  Ela foi aberta ao público em 1959. Um elevador interno leva o visitante ao topo das colunas e aos pés da estátua do Cristo. 

O monumento inspirado no Cristo Redentor do Rio de Janeiro, foi edificado como decorrência de voto do episcopado local, formulado em Fátima, em 1940, como um pedido a Deus para que Portugal ficasse de fora da Segunda Guerra Mundial.   Salazar aderiu à neutralidade e o país não participou da guerra.

Lá de cima é possível ter uma vista da capital portuguesa e, em primeiro plano, da Ponte 25 de Abril, uma obra rodoferroviária, suspensa sobre o gargalo do Rio Tejo, que possui 2.227 metros de cumprimentos e que liga Lisboa a Almada.   

Na época que eu morei em Portugal a ponte se chamava Salazar.  Posteriormente com a Revolução do Cravos que depôs o regime, a obra trocou de nome Ponte Salazar para Ponte 25 de Abril.

Na imagem abaixo, o senhor que está de chapéu preto se chamava Senhor Agostinho e ele tem a seu lado a Dona Elvira, a sua esposa e a gerente da Pensão Castromira, um hotel localizado na Rua Almirante Reis, 35 no centro da Capital.  Eu fui hóspede do estabelecimento que existe, até hoje, no mesmo endereço em Lisboa.

Eu jamais esqueci dessa fotografia porque ela foi batida na época que os americanos estavam na corrida espacial rumo à Lua.  Eu lembro que o Senhor Agostinho olhando para o céu me perguntou se eu acreditava que os americanos estavam, realmente, chegando à Lua?

Naquela época, o Senhor Agostinho era o cozinheiro chefe da Companhia União Fabril (CUF), uma empresa do setor químico desde 1865.   

Eu lembro que eu olhei para o meu amigo e antes que eu lhe respondesse ele acrescentou: Professor, esses equipamentos devem estar sobrevoando Lisboa e eles dizem que estão chegando à Lua.

No ano seguinte, 1970, eu tinha retornado ao Brasil e obtive uma bolsa da Organização dos Estados Americanos (OEA) para realizar o meu mestrado em Economia nos Estados Unidos. 

Eu pleiteava uma bolsa para Paris, mas o argumento que me foi passado era que se eu fosse para a França eu jamais retornaria ao meu país de origem.

Naquela época, transição dos anos 60 para os 70, não bastava mais lecionar baseado somente no título de bacharelado.  As Universidades passaram a exigir que o corpo docente realizasse pós-graduação.  E, assim, eu fui estudar e residir, inicialmente, em Houston, no Texas.    

No segundo fim de semana que eu residia naquela cidade eu fui conhecer o Centro Espacial, o centro de comando dos voos tripulados da NASA, inaugurado em 1963, pela agência espacial dos Estados Unidos.

Na época que eu o visitei ele era denominado Centro de Controle de Missão Christopher C. Kraft Jr. e foi renomeado Centro Espacial Lyndon B. Jonhnson em 1973, em homenagem ao presidente falecido. 

A visita foi um show.  Havia dezenas de prédios.  Na foto eu estou entrando no Prédio 5, onde estava a amostra da rocha trazida da lua.  Era entrar no prédio e dar de cara com a rocha lunar, disposta em um ambiente de muita iluminação. 

Depois eu estive no prédio em que estava todo o centro de treinamento de astronautas, equipamentos moderníssimos para a época.  O que eu conhecia de filmes eu estava vendo à minha frente. 

Mais adiante eu estive em local onde estava situada a cápsula espacial que havia viajado à lua e que acomodava os astronautas ao longo do percurso. 

Realmente foi um show.  Uma experiência inesquecível.   Veja, o leitor, o que me havia dito o Senhor Agostinho, em 1969, no monumento Cristo Rei em Cacilhas em um mundo em que a Apollo 11 já realizava o voo espacial tripulado à Lua.   

Na verdade, os astronautas Amstrong e Aldrin alunissaram o Eagle, o módulo lunar, às 20:17 UTC, o Coordinated Universal Time, o Tempo Universal Coordenado do dia 20.07.1969.   

Em Houston, no ano seguinte, eu pude comprovar tudo o que se dizia da missão Apollo 11 e do primeiro pouso na Lua. 

MELODIAS de um professor de solfejo, post 04, 26.11.2020, Dóris Monteiro

Porto Alegre, 26 de novembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua Gen João Manoel, 12h10, 26 graus C, 49 % de umidade, chuva chegando

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À guisa de informação eu estudei piano até o sexto ano.  Quando eu conclui o quarto ano eu me tornei professor de solfejo.  Uma experiência inesquecível.  Sempre que eu escrevo sobre algo que tem a ver com a música, eu coloco o texto na classificação acima.

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Bem, lá vou eu para uma catarse.  Algumas vezes, depois de aposentado, em 1997, eu pensei em me dedicar à música, outra vez.   Tenho mais de 50 músicas prontas.  Eu interrompi a minha atividade ligada às artes quando a minha filha de número 3 nasceu. 

Ela dormia muito mal.  Sempre.  Acordava a cada 15 ou 20 minutos, recorrentemente, por dois ou três anos consecutivos.  Depois do primeiro micro sono, só eu podia chegar perto dela.  Vieram bispo, padre, médium, pai de santo, enfim gente de todos os credos.  E, nada.  Eu lembro que o Doutor Rota, já falecido,  repetia que um dia o sono voltava.

Deixei tudo de lado, inclusive o piano, o teclado e o violão.  São 4 filhos.  Quando a de número 3 finalmente dormia, em torno de 07:00, já estava no horário de os mais velhos seguirem para o colégio.  Fazer o quê?

Mesmo assim, na minha videoteca de várias décadas eu sempre gravei matérias com músicos, além da minha rotina normal de manter atenção prioritária à agenda da Economia.   A música que eu acompanhei, eu reconheço, era um tanto antiga. 

Quando surgiu a bossa nova eu levei um choque.   Achei que era uma vertente mágica da música nacional.  Hoje, eu ainda não aprendi a apreciar a música sertaneja.  Faço força.  De alguma forma, eu tenho consciência que todos os músicos são esforçados.  

Quando, pela primeira vez, eu ouvi Elizeth Cardoso e depois João Gilberto eu era fã do Agostinho dos Santos.  No primeiro momento em que eu me liguei nesses dois novos cantores, parecia que era uma evolução, um upgrade, da melodia Balada Triste, Dindi, ou. em Segredo, que Agostinho cantava.   

O mundo da voz suave de Agostinho terminou a 4 quilômetros do pouso do PP VJZ, Boeing 707-345C da Varig, no Aeroporto de Orly em 12 de julho de 1973.   Foi um baque.  Como pode um cantor tão jovem vir a falecer, pensava eu?

Até então eu me orgulhava de ter olhado o mapa de Paris, em 1969, partido do Arco do Triunfo e chegado ao aeroporto, sem erros.   Aquele era o Aeroporto de Orly que eu havia conhecido em 1969, três anos antes do acidente fatal de Agostinho dos Santos.

Eu guiava um fusca alemão, um carro de qualidade à época.   Eu contava vantagens aos meus familiares da minha façanha de ter acertado a ida ao aeroporto de Orly com rara precisão. 

Depois, quem diria, foi ali que Agostinho viria a falecer tragicamente.   Então o aeroporto da capital francesa deixou de ter a mesma importância na minha memória.

Três perdas de músicos me consternaram ao longo da vida.  Chico Alves, o rei da voz, em 1952, Agostinho, o inimitável, em 1973 e Elis, a pimentinha, em 1982. 

Cada um em uma década diferente.   Chico e Agostinho faleceram, carbonizados, em acidentes de carro e de avião, e Elis, foi uma perda de repente, sem que ninguém entendesse e foi enterrada no cemitério do Morumbi.  

Bem, eu passo ao post de hoje, de Doris Monteiro.  Eu assisti a entrevista de Dóris Monteiro, 85 anos, cantora e atriz,  no Canal Brasil em junho passado.    Ela participou do programa Disco de Vinil que é apresentado por Charles Gavin o ex-baterista do Titãs, no Canal Brasil, canal 113 da SKY.     

O programa vai ao ar às quintas-feiras.     O episódio 315 previsto para o dia seguinte que eu fiz a gravação, no caso, 11.06.2020, das 13h30 às 14h00, teria a presença de Joyce Moreno no programa Gafieira Moderna 2001.

O leitor do blog pode lembrar que eu contei em posts anteriores todo o meu envolvimento com música nos anos 50.    Eu comecei muito cedo no piano e nos programas de calouros de rádio.   Tudo por pressão dos pais.   

Eu lembro que nos anos 60, tão logo me formei em Economia, veio o convite para eu me tornar professor.  Eu lembro de ter respondido que eu não me sentia à vontade para falar em público.  Um tanto de inibição e outro tanto de vergonha.   Perdi tempo em meio aos meus argumentos.  Fui obrigado a aceitar sob forte pressão.

Interessante que eu não tinha a menor vergonha de me apresentar em audições de piano e em fazer a voz solo nas missas dominicais das dez da manhã, da Igreja Matriz, na minha cidade natal.   

Eu creio que nos programas de rádio a exigência era outra.   Tudo era uma festa.  Era preciso que todos calouros se apresentassem para os jurados escolherem os vencedores. 

Naquela época não havia roupa pronta.  Sempre que eu ganhava um brinde eu levava para casa um corte de camisa ou algo equivalente.  Eram os prêmios distribuídos na ocasião.   

… 

Bem, o rádio brasileiro é de 20 de abril de 1923.   A data está associada à criação da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro e à figura de Roquete Pinto.   A primeira transmissão aconteceu em 07 de setembro de 1923. 

Eu sou de agosto de 1944 e aos oito anos eu já estudava piano.   Dóris tinha dez anos quando eu nasci, pois ela é de outubro de 1934.    Eu lembro bem do ano de 1952, data da morte de Chico Viola, o cantor de maior sucesso quando eu era criança.    

Nesse mesmo ano Dóris Monteiro foi Rainha do Rádio pela primeira vez.   Eu lembro também do nome dela porque era uma cantora muito popular quando eu era totalmente voltado para à música.     

Eu assisti uma outra entrevista de Dóris Monteiro, em um programa de televisão denominado Trajetória em que ela contou que era de origem portuguesa, filha de um porteiro e de uma empregada doméstica. 

Ela despertou muito cedo para a música.    Em casa só se falava em fado e isso ela não desejava.  Ela desejava ser cantora, depois, influenciada por uma vizinha, desejava ser aeromoça e, mais tarde, cantora outra vez.     

De origem pobre, ela contou que tinha um apartamento onde o pai dela fazia faxina quando ela era pequena.   Ao contrário da minha casa onde os meus pais me obrigavam a cantar para as visitas, Dóris contou que na casa dela ninguém gostava de música.  

Aos 13 anos ela estava cantando a música Caminhemos, de Herivelto Martins, uma vizinha ouviu e falou para mãe de Dóris que ela devia ir no programa dominical de calouros, Papel Carbono, apresentado por Renato Murce na Rádio Nacional do RJ, a PRE-8.  Ela foi, cantou e venceu

Na entrevista, Doris disse que foi cantando durante algum tempo nos programas de calouros até que conheceu o cantor Alcides Gerardi (1918-78), um gaúcho de Rio Grande, cantor de Cabecinha no ombro, uma música que eu conheci bem porque ela era uma melodia famosa quando eu era adolescente. 

Eu fui buscar mais informações na revista O Cruzeiro que eu comprava para a minha mãe todas as semanas.   A primeira edição que eu acessei era de 15 de dezembro de 1928.  Nem a Dóris Monteiro e, muito menos eu, havíamos nascido,

Tudo foi curiosidade.  Na edição da revista de 1928 eu vi muitas matérias sobre as praias do Rio, e, em particular, sobre o Posto 4.  Havia propagandas, muitas propagandas.  Do sabonete 33,  que era perfumado até o fim até a Casa Eritis, um estabelecimento de cabelereiros para senhoras que oferecia serviços de ondulação permanente com garantia de até oito meses.

Puxa, que Brasil era esse, o de 1028?  Antes da grande crise mundial da Bolsa de Nova York de 24 de outubro de 1929?   Havia propaganda dos saltos de sapatos Good Year que amortizavam as pancadas nos pés.

Na página 14 aparece um Chrysler em Copacabana.  Há uma moça de maiô a caráter da época, de pé no banco do carro conversível.  Na imagem, o automóvel mais parece um Ford de bigode, como se chamava na minha época de criança.   Mas está ali, em destaque, certamente porque era um fato importante.

Eu continuei folhando a revista, mas tudo versava sobre a vida nas praias.   Na página 19 há uma matéria sobre a antiga praia do Flamengo.  Lotada.  Um fiozinho de terra, mas gente aos borbotões. Na 24 era a vez da praia da Urca.  Senhoras sentadas, tomando chá e comendo bolos, em plena areia.   

Fiquei curioso e continuei buscando alguma matéria sobre economia ou política, mas que nada.  Na página 27 mais praias, dessa vez nos Estados Unidos.  Na foto aparecem as atrizes Louise Brooks, Sally Blane e Nancy Philips, da Paramount tomando o chá das 5, em bandejas, em plena areia da praia.

Mais adiante surge uma matéria com Márcia Moreno, uma atriz do cinema brasileiro.  Tudo na praia.   A revista chega ao fim com muitos conteúdos de origem norte-americano com a presença de muitas atrizes do cinema. 

Um destaque especial para uma artista de nome Eve Southern,, que deveria ser celebridade em 1928.  A revista chega ao fim, uma edição de 57 páginas, com propaganda de Odol, sabonete e dentifrício, e encerra com uma página com a imagem de Nossa Senhora. 

A seguir eu fui à busca de novas informações sobre Doris Monteiro.  Eu abri na Internet a revista O Cruzeiro de 1952 e vi a descrição em torno da seleção da rainha do rádio daquela época.  Era um ambiente tenso.   

Eu acessei a matéria no endereço eletrônico

http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=003581&PagFis=332

A escolha começou às 16:15 de um sábado e encerrou às 04:45 da madrugada do domingo com a escolha de Mary Gonçalves.  Eram 13 candidatas ao título.  O Rio Grande do Sul tinha uma representante.   Ilze Silveira estava no concurso representando a Rádio Farroupilha.  Muito conteúdo, mas nenhuma referência à cantora Dóris.

Então, segui adiante.  Novo acesso à Internet e em nova página.  Dessa vez em  https://www.flashlyrics.com/lyrics/real-combo-lisbonense/oh-32

Qual a minha surpresa porque nesse último endereço estava a letra da música Oh! Lirics.  A surpresa decorreu do fato que eu cantei e dancei essa música em companhia de uma colega de adolescência, Lori Farias, já falecida, no Cine Teatro Colombo de Sant’Ana do Livramento, minha terra natal.

Ambos entrávamos em cena vestidos de gala.  Eu utilizava cartola e smoking.   Eu cantava a música e ela dançava comigo ao estilo dos filmes de Fred Astaire.  Até hoje eu levo na memória, o olhar das pessoas nos camarotes atento aos nossos movimentos em cena. 

Novo endereço eletrônico e dessa vez fui a Wikipedia.  Havia tudo sobre a cantora em 

https://pt.wikipedia.org/wiki/D%C3%B3ris_Monteiro

Eu leio no texto que ela gravou 50 discos e participou de onze filmes.  Alguns dos filmes eu assisti no cinema porque ela se apresentava como cantora.   A Carroçinha, um filme de 1955 foi estrelado por Mazzaropi.  Sol sobre a lama é um filme dramático de 1963 com Glauce Rocha. 

Nesses 50 anos dedicados também à musica, uma ferramenta que eu aprecio demais é a plataforma do YouTube.  Ele cria um ambiente extraordinário para a minha produção de textos.

O mocinho bonito, uma música de 1957, Dóris Monteiro parece antecipar o que seria a Bossa Nova do fim da década dos anos 50.   Veja a melodia no endereço  

ahttps://www.youtube.com/watch?v=-QHQNDpZ0rk

Ou ainda a música Mudando de conversa, apresentada em conjunto com Miltinho, no endereço 

https://www.youtube.com/watch?v=m25qkahH34I

Também no YouTube, o leitor pode apreciar Dóris Monteiro cantando a melodia O que eu gosto de você, de autoria de Sílvio Cesar.    Ela está no endereço eletrônico

https://www.google.com/search?q=O+que+eu+gosto+de+voc%C3%AA+Doris+Monteiro&oq=O+que+eu+gosto+de+voc%C3%AA+Doris+Monteiro&aqs=chrome..69i57j69i64.5680j0j4&sourceid=chrome&ie=UTF-8

É isso aí.  Paro por aqui. Eu precisava recuperar um pouco da importância que Dóris Monteiro no meu interesse pela música.   Fiz um ziguezague nada no meu post.   De qualquer forma a catarse foi concluída. 

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Um beco muito importante 

Pois é, amigo leitor, esse é o beco que eu moro há muitos anos.   Nele residiu o secretário de Educação Liberato Salzano Vieira da Cunha, falecido em 05 de abril de 1957, em acidente de um avião Curtiss Commando, prefixo PP-VCF, da Varig, no aeroporto de Bagé.

Eu lembro muito bem desse dia porque eu tinha 13 anos.   Era um domingo e eu jogava futebol no Colégio dos Irmãos Maristas na minha cidade natal, Sant’Ana do Livramento, aqui no RS.   

Eram 10:00 ou 11:00 e alguém gritou que tinha havido um acidente aéreo e todos os 35 passageiros e os 5 tripulantes, tinham morrido em Bagé.  Naquela época o meu pai viajava todas as semanas naquele voo. 

Na hora eu lembrei que o meu pai havia dito em casa que nessa semana não iria a Porto Alegre.  Ufa, eu pensei, dessa o meu pai escapou.  Paramos o jogo de futebol e a tristeza se abateu sobre todos.  Eu lembro, em particular, que o dia de sol se transformou num domingo cinzento.

Anos mais tarde, 1962, eu fazia o meu brevê, e aprendi em sala de aula o que era uma pane na decolagem.  Eu creio que é a pior das panes.  Ou pousa à frente, ou volta para a pista de onde decolou.  Eu creio que isso foi o que o piloto do PP-VCF tentou fazer naquele domingo. 

Ele decolou e retornou em cinco minutos.  Entrou no tráfego para pouso, por alguma razão ele arremeteu o avião – a pista estava curta para o pouso ou algum problema no comando da aeronave – e quando procedeu dessa forma, a asa do avião quebrou e o desastre se concretizou.

Pois o professor Liberato morava no edifício que aparece na foto.  Quando eu vim morar aqui nos anos 70 se falava demais no acidente de 1957.   

À noite, antes da pandemia, o beco estava lotado de gente.

JOE BIDEN COMEÇA A FORMATAR A SUA NOVA EQUIPE DE GOVERNO

Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 25.11.2020, 06:10, 20 graus C, 64 % de umidade 

Post 01.09.29

01 Internacional, 09 Estados Unidos 29 número de ordem do post

A transição de poder nos Estados Unidos está muito lenta.   Donald Trump tem feito todo o possível para negar os resultados, apresentar falsas acusações e associar o voto via correio com uma fraude.   

Com esse pano de fundo, Mike Pompeo, o Secretário de Estado dos EUA, tem viajado ao Exterior e prometido uma transição tranquila do primeiro para o segundo mandato de Donald Trump.   Como assim?   

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Bem, ele afirma que o Presidente prosseguirá na Casa Branca independentemente da apuração dos votos vir a  evidenciar Joe Biden na presidência a partir de 20 de janeiro próximo vindouro.

Essa terça-feira eu assisti na televisão uma entrevista coletiva de Joe Biden e Kamala Harris anunciando nomes que vão participar da equipe de governo no próximo ano. 

O Departamento de Segurança Nacional ficará a cargo de Alejandro Mayorkas, 61 anos, nascido em Havana, Cuba.   Ele migrou para os Estados Unidos durante a Revolução Cubana e residiu em Miami e em Los Angeles, onde obteve a sua formação em Direito.

Ele esteve no cargo de vice-secretário da mesma pasta no governo Obama, onde concebeu a política dos dreamers, conhecida como Deferred Action for Childhood Arrivals (DACA).   través dessa iniciativa, as crianças migrantes sem documentação, podem morar, trabalhar e dirigir nos EUA,   

Assim como aconteceu com outras iniciativas do seu antecessor, Donald Trump quis terminar com a DACA, a Ação Diferida para Chegadas na Infância.    Mayorkas assume o cargo para depurar as iniciativas da gestão republicana nesse campo da política migratória. 

O Departamento de Inteligência Nacional ficará a cargo de Avril Haines, 51 anos, tem formação em Física na Universidade de Chicago e em Direito na Universidade de Georgetown. 

.. .

No passado ela desenvolveu atividades sênior no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins e na Comissão Nacional de Serviço Militar.   

A embaixada dos Estados Unidos junto às Nações Unidas ficará a cargo de Linda Thomas-Greenfield,  68 anos, graduada na Universidade de Louisiana e com mestrado em Administração Pública na Universidade de Wisconsin.

Linda Thomas-Greenfield tem um currículo com muitos atividades na administração pública dos Estados Unidos e em cargos no Exterior, mas Donald Trump a demitiu no expurgo que realizou no Departamento de Estado posto em prática durante a sua gestão.

A secretaria de Estado ficará a cargo de Antony Blinken, 58 anos, que já ocupou o cargo de vice-secretário na mesma pasta no governo Obama depois de ser também vice-conselheiro de Segurança Nacional. 

A relação dos indicados por Joe Biden evidencia que ele conta com profissionais em cada setor, mesmo que não tenham o respaldo político baseado nos votos do pleito de 03 de novembro.   

Ao mesmo tempo entre o lado conservador do partido de um lado, e o “socialista”, de outro, Joe Biden parece ter optado pelo centro.  É o que se percebe na primeira relação de assessores diretos do futuro presidente na divulgação da entrevista de ontem. 

Finalmente Janet Yellen, 74 anos, será a nova Secretária do Tesouro dos EUA.  Eu deixei o nome de Yellen por último porque eu a considero o nome mais importante da nova equipe de Joe Biden.

Yellen tem um currículo extraordinário, tanto na área da academia, como no campo profissional da intermediação financeiras.   

Professora em Berkeley, na Universidade da Califórnia, ela foi dirigente do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos, seja como diretora do Banco Central de São Francisco como de diretora Geral do FED.   Ela é casada com George Arthur Akerlof, prêmio Nobel de Economia de 2001.

A nova Secretária do Tesouro fui sucessora de Ben Bernanke como chairman do FED entre 2014 e 2018.  Ela ocupou o cargo na transição de Barack Obama para Donald Trump, mas esse último deixou de reconduzi-la para a tarefa porque não a julgava à altura do cargo.

Janet Yellen, uma senhora de 1,60 metro de altura e cabelos brancos, é uma economista mais alinhada à postura dovish, (pomba), uma visão expansionista da economia,  do que ao enfoque hawkish (falcão), uma ótica contracionista da economia.

Durante os últimos vinte anos, eu gravei muitas participações de Yellen na televisão.  Mais recentemente, nos últimos dez anos, período que inclui a estada dela no FED, eu enriqueci a minha videoteca com inúmeras palestras e entrevistas da mesma.

Ela sempre se apresentou com o mesmo visual, carregando consigo uma mala de executiva em que transportava todo o material para os seus pronunciamentos nas Comissões do Congresso.  Eram verdadeiras aulas de economia que eram seguidas por questionamentos dos membros das comissões.

… 

É importante destacar que os participantes desses eventos em Capitol Hill eram muito preparados, muito qualificados,  para formular perguntas à entrevistada.   Ela respondia a todos com a mesma atenção, sem pressa, ciente que ao passar a palavra ao próximo deputado ou senador, o anterior estivesse satisfeito com a explicação recebida. 

Ora se no FED ela trabalhou com a taxa de juros para contribuir na gestão da oferta da moeda, agora, na Secretaria do Tesouro ela deverá estar focada no ajuste das contas públicas.  Duas tarefas da maior importância numa economia como a dos Estados Unidos, a maior do planeta.

Aqui do meu beco eu vou ficar torcendo pelo êxito de Janet Yellen, afinal de contas ela terá um papel importante na saída da crise da pandemia.   O seu êxito lá, repercutirá positivamente no desempenho da economia global. 

É isso aí, boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:   PARTICIPAÇÃO EM DEBATE NA BAND TV À ÉPOCA DO PLANO COLLOR

Eu trabalhei por 40 anos na FEE.  Convivi com muitos presidentes nomeados por governos de partidos diferentes e, estive na presidência da Instituição em três ocasiões (governos Guazzelli, Colares e Yeda).  

Na oportunidade que a professora Wrana Maria Panizzi esteve na presidência da FEE, entre 1989-91, eu permaneci lotado na sua assessoria.  Um dia ela marcou uma entrevista na imprensa e determinou que eu fosse à televisão para atender à demanda recebida.  

Desde então ela mostrou interesse que a FEE tivesse maior presença na mídia.   A partir daquele momento eu passei a atender demandas diárias da mídia, um processo que cresceu sistematicamente até os meus últimos dias de trabalho antes da minha aposentadoria. 

Na fotografia acima eu estou participando do programa Canal Livre da TV Band de Porto Alegre.   Por dever de ofício eu me encontrava sempre atualizado em tudo que dissesse respeito ao planejamento no Brasil.  Por essa razão eu era convidado diariamente para participar de eventos.

Na tarde do programa, o âncora era o jornalista Samuel Santos.  Junto comigo havia mais quatro representantes de instituições diferentes.   Eu fiquei à mesa junto ao Samuel, durante uma hora de duração, ou quem sabe um tempo maior.

Na noite dessa mesma quinta-feira eu acordei em torno de 01:00 da madrugada com uma dor insuportável nos olhos.   Levantei e quando cheguei à frente do espelho eu percebi que os meus olhos tinham como que saído da cavidade.

Levaram-me diretamente para o hospital.   A dor durante o percurso era cada vez mais intensa, era como se eu tivesse queimado os olhos.   Chegando no Banco de Olhos, deram-me uma anestesia que fez a dor sumir instantaneamente.

Eu lembro do médico comentar que eu devia ter trabalho com solda o dia inteiro. Respondi-lhe que eu havia trabalhado numa empresa nos anos 60, White Martins, que comercializava oxigênio e material de solda.  O fato não tinha acontecido e, aí, eu lhe disse que tinha passado em torno de uma hora em programa de televisão.  E era tudo o que tinha acontecido comigo.

Resumindo, passei três dias com os olhos vendados sem poder enxergar, sempre medicado e ao final da data aprazada pelos médicos o susto passou.  Nessa época eu fiquei sabendo que as córneas tinham a capacidade de recuperação.

Os anos passaram, eu me aposentei e me afastei da mídia.  De qualquer forma, até as minhas ultimas participações na televisão eu lembro que até à hora da gravação eu ficava com os olhos desviados do ponto de origem da luz.   E, mesmo quando em cena, eu sentia um certo desconforto frente à claridade.

Pois é essa a história por trás da imagem acima.  Cavaco do ofício. 

UNIÃO EUROPEIA SINALIZA A PRESENÇA DE UMA NOVA CRISE EM FORMAÇÃO?

Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 24.11.2020, 06:10, 20 graus C, 64 % de umidade 

Post 01.03.19

01 Internacional, 03 União Europeia, 19 número de ordem do post

Terça-feira, primeira hora da madrugada.  A segunda-feira recém chegou ao fim.  As informações estão sempre chegando; o blog, repercutindo. 

Os resultados da bolsa desse início de semana evidenciam alguma estabilidade no Velho Continente.  As variações foram mínimas nos principais índices: CAC da França (-0,07%), DAX da Alemanha, (-0,08%), FTSE Eurofirst 300 da Europa (-0,27%) e FTSE 100 da Grã Bretanha (-0285).   

Mesmo assim, as valorizações nos últimos 30 dias. que incluem a mudança no titular da Casa Branca, são todas positivas:  CAC France (11,86%), DAX Germany (3,81%), FTSE 300 Eurofirst Europe (6,98%) e FSE 100 Britain (8,08%).

O que está acontecendo nos últimos dias que pode estar mostrando um cenário menos otimista no Velho Continente?  Isso pode estar realmente acontecendo em momentos recentes?

Bem, nesses cinquenta anos acompanhando crises, eu me acostumei a raciocinar com uma possível recessão quando a economia global vinha bem e, posteriormente, à medida que a crise se concretizava era uma questão de tempo para o ciclo reverter e a economia retornar à normalidade.

E foi assim que eu sentia que poderia acontecer com a economia internacional quando o cenário político americano estivesse, definitivamente, definido a favor de Joe Biden.    

Nesse sentido eu lembro de ter escrito um post espelhando um cenário de retomada econômica global. Hoje eu percebo que havia duas observações que eu deveria ter apresentado ao leitor do blog e que eu deixei de fazê-las.

A primeira é que nem todas as saídas das crises acontecem de forma semelhante e a segunda é que a crise atual é inédita porque há a pandemia em curso.

Por isso, eu sinto que na retomada global atual o ambiente da Europa é totalmente diferente daquele que acontece nos Estados Unidos.

Dessa vez o segmento empresarial europeu está na pior.  A dificuldade principal que está acontecendo é que as empresas não podem ter auxílio por mais tempo. 

É fundamental um retorno à normalidade, mas o quadro do setor privado continental é tão frágil que se a injeção de recursos públicos periclitar haverá muitas quebras a contabilizar.

O papel das autoridades é extremamente difícil.  É preciso ancorar a recuperação da economia, mas já se usou recursos que não produzirão retornos.  E assim sendo, há uma possibilidade muito real de quebras no curto prazo se não continuar a ajuda recente.

No meio desse caminho estão os bancos.  Se as empresas podem apresentar dificuldades no trimestre em curso o que vai sobrar para os intermediários financeiros que estão financiando a permanência das mesmas nos mercados?

Agora, no início da madrugada eu acessei o site do Banco Central Europeu e eu me deparei com um artigo publicado nessa segunda-feira, intitulado “Uma avaliação de vulnerabilidades corporativas na área do euro” .  Os autores são os técnicos da instituição Sándor Gardó, Benjamin Klaus, Mika Tujula e Jonas Wendelborn.

O que eles escreveram?  A pandemia parou a economia, criou falta de liquidez para as empresas não financeiras e agora ameaça a solvência das mesmas.  As medidas nas áreas fiscal e monetária evitaram que as empresas fossem à falência e diminuíram a pressão sobre a economia e os bancos.

Os quatro autores avaliam as vulnerabilidades da área do euro e os fatores que determinam tal situação. O que eles desenvolveram foi um indicador que mede a solidez e o risco financeiro da empresa, bem como a contribuição dos fatores para obter o resultado final.

No texto elaborado pelos técnicos, eu leio que eles utilizam dados das contas nacionais e os combinam com a cinco indicadores, quais sejam,  de capacidade de serviço da dívida, de alavancagem e endividamento, de financiamento, de rolagem, e, finalmente de lucratividade e atividade.

A partir daí eles apresentam a metodologia desenvolvida para chegar a um indicador composto geral e dois gráficos decorrentes de tal ferramenta.  

No primeiro gráfico eles demonstram que a pandemia causou vulnerabilidades crescentes junto às empresas mas as condições de financiamento altamente favoráveis abrandaram os riscos da crise.

No segundo gráfico, os economistas mostram que as vulnerabilidades das empresas avançaram na pandemia, o apoio da política econômica evitou o aumento das insolvências.

Então, foi no site do Banco Central Europeu (BCE) que eu li o texto citado acima e que o leitor pode acessar no endereço eletrônico  

https://www.ecb.europa.eu/pub/financial-stability/fsr/focus/2020/html/ecb.fsrbox202011_01~afc02db8d6.en.html

Outras fontes me permitem reforçar a ideia em torno da crise crescente na economia europeia.   A partir do texto do BCE já dá para perceber que os bancos devem se preparar com essa realidade que está na volta da esquina. 

Ora, para quem já trabalhava com as taxas de juros no piso, o quadro de vulnerabilidade empresarial deve criar muita instabilidade junto aos intermediários financeiros.

O que há de concreto na economia europeia é a segunda onda da pandemia.  A economia regional está extremamente débil.   Eu vejo na imprensa europeia que o Índice PMI, o índice de atividade econômica da Zona do Euro, caiu de 50,0 pontos em outubro para 45,1 pontos em novembro.  

Essa queda acontece no setor de Serviços.  O leitor  que me acompanha diariamente deve lembrar que eu escrevi, mais de uma vez, que as crises econômicas atingem sempre o setor industrial, em primeiro lugar, e depois, o setor de Serviços.   Agora, o processo se desenvolve no sentido contrário.

Na crise atual da pandemia europeia, o setor industrial prossegue como for possível, mas o setor de Serviços foi atingido duramente porque, inclusive, hotéis, bares e restaurantes, pararam totalmente.

Na Europa da Zona do euro, o desemprego está registrando quedas sucessivas há três trimestres consecutivos.   Paralelamente, eu percebo que na Espanha estuda-se a criação de uma jornada de trabalho de quatro dias.

Para encerrar, eu acredito que haverá necessidade de estabelecer novos indicadores em torno do relacionamento dos bancos com as empresas na Zona do Euro.   Eu quero dizer, novos padrões, em que as exigências anteriores sejam flexibilizadas para permitir que a resiliência não se perca na segunda onda da pandemia.

Eu prossigo atento a tudo porque eu vejo com muito otimismo a capacidade de reação da economia global.   Ao mesmo tempo, eu não posso ignorar que as pedras se acumulam no caminho. 

A todas essas eu acredito que Joe Biden precisa apressar o passo porque de lá deve vir um primeiro sinal onde se encontra o fio de linha que leva à saída da crise porque o Minotauro está à espreita.

Bom dia, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Experiência no Conselho de Administração do Banrisul

Aos 76, isolado desde fevereiro, eu consigo avaliar um pouco da minha experiência como economista na administração do governo do Estado do Rio Grande do sul.  Nela, eu destaco a minha estada no Conselho de Administração do BANRISUL, nos anos 80, durante a Administração Amaral de Souza.

ARGENTINA, DAS DIFICULDADES SOBREPOSTAS NA ECONOMIA À EVIDÊNCIA DA FÉ NA SAÍDA POLÍTICA

 

Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 23.11.2020, 06:10, 30 graus C, 53 % de umidade 

Post 01.14.08

01 Internacional, 14 Argentina  08 número de ordem do post

A Argentina vive momentos difíceis.  A recessão veio para ficar.  É o que tudo leva a acreditar porque o país já vem de dois anos consecutivos de quedas no PIB e com a pandemia a situação se agravou ainda mais.

Depois de crescer 2,8% em 2017 a economia entrou em recessão e o PIB caiu -2,6% (2018), -2,1% (2019) e deverá recuar -11,8% (2020) segundo as últimas estimativas do mês passado do Panorama Econômico Mundial do FMI.   

Ao mesmo tempo, a taxa de inflação vem crescendo ano após ano.   O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Argentina avançou em 24,8% (2017), 47,6% (2018) e 53,8 % (2019).   

….

De acordo com o INEC, a inflação em 12 meses, até setembro, já era de 40,5% no corrente ano.   Ora, essa inflação que não cede e as desvalorizações cambiais bateram de frente com o Consumo que sentiu o baque.   Há redução em tudo, do consumo dos alimentos aos medicamentos.  

Convém lembrar que eu escrevi em posts anteriores que o ex-presidente Maurício Macri recorreu ao Fundo Monetário Internacional, obteve um empréstimo, mas não conseguiu honrar os compromissos assumidos coma Instituição.  Alberto Fernandez, que está próximo a completar um ano no governo, passou a negociar com o Fundo.

Tendo obtido a contribuição do Papa Francisco, que promoveu um seminário sobre a Argentina no Vaticano e que contou com a presença das autoridades de Buenos Aires e do próprio FMI, parece tudo haver mudado entre Buenos Aires e a Instituição. 

Com esse apoio extra, foi fechado o acordo com os credores internacionais.  O calote externo foi evitado  e os fundos abutres saíram de cena.  Agora o que importa, o que está na pauta é o acordo com o próprio FMI.  É preciso negociar o último empréstimo de standby pendente da gestão Maurício Macri.

… 

Para tanto veio uma delegação do Fundo a Buenos Aires para negociar os termos do acordo.  A equipe chegou há dez dias e eu escrevi um post anterior sobre essa visita.  Nesse fim de semana, a atividade foi concluída e foi publicada uma informação no site do FMI.

O que diz a nota?  Intitulada “Uma declaração da equipe do FMI sobre a Argentina, em 20 de novembro de 2020” o texto diz que uma equipe liderada pela subdiretora do Departamento do Hemisfério Ocidental Julie Kozack,  e chefiada por Luis Cubeddu, chefe da missão para a Argentina.  

O texto prossegue informando que a equipe visitou a capital entre os dias 10 e 20 de novembro.  O objetivo do encontro era iniciar as discussões formais para formalizar um novo programa do Fundo para sustentar os planos econômicos do governo argentino.

Uma nota dessa natureza seria imprevisível há um ano.   E o texto vai além dizendo que o programa permitirá que o governo enfrente os “profundos desafios econômicos e sociais do país, que fora agravados pela pandemia”. 

O governo de Alberto Fernández pretende firmar um acordo do tipo ate Extended Fund Facility (EFF) e para tanto é indispensável um “amplo consenso político e social”. 

A partir de agora, os contatos entre as duas equipes, Argentina e FMI, acontecerá de forma remota.   É preciso que se construa um conjunto de políticas para (i) alcançar a estabilidade, (ii) restaurar a confiança e (iii) proteger as camadas sociais menos favorecidas do país.   

Dessa forma, a iniciativa conjunta pretende definir as “bases para um crescimento sustentável e inclusivo”.  Além de todo esse apoio inédito, a nota diz que a equipe do Fundo agradeceu o apoio recebido e promete todo o engajamento produtivo e contínuo a partir de agora.

Nesses cinquenta anos de acompanhamento conjuntural do país vizinho, debatendo em todos os mais diversos ambiente, eu jamais imaginaria que a Argentina um dia veria a luz no fim do túnel.   Há obstáculos de todo o tipo à frente, mas eu sou obrigado a reconhecer a diferença que um Papa (o cardeal Bergoglio, um engajado político) faz à Economia.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  As quatro que decidem no clã

A imagem não está bem focada, mas é a fotografia que disponho no momento.   Da esquerda para a direita, Eunice Helena Rosa Fraquelli, Stella Maris Fraquelli da Silva, Elaine Beatriz Peres Fraquelli e Maria Hermínia Galo Fraquelli. No clã as decisões são todas com elas. 

ALÉM DA PANDEMIA, HÁ O RECEIO DA QUEDA NO NÍVEL DOS PREÇOS NO JAPÃO

Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 22.11.2020, 12:10, 26 graus C, 51 % de umidade 

Post 01.10.03

01 Internacional, 10 Japão,  03 número de ordem do post

O Japão registrou 130,9 mil casos de pessoas infectados por covid19 até o presente momento.  O país está no fim da fila, entre Republica Dominicana e Costa Rica.   Paralelamente, o país registra 1.932 óbitos, número que o coloca na quinquagésima (50 a) posição no ranking global.

Embora o Japão não ocupe posição de destaque na classificação global da pandemia, eu percebo que os jornais de Tóquio tem registrado que o país tem contabiliza 500 casos diários nos últimos dias.   Um número recorde para os padrões locais.

Desde o final de outubro que os casos de covid19 começaram a avançar no Japão.  Foram 2.388 infectados com coronavírus somente na última quinta-feira.   Desses, 534 casos somente em Tóquio.   Um terror para os padrões de uma nação com padrões da cultura japonesa.

E tudo isso acontece em meio a economia se movimentando com limitações.    A economia japonesa já vinha sem fôlego antes da pandemia.   O PIB cresceu, apenas, 0,3% (2018) e 0,7% (2019).   A recessão prevista pelo Panorama Econômico Global do FMI para 2020 é da ordem de – 5,3%.

Bem, essa fragilidade da economia já faz parte do desempenho recente da economia japonesa.   Outro problema que preocupa demais as autoridades locais é a estabilidade da economia.   Eu lembro de ter escrito muitos artigos sobre a economia do Japão em décadas anteriores.   A sina japonesa é, efetivamente, a deflação.

A deflação acontece quando os preços estão em queda.   Se os preços vão cair os consumidores optam por esperar que os produtos fiquem mais baratos.   Cai o consumo e caem as compras.  Com a queda das vendas os comerciantes passam a despedir os empregados.   É o pior que pode acontecer.

Eu lembro que em décadas passadas, o nosso problema era inflação nas nuvens.   Os japoneses “oravam”  para conviver com alguma inflação.   Eles almejavam, mais do que nada, que os preços aumentassem.   

O Índice de Preços ao Consumidor avançou -0,5% (2019).  Para o corrente ano, o World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Global do FMI prevê um recuo de -0,1% (2020) no IPC.

Bem, os jornais do Japão de hoje estão a noticiar que os preços ao consumidor, retirados energia e alimentos frescos, recuaram em -0,7% em outubro na comparação com outubro do ano passado.    Esvai-se assim, a inflação, e surge, abruptamente, em meio a pandemia, a deflação. .

O consumo quase não se move.  A meta do Banco Central é de uma inflação de 2,0%.   As autoridades monetárias afirmam que haverá um avanço nos preços, mas a realidade não evidencia que isso possa acontecer.

Com a pandemia, o consumidor diminui a suas exposições aos centros de consumo.   Se as restrições de acesso aos restaurantes for restabelecido, piorará a situação ainda mais.   O que dizer se as viagens estiverem sob novas restrições?

O que se percebe que as quedas vem desde agosto.   Outubro é mais uma repetição de recuo sucessivo.  Então, além da economia ter perdido qualquer força, os preços não estabilizam em níveis esperados pelas autoridades monetárias do pais.

Na Dieta Nacional do Japão, ou seja, no Poder Legislativo do país,  a pauta é densa.   Ela se estende desde às mascaras para fazer frente à pandemia aos estímulos econômicos para viabilizar o andar da economia. 

As máscaras poderão mostrar um cartão de visita na estampa.  Paralelamente, há perspectiva que a Dieta Nacional suplemente o orçamento da esfera pública.   É preciso injetar recursos na economia e mais um orçamento suplementar poderá contribuir para tanto.   Há ideias em profusão, de gastos com alunos do terceiro ano do ensino médio à distribuição universal de dinheiro por pessoa.  

O problema é que o primeiro ministro Yoshihide Suga quer aproveitar a oportunidade para antecipar uma eleição, para dissolver a Câmara na Dieta Nacional.   Vou monitorar os próximos passos de Suga e das autoridades econômicas.  Qualquer novidade eu preparo um novo post para atualizar o leitor.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  AINDA O FIM DA FEE

Quando eu retornei dos EUA eu tinha um convite da Presidência da República para trabalhar no Instituto de Pesquisas Espaciais.  Optei por ficar no Rio Grande do Sul e permaneci por quarenta anos na Fundação de Economia e Estatística (FEE).   O governo local  criou uma instituição moderna em 1074, com recursos humanos extremamente qualificados e que produziram um ESTOQUE DE CONHECIMENTOS sem precedentes na administração estadual.  

Em particular, nessas quatro décadas, a Instituição contribuiu para a elaboração dos Planos de governo, dos Orçamentos Plurianuais, das Propostas Orçamentárias Anuais, de diversos programas setoriais e outros tantos de desenvolvimento regionais.   As Mensagens do Governador para a Assembleia Legislativa sempre incluíam uma participação da FEE através da análise do cenário econômico internacional, do ambiente econômico nacional e do desempenho da economia gaúcha.  

A FEE participou também de todo um processo de treinamento nacional, promovido pelo Ministério do Planejamento, junto às equipes das secretárias estaduais de planejamento para habilitá-las à construção de estatísticas e elaboração de programas e projetos no âmbito da economia regional.   Aos 76, eu penso que assim como tantos outros profissionais e servidores, eu passei toda a minha vida como economista da FEE.   

Um dia, o governo do Estado  do Rio Grande do Sul decretou o fechamento da FEE.  

EM MEIO A UM MERCADO DE TRABALHO EM PLENA CRISE, HÁ BONS SINAIS VINDOS DO SETOR INDUSTRIAL

Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 21.11.2020, 18:10, 23 graus C, 35 % de umidade 

Post 02.01.24

02 Brasil, 01 Desempenho da economia,  24 número de ordem do post

Os últimos números do mercado de trabalho divulgados pelo IBGE mostram que a taxa de desemprego alcançou o patamar de 14,4% no trimestre fechado em agosto.

Embora toda a crise da pandemia, é importante considerar que a taxa de desemprego trimestral, ao final de cada mês de 2011 vem crescendo de forma sistemática, sem interrupções.        

No trimestre encerrado em março do corrente ano, a taxa de desemprego estava no patamar de 12,2%.    A partir daí, a taxa de desemprego trimestral evoluiu para 12,6 (fins de abril), 12,9% (fins de maio), 13,3% (fins de junho), 13,8% (fins de julho e, agora, 14,4% (fins de agosto).

É importante considerar que além da taxa de desemprego prosseguir a sua trajetória de crescimento, ela vai atingindo níveis de recorde em sua história, constante da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua).

Os números da PNAD contrastam com o pronunciamento de Paulo Guedes nessa sexta-feira.   O ministro da Economia afirmou aos ministros das finanças do G20, na reunião que antecede a cúpula do Grupo, que a recuperação brasileira tem superado as expectativas das instituições multilaterais.

É lamentável que sem uma proposta para encerrar a crise que já vai para o sexto ano consecutivo, Guedes procure sinalizar um cenário para a economia brasileira que não condiz com o que as estatísticas estão a evidenciar à comunidade internacional.

De qualquer forma, eu creio que há uma informação positiva a registrar nessa semana.    Eu acessei o site da CNI, e, mais especificamente o site dos indicadores econômicos da Confederação.  Nele eu busquei o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) atualizado para o corrente mês.

Os números mostram que o ICEI cresceu 1,1% em novembro e fechou o mês em 62,9 pontos.   Na verdade, a melhora na confiança do empresário data de junho.   E, mais, ela avançou em intensidade e em dispersão.   Ou seja, ela é cresce e se dissemina no ambiente dos empreendedores.

Então, desde o início do ano a pontuação do ICEI é de 65,3 pontos (janeiro de 2020), 64,7 (fevereiro), 60,3 (março), 34,5 (abril), 34,7 (maio), 41,2 (junho), 47,6 (julho), 57,0 (agosto), 61,6 (setembro),  61,8 (outubro) e, finalmente, 62,9 pontos (novembro de 2020)

Ao observar as observações no seu conjunto, o leitor percebe que a confiança empresarial (i) vinha caindo desde janeiro, (ii), levou um tombo em abril, (iii) e começou a reagir desde então, (iv) sinalizando que poderia estabilizar em outubro, mas (v) reagindo em novembro. 

Enfim, é isso que há por agora.   O leitor pode acessar a fonte sobre confiança do empresário industrial que eu consultei para elabora o post no endereço eletrônico

https://www.portaldaindustria.com.br/estatisticas/icei-indice-de-confianca-do-empresario-industrial/

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Elevador de Santa Justa, Lisboa

A foto acima eu bati em 1969 com a minha câmara fotográfica cuja marca eu estou tentando me lembrar o nome, mas o esforço tem sido em vão.  Até agora, porque num dado momento a minha memória vai funcionar e a marca aparecerá. 

Ao fundo da imagem há um elevador que é parte do sistema de transporte público de Lisboa.   Chama-se Elevador de Santa Justa, uma torre metálica com duas cabinas, e ele permite que o passageiro se desloque da rua do Ouro, na Baixa, para a rua do Carmo.   Ele foi planejado em 1890 e inaugurado em 1902. 

Eu devo ter utilizado o elevador uma três vezes, logo que cheguei para estudar em Lisboa em 1968.  Na verdade, mais pela novidade porque logo, para ir ao Chiado eu fazia o percurso a pé.   

Eu achava maravilhoso me deslocar pelas antigas ruas do centro da cidade.  A cada momento,  em cada lugar que eu ia eu encontrava locais que me deixavam impactado pela beleza e pela originalidade.   Até hoje, eu carrego comigo essas lembranças que vem dos anos 60.   

A REUNIÃO VIRTUAL DO G20 SOB A PRESIDÊNCIA DA ARÁBIA SAUDITA

Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 21.11.2020, 12:10, 25 graus C, 57 % de umidade 

Post 01.01.17

01 Internacional, 01 Economia Global, 17 número de ordem do post

Hoje é um dia importante em âmbito global.  Há uma reunião em curso do G20, em Riad, na Arábia Saudita.   Eu digo que é muito importante porque o mundo convive com recessão internacional e pandemia global.   Parece-me ser o plenário mais adequado para a busca de uma solução para a crise mundial.

São dois dias consecutivos do evento.  A par da recessão e da pandemia, há necessidade de definir um procedimento aos gastos já realizados com a pandemia nesses dez meses, algo em torno de US$ 11 trilhões, além do endividamento das nações pobres em função do cenário econômico configurado para 2021.

… 

Eu tenho demonstrado algum otimismo para o futuro, quem sabe já para o próximo exercício.    Instituições multilaterais trabalham com a perspectiva de retomada global a partir de 2021.  Para tanto eu sou de opinião que é necessário reunir esforços, é preciso criar um grande fórum de onde emane uma pauta adequada que promova a recuperação global no menor tempo possível. 

É nesse sentido que eu visualizo a reunião do G20 em Riad.  Um primeiro movimento para gerar um evento que, à semelhança de Breton Woods, possa resgatar a economia mundial após a recessão da pandemia.  Nada a ver com os objetivos de Breton Woods, mas a criação de uma agenda com objetivos e metas globais visando a retomada da economia internacional e definindo fontes de recursos para tanto.

Isso posto, eu prossigo de casa acompanhando o evento de Riad pela televisão.   O presidente Bolsonaro que deveria falar entre 10:00 e 11:00, conforme anunciado nas emissoras de televisão, irá apresentar o seu pronunciamento nos próximos minutos.   Vou aguardar a sua mensagem e tão logo ela estiver concluída eu vou preparar um novo post.

Bom dia, leitor do blog!  

FOTO ABAIXO:  Aleixo Fraquelli e Stella Coitinho Fraquelli

O casal da foto, Aleixo Fraquelli, meu pai, e Stella Coitinho Fraquelli, minha mãe, são de origem na fronteira.  Ambos falecidos, ele, com 104 anos, ela, com 89 anos.   Meu pai era brasileiro, filho de italiano vindo de Como, Itália, e minha mãe era uruguaia.   

Eles seguiram percursos cruzados.   Meu pai ficou órfão com seis anos e foi criado no interior do Uruguai; minha mãe, com onze anos, migrou com a família para o Brasil.   Por tudo isso, fui criado no Brasil, mas grande parte dos meus estudos – inglês, matemática, física, piano, pintura – aconteceram em Rivera, do lado de lá da fronteira.

UM SINAL DE ALERTA, A ECONOMIA NORTE-AMERICANA PODE VOLTAR A ANDAR DE RÉ?

 

Docente aposentado (1997) da UFRGS, 76 anos, professor de Cenários Econômicos.

Porto Alegre, 20.11.2020, 18:10, 24 graus C, 47 % de umidade 

Post 01.09.41

01 Internacional, 09 Estados Unidos, 41 número de ordem do post

Quem trabalha com conjuntura econômica, que é o meu caso, precisa estar atento a tudo e a todos.  A tudo o que acontece e a todos que se manifestam no dia a dia da economia.  

Às vezes é um fato inesperado, outras vezes é o desencadeamento de um processo em curso.   Às vezes a informação surge pronta; outras vezes, não.   Em certas ocasiões alguém disse algo; outras vezes, alguém disse que outro disse.   E, por aí vai.

Como eu dou a volta ao mundo, virtualmente, a todo momento, as fontes são muitas.   Tendo em vista que eu trabalho por caminhos conhecidos de todos há 50 anos, eu sinto que há alguns atalhos que eu não posso desprezar.   Alguns temas se repetem a todo momento; outros, nem tanto.    

A taxação de jornais, a criação da videoteca, o hobby pela fotografia, o apreço pela música, a espera pela inspiração, o desejo de compor, a vontade de desenhar, a experiência com algumas palavras chaves, tudo, enfim, contribui para que eu termine o dia da forma como comecei, sem tempo para qualquer passatempo.

Em meio a essa viagem no mundo das informações, certamente que a minha prioridade é a economia norte-americana.   Tudo porque ela travava o aprofundamento da desaceleração global em 2019 e porque o início da sua recuperação é fundamental ainda nesse ano de pandemia de 2020.

Os últimos números divulgados pelo FMI, agora, em outubro, mostram que o PIB da economia norte-americana deve recuar -4,3% em 2020.   No texto, os economistas do Fundo constataram que havia uma forte recuperação no terceiro trimestre do ano em curso.   

É isso, segundo diversos indicadores, após a retração do segundo trimestre, havia uma recuperação parcial no terceiro trimestre,   Ao mesmo tempo, já se percebia que a economia desacelerava no início do quatro trimestre.   O impulso que vinha do terceiro trimestre se esvaia à medida que chegava o quatro trimestre.

Essa expansão do terceiro trimestre poderia ser verificado também nos Relatórios de Gerentes de Compras nos Estados Unidos, na China, na Zona do Euro e no Brasil. 

Em outros lugares, como na Índia, Japão e  Coreia, afirmam os economistas do FMI, a situação não se confirmava.   Entretanto, em setembro, havia fortalecimento da Indústria, que não era constatado, da mesma forma,  no setor de Serviços.

Era isso que eu tinha de contexto à minha frente quando começou a sexta-feira.   Hoje eu começo a compreender a insistência com que Antony Fauci fazia referência à pressão da pandemia sobre os Serviços quando o Inverno chegasse ao Hemisfério Norte.

Ao final do dia, cabe o registro que os economistas do J P Morgan preveem uma queda do PIB norte-americano da ordem de 1,0% no primeiro trimestre de 2021.

Ora, o registro da Johns Hopkins University de hoje mostra que há 11,9 milhões de infectados nos Estados Unidos e 254 mil óbitos.   

Esses números estão alinhados com o impacto da atividade econômica no setor de Serviços, uma contribuição que não deverá ser reduzida até à chegada da Primavera.

Por tudo isso, eu julgo que é importante incluir a previsão de um recuo do PIB no primeiro trimestre do próximo ano na configuração de um cenário para a economia global, afinal, a economia dos EUA continua com um peso enorme no desempenho do que há de vir.

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Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:   Travessa Engenheiro Acilino de Carvalho antes da pandemia.

A rua acima era conhecida como o Beco do Brito no início do século XIX.   Ela liga a rua da Praia à rua Andrade Neves.   Durante os anos 60 eu trabalhava em mercado de capitais e todas as segundas e as terças-feiras eu permanecia na capital.   Eu fazia as refeições num restaurante que tinha entrada pela Avenida Borges de Medeiros e pela Travessa Acilino de Carvalho.   O restaurante servia uma massa com um molho maravilhoso.   Algo inesquecível.  Anos mais tarde a Travessa se transformou numa Rua 24 horas, mas eu creio que nunca se firmou.