BRASÍLIA, longe de todos, post 18, em 21.07.2019, dois pontos em destaque

Porto Alegre, 21 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 28 graus, hoje não chove   

Hoje é domingo.   O Brasil continua numa fase muito difícil.   Eu creio que o Brasil vive a jogada de rotação da torre na proteção ao rei em uma partida de Xadrez.   

O rei está em dificuldade. O Executivo perdeu o seu protagonismo à medida que o Congresso mostrou uma outra face da política, inesperada para o momento.

… 

Nessa oportunidade, eu pretendo destacar dois pontos da Brasília que eu vejo desde o beco em que eu resido.  São dois pequenos pontos na crise que está aí.  O primeiro tem a ver com a política; o segundo, com a gestão.   

 

A dimensão política está difícil de ser quantificada.  Para simplificar uma explicação preliminar eu procuro identificar grupos e, imaginariamente, atribuir dezenas de pontos percentuais a cada um.  É uma expectativa meramente pessoal.  Sem tomar qualquer pesquisa por base.  

Contudo, é o que eu vejo, ou procuro ver no emaranhado político-econômico-administrativo que está à vista de todos.   Cada um vê de acordo com a sua percepção.

Até 31.12.2019, de forma extremamente sucinta, na preferência do eleitorado, havia 30% na situação, pró-governo, 30% na oposição, anti-governo e 40% no centro, grupo a ser disputado entre situação e oposição.   

Nesse ambiente político, Jair Bolsonaro (30%) obteve o apoio do grupo do centro (40%) e chegou à presidência da Republica.   

Um capital político para ninguém colocar defeito.  Sem propostas para enfrentar a estagnação, o governo jogou para os eleitores um discurso em que a solução estava na Nova Previdência.

Em 21.07.2019, o capital político havia se reduzido, um tanto do tanto, sistematicamente.    Então, no momento do inicio do recesso parlamentar, o quadro político nacional me parece dividido, também, em três grupos.  

Jair Bolsonaro mantém os seus 30% de eleitores fiéis.  A oposição se mantém com os seus eleitores 30% fieis, por hora sem desprezar um terceiro turno.

Os 40%, que eram o centro, estão subdivididos em um perfil ainda um tanto indefinido.  Dependendo do tema em questionamento, posicionam-se de uma forma ou de outra.  Não mantém a rigidez do perfil vigente em 31.12.2019.

… … … … 

O segundo ponto é ainda mais delicado.

Os equívocos do governo da primeira hora se mantém com algum vigor na undécima hora.  O protagonismo do Legislativo emergiu, mas será suficiente para arrancar o Brasil da estagnação e jogá-lo no caminho da retomada? 

É da sua natureza que seja assim?  Nunca foi assim, será, agora, assim?  

Eu lembro do Centrão no Governo Sarney.  A polêmica em torno do quinto ano de governo.  FHC não concordava.  O Centrão dava as cartas e jogava de mão.

Outras vezes houve um ou outro centão, mas nada como agora. 

Eu penso que há um ponto que pode ser inédito nessa história. Eu confesso que não havia avaliado adequadamente a importância de uma nova geração de políticos chegando à capital federal.   Mesmo que não seja em grande maioria.   

Eu sinto que há uma nova dinâmica em curso.  Os presidentes anteriores tentaram a implantação de uma reforma tributária.  Não conseguiram.  O leitor lembra do fatiamento da reforma?  É possível deixar de lado a experiência anterior e partir para uma gestão competente?  

A Câmara dos Deputados conseguiu desidratar a reforma encaminhada pelo Governo e aprová-la em primeiro turno.  Um fato importantíssimo num momento tão difícil da economia brasileira.   

Na verdade, depois de muitas negociações envolvendo, inclusive, deputados com relativamente pouca, ou menor, experiência na Câmara, como são os casos de Marcelo Ramos, presidente da Comissão, e Samuel Moreira, relator da Comissão, a reforma desidratada chegou a bom termo com o aval de Rodrigo Maia.  

O bom termo também corre ponta de uma versão parcial do evento.   A totalidade da tarefa passa pela tramitação no Senado que ainda está no seu início.

É isso aí. Eu paro por aqui. Outro dia falo sobre a Economia. Hoje era uma rápida reflexão sobre os dois pontos identificados no início do post.  

FOTO ABAIXO:  Rua Uruguai, Centro Histórico de Porto Alegre, julho de 2019

 

 

 

UNIÃO EUROPEIA, Parlamento, post 32, em 20.07.2019, a opção por Úrsula van der Leyen

 

Porto Alegre, 20 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 24 graus, Grenal de reservas e sem chuva 

Eu escrevi alguns posts sobre as eleições para o Parlamento Europeu e a campanha de Úsula van der Leyen para alcançar a presidência da Casa. 

No começo, Úrsula, ministra da Defesa da Alemanha, contava apenas com o apoio do Partido Popular Europeu.  Depois, a possibilidade de uma aliança com os socialistas entrou na pauta dos conservadores europeus. 

Úrsula, além de ministra de Ângela Merkel, era também vice-presidente do poderoso partido União Democrata-Cristã (CDU).  Havia um hiato entre conservadores e socialistas, mas o interesse em convergir na agenda era mais forte que abrir espaço para eurocéticos e nacionalistas.como montar loja

Hoje o resultado da disputa é conhecida e Úrsula van der Layen venceu o pleito com apoio de 383 eurodeputados e será empossada no dia primeiro de novembro próximo vindouro.   Ela recebeu 327 votos contrários à sua escolha, além de contar com 22 abstenções.  

Uma fase dura lhe espera à frente.  É verdade que a convergência de interesses de populares, socialistas e liberais, viabilizou a sua eleição porque contribuem para manter a Europa unida, mas haverá muitos obstáculos a superar nos próximos anos. 

O seu primeiro desafio?  Enfrentar as migrações em defesa de um ambiente de ações humanitária quando os eurocéticos e nacionalistas se opõe a tal agenda. 

Por enquanto, será o seu primeiro e maior desafio.

FOTO ABAIXO:  Estádio Beira Rio, local do Grenal número 421 dessa noite, Porto Alegre

ECONOMIA GAÚCHA no detalhe, post 31, em 19.07.2019, um pouquinho da minha experiência na FEE

Porto Alegre, 19 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 12 graus, hoje não chove   

Chegamos, o leitor do blog e eu, a mais uma sexta-feira, a mais um fim de semana.  No início eu pensei que seria um momento oportuno para alguma reflexão em torno do instante do país e, também, do agronegócio.   

Depois, dada à extensão do tema e os caminhos que eu percorri junto à administração estadual eu resolvi concentrar, nessa oportunidade, a uma questão menor, a uma primeira tentativa de resumir um pouquinho da minha vivência junto ao governo gaúcho. 

Paralelamente, uma ou outra palavra sobre o agronegócio, até onde a minha memória me ajuda ao chegar aos 75′.  Setor importante esse, que consegue avançar com muito trabalho, qualquer que seja a crise que se interpõe no cenário econômico nacional.  Assim era antes, assim, é agora. 

Bem, para começo de conversa eu preparei um chimarrão com erva Fontana, aquela erva moída grossa, Ilex Paraguariensis, que era produzida aqui no RS, mas que anos atrás passou a ser produzida em Almirante Tamandaré, no Paraná.  Eu consigo comprar essa erva-mate no Mercado Público de Porto Alegre. 

Eu estudei durante o período 1968-69 em Lisboa, onde o meu orientador foi o economista Aníbal Cavaco Silva que viria a ser Primeiro Ministro e, posteriormente, presidente de Portugal. 

Foi o boom da minha vida acadêmica, eu, que era professor de Política Monetária na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), cujo reitor era o maior educador que eu conheci, o competente Professor Mariano da Rocha Filho. 

Havia a possibilidade de ficar no Velho Continente.  A Europa vivia um período incrível.  Aí, aconteceu o sismo de Portugal de 1969 e o fato superveniente me fez ver que era hora de seguir adiante. 

Estive em Paris e a minha mente balançou.  Eu vinha de quatro anos de francês no Ginásio, mais dois anos de Aliança Francesa, quem sabe é por aqui que devo ficar, eu pensei.   No fim, eu deixei para trás os movimentos estudantis de 1968 e tudo o que eles representavam e fui para a América quando o homem chegava à lua. 

Não bastasse que eu chegava aos Estados Unidos, eu fui residir em Houston, que era um dos centros mais relacionados aos avanços das viagens espaciais.  

Uma fase original até então.  Estudos na Universidade, na cidade, visitas ao Centro Espacial e algum lazer, quando possível, em Galveston, no Golfo do México.  Haveria algo melhor?

Do Texas eu segui para Nova York, da Universidade de Houston (UH) para a Syracuse University (SU) porque o meu interesse estava focado, primordialmente, na Matemática e na sua aplicação às Ciências Econômicas.   A UH era uma Instituição de 1927, a SU, de 1870.  Então, naquela fase, a última tinha tradição maior em Econometria. 

Lá permaneci em estudo permanente.  Era dia e noite, sem interrupção para nada, descobrindo a cada dia novos campos do conhecimento.  A par da dedicação à Economia, era imprescindível uma considerável dedicação ao estudo da programação.

Linguagens de computador, uma área que eu achava enfadonha aqui no Brasil, de repente era um pré-requisito para qualquer atividade nos Estados Unidos.  Aceitei o desafio e fui em frente. 

O tempo passou e eu convivi com uma fase semelhante a que tinha enfrentado em Portugal.  Fico ou volto? 

Um dia, para minha surpresa, recebi um carta da Presidência da República.  Nela estava contido um convite para retornar ao Brasil e trabalhar no Centro de Pesquisas Espaciais.  E, daí, resolvi voltar.  Mandei quatro mil livros por navio e iniciei a grande viagem. 

Era o Brasil da Bossa Nova.  A possibilidade de ir para São Paulo esteve presente na minha mente durante alguns meses, mas a idade dos país, já idosos, me levaram a optar por Porto Alegre. 

O Brasil da Bossa Nova para um jovem estudante de piano e professor de solfejo nos anos 50 era algo indescritível para quem me lê pela primeira vez.   

Do passado eu lembrava que eu havia chegado ao sexto ano de piano sem ter um piano em casa.  Ainda adolescente, eu lecionava solfejo sem ter aparência de um professor convencional.  Eu não sabia guiar um carro e era piloto de avião.  Algo não me parecia normal, mas o que era o normal? 

O Brasil da Bossa Nova era algo que me sensibilizava e, frequentemente, a Econometria ia para um segundo plano porque o meu interesse, de repente, estava de volta à música.    

Eu comecei a acompanhar o agro quando cheguei dos EUA a convite do meu grande amigo, o arquiteto Jorge Guilherme de Magalhães Francisconi. 

Estudávamos na Syracuse University, Syracuse, Nova York, ele, uma mente privilegiada, no programa de doutorado e, eu, bolsista da OEA, cursando o meu mestrado em Economia.

Foram muitos e muitos cursos de Econometria.  Fechei os requisitos em Economia e fui para os departamentos de Engenharia e de Estatística.  E por lá andei até os meus últimos dias na América.  

 

Eu lembro que eu diminuí, à metade, a minha carga horária na Universidade e, em 1973, eu cheguei ao Governo do Estado, à Secretaria de Coordenação e Planejamento, à Superintendência de Planejamento Global (SUPLAG), que se transformaria em Fundação de Economia e Estatística (FEE), no governo Euclides Triches.

Nesses meados dos anos 70, o Secretário de Coordenação e Planejamento era o professor Carlos Veríssimo do Amaral, que viria a ser meu colega na no Programa de Pós Graduação da Escola de Administração da UFRGS. 

O seu sucessor foi o Coronel Eduardo Maurell Muller, com quem trabalhei em dois governos, Guazelli e Amaral de Souza.  A SUPLAG era dirigida pelo economista Leodegar Jost e a FEE era presidida pelo economista Rudi Bratz. 

Nessa época, 1974, eu trabalhei na Unidade de Contabilidade Regional da FEE, (i) onde havia a conta da Agricultura.  Era uma fase de muita tensão política no Brasil, e, em particular, aqui no Rio Grande do Sul. 

Na UFRGS eu passei a lecionar no Curso de Pós Graduação em Economia que era dirigido pelo então colega e professor Haralambos Simeonidis.  Uma pessoa afável que contribuiu para eu me integrar a um outro departamento da universidade.   

Depois, eu dediquei um tempo, juntamente com o colega, e ainda estagiário da FEE, Cesar Busatto, já falecido, (ii) à abertura da metodologia de Cálculo dos Preços Pagos e Recebidos pelos Produtores Rurais do Rio Grande do Sul. 

Uma tarefa que me parecia incrível para à época. Eu havia estudado durante três anos EUA e concentrado minhas atividades nas disciplinas relacionadas à Econometria.  De repente, cheguei aqui, e recebi, juntamente com o Cesar, o desafio de abrir a metodologia e montar a matriz, ou as matrizes de preços recebidos, para à economia gaúcha. 

Aí, em 1975, eu assumi a (iii) presidência da FEE pela primeira vez, em caráter interino.  A Fundação começava a concentrar atividades na elaboração da série 25 anos da economia gaúcha. Nessa época, a Instituição publicou o primeiro volume da série, intitulado, Os 25 anos da Economia Gaúcha, tomo 1, a visão global. 

Entre tantas atividades na direção da FEE eu me mantinha ancorado na parte técnica, fruto do meu interesse em Econometria que eu havia lecionado em minhas atividades docentes. 

Eu (iv) atravessei um período em que o país vinha do milagre brasileiro e o Exterior ia para o choque do petróleo.  Internamente, entre outras ideias, discutia-se, aqui na província, a integração da lavoura com a pecuária e a relação entre o desempenho da economia gaúcha e comportamento da agropecuária.

...

Repentinamente eu fui convocado, como presidente da FEE, para ir à Assembleia Legislativa a fim de justificar a elaboração do tomo 1 da série 25 anos da economia gaúcha.  Foi um (v) choque na minha experiência, até então iminentemente técnica.  O tomo 1 da publicação da FEE mostrava o comportamento da economia gaúcha por períodos de governo.  Por exemplo, como andou a economia gaúcha durante o governo Leonel Brizola, como andou a economia gaúcha durante o governo Ildo Meneghetti, e assim por diante. 

Foi como se de um dia para outro eu passasse (vi) de um “mundo dos economistas” para um outro mundo que também havia um pequeno espaço reservado aos economistas.  E, a todas essas, como se comportava a agropecuária concomitantemente à gestão Brizola e à gestão Meneghetti? 

Há 40 anos que eu moro no beco, pertinho do Palácio Piratini. Eu passo no Palácio, no mínimo, quatro vezes por dia. Eu vi o local em dia de tensas manifestações políticas e em domingos de tranquilidade absoluta.  Eu lembro do Piratini totalmente iluminado e em noites às escuras.  Acho que eu tenho um livro a escrever sobre as memórias desses momentos inesquecíveis como profissional de Economia e como servidor público estadual.  Não sei se vai sobrar tempo porque tenho tantas outras coisas para escrever no blog. 

Bem, de volta à ideia original do post, daquela apresentação na Assembleia Legislativa eu migrei para a (vii) elaboração de Planos de Governos para diversas gestões de governadores gaúchos.  Muita agricultura na formalização desses documentos.  Uma experiência profissional incrível.

Mais algum tempo e eu (viii) estava também no Conselho de Administração do BADESUL, isso nos anos 70.  Era preciso me adaptar a um novo tipo de trabalho como Executivo.  O agronegócio passou a exigir maior atenção da minha parte.

Outros anos se passaram e eu (viii) fui desenvolver atividades como membro do Conselho de Administração do BANRISUL, isso nos anos 80.  Uma experiência rica em percepção da economia gaúcha e do agronegócio.  Foram três anos trabalhando na FEE e participando da estrutura superior do Banco.  

Nesse ínterim eu (ix) estive uns três anos coordenando o Sistema Estadual de Processamento Eletrônico de Dados junto à PROCERGS.  A par de emitir pareceres sobre aquisição de equipamentos e contratação de serviços por parte dos órgãos do Estado, eu pude apreender um pouco de utilização de técnicas de Econometria para acompanhar o desenvolvimento regional do RS.

Eu recordo de ter trabalhado em modelos econométricos que procuravam avaliar o avanço tecnológico por culturas agrícolas em regiões fisiográficas do Estado.  

Durante dois anos eu (x) tive a honra de pertencer à assessoria do Governador Alceu Collares nas instalações do Palácio Piratini.  Foi um período de grande experiência nas áreas da política e da economia.  Alceu Collares foi uma figura notável na minha estada no governo do Estado.  O governador era um grande político, leitor entusiasta, bom humor sistemático e um grande amigo. Ele contava com uma equipe de assessores de primeira linha.    

… 

E a minha experiência chegou ao fim, com atividades também voltadas à (xi) elaboração das Mensagens do Governo à Assembleia Legislativa do RS.  Outra experiência notável em visualização do Cenário Internacional e do desempenho da economia gaúcha, inclusive do agronegócio. 

Eu lembro que eu escrevia o texto independentemente de quem fosse o governador e, mais uma vez, independentemente a que partido o governador pertencesse.

…  

Paro por aqui.  Eu acho que esse foi um primeiro insight da minha convivência com o governo estadual.  Durante 40 anos eu me mantive na FEE realizando atividades paralelas por determinação do governo do Estado.  Certamente eu convivi com um ambiente de trabalho dos mais qualificados que eu conheci.  Gente muito dedicada, de muito trabalho, currículos primorosos, sempre em busca de novos conhecimentos sobre o comportamento da economia gaúcha.

Aos 75′, o meu maior orgulho, a par da experiência docente, foi a experiência de tantos anos de FEE. Durante esse período eu estive na presidência da Instituição em substituição ao Professor Nei Marques, à ex-presidente Dilma Rousseff e ao ex-secretário da Fazenda Aod Cunha. 

Volto a escrever sobre o alcance e as limitações do meu trabalho na gestão das atividades da esfera estadual.  Por enquanto o primeiro apanhado está aí, para o leitor tomar conhecimento. 

Certamente que eu tenho consciência que cada parágrafo desse post poderia gerar um livro de uma centena de páginas.  A FEE vive.  Ela representou uma parte da História do Rio Grande do Sul e, certamente, contribuiu para formar uma geração de técnicos extremamente qualificados. 

Durante a sua existência, formamos profissionais para uma dezena de estados brasileiros, seja através de aulas promovidas pelo Ministério do Planejamento, seja via estágios de técnicos vindos do país e do Exterior. 

Quanto à possibilidade de redigir um livro sobre a instituição, eu tenho dúvidas quanto ao futuro do material escrito em papel, livro ou jornal.  Fazer o quê?  Vale a pena? Eu creio que tais publicações estão com os dias contados e, em breve, não se justificarão face ao avanço da tecnologia. 

O que vem por aí não é o que está aí.   Ao contrário, eu penso que a FEE vive porque ela fez parte da engrenagem política nacional e da linha de montagem do pensamento econômico estadual.  

… 

E o resto?  Bem, eu o alinho ao Poema do Contra do saudoso Mario Quintana.  “… eles passarão… eu passarinho!

FOTO ABAIXO: O meu lado de fotógrafo amador desde 1967, me mostrou um grupo de gente experiente conversando na entrada da Galeria Chaves. Porto Alegre, 15.07.2019, 15h40

CENÁRIO ECONÔMICO, o que vem por aí, post 13 , em 18.07.2019, grenal


Porto Alegre, 18 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 12h10, 12 graus, hoje não chove   

É assim que eu estou vendo a imagem à frente, mas confesso que os meus óculos dos 75′ andam carentes para visão à distância.

Aos 25′, jovem professor universitário, eu morava em Portugal e estava na Avenida Almirante Reis quando mantive um contato com um amigo, o Sr Augustim, cozinheiro chefe da CUF.

Naquela oportunidade, eu ouvi dele que os americanos estavam voando em cima de Lisboa e dizendo que estavam na Lua…

INTERNACIONAL

O mundo celebra o cinquentenário da ida do homem à lua

O preço do barril do petróleo prossegue sensível à tensão entre EUA e Irã

FED e Wall Street (WS) divergem na visualização da conjuntura, FED deve agir mais forte na política monetária 

Wall Street e os balanços trimestrais também não convergem, WS se mantém jogando em cima  

Donald Trump mantém a economia com pleno emprego, mas a “rosca está apertando” na política

Desempenho da economia chinesa começa a refletir sinais do embate entre Xi Jinping e Donald Trump  

Autoridades japonesas buscam o autor do incêndio que resultou em mais de três dezenas de vítimas 

GRÊMIO

É hora de trabalhar com o Brasil do possível porque o País do futuro chegou ao fim da linha

Estamos no marco zero com a economia em compasso de espera e milhões de desempregados

Não tem como o Brasil do possível avançar sem que Guedes informe como pretende enfrentar a estagnação

Guedes precisa explicitar objetivos, metas, estratégia de ação para a economia

Assim os investidores, empresários e trabalhadores poderão se convencer, ou não, que o país não está “andando de lado”

Ontem ele se deu mal quando o presidente divulgou a liberação do FGTS e a Câmara da Construção não tinha sido ouvida

O Parlamento roubou a cena do Poder Executivo à medida que desidratou o projeto da reforma previdenciária do governo

O protagonismo do Parlamento na reforma possível ainda não foi percebido pelo grande público

Agora a agenda política brasileira reduz a marcha porque o Congresso entra em recesso parlamentar

No retorno às atividades o Congresso terá o desafio de harmonizar os projetos de reforma tributária

Muita expectativa quanto à tarefa de inclusão de Estados e Municípios no projeto da Reforma Previdenciária no Senado

Não tem como os Estados e Municípios ficarem à margem da reforma previdenciária

Tasso Jereissati, no Senado, deve dar curso ao trabalho de Marcelo Ramos e Samuel Moreira na Câmara

Está na hora de alguém acender a luz porque é fim de tarde.  Está difícil de conviver à meia luz.

… 

FOTO ABAIXO: Neta 01 de 05, pronta para o Grenal do fim de semana

URUGUAI estabilidade sempre, post 03, em 17.07.2019, a conjuntura recente

 

Porto Alegre, 17 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06h10, 8 graus, sem chuva   

A economia mundial que crescia a 3,6% em 2018 deve avançar em 3,3% em 2019, segundo o World Economic Outlook, o Panorama Econômico Mundial, publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).   

Nesse contexto, o Uruguai acompanha o desempenho da economia internacional à medida que o PIB do país também deve desacelerar de uma taxa de crescimento de 2,1% (2018) para 1,9% (2019).  Consistente com esse desempenho do Produto, o mercado de trabalho mostra uma taxa de desemprego avançando de 8,0% (2018) para 8,1% (2019). 

Por outro lado, a estabilidade da economia tem sido preservada com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) mantido em 7,6% (2018) e 7,6% (2019).

A par desse comportamento da economia uruguaia, uma delegação uruguaia, liderada pelo presidente Tabaré Vázquez, encontra-se hoje em Santa Fé, na Argentina, para participar da 54a Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul.

O evento é importante para os interesses Orientales.  O  Uruguai não contabiliza uma corrente comercial que lhe assegure vantagem dentro do bloco.   Há um déficit próximo a US$ 360 milhões na primeira metade do corrente ano, decorrente de desvantagens no relacionamento bilateral com o Brasil e com a Argentina.

Tabaré Vázquez se faz presente em Santa Fé, no momento em que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro assume a presidência pro tempore do bloco e há uma pauta densa a ser tratada.  Ela inclui, entre outras matérias, o fim da cobrança do roaming, a revisão da tarifa externa comum e a análise de acordos comerciais de livre comércio. 

Internamente, o fato importante da semana tem a ver com a uma crise do setor lácteo do país.  De acordo com a edição eletrônica do jornal El País de Montevidéu, o setor deve US$ 330 milhões aos intermediários financeiros.  

Ontem, antes de viajar à Argentina, Vázquez recebeu uma carta da Assembleia da Associação dos 29, a associação de classe dos leiteiros do país, em que os produtores pedem a intermediação do presidente para que ele interceda junto ao governo de Maduro para que a Venezuela quite um débito de US$ 30 milhões com a empresa Conaprole.   

A crise do setor lácteo é complexa porque há outras facetas do impasse que não podem ser ignoradas pela Assembleia dos 29.  Elas dizem respeito à divida com os fornecedores, à necessidade de uma taxa de câmbio favorável, aos níveis dos preços recebidos pelos produtores de leite e de leite em pó e, finalmente, à necessidade que os investimentos setoriais permaneçam em crescimento.

É isso aí.  Uma economia nacional em desaceleração, uma corrente de comércio desfavorável com os dois maiores parceiros do Mercosul e uma crise interna crescente que ameaça o desempenho do setor lácteo do país.

FOTO ABAIXO: Uma casa antiga localizada na Calle Sarandi em Rivera, Uruguai, em foto que eu bati em setembro de 2014.

 

 

MEMÓRIAS e outras histórias, post 56, em 16 de julho de 2019, Hiroshima (III)

Porto Alegre, 16 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 12h10, 15 graus, sem chuva   

A imagem que deu origem a esse post é de Hiroshima e eu bati a foto em 1974.  Anteriormente eu redigi dois posts relacionados à cidade de Hiroshima.  Abaixo eu faço uma referência a cada um dois posts que eu redigi no mês de abril próximo passado.

No primeiro, datado de 02 de abril de 2019, eu descrevi o passeio de barco que fiz de Hiroshima até à ilha sagrada de Miyajima, um percurso de 10 quilômetros.  No local eu fui conhecer um tempo xintoísta que é flutuante e um portal, localizado ao centro e ao fundo da imagem, que fica sobre a água à medida que a maré sobe.  

Do templo eu me desloquei até o Monte Misen que fica localizado na própria ilha e que tem 535 metros de altura.  Na oportunidade eu mostrei uma fotografia do percurso via teleférico até o pico do monte.   

Na verdade eu bati muitas fotografias subindo o monte, um percurso de alguns minutos, mas que parecia não ter mais fim.   Isso porque foram três grandes percursos até chegar ao objetivo.  Eu sentia que o teleférico estava roçando a montanha e quando eu pensava que a tensão chegava ao fim o bondinho precisava seguir adiante, até o próximo patamar.  Inesquecível

Na ocasião, ao mesmo tempo em que eu mostrei fotografias do percurso via teleférico até o pico do monte, eu também mostrei a presença de um grupo que esteve comigo lá, em cima, para ver onde estava localizado o Quartel General das forças japonesas à época da II Guerra Mundial.  Entre os presentes, à minha direita na imagem, estava Mr Kato, o coordenador do curso em Tóquio e que acompanhou a turma ao longo da viagem. 

No segundo post, datado de 16 de abril de 2019, eu mostrei o momento da baldeação do trem bala que eu vinha de Tóquio para o outro comboio que me levaria até Hiroshima.    Quando eu vi a locomotiva encostar na gare, eu pensei que eu iria ser transportado em um trem do padrão que era conhecido aqui no Brasil. 

Qual foi a minha surpresa quando o trem alternativo partiu ele apanhou rapidamente uma velocidade media de 140 km/h.   Internamente, as condições oferecidas aos passageiros era de um serviço de muito boa qualidade. 

E, lembre o leitor, que eu sou da época da Maria Fumaça.  Quando menino eu saia de Livramento às 07h00, parava, para almoço, em Dom Pedrito ao meio dia e chegava à estação de Bagé às 17h00.   A distância rodoviária entre Livramento e Bagé é, hoje, de apenas 166 quilômetros.  

Bem, concluídos os registros dos dois posts anteriores que eu escrevi sobre a cidade, eu volto ao ponto de partida que me fez redigir o presente texto.

A foto abaixo foi a primeira visão que eu tive de Hiroshima. Eu saí da estação ferroviária e me deparei com a imagem abaixo. No tempo que eu estudei no Japão, a viagem à cidade onde foi lançada a bomba atômica (fissão Little Boy) foi o momento de maior expectativa que eu me deparei durante todo o tempo no país. 

Eu lembro que ao longo da viagem os alunos do curso foram alertados que deveriam se manter em grupo durante a estada em Hiroshima.  Por alguma razão que não foi especificada, ou que eu não lembro, a coordenação do evento recomendou que não nos separássemos do grupo e tomássemos algum rumo alternativo. 

Em nenhum momento durante toda a permanência no Japão houve uma recomendação dessa natureza.  Inclusive, na primeira noite em que o grupo saiu para jantar em Tóquio, após a chegada ao país, eu entrei em uma loja e me perdi dos demais.  Na época, 1974, havia a crise do petróleo e as estações do metrô fechavam às 23h00.

Eu lembro da dificuldade, à noite, de eu me comunicar com alguém.  A dificuldade maior era que ninguém falava inglês.  Mesmo assim eu sentia a boa vontade dos interlocutores para se comunicarem comigo.   Ao fim e ao cabo, eu consegui retornar ao hotel depois de duas e três hora de tentativas e erros… de comunicações. 

Pois, a primeira imagem de Hiroshima que eu fotografei na saída do trem foi a de uma cidade moderna.  Muitas passarelas e poucos cruzamentos para facilitar a vida dos pedestres.   Não sei porque eu não imaginava que Hiroshima fosse uma cidade tão ampla, tão densa.

 Em certos momentos eu recordo de ter lembrado Veneza.  Isso, porque, Hiroshima é cortada por muitos canais tendo em vista que ela é banhada pelo Rio Ota.  Segundo o Wikipedia, ela foi criada em 1589, em torno de um castelo feudal como Quartel General para a primeira guerra entre China e Japão ocorrida entre 1894 e 1895. 

Destruído na II Guerra Mundial o castelo do século XVI foi reconstruído, eu fui conhecê-lo e bati as duas fotografias abaixo.   A primeira foi batida de baixo para mostrar a parte superior do castelo, enquanto que a segunda permite o leitor visualizar a obra mais de perto. 

 

Mas Hiroshima, a cidade que ficou marcada pela morte e feridos num total de 250 mil vítimas, foi algo impressionante na minha experiência pessoal.   Eu tenho tanta assunto para relatar que fica um pouco difícil organizar as informações para deixar o post ficar compreensível para o leitor.

A cidade foi construída por Môri Terumoto, um guerreiro, que se mudou para o castelo em 1589.  A cidade atravessou os Períodos Sengoku, Tokugawa e Imperial, até ser arrasada pelos norte-americanos.  Eu sempre lembro os relógios que sobraram do evento, marcando a hora das 08h16 e o fato da bomba ter explodido a uma altura de 600 metros para atingir um raio maior de alcance. 

A partir daí eu quero seguir no roteiro original do post, mas a emoção me faz migrar para fatos paralelos.  Nesses 35 a 40 gravando imagens diárias da televisão a cabo, eu lembro de uma cena em especial.

Hoje eu gravo oito horas diárias de imagens.  Eu gravo o que estou assistindo enquanto escrevo.  Raramente eu gravo algum evento se eu não o estiver assistindo.  Ajuda-me a escrever algo que eu presenciei.  E entre as tantas coisas que vi, um programa me deixou marcado quando eu penso em bomba atômica.

Em um ano que se comemorava um dos aniversários da Little Boy, a CNN reuniu em um local a tripulação norte-americana do avião que lançou a bomba e os médicos japoneses que estavam nos hospitais em terra.   Cada um contou a sua versão da história. Eram em torno de 15 pessoas presentes. 

Nessas 65 mil horas de imagens gravadas ao longo das últimas quatro décadas, eu creio que essa reunião em Hiroshima está entre as top 10 que gravei ao longo de minha vida.  Em suma, depoimentos emocionantes de quem deu uma guinada na vida e trouxe o passado sofrido ao presente dos telespectadores de todo o mundo.

A par das imagens em vídeo, eu guardo com o mesmo carinho as fotografias que bati ao longo de minhas viagens ao Exterior.  É curioso que entre as top 10, também há uma guerra a destacar.  Eu me refiro às imagens que eu bati quando da estada em Honolulu, no Havaí, mais especificamente, à base dos EUA de Pearl Harbor (Porto das Pérolas) na ilha de O’Ahu. 

Aquela quantidade de navios destruídos pelas forças aéreas japonesas, em 07 de dezembro de 1941, metade submersos, metade à vista do visitante.   Foi uma tentativa frustrada dos nipônicos em arrasar a frota norte americana que estava no Havaí.  

Em especial, o monumento construído em cima do que sobrou do navio Arizona e em que aparecem os nomes de todas as vítimas mortas durante o evento.  É um silêncio quase sepulcral, em que a gente vai lendo o que está disponível para o leitor no monumento, enquanto as águas batem, incessantemente, no que sobrou do navio.      

De volta à ideia inicial eu lembro que quando vi aquela foto acima de Hiroshima eu pensei que se tratava de uma cidade como Porto Alegre.   Hoje, as duas tem população superior a um milhão de habitantes.  Em 2010, Porto Alegre com 92 bairros, tinha 1,409 milhão de habitantes enquanto que Hiroshima, com 8 bairros, tinha 1,194 milhão de habitantes em 2015.  Se descontarmos as vítimas da bomba poderia se fazer um novo cálculo que aproximaria, ainda mais, a população das duas cidades.

A propósito de tamanho de cidade eu gostaria de dizer ao leitor do blog que quando eu ganhei a bolsa de estudos da Overseas Technical Cooperations Agency (OTCA) para ir estudar em Tóquio, eu recebi uma portaria do Governo Euclides Triches para buscar informações do Ministério dos Transportes do Japão para a construção de um metrô em Porto Alegre. 

Eu lembro que o Mr Kato organizou um evento durante duas horas em uma data aprazada em que eu reuni com os técnicos do governo japonês.  E ele me disse que os técnicos queriam que eu levasse algumas fotografias da capital gaúcha para o encontro. 

Na oportunidade, dada a limitação do tempo, os japoneses utilizaram as duas horas para me repassarem informações sobre a escolha de um local, em uma cidade, para fixar uma estação do metrô.  Confesso que eu não esperava tanto estudo, tanto detalhe em uma pesquisa que levava dois anos para ser realizada para, ao final, selecionar o local para a estação.

Entretanto, o que me chamou a atenção na reunião foi a reação dos técnicos japoneses às fotografias de Porto Alegre.  No Japão, em função dos terremotos, as cidades daquela época não tinham tantos arranha-céus como nós já tínhamos em Porto Alegre.  Ou melhor como os técnicos viram nas fotos que eu levei do centro da capital gaúcha.  

Eles ficaram incrédulos quando eu falei na demografia presente à realidade de Porto Alegre.   Eles imaginaram que eu vinha de uma metrópole muito maior do que realmente a capital gaúcha representava, algo totalmente inesperado para mim.

Bem, entre tantos assuntos que eu pretendia falar a respeito de Hiroshima, eu me referi a alguns, embora eu acredite que o museu e tudo o que diz respeito à bomba eu deixei para uma outra oportunidade.  As imagens dentro do Hiroshima Peace Memorial Museum são fortes, marcantes e inesquecíveis.  Fica tudo para um post a ser redigido à frente.

Para encerrar, abaixo eu mostro a fotografia que eu bati do Rio Ota quando eu visitei o castelos de Hiroshima. 

Uma boa tarde a todos os leitores!

  

ENTREVISTAS na televisão, post 18, em 15.07.2019, Edmar Bacha

Porto Alegre, 15 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 22h00, 11 graus, amanhã a temperatura oscilará entre 6 e 15 graus, sem chuva, clique aqui

Acompanhe agora, ao vivo, o programa Roda Viva na TV Cultura, canal 2 da Sky, com a presença do economista Edmar Bacha.  Ele está analisando, entre outros temas, a reforma previdenciária e a retomada da Economia.

Imperdível!

FOTO ABAIXO: Rua da Praia, Centro Histórico de Porto Alegre, julho de 2019

UNIÃO EUROPEIA, Parlamento, post 31, em 14.07.2019, Úrsula von der Leyen em voo mais alto

Porto Alegre, 14 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 12h10, 12 graus, chove à noite  

Ursula von der Leyen, 60 anos, é uma política alemã pertencente aos quadros da União Democrata Cristã (CDU), o mesmo partido de Angela Merkel, e ela está em busca de apoio para liderar a União Europeia.   

Ela não é uma figura secundária da agremiação partidária pois ela é uma das vice presidentes da Instituição, além de ocupar o Ministério da Defesa da Alemanha. 

Eu escrevi um post recente da movimentação dessa doutora em Medicina e licenciada em Economia que foi nomeada pelo Conselho para a Presidência da Comissão, mas que precisa do apoio de maioria absoluta do Parlamento para tanto.

O que eu percebo acompanhando os noticiários é que ela não terá uma tarefa fácil.  Embora experiente e com excelente currículo, Úrsula encontra resistência entre os seus próprios companheiros de partido e nos políticos do Partido Verde. 

Eu acompanhei o programa Europa 2019 da TV Espanhola, em que foi apresentada uma entrevista concedida por Von der Leyen diretamente de Bruxelas em que ela reafiramou que era europeia de coração, mas também por convicção.  

A votação acontece na terça-feira e ela precisa garantir os votos que lhe faltam para permanecer na presidência da Comissão.   Na verdade ela conta com o apoio dos deputados do Partido Popular Europeu e, dependendo de uma aliança, com os votos dos liberais.  

Na proposta de Úrsula constam objetivos como a formação de uma Europa mais forte e priorizar a atenção aos jovens do Velho Continente.  Ela argumenta que é necessário aproximar-se dos cidadão que “carregam medos e esperanças, sonhos e aspirações”. 

A Europa precisa responder a esses cidadãos.  Eles precisam ter “trabalho, estabilidade e segurança”,  Na liderança da Comissão ela procurará atendê-los. 

Num ambiente em que há nacionalistas e eurocéticos na oposição, Von der Leyen busca votos entre os socialistas, mas eles exigem uma pauta com metas voltadas para a área social e para a defesa do meio ambiente e do feminismo.

A candidata esteve também com os representantes do Partido Verde, mas esses exigem medidas em defesa do estado de direito e da busca de solução para a crise humanitária no Mediterrâneo. 

Está complicada a caminhada da política alemã à presidência da Comissão Europeia.  Para constituir a base política com aqueles que são a favor da integração europeia é preciso flexibilizar a sua agenda de governo.  O prazo é curto.  Termina na terça-feira

FOTO ABAIXO Eu deixava Bruxelas, uma das atuais sedes da Comissão Europeia, e me deparei com a Notre Dame local.  Era fim de tarde, chovia e fazia frio. Eu bati essa foto em 1969. 

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CENÁRIO ECONÔMICO, o que vem por aí, post 11, em 13.07.2019, Trump e Bolsonaro

Porto Alegre, 13 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 14 graus, chove à noite  

Os Estados Unidos estão irreconhecíveis. Eu creio que nem Dwight D. Eisenhower o reconheceria.  O país que Ronald Reagan imaginou estar iniciando com uma nova gestão conservadora não aguentou o tranco da História.  Foram um pouco mais de 30 anos desde 20.01.1989, quando a gestão Reagan chegou ao fim e a Casa Branca alternou entre presidentes democratas e republicanos. 

O Brasil está irreconhecível.  Eu creio que nem Tancredo Neves o reconheceria.  O país que Ulisses Guimarães imaginou estar iniciando com a Constituição Cidadã não aguentou o tranco da História.  Foram 25 anos desde 12.10.1992, quando o helicóptero levando o corpo de Ulisses mergulhou nas águas de Angra dos Reis e os seus restos jamais foram encontrados.

Nos 50 anos que eu trabalhei como professor e como economista eu lecionava e escrevia sobre as crises na conjuntura nacional e na economia internacional.  Crises de todo o tipo, com diagnóstico completo, estratégia de enfrentamento, metas definidas, objetivos alcançados e resultados avaliados.

Nesses 50 + 2 anos de trabalhos eu estou convivendo com uma crise inédita.  Lá fora, os EUA abandonou a globalização e deixou os parceiros à deriva; aqui dentro, o Poder Executivo abandonou a gestão e deixou a economia à deriva.  Donald Trump repassou à Xi Jinping o seu papel de ator principal e Jair Bolsonaro entregou a Rodrigo Maia o seu papel de protagonista essencial.    

Eu confesso que eu nunca tinha visto nada igual antes, aqui e acolá.   Trump e Bolsonaro deixaram a desejar na formação das suas equipes. 

É preciso que ambos assumam, de vez, os cargos e os encargos.  Trump bate sistematicamente em Jerome Powell (FED), o homem chave no cenário econômico global;  Bolsonaro precisa contar com titular na pasta da economia que se torne homem chave no cenário econômico nacional.   

Trump se mantém com a economia em pleno emprego e a política em plena crise; Bolsonaro se mantém com a economia com muito desemprego e a política à espera da próxima crise.

…   

Trump está atento à reeleição, Bolsonaro, ao terceiro turno.  É lamentável que assim seja.  Embora em pleno emprego Trump está contribuindo para a desaceleração global à frente.  Embora em estagnação Rodrigo Maia contribuiu para desidratar e aprovar, até aqui, a reforma previdenciária à frente.

O que esperar de ambos em agosto? Eu estou em dúvida se Donald Trump percebe que ele levará e economia global para o fosso e eu estou em dúvida se Rodrigo Maia tem a receita para retirar a economia nacional do fosso.

Houve um blecaute em Nova York e eu preciso interromper o post por aqui.  Vou migrar, virtualmente, para os EUA e depois eu concluo o post sobre Trump e Bolsonaro.     

FOTO ABAIXO: 

Na imagem de 1970, eu estou na frente da University Bookstore, quando eu estudava na Syracuse University, Syracuse, Nova York. 

 

MELODIAS de um professor de solfejo, em 06.03.2019, Esta noche que pasó

Porto Alegre, 06 de março de 2019

MELODIAS  de um professor de solfejo, em 06.03.2019

Eu comecei os meus estudos de piano em 1950, com seis anos de idade.  Meus pais eram vidrados em música.   Cada visita que chegava à minha casa, eu já sabia que tinha uma tarefa a realizar, que implicava cantar para os visitantes.

Eu e o Zezinho, o meu irmão menor, íamos para o pátio e “dá-lhe música”.  Eram muitos parentes vindos de Montevidéu e de Tacuarembó.  Os parentes castelhanos eram muito comunicativos.  Falavam alto, riam bastante e as conversas não pareciam ter fim.  

Nos fins de semana eu participava de programas de auditório da Rádio Cultura de Sant’Ana do Livramento, RS, minha cidade natal.  Era todo o sábado a partir das 16h00. O premio para quem fosse classificado como o cantor da melhor apresentação era um corte de camisa porque naquela época tudo era confeccionado em casa. 

Frequentemente eu voltava para casa com a fazenda dentro de uma embalagem com um papel brilhante.   Eu lembro, também, que nessa época eu fiquei sabendo que Nelson Gonçalves, o famoso cantor brasileiro do samba-canção, tinha nascido praticamente na frente da minha casa.  

Minha mãe, Stella Coitinho Fraquelli, era modista.  O seu apellido, sobrenome em espanhol, era Coitiño porque ela era uruguaia.  Atravessou a fronteira para o Brasil e virou Coitinho. Era modista porque ela tinha um diploma da Academias Teniente de Buenos Aires, de 50 centímetros de largura, suspenso em cima da sua mesa de costura.  

Assim como havia muitos parentes castelhanos em minha casa, também havia uma vasta clientela feminina da minha mãe.  De senhoras da sociedade a clientes mais populares, havia um intenso movimento da manhã à noite. 

Em 1951, com sete anos de idade, eu fui matriculado no preparatório do Conservatório de Piano das Irmãs Teresianas.   Somos três irmão homens, criados juntos, e uma irmã nascida depois de um intervalo de doze anos.   Todos os três iniciávamos os nossos estudos pelo colégio das Freiras.  Depois iríamos migrar para o Ginásio Santanense, o colégio dos Maristas na cidade. 

Dos três irmãos, o mais velho foi para a Escola Militar (EPA) em Porto Alegre, eu fui mandado para o piano e o meu irmão menor para o estudo do acordeon.   Eu lembro que a minha primeira professora de piano se chamava Irmã Aliende.   

Era uma freira magrinha, baixinha, mas muito agitada.   Eu e os demais alunos ficávamos  em “bretes envidraçados” e a irmã passava na porta de cada sala e batia com uma régua comprida, com força, nos vidros para obrigar o aluno a continuar tocando. 

Era proibido parar de tocar.  As aulas duravam uma hora e, na condição de criança, eu lembro que as vezes a atividade era um tanto cansativa.  Não havia música popular.  Era estudo e piano clássico.

Folga?  Somente nas aulas semanais de solfejo.   E ainda assim, era preciso estudar solfejo, ininterruptamente, em casa.  No dia de aula, era preciso ler, ou cantar, a melodia nas notas e nos compassos certos. 

Era impossível imaginar que eu pudesse chegar à aula de solfejo sem ter a melodia na ponta da língua.  Naquela época, o castigo corria solto.   E a imagem da Irmã Aliende com aquela régua gigantesca me fazia sonhar que se eu fizesse uma pausa no piano, a régua ia correr solta.

No ano seguinte, em 1952, eu passei do preparatório para o primeiro ano do Colégio das Freiras.  Mais um ano, em 1953 meus pais me levaram para estudar música no Conservatório Kolisher, cuja diretora era a professora uruguaia Elenita Bartolomé.   Fui seu aluno até os últimos dias das minhas aulas.  Aí eu comecei a gostar de música clássica.  Eu passei a entender, por exemplo, quem era Johann Sebatian Bach.   

Quando eu passei do quarto para o quinto do ano do curso de piano no Conservatório Kolisher, eu fui submetido ao exame final do Curso de Solfejo.  Aprovado, eu passei a professor de Solfejo no próprio curso.   

A partir daí eu prossegui na sequência do curso de piano, mas eu ganhei o status de professor.  Eu devia estar com 12 ou 13 anos e me tornei professor pela primeira vez.

Era uma sensação incrível.  Eu podia dominar as pautas das músicas e acompanhar o quanto os meus alunos estavam avançando na leitura do pentagrama.   Ao mesmo tempo eu prosseguia a fazer apresentações em audições de piano que eram realizadas no salão nobre da Prefeitura Municipal de Sant’Ana do Livramento.   

Nessa fase, minha mãe decidiu que eu devia abandonar as calças curtas porque era preciso combinar a imagem do professor com a utilização das calças compridas.   Eu guardo com carinho, fotografias das audições de piano que eram públicas.  Era o único dia do ano em que eu colocava gravata e sapato preto de verniz.  

Nessa época eu também fazia o solo na missa da Igreja Matriz da minha cidade natal.   A principal missa da igreja católica acontecia às 10h00.  E lá estava eu, acompanhado de um irmão marista no piano,  soltando a voz, para orgulho dos meus pais.

Anos mais tarde, muitos anos mais tarde, eu creio que em 1962, eu ingressei em um grupo de jograis que dizia poesias. Esse foi um período muito importante porque passei a apreciar textos, conteúdos.  Participavam do grupo, dos que eu lembro, o Walter Py, o João Carlos Jorgens e o Carlos Renato Melo, contemporâneos daquela época,   

Todavia, pelo perfil do grupo, eramos sete participantes, também fazíamos, uma ou outra incursão no campo da música.   Eu lembro que uma vez fizemos uma excursão para cantar no Colégio das Freiras de Rosário do Sul.   Foi um sucesso de apresentação de apresentação e de público. 

Tudo teria terminado muito bem se o Walter não tivesse me dito ao final que nós iríamos cantar a Ave Maria.  Ele disse que eu repassasse a informação para o resto do grupo.  O Walter era o mais alto, ficava numa ponta do grupo e fazia a primeira voz.  Eu era o segundo em altura e faríamos, em conjunto, a segunda voz.   Não tínhamos ensaiado.  Simplesmente ele iniciou cantando uma oitava acima e, nós, uma oitava abaixo.  Eu lembro que eu dizia para ele recomeçar, mas ele respondia que não, que iria assim até o fim.

Foi um terror!  

O tempo passou e a música ficou no meio do caminho.  Eu acredito que quando cheguei aos 35 anos, em 1979, eu me deparei com uma situação inusitada. 

Uma amiga me propôs fazer uma sociedade para explorar uma atividade comercial.  Se lembro bem, ela almejava criar uma casa para servir chás em Porto Alegre.  Disse-lhe que era impossível combinar as minhas atividades profissionais com o negócio proposto.  E tudo parou por ali.

Os anos passaram e a mesma amiga me propôs, dois ou três anos depois, outro negócio.  Ela possuía um piano antigo.  Ela me vendia o instrumento para ela avançar nas suas atividades comerciais.  Concordei.  Adiantei-lhe os recursos e meses depois bateram à minha porta e eram trabalhadores de uma transportadora trazendo o tal piano que eu havia adquirido anteriormente. 

Em suma, o piano era alemão, do século XIX, de marca Grotrian Steinweg, produzido em Leipzig, na antiga Alemanha Oriental.  Uma surpresa!  Um piano alemão?  De madeira de alta qualidade.  E, ainda, com cepo de aço.  Foi demais para um mero iniciado em música. 

Indescritível a sensação de passar pelo piano, situado na sala do apartamento, e em tocar alguma melodia em suas teclas de marfim.  Fazer o quê?  Resolvi me matricular em um conservatório e voltar a estudar piano.  E assim eu passei a ser aluno da Professora Ana Maria Porto Alegre, no bairro Menino Deus, aqui, em Porto Alegre. 

Foram dois ou três anos de aulas, interrompidos porque nasceu a minha terceira filha e ela não dormia à noite.  Foi uma fase complicada para continuar o piano.  Era preciso praticá-lo diariamente.  

Na ocasião, para encurtar a história, eu migrei o foco do meu interesse do piano clássico para o acompanhamento no violão.  A tarefa era mais simples.  Ao mesmo tempo, era bastante prática em termos de resultados. 

E assim eu compus a minha primeira música.  Depois, veio a segunda, a terceira e o processo avançou com um sentido de realização muito evidente. 

Eu lembro, que nos anos 80 eu carregava comigo um instrumento, com dez teclas, ou algo em torno disso, e quando a inspiração surgia, mesmo que estivesse caminhando na rua, eu tentava fixar a melodia através do “pequeno piano”.  Algumas das minhas músicas surgiram dessa forma.

Muitos anos se passaram desde então.  E,eventualmente, eu pego o violão e procuro lembrar as músicas que eu apreendi quando mais jovem.   Comprei a série Aquarela Brasileira que me ajudou a manter o interesse pela arte.   

Um dia desses eu assisti um documentário do Chico.   Ele analisou o período da bossa nova e eu achei muito interessante o foco da análise que ele apresentou.  No final ele deu uma informação que me fez pensar.

Ele disse que um dos problemas que ele enfrentava ao compor é que ele ficava em dúvida se aquela música já existia.  Não sei se foi isso que ele afirmou, mas foi o que entendi.  De concreto, a informação que ele passou, me destravou em termos de criatividade.

Explico melhor.  Eu tenho umas 50 músicas.  Parei de compor a alguns anos.  Mas mantenho todo o material comigo.  Há uns dois anos eu pensei em voltar a compor, mas não toquei a ideia adiante. 

Depois de ouvir o Chico na televisão, eu deixei de lado o receio que a música que eu compus já existisse.   Aí, eu lembrei que tenho duas músicas gravadas em vídeo, da época em que as minhas duas filhas menores, hoje engenheiras, pós graduadas em engenharia de segurança, tinham 3 ou 4 anos.  

Pois hoje eu estou disponibilizando no meu blog a primeira de duas músicas que pretendo deixar postada para que o leitor do blog tome conhecimento da mesma.  Eu a compus em 1991 e desde então ela ficou em standby.  Tem outras, cerca de cinquenta, que eu compus, gostei do produto e também vou gravar em vídeo para disponibilizá-la Internet. 

Dependendo do tempo, pretendo voltar a compor e se eu conseguir chegar a uma melodia que eu reconheça nela algum valor, eu a disponibilizarei no blog.  Todas as demais, que ainda mantenho guardadas, continuarão comigo esperando uma nova oportunidade para divulgá-las.  

Até outro dia!como montar loja