Micro cursos, Internacional, post 01.03.14, 22.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 22 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 06:10, 8 graus C, 60 % de umidade, dia de sol

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.03.14 UNIÃO EUROPEIA,  consolidada a segunda onda da pandemia na Espanha com centro em Madri

(01 Internacional, 03 União Europeia, 14 número de ordem do post)

Gente, a pandemia não dá folga.  Durante muito tempo eu trabalhei com a ideia do fim do coronavírus, do fim da primeira onda, e da normalização da economia, do início da segunda onda.   Eu pensava assim e creio que toda a torcida do Flamengo também.

O tempo passou e a hipótese não se confirmou.   Anteontem eu escrevi um post sobre a existência de um novo ciclo econômico.   O leitor pode localizar o texto no Post 01.01.11, do dia 19.09.2020.   Nesse texto eu procurei configurar um novo modelo para o que eu estou percebendo no dia a dia da conjuntura econômica internacional.

No Velho Continente há um alerta geral.   O coronavírus  recebeu novo impulso e tomou conta da cena.  Os noticiários de diversos países que eu acompanho no blog começam com manchetes tratando da pandemia.   

O que os noticiários informaram nessa manhã é que não param de surgir novos casos do coronavírus no Continente.   Face aos novos acontecimentos os países passaram a aumentar novas restrições para a segunda onda da pandemia.   Há preocupação com a possibilidade da fixação de novos confinamentos.

Em Portugal, Antonio Costa citou a existência de 623 novos contagiados e 8 óbitos nas últimas 24 horas.  No Reino Unido, o Primeiro Ministro Boris Johnson não descartou a possibilidade de um confinamento geral à frente.    Em Paris, Emannuel Macron estuda a imposição de novas restrições em breve.  Porque o Madri é o foco principal do virus no Continente, nesse post eu concentro a minha análise na Espanha.

Foi uma segunda-feira densa e tensa.   Eram muitas matérias convergindo para as manifestações de Pedro Sánchez, chefe do governo espanhol, e de Isabel Dias Ayuzo, 41 anos, prefeita de Madri.  Sánchez é do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e Ayuzo é do Partido Popular (PP), a maior força de oposição.

Pedro Sánchez se colocou totalmente à disposição da prefeita para contribuir com a superação da crise.  Ayuzo, disse que não iria decretar a situação de alarme.

O presidente do Governo afirmou que pretendia apoiar, que pretendia ajudar e que não se encontrava em posição de tutelar, de avaliar e, muito menos, de superar uma administração.   Estou aqui, conclui, para configurar novos cenários, se for preciso.

A prefeita de Madri confessou que convive com falta de recursos e daí a importância de reunir com o chefe do governo espanhol.   Disse, também, que não pretende recorrer ao estado de alarme nem ao processo de confinamento. 

Nessa segunda onda da pandemia no país, Madri é o centro da crise sanitária, ao contrário da primeira onda que teve como foco a região da Catalunha, a cidade de Barcelona.  A propósito, Joaquim Torra y Pla, conhecido como Quim Torra, 67 anos, presidente da Generalitat, recomendou que a população catalã não viaje a Madri.

Face à presença de 860 mil contagiados em Madri, surgiram novas restrições na última sexta-feira.  Nessa segunda-feira as limitações impostas pela administração municipal foram mais educativas, mais informativas, os controles virão logo, a seguir.   

O contexto está difícil.  Se as pessoas estiverem circulando, sem uma justificativa convincente, serão multadas a partir da próxima sexta-feira.   Um trabalhador foi indagado no centro de Madri se ele não temia pagar multa e ele respondeu que levava consigo o comprovante da empresa para se deslocar diariamente ao local do trabalho. 

Repórteres da TV Espanhola foram às ruas para ouvir a população sobre o momento da crise na Espanha.   Eu achei interessante que um dos populares disse que na televisão ele tinha ouvido as autoridades afirmarem que não há confinamento, mas, aí, as pessoas chegam na esquina de um bairro e há restrições para seguir adiante, ou seja, há confinamento. 

Outro entrevistado pelo repórter disse que os habitantes de Madri são todos prisioneiros.   Somos prisioneiros dos bairros, não podemos sair do local onde residimos, concluiu.  

Para encerrar,  o número de infectados na Espanha está próximo a 860 mil casos, sendo que há registro de 31,8 mil óbitos.  A capital, Madri, vivencia uma nova realidade com a volta da pandemia.  Há 178 óbitos desde a última sexta-feira.   Fernando Simón, o chefe do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências no setor de saúde, disse há pouco na televisão que o país convive com a segunda onda da pandemia. 

Por tudo isso o PSOE e PP criaram um grupo de trabalho para uma atividade conjunta entre as administrações federal e municipal para o enfrentamento da crise sanitária.   O que me surpreendeu foi o confinamento por ruas e avenidas em Madri.  Paralelamente, foi decidido regulamentar o teletrabalho.   A ideia é que essa legislação seja aprovada ainda hoje.

Boa dia, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Internacional, Post 01.09.19, 21.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 21 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18:10, 15 graus C, 60% de umidade, muito frio de manha cedo

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.    Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.09.19 ESTADOS UNIDOS, os índices da NYSE e da Europa nos últimos 30 dias

(01 Internacional, 09 Estados Unidos, 19  número de ordem do post)

Passam os dias, a atividade econômica global permanece no piso, a bolsa americana que precificou uma recuperação sofre, hoje, com a volatilidade.  As ações das tecnológicas que foram às alturas parecem anunciar que a volatilidade está de volta.       

Acesso à bolsa de NY para ver o momento dos mercados.  São 12:04 no “horário oficial” do meu beco.   Eu estou uma hora à frente do fuso horário da New York Stock Exchange (NYSE)     

Nesse momento, o S&P 500 encontra-se no patamar de 3,236.21 pontos, uma variação de –83.26 pontos, que corresponde a um recuo de –2.51%.   

No mesmo horário, o  Nasdaq estava cotado em 10,544.07 pontos, evidenciando uma queda de –249.21 pontos, o equivalente a uma perda de –2.31%.    

As quedas dos dois índices são expressivas nessa primeira hora da manhã.   Nos últimos trinta dias o S&P 500 perdeu -138,70 pontos implicando desvalorização de –4.11%.  No que diz respeito ao Nasdaq, a perda é um pouco maior, –5.13%, ou seja, –572.03 pontos.      

No fim da semana anterior os mercados já vivenciavam um mau momento, resultado das quedas nas cotações dos principais índices da NYSE.   Na verdade já era a segunda semana consecutiva de recuos. 

Agora, os analistas já contabilizam a terceira semana de perdas.   O que está acontecendo?  A pandemia não dá folga.  São 6,8 milhões de infectados e 200 mil óbitos.  Os números permanecem em crescimento e não há perspectiva de mudança no curto prazo.   Há eleições à frente e até lá, provavemente, não haverá novidades na crise sanitária.      

E se assim for, a fragilidade de Trump nesse jogo político bate de frente com os sonhos dos mercados.   Mais especificamente, depois das bolsas atingirem o céu com São Trump, percebe-se que o Presidente está a perigo no pleito de 03 de novembro.     

Tudo, menos isso, para os sonhos de quem viu a realidade de cima, tão de cima, como ele não a via desde Bill Clinton.  As bolsas estavam em patamares tão altos que não conseguiam ver o câmbio, o dólar, em patamares tão baixos.  Será que a volatilidade que chegou, está aí para ficar?          

Vou fazer um break.  Vou deixar as horas passar.   Ao fim da tarde eu fecho esse post.  Procederei assim para esperar o pregão encerrar em Nova York.  É possível que tudo mude até o fim do dia.  Já vi de tudo na NYSE nesses cinquenta anos de acompanhamento da conjuntura econômica dos Estados Unidos.           

Agora são 18hoo aqui no beco.  Acesso à bolsa de Nova York. Na primeira observação eu percebo que os índices mostraram alguma recuperação em comparação às cotações dessa manhã.   Não houve recuperação total porque os índices prosseguem em terreno negativo.       

Explico melhor.   Pela manhã o S&P 500 recuava -2,51%; agora, -1,16%.   Quanto ao Nasdaq que caia -2,31%, mostra, agora, diminuição de -0,13%.    Em resumo houve uma recuperação relativa das cotações durante essa segunda-feira.   Isso aconteceu muito mais no Nasdaq do que no S&P 500.       

Eu creio que foi importante partir para o brake no meio do texto.   Eu penso que os enunciados que eu formalizei na primeira metade do post, são válidos.   Eu não posso ignorar que depois dos ganhos elevadíssimos de muitas e muitas semanas, houve uma queda abruta na NYSE.     

O que há de concreto com quem convive com um excesso de ansiedade nesses dias de ganha e perde é que os preços das tecnológicas que eram o filé, deixaram de ser.   Deixaram de ser?   Ou elas voltam a assumir o protagonismo recente?        E as bolsas do Velho Continente?   Porque elas não acompanham a santa euforia das bolsas do Novo Continente?  Vou buscar o dado para o prazo de um mês, dos últimos trinta dias.       

Foi esse o prazo que eu tomei como base para iniciar este post e obter as cotações do S&P 500 e do Nasdaq na NYSE.   No caso do Velho Continente, o FTSE Eurofirst 300 Europe caiu -2,40% nessa segunda-feira.   Houve quedas de FTSE Britain (-3,38%), do CAC 40 (-2,13%) e do DAX (-1,74%).   Também no horário do fim da tarde, as quedas dos últimos 30 dias nos índices de NYSE foram de S&P 500 (-2.78%) e de Nasdaq (-3.30%).       

À guisa de conclusão, nesse fim de tarde no horário do meu beco, as quedas de Nova York e da Europa não são muito diferentes.  Essa é uma comparação de fotografia.  Todavia, se a comparação fosse num vídeo ficaria evidente que NYSE foi a voo de cruzeiro e pousou nos últimos 30 dias.  Já os índices da Europa parece que fixaram taxiando na pista.     

As ações das tecnológicas de lá não voam como as daqui.    Só há um Trump no mundo das prefixações.   E o seu reinado corre sério risco se a vacina não chegar.  É preciso esperar o próximo capitulo nesse cenário de crise inédita, o embate contra o inimigo invisível.     Chego na janela do beco e não vejo ninguém passar.   

Vez ou outra passava uma senhora, vestida como antigamente, idosa e de cabelos prateados.   Eu imaginava, sempre, que era a personagem saída das páginas da obra do Veríssimo.     

A velhinha, aquela senhor formosa de Taubaté, deve estar roendo as unhas nesse epílogo vespertino da terra de Lupicínio.   Não sei se ela se interessava por Economia.  Inteligente, de modo tão diferente, acreditava no que ninguém acreditava.   Ela estaria defendendo uma mudança no cenário ou na permanência da volatilidade?   

Eu não sei.   Se ela passar por aqui, vou perguntar.   

Boa noite, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Brasil, post 02.01.17, 20.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 20 de setembro de 2020

Horário oficial do beco, 18:10, 16 graus C, 78% de umidade, temporal durante a noite

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

02.01.17 BRASIL, de volta ao Rio da gripe espanhola

(02 Brasil, 01 desempenho da economia, 17 ordem do post)

A pandemia levou o país ao fundo do poço.  Aqui e lá fora, tudo está no piso da crise.   Ontem eu escrevi um post em que eu afirmava que a economia convive com um novo ciclo global.   A minha dúvida é quanto à extensão da transição.   Na gripe espanhola foram 50 milhões de óbitos; agora, 1 milhão.  

Hoje eu vou escrever um post diferente.  Eu vou tentar entender como foi a experiência carioca nos anos 18.  A minha ideia é sentir o que se dizia no Rio daquele terrível evento. 

Eu fui à busca dos jornais brasileiros de 1918 para ver qual a leitura da época.  Encontrei a Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro.  Na edição de uma terça-feira, 15 de outubro daquele ano, a manchete dizia O RIO É UM VASTO HOSPITAL.  Esse título diz do que foi a epidemia na Velha Cap. 

No centro da primeira página, havia dois subtítulos.   De um lado, estava escrito A invasão da gripe espanhola, o povo sofre os horrores da exploração; de outro, A desídia criminosa do governo, não há médicos, não há remédios.   Dá para entender o clima local a partir desses dois tópicos? 

… 

Mais abaixo, ainda na primeira página, há duas caixas altas.   À direita, eu leito SOCCORRO!   Essa é a grafia da época.  A epidemia está em toda a parte, de maneira assustadora.  Em seguida, há referência ao fato que as farmácias nem conseguem aviar as receitas que chegam.  Ao lado da matéria, há uma fotografia de uma drogaria lotada de clientes.  À esquerda, está escrito E’ PRECISO DEMITTIL-O!  Uma crítica às autoridades.

No texto eu verifiquei que o editor do jornal fala que a imagem parece um filme de terror.   Cadáveres atraem urubus nas portas das casas.  As carroças carregam corpos sob ar fétido.  Raros transeuntes que andam pelas ruas, mais parecem fugir da doença.    Morreram 15 mil no Rio de antanho contra 45 mil no Rio de hoje.   O que vem à frente?

Pois é.  E se a crise sanitária estiver recém em sua fase inicial  ?  Um século depois da gripe espanhola, a realidade é outra.  Porém, e se mesmo assim a pandemia não perdeu força?  Eu fiquei preocupado com as informações vindas da Espanha.  Madri vivencia uma segunda onda do coronavírus.

… 

A Revista Caretas, número 542, de 09.11, mostrou um desenho, em grafite, representando oito profissionais num Congresso Médico.  O palestrante diz que é preciso esperar com calma pela vacina, porque os sobreviventes poderão utilizá-la quando o vírus reaparecer.  Alguma semelhança?    

Na edição do Estadão de 21.10.1918 havia uma imagem com origem na Revista Careta.  Mostrava uma mensagem intitulada A Epidemia Reinante.  Com pano de fundo mostrando uma multidão em frente a um hospital havia um texto denominado CONSELHOS AO POVO. 

No texto havia a recomendação de evitar aglomerações, evitar visitas, “cuidados higiênicos com nariz e garganta, inalações de vaselina mentolada, gargarejos com agua e sal, com agua iodada, com ácido cítrico, tanino e infusões contendo tanino com folhas de goiabeiras e outras”.

É isso aí, pessoal, folhas de goiabeiras e outras.  Na infusão, é claro.  São lições do Rio, daquele Rio antigo que eu vejo, com muita frequência, nas páginas da antiga revista, O Cruzeiro.  Do meu Flamengo, do tricampeonato carioca de 1953-55, que levo em lugar privilegiado em minha memória.

Boa noite, leitor do blog!

Micro cursos, Internacional, post 01.01.11, 19.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 19 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18:10, 16 graus C, 64 % de umidade

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.    Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.01.11 ECONOMIA GLOBAL,  a chegada do novo ciclo

(01 Internacional, 01 Economia global, 11 número de ordem do post)

O mundo aguarda a chegada de um novo ciclo econômico.   Na verdade, o novo ciclo já está aí e muitos ainda não perceberam a sua presença.  Por que?  Porque muitos formaram a opinião que a economia voltaria ao “normal”.   Ledo engano.   Não há volta ao passado.  Ao contrário, o futuro já chegou.  Só que veio em formato de filme.

Um filme de ficção.  Um filme com aparência de ficção.  Quem diria, no dia 31.12.2019, que no dia 18.09.2020  todos estariam usando máscaras?   Nas ruas e nas praias.  Muitos desobedecendo.   Daqui há 15 dias, tantos deles, afoitos, estariam comprovadamente infectados. 

Hoje, foram contabilizados mais 858 óbitos no Brasil.  Aviões parados nos hangares, ônibus deixando estações rodoviárias baixo protocolos.  Passageiros nos metrôs com os olhos atentos às suas vizinhanças.  Quem carrega o vírus, escondido, como se estivesse à espreita de tudo e de todos, mas que ninguém vê?

Escola, o maior desafio de 2020.   Abrindo os colégios as crianças podem se infectar; mantendo-os fechados, os pais não trabalham e não tem como alimentá-las.   Há melhor lugar para deixar as crianças do que numa escola?  Paradoxalmente, há protocolo que garanta a saúde da criança na escola?  Duvidas atrozes.  

Não se domina o conhecimento sobre a letalidade do vírus.  Na II Guerra Mundial morreram 60 milhões de pessoas.   Na gripe espanhola faleceram 50 milhões de vítimas; no covid-19, 1 milhão.    O que esperar enquanto se aguarda?  Qual o ambiente da crise sanitária à frente?  Qual o teto acima desse 1 milhão?  

Migro da crise do coronavírus para a crise do emprego.   De uma epidemiologia para à economia.  Tudo me leva a crer que a pandemia foi o divisor de águas de um ciclo para outro.   Uma transição inesquecível para uma recessão inimaginável.       

A globalização, que eu lecionava em sala de aula até há bem pouco, estava sendo amplamente questionada por Donald Trump.   

Veio a pandemia, derrubou a atividade econômica, enxugou o mercado de trabalho, atolou a liberdade de comércio, zerou os juros, insinuou a formação de uma bolha, atropelou a ordem econômica e carregou as pretensões políticas do presidente dos Estados Unidos, tudo num verdadeiro tsunami recessivo.   Levou tudo a lugar nenhum. 

Onde vão chegar as cotações das ações das empresas de alta tecnologia do NASDAQ?   O investidor comemora ou toma maracujá com folha de amora?  Na terra de Trump, há muitos migrando para títulos do governo.   Ficarão assim até o solstício do inverno?  A persistência de atitude implicará presente de natal ou risco fatal?

Não há o que fazer para recuperar o que se esvaiu.  Esse diagnóstico precisa ser assimilado por formadores de opinião para ser difundido em âmbito global.  A sociedade vai esperar, sem sucesso, entre preservar a vida ou manter os empregos.  A vacina não será a solução mágica para viabilizar uma volta ao passado.    

Ao contrário a vacina contribuirá para a solução da crise sanitária, mas os recursos públicos já se esgotaram procurando manter a conjuntura em standby.  É preciso repensar e criar. 

Repensar a extensão do dano e partir para o novo ciclo de crescimento mundial.  A desigualdade ficou descoberta, uma nova estratégia de desenvolvimento deve emergir entre as lideranças internacionais nos próximos meses.  Doze meses?  Não mais do que isso.

É preciso reconfigurar um novo modelo.   Democrático, por natureza.    A partir de uma inclusão africana.  Um caminho sustentável.  Uma solução com desarmamento.   Um novo padrão de investimentos.   Recursos migrando do belicismo para o pacifismo, com grande dose de praticismo.   A adoção de um novo perfil de gastos públicos.  Especificando uma condição de menor desigualdade. 

Boa noite, leitor do blog!

Micro cursos, Internacional, post 01.01.10, 18.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 18 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18:10, 18 graus C, 42% de umidade

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.    Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.01.10 ECONOMIA GLOBAL, uma anotação sobre Rafael Grossi, o diretor geral da AIEA 

(01 Internacional, 01 Economia global, 10 número de ordem do post)

No dia 05.09.2020 eu escrevi o post 01.13.01, o primeiro sobre a Rússia, no formato dos Micro Cursos.  Eu havia lido o artigo Russia’s ‘slow-motion Chernobyl’ at sea, de Alec Luhn, no site da BBC.   Na oportunidade eu redigi uma matéria que tratava de submarinos nucleares submersos que se encontram atolados no fundo do mar.   

Ao longo do texto, o leitor fica sabendo que o problema vem de 2003 e representa um milhão de curries, 90% da radioatividade no local, ou seja, algo equivalente a um quarto daquela liberada no primeiro mês do acidente de Fukushima.  Nele o autor informa que tudo ocorre próximo à fronteira coma a Noruega e nas cercanias do local onde se localiza a frota nuclear da Rússia.

Hoje, eu assisti o programa Hardtalk, apresentado por Stephen Sackurs, que entrevistou Rafael Mariano Grossi, o Diretor Geral da Agência Internacional de Energia.   Para quem lida com milhões de informações, identificado um tema do interesse do meu blog, eu deixo tudo de lado e saio em busca da compreensão do que está acontecendo à minha frente.   

Sentei à frente da televisão e permaneci ali durante os trinta minutos do programa.  O sotaque do entrevistado mostrou que ele não vinha de país de língua inglesa.   Nesse post eu procurei resumir quem é o personagem que ocupa um lugar de tamanho destaque na AIEA e o que o entrevistado falou sobre a questão do controle dos armamentos sobre o Irã.   Apenas isso. 

Mais tarde eu tomei conhecimento que Grossi é argentino, mas está em atividade no Exterior há muitos anos.  Rafel Grossi, 59 anos, natural de Buenos Aires, bacharel em Ciências Políticas na PUC da Argentina e mestrado e doutorado em Política e Relações Internacionais e História pelo Instituto de Relações Internacionais, da Universidade de Genebra, na Suíça. 

Ele foi o presidente do grupo de especialistas em registros bélicos junto à ONU, adjunto do Secretário Geral para assuntos de desarmamento, chefe da assessoria da Agencia Internacional de Energia Atômica e da Organização para proibição de uso de armas químicas, esteve nas instalações da Coreia do Norte e negociou o congelamento do programa nuclear com o Irã.

Na Argentina, Grossi foi Diretor Geral de Coordenação Política do Ministério de Relações Internacionais na gestão Cristina Kirchner,  embaixador na Bélgica e representante argentino nos escritórios da ONU em Genebra.  Mais recentemente ele foi vice- Diretor da Agência Internacional de Energia (AIEA).

Em 2016, Rafael Grossi foi candidato a Diretor Geral da AIEA, com apoio de países da América Latina, mas Macri retirou-lhe o apoio.  Posteriormente, em 2017, o próprio Macri o  indicou para presidente da Conferência de Revisão do Tratado de não proliferação de armas atômicas, a ser realizada em 2020.  Finalmente, em 29,10.2019, ele foi conduzido a Diretor Geral da Instituição, obtendo 23 dos 24 votos em disputa. 

Por tudo o que li sobre o diretor geral da AIEA, ele se tornou amplamente conhecido quando sugeriu a ideia de uma revisão dos arquivos das estações hidro-acústicas da Organização do Tratado de Proibição de Testes Nucleares ( CTBTO).   

Eu li na Wikipedia que Grossi contactou a Instituição e convenceu o seu CEO a fazer as revisões dos arquivos.  Daí a localização, em 2018, do submarino argentino que se encontrava a  907 metros de profundidade.   Ele estava desaparecido desde o ano anterior, no percurso entre Ushuaia e Mar del Plata, com 44 tripulantes a bordo.

Bem, depois de todas essas informações sobre o currículo de Grossi, eu volto à parte inicial da entrevista da BBC de ontem.   Stephen Sackurs, o apresentador do canal britânico, começou a entrevista falando ao entrevistado em cão de guarda, em levar adiante uma missão impossível, fez referências ao Irã, à Coreia do Norte e à Arábia Saudita e à importância de levar uma divisão geopolítica em mente.

Concluída a introdução, a partir de uma entrevista recente de Grossi,  Sackurs indagou se ele pretendia ser uma personagem inteiramente independente na AIEA? 

Ele respondeu que era essencial.  Os países tem as suas próprias agendas internacionais, tem os seus interesses e todos devem crer que alguém que dirige a AIEA seja verdadeiramente independente porque a Instituição é responsável pela inspeção de equipamentos presentes no ambiente global.  Ela, a Instituição, é vigia do que acontece setorialmente.   

Sackurs perguntou se Grossi sentia lobby do governo americano por ter recebido o apoio do mesmo contra o candidato da Romênia e, mais, se isso lhe causava algum dano de imagem?   

Não, ele respondeu.   Disse que recebeu apoio de muitos outros países, o equivalente a dois terços dos votos, ou mais.  Chegou a especificar o número de apoios recebidos. 

A seguir, o entrevistador partiu para questionar sobre o financiamento da AIEA, onde há recursos de milhões de dólares dos Estados Unidos.  A pergunta era se Grossi precisava ficar do lado dos norte-americanos?   

O entrevistado disse que precisa ficar do lado de todo o mundo.  Disse que a Agência tem suporte financeiro não só dos Estados Unidos, mas de muitos países.  Para fiscalizar 1042 reatores nucleares lá fora é preciso estar atento e não se vai no direcionamento errado. 

Com relação à transparência do Irã no relacionamento com a AIEA, o entrevistador perguntou se o diretor-gel passou a utilizar um relacionamento mais soft com as autoridades daquele país? 

Grossi disse que trouxe um novo posicionamento, em geral, para a Agência.  A  historia com o Irã é algo em torno de 20 anos que alterna momentos ruis,  de desacordos, e momentos bons.  Ele afirmou que esteve em Teerã, há algumas semanas, para resolver os problemas em um momento crítico.   Atuallmente o trabalho está normal.

O entrevistador não me pareceu convencido da resposta.  Ele insistiu que a relação não era boa mas que depois que ele foi a Teerã,  Ele acreditava que o Irã estava trabalhando bem?   Os iranianos estão trabalhando de boa fé com relação ao programa de inspeção? 

Grossi disse que o número de infrações é constante e que é preciso conferir, fiscalizar, sempre.   O diretor geral afirmou que ele falou aos iranianos que desejava visitar alguns lugares específicos.    Ele disse às autoridades que desejava visitar pessoalmente o país e que foi gentilmente recebido pelos iranianos e, em particular, pelo presidente.   

À essa altura o entrevistador procurou, e conseguiu, interromper a resposta de Grossi e fez referências a informações que diziam respeito às instalações. 

O entrevistado respondeu que a equipe conseguiu re-estabelecer as atividades de inspeção.   E, Rafael Grossi, concluiu a informação dizendo que tinha acessado um primeiro local, depois esteve em um segundo lugar, mas que não poderia dar maiores informações, maiores detalhes, porque elas são reservadas.   Em suma, o que restou, na visão do diretor geral é o restabelecimento das inspeções.

É isso aí.  Esta foi um primeiro post que eu redigi sobre a primeira parte da entrevista.  Em breve eu voltarei ao assunto.  Boa noite, leitor do blog!

Micro cursos, Internacional, post 01.03.13, 17.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 17 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12:10, 19 graus C, 95 % de umidade

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.03.13 UNIÃO EUROPEIA, a extensa pauta da prestação de contas da Comissão reunião ado Parlamento Europeu

(01 Internacional, 03 União Europeia, 13 número de ordem do post)

Foi uma longa jornada no Parlamento Europeu nessa terça-feira.    Na extensa pauta o debate em torno do Estado da União Europeia.  Nas economias avançadas o Presidente ou o Primeiro Ministro vai ao Congresso ou ao Parlamento para fazer um relato detalhado das realizações do exercício anterior e das atividades programadas para o próximo ano. 

No caso do bloco do Velho Continente, o pronunciamento O Estado da União Europeia foi a primeira apresentação dessa natureza proferido por Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, ao Parlamento da Instituição.   

Ao mesmo tempo, o Legislativo do bloco exerceu o seu papel de cobrança sobre as atividades do Poder Executivo, mesmo porque o Orçamento Plurianual 2021-27 está em debate entre as partes.

Houve o cuidado do gabinete de descentralizar as atividades da pauta.  A Instituição julgou por bem que era necessário ouvir os cidadãos Europeus a partir das capitais dos países para que eles pudessem sugerir e ouvir explicações sobre a Europa Verde em construção.

A mensagem de Úrsula teve como pano de fundo a pandemia para onde estão sendo destinados investimentos volumosos para atendimento à população.   Houve um elenco extenso de medidas implementadas pela Comissão – compreendendo os setores de Saúde, Pesquisa, Economia, Emprego e Sociedade, Viagens e Transportes, e Respostas Mundiais do bloco – a ser prestado contas ao Parlamento.   Quais foram as medidas por grande setores do bloco? 

Na Saúde, a UE ofereceu serviços de tratamentos com plasma de convalescentes, acesso ao Remdesivir,  monitoramento sanitário para identificação de futuros surtos, programa de saúde pós pandemia, oferta generalizada de tratamentos e vacinas, adiamento da implantação do novo Regulamento Médico, facilitar importações de equipamentos, dinamizar serviços de emergências, aumentar produção, promover compras e criar reservas comuns de material médico e, por último, disponibilizar equipamentos de proteção individual.

Na Pesquisa, a UE alocou 128 milhões de euros para elaboração de diagnósticos e vacinas, 100 milhões de euros para o desenvolvimento de vacinas, 314 milhões de euros para empresas inovadoras, 75 milhões de euros para a empresa inovadora da Alemanha, a CureVac, para desenvolvimento de vacinas, 122 milhões de euros para estimular a investigação e a inovação, 117 milhões de euros para projetos de investigação destinados a combater o vírus da COVID-19, firmou contrato com a AstraZeneca para o fornecimento da vacina aos países do bloco,  propôs uma articulação global para o financiamento e o desenvolvimento de diagnósticos e vacinas, e, finalmente, criou uma plataforma de partilha de dados para investigadores.

Na Economia, a UE flexibilizou medidas para os bancos a concederem empréstimos a empresas e famílias, destinou 1,35 bilhão de euros para o BCE, emergencialmente, comprar ativos em decorrência do coronavírus,  750 mil milhões de euros para estimular a recuperação socioeconômica do bloco,65 milhões de euros para o Banco Europeu de Investimento apoiar a economia, 8 milhões de euros para ajuda imediata a 100 mil pequenas e médias empresas, 37 mil milhões de euros para investimentos e recursos essenciais via fundos estruturais, elevar a flexibilidade fiscal e revisar regras aplicáveis aos auxílios estatais.

No Emprego e Sociedade, a UE destinou 100 milhões de euros para preservar postos de trabalho e manter empresas em atividade, 800 milhões de euros para assistência financeira através do Fundo de Solidariedade,  apelou para proteger os trabalhadores transfronteiriços e sazonais, ajudou o setor agroalimentar, classificar os grupos de risco de acordo com o vírus na exposição a agentes biológicos durante o trabalho, orientou os trabalhadores para um regresso seguro ao local de trabalho, responsabilizou-se pelos mais carentes na ajuda alimentar e na assistência material, maximizou a flexibilidade para canalizar a utilização dos fundos estruturais,  garantiu privacidade e proteção de dados no uso das aplicações de rastreio da COVID-19 e, finalmente, evitou o congestionamento da Internet.

Nas Viagens e Transportes, a UE levantou gradualmente as restrições de viagens, retoma a liberdade de circulação e do turismo, estabeleceu recomendações para viagens em segurança, terminou com as regras para voos vazios, garantiu o fluxo contínuo de bens e serviços, restringiu as deslocações para travar a propagação do Covid 19 e, finalmente, implementou o programa de repatriações de cidadãos do bloco. 

Nas Respostas Mundiais, a UE destinou 64 milhões de euros para a região da África Austral, 30 milhões de euros em novo pacote de assistência para o Norte da África, 54 milhões de euros para mais um novo pacote de assistência para o Norte de África, 60 milhões de euros para um pacote para os países do Sudeste da África, 55 milhões de euros de ajuda para os refugiados sírios e as comunidades locais na Jordânia e no Líbano, 50 milhões de euros adicionais em ajuda humanitária, 3 mil milhões de euros em empréstimos para países-parceiros e países vizinhos, 3,3 mil milhões de euros para os Balcãs Ocidentais, 28 milhões de euros para apoiar o setor da investigação na África subsariana,   700 milhões de euros em assistência financeira para ajudar a Grécia a gerir a migração, estimulou o uso da Ponte Aérea humanitária, e,  finalmente,  prosseguiu as entregas globais de suprimentos médicos e equipamentos de proteção. 

A par da avaliação das medidas nesses seis setores da União Europeia, a presidente da Comissão Ursula van der Leyen destacou o que eu considero como que oportunos mega objetivos para o momento do bloco, quais sejam, a digitalização continental e a proteção ambiental.

Ursula, que foi ministra do trabalho da Alemanha,  tratou do salário mínimo regional ao afirmar que proporá uma estrutura legal para garantir a medida que irá beneficiar todos os cidadãos do bloco.  A ideia daquela autoridade é se alcançar o salário mínimo através de acordos coletivos ou de rendimentos mínimos pré-fixados. 

Uma outra pauta que constou da Agenda de O Estado da União foi a transição a que Úrsula se referiu entre o estado da pandemia e a normalização da economia.   É importante manter os estímulos à atividade economia enquanto a transição não estiver plenamente concluída.  A rede de segurança foi fundamental para amenizar os efeitos do coronavírus sobre o cidadão europeu. 

À propósito da rede de segurança, a presidente da Comissão propôs ao Parlamento a criação de uma União da Saúde Europeia e de uma Agência de Desenvolvimento Biomédico para tratar das urgências.  Na sua percepção é preciso contar também com uma agência para investigação avançada no campo da biomedicina.   Ela pretende dar mais poder à Agência Europeia do Medicamento e ao Centro Europeu de Controle e Prevenção de Doenças. 

Ursula destacou as limitações que o bloco enfrentou durante a crise do coronavírus e que é importante debater as competências médicas entre os países membros.  Finalmente, ficou evidente a necessidade de se pensar em criar reservas estratégias de cadeias de abastecimento e, em particular, de produtos farmacêuticos. 

Quanto à normalização da economia, Ursula van der Leyen apresentou uma proposta de conceder mais recursos para os países do bloco formularem uma proposta conjunta de investimento.

Encerro enfatizando que ontem o evento O Estado da Nação foi um filme sobre a realidade europeia recente.   Agora, há pouco minutos, eu acompanhei pela televisão uma entrevista de profissionais da Organização Mundial da Saúde.  O que ele disse?  Em junho os casos de Covid-19 eram mínimos: agora, alarmantes.

É isso aí, leitor do blog.  Parece-me que a Europa está de volta ao partidor na convivência com o coronavírus.  A ideia das médias móveis e dos indicadores que mostravam o controle, ou melhor, a estabilização da pandemia no Velho Continente pode não uma noção consolidada.  Em suma, o isolamento pode voltar a ser prioritário na Europa.  Vou monitorar o que vai acontecer nas próximas horas junto ao governo de Bruxelas.

Boa tarde, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Internacional, Post 01.09.18, 16.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 16 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 06:10, 16 graus C, 100% de umidade, temporal toda a noite passada

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.    Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.09.18 ESTADOS UNIDOS, Tiktok e WeChat o novo conflito dos aplicativos com a China

(01 Internacional, 09 Estados Unidos, 18  número de ordem do post)

Depois do embate com a Huawei, o conflito com a China teve novo impulso no início do mês passado.   Donald Trump concedeu um prazo de 45 dias  para o fim das operações em território norte-americano do aplicativo Tiktok da Bytedance e da multiplataforma WeChat da Tecent. 

A disputa por vídeos tem se intensificado em âmbito global.   Na verdade, quando Trump focou a sua atenção no Tiktok, ele provocou um upgrade no conflito bilateral à medida que a sua decisão bateu de frente contra um aplicativo para compartilhar videos curtos utilizado por 100 milhões norte-americanos, outros 100 milhões de europeus e 800 milhões no mundo como um todo.   

O presidente norte-americano tomou a iniciativa quando o Tiktok já estava a se apresentar com uma nova configuração.   Por decisão interna da Bytedance ela pretendia migrar o comando da empresa de Beijing para o Reino Unido.  Era um comportamento preventivo porque os asiáticos sabiam que estavam na lupa de Trump. 

No caso do WeChat, a Casa Branca mirou o o aplicativo de mensagens equivalente ao WhatsApp, mas, também, focou a sua atenção na função que ele pode exercer de transferir dinheiro para saldar contas, ou seja, uma atividade de intermediário financeiro que já é executada na China. 

A empresa do Tiktok negou contato com o governo da China e contestou a ação de Donald Trump sem uma contrapartida na legislação vigente.  O embate gerou uma corrida em torno de quem iria substituir o vazio provocado pela decisão unilateral do presidente?

Ontem, entrou em cena mais uma concorrente nesse mercado dos vídeos curtos.   Trata-se do Shorts do Youtube, do Google.   Na verdade, ele surgiu depois do Reels ser lançado pelo Instagram.   E há toda uma estratégia de lançamento do Shorts, que se dará no Exterior.   Ele vai ser conhecido a partir da Índia e de lá tomar novos rumos para outros mercados.  

Essa conexão do Youtube com a terra de Narendra Modi é oportuna e posterior à manifestação do governo de Nova Dehli que viu a sua soberania nacional também ameaçada pela concorrência da tecnologia chinesa.

No governo de Islamabade também houve iniciativa de bater de frente com os aplicativos amplamente utilizados no país, como são os casos do Gindr, do Skout, do Tagged e do Tinder.   O foco local é fazer frente a esses aplicativos porque eles visam a localização de pessoas visando encontros, namoros, envio de fotos, brindes e etiquetas.  O Paquistão está centrado em justificativas de caráter moral.

Enquanto isso, dentro dos Estados Unidos, a Microsoft tentou adquirir o controle da Bytedance.  Criou-uma enorme expectativa em torno de uma reunião entre Santia Nadela, 53 anos, indiano/americano, diretor executivo da Microsoft e o presidente Donald Trump.   Fechada a proposta, houve a rejeição por parte da Tiktok.

A partir daí surgiu um novo parceiro nas discussões, a Oracle.   A empresa de Larry Ellison viabilizou a negociação com a participação de Steven Mnuchin, secretário do Tesouro dos EUA,  e assumiu a cabeça da parceria nos Estados Unidos.    Donald Trump deve estar satisfeito com o resultado alcançado após tanta insistência na mudança da gestão da empresa.

… 

Para concluir, uma iniciativa que começou pelos Estados Unidos na guerra que mantém com a China, parece que se propagou para a  Índia e o Paquistão e começou a tomar forma de um embate global.  Vou conferir de cima!

Bom dia, leitor do blog! 

Micro cursos, Internacional, post 01.02.08, 15.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 15 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 06:10, 10 graus C, 37 % de umidade, a chuva não para por aqui

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.02.08 PETRÓLEO, as últimas estatísticas disponíveis do mercado do petróleo

(01 Internacional, 02 Petróleo/Commodities, 08 número de ordem do post)

Hoje eu pretendo dar uma passada de olhos no mercado do petróleo.  Eu vou sair em busca das últimas estatísticas do mercado mundial do ouro negro.  Antes, todavia, eu vou dar uma passada rápida na New York Mercantile Exchange para verificar como estão se comportando as cotações do petróleo na NYME.

Eu começo o texto abrindo o New York Times e acessando a Bolsa de Nova York.    A cotação do barril do petróleo do tipo Light Sweet Crude, na New York Mercantil Exchange, está em US$ 37,19, agora, 15:33 de segunda-feira, dia 14.09.2020, uma queda de US$ 0,14, que equivale a uma variação de -0,38%.   

À essa altura há um recuo de -5,80% em 5 dias e de -11,84% em 30 dias e de 31.90% em 12 meses.  Tudo é queda.   Cai em todos os prazos que eu buscar na fonte da minha informação. 

… 

O comportamento da cotação do petróleo do tipo Light Sweet Crude mostra um formato parecido com o da radiciação.   Não, para ser mais preciso nos últimos doze meses a figura é parecida com o símbolo da Nike, com uma pequena modificação.  O braço da esquerda é mais alto que o braço da direita.  É, mais ou menos, isso aí.   

O caminho que eu prefixei para a minha tarefa dessa segunda-feira foi acessar o site da OPEP, OPEC em inglês.     Na verdade eu fui em busca do Monthly Oil Market Report, o Relatório Mensal do Mercado do Petróleo  (RMMP), de setembro de 2020.  O documento, publicado com data de 14.09.2020, detalha como se comportam a demanda, a oferta e o equilíbrio no mercado da commoditie.

No relatório há uma percepção sobre o desempenho da economia mundial em 2020, segundo projeções da própria OPEP.   O PIB mundial deve recuar -4,1% em 2020.   Todas as principais economias, com exceção da China, devem registrar recessão.  

Entre as economias avançadas, a recessão deverá alcançar os patamares de -5,1% (Estados Unidos), -5,5% (Japão) e -7,7% (Zona do Euro).    Do lado das economias emergentes, o PIB deve apresentar taxas de +1,8% (China) -4,9% (Russia), 6,2% (Índia),  -6,5% (Brasil).

O documento faz projeções para a retomada da economia mundial em 2021.  O PIB global deve crescer 4,7% no próximo ano.  Com relação às economias nacionais, os países devem registrar incrementos de:  Brasil (2,4%), Russia (2,9%), Japão (3,2%), Estados Unidos (4,1%), Zona do Euro (4,3%), Índia (6,8%) e China (6,9%).     

Migrando do desempenho da economia mundial para o mercado global do petróleo, o Relatório Mensal de setembro mostra que a demanda global deve cair de 99,69 milhões de barris diários (2019) para 90,23 mb/d (2020), representando uma queda de -9,49%.  A publicação sinaliza que haverá recuperação da demanda para 96,86 mb/d (2021), implicando incremento de 8,28%.

Com relação à oferta global de petróleo o RMMP registra os dados preliminares para a produção global de petróleo no mês de agosto.  De acordo com a publicação, a oferta média em agosto foi de 89,88 milhões de barris/diários, um aumento de 1,32 mb/d com relação a julho e e uma queda de 10,01 mb/d comparando agosto de 2020 com agosto de 2019.   

Concluindo, a OPEP trabalha com o PIB mundial recuando -4,1% em 2020 e voltando a crescer 4,7% em 2021.    Nessas condições a demanda global de petróleo que foi de 99,69 milhões de barris diários (2019), recuará a 90,23 mb/d (2020), com queda de -9,49% e mostrará recuperação com a demanda em 96,86 mb/d (2021), implicando incremento de 8,28%.   Finalmente, a oferta global em agosto foi de 89,88 milhões de barris diários. 

Há um mês, a OPEP trabalhava com projeções maiores da demanda global em 100 mil barris diários (2020) e 400 mil barris diários (2021) a mais do que nas estimativas de hoje.  É a segunda onda do coronavírus derrubando projeções do desempenho da economia global em 0,1% (2020) e da correspondente demanda global pela commoditie. 

Encerro aqui.  Nessa madrugada há previsão da chegada de um nova onda de frio no sul do país.  É o que a mídia especializada está sinalizando.  Tenho convivido com muitos temporais nas últimas semanas, mas eu acho que esse fenômeno pode sinalizar que o Inverno chegou ao fim.

Boa noite, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Brasil, post 02.01.16, 14.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 14 de setembro de 2020

Horário oficial do beco, 06:10, 16 graus C, 78% de umidade, temporal durante a noite

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

02.01.16 BRASIL, recessão, déficit, dívida e risco país

(02 Brasil, 01 desempenho da economia, 16 ordem do post)

Eu tenho escrito, repetidamente, que Bolsonaro precisa exigir da sua área econômica uma proposta de retomada da economia.   O ministro chefe da Casa Civil General Braga Netto projetou num telão, naquela entrevista coletiva do dia 22 de abril, três slides com um título de Pró Brasil.  

Na oportunidade eu creio que escrevi um post saudando a iniciativa.   Já era mais do que a hora do governo encaminhar uma proposta ao Legislativo sinalizando como o país iria entrar numa fase de recuperação da sua economia.   Eu lembro de ter pensado que havia acontecido uma das duas hipóteses: Guedes recuou ou Braga avançou.

Nenhuma coisa nem outra.  Guedes utilizou aquela reunião do ministério de 22.04, que os brasileiros acompanharam, posteriormente, pela televisão para rejeitar, peremptoriamente, o que Braga Neto havia proposto.   Criou-se uma situação desagradável.   Guedes mostrou-se extremamente contrariado.  O general não voltou ao assunto.

As semanas passaram e ficou evidente que o alvo de Paulo Guedes era, na verdade, Rogério Marinho.   O ponto de partida foi a reforma da previdência, aprovada no Congresso graças as participações dos deputados Marcelos Ramos, presidente da Comissão Especial e Samuel Moreira, relator.  O Ministro ficou desgostoso porque a capitalização ficou fora do texto.

Depois, em fevereiro do corrente ano Marinho deixou a secretaria Especial de Previdência e Trabalho da pasta da Economia, e assumiu o Ministério do Desenvolvimento Regional em substituição a Gustavo Canuto.  Em junho, Marinho deixou o PSDB. 

A trajetória de Marinho associada as suas propostas de investimentos públicos criou uma barreira entre ele e Guedes.  Esse último identificou essa proposta com aquela presente no Programa de Aceleração do Crescimento, medidas adotadas antes da gestão Bolsonaro.   Também houve divergência entre ambos na tributação da carteira verde e amarela e na discussão em torno do apoio às atividades voltadas a bares e restaurante. 

Na segunda-feira passada, a tensão entre Guedes e Marinho foi manchete de uma matéria da edição dos dias 6,7 e 8, do corrente mês, pagina A6, do jornal Valor Econômico.  Dessa forma, o intrincado relacionamento chegou ao grande público via mídia impressa.

A par das propostas que não vem do lado de Guedes e que surgem na presença de Marinho, o governo chega a meados de setembro sem uma ideia consolidada de como vai recuperar a economia brasileira que vai fechar, em dezembro, o sexto ano consecutivo e ininterrupto de crise.

Ora, é preciso que o presidente Bolsonaro dê um basta a tamanha incerteza e anuncie um conjunto de medidas – com diagnóstico, objetivos, metas, e identificação de fontes de recursos – que leve os empresários e os investidores, nacionais e internacionais, a um novo patamar de confiança no futuro do país. 

O discurso de Guedes se esvaiu.  Junto foi-se o que havia de recursos públicos para elaborar um plano de governo.  Eu venho escrevendo sobre a necessidade de Bolsonaro dar uma mudança brusca de rumo e partir para uma fase II do seu governo.  Há muito tempo à frente para retomar a atividade e gerar emprego.    Ao mesmo tempo ele precisa sinalizar como vai administrar as finanças públicas, impactadas que foram pelo auxílio emergencial. 

Em meados de junho, a Fitch Ratings, agência de classificação de risco de crédito, distribuiu um relatório alertando que os números do PIB e do déficit público levarão o risco Brasil à baixa.    A Fitch ainda projeta retomada da economia e novo ajuste das finanças públicas para 2021, mas há muita incerteza quanto à extensão da crise do coronavírus e do impacto que ela gerará no futuro do país.   Algo, mais ou menos, assim.

 …

Ora, o país não mostra desempenho da economia há, praticamente, seis anos, e o teto de gastos ficou pelo meio do caminho.  O risco Brasil era discussão da década passada.  

Ele voltou a cena com o coronavírus.   A primeira referência do risco Brasil, nessa fase recente, ocorreu em 05.03.2020, quando o CDS (Credit Default Swap) de cinco anos foi a 129 pontos.

…     

Outro indicador do risco país é o EMBI+ que é baseado nos títulos da divida. Ele caiu de 365 pontos em outubro de 2005 para 294 pontos em janeiro de 2006.   Agora, em 2020, ele está de volta às discussões sobre conjuntura econômica.   O IPEA Data mostra que o EMBI+ avançou de 218 pontos em 02.01.2020 para 308 pontos em 10.09.2020.     

O leitor pode acompanhar o comportamento do EMBI +  no endereço          http://www.ipeadata.gov.br/ExibeSerie.aspx?serid=40940&module=M

Quanto aos gastos públicos, eu lembro que Guedes fechou o ano de 2019 com otimismo face ao cumprimento da meta de déficit primário de R$ 139 bilhões.   Um ano acima das expectativas disse o ministro em 19.11.2019..   Naquele dia, a Instituição Fiscal Independente (IFI) vinculada ao Senado Federal, estimou que o déficit primário seria de R$ 95,8 bilhões. 

Veio a pandemia e a situação mudou.  Em junho, o governo recorreu ao parcelamento das dívidas da pessoas físicas e das empresas.   Não houve REFIS, mas o governo concedeu até 70% de perdão das dívidas tributárias.   E mais, houve o auxilio que afastou 5,6 milhões de crianças da miséria segundo a FGV.

Em julho, o teto dos gastos voltou a pauta.   Ao mesmo tempo, a revisão dos benefícios tributários entrou na agenda com um impacto de R$ 50 bilhões em renúncia de receitas.  O ambiente se tornou denso e o futuro das contas públicas, ameaçado.   Surgiu, também, o discurso de Guedes em favor de uma nova CPMF.   Um fato atrás do outro, e houve necessidade ajuda da União aos Estados por causa do prejuízo com o ICMS. Um total de R$ 18,5 bilhões até junho. 

O Brasil chegou a setembro.  O déficit das contas públicas deve fechar o ano em R$ 818 bilhões, segundo o ministério da Economia.   Via Legislativo, os 17 setores beneficiados pela desoneração da folha pressionam pela queda do veto de Bolsonaro.  A ideia do grupo é levar a situação como estava até o fim do próximo ano.

Agora, o que me preocupa é que na ausência de propostas para a retomada, o Guedes propôs cortar os reajustes do funcionalismo exatamente quando a inflação dos alimentos se apresentou ao grande público.   E, pior.  Hoje, pela manhã, eu li que o ministro quer congelar as aposentadorias.  A situação tende a se tornar insustentável.   

Encerro por aqui.  A economia não cresce, anda de ré.    As finanças públicas estão em situação crítica devido à pandemia.  O déficit das contas públicas pode fechar o ano em R$ 912 bilhões, segundo a IFI.     Essa estimativa é de junho. Dessa forma, a dívida bruta do governo vai caminhar para 100% do PIB.  É uma questão de tempo.

Com a economia no subsolo, as contas públicas totalmente desequilibradas, a dívida subindo para o terraço, o risco país reapareceu, mais uma vez, como o problema mais recente.    Foi no fim de semana, na página C2, da edição de 11.09.2020, do jornal Valor Econômico.  Na publicação, Shelley Shetty, da Fitch deixou a mensagem que as contas públicas serão determinantes do rating do Brasil no ano que vem. 

O teto dos gastos está no centro da polêmica que envolve as finanças públicas para o exercício de 2021.   Há defensores e críticos quanto à preservação da medida ou a troca por outra iniciativa que possa ser adotada pela pasta da Economia.    

Então, de volta à problemática da gestão atual, eu creio que Bolsonaro deveria agir sem mais tardar.  Não dá para esperar por uma vacina para sinalizar o que o governo pensa da retomada da economia brasileira.  A pauta das reformas está vindo em doses homeopáticas.  É preciso ir além.  O país precisa um de choque de credibilidade.   

Pensando em voz alta, eu  estou na expectativa que algo de novo aconteça na terra de Abrantes!  Só espero não estar acompanhada, exclusivamente,  da velhinha de Taubaté.   

Bem, é hora de encerrar o texto.  Eu preciso divulgar o post e me ligar em fatos novos que estão acontecendo no Exterior nessa segunda-feira.  Enfim, há 11 horas de diferença do meu beco para Beijing.   Para Paris, a diferença cai para 5 horas.  Ou seja, lá tudo está acontecendo nessa semana que já começou.

Bom dia, leitor do blog!

Micro cursos, Internacional, post 01.03.12, 13.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

Porto Alegre, 13 de setembro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12:10, 21 graus C, 93 % de umidade, tempo chuvoso desde ontem

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.03.12 UNIÃO EUROPEIA, reunião do Eurogrupo em Berlim

(01 Internacional, 03 União Europeia, 12 número de ordem do post)

Foi uma longa jornada de um semestre, mas na sexta-feira chegou o dia do Eurogrupo reunir em Berlim.  Tudo foi articulado via teleconferência, mas o evento na Alemanha foi presencial.   Estiveram presentes ao evento,  entre outros, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, o irlandês Pascal Donohoe, presidente do Eurogrupo, eleito em julho e que presidiu a sua primeira reunião, e Paolo Gentiloni, o Comissário Europeu para a Economia.   

O Pacto de Estabilidade está suspenso.   O grupo precisa decidir, até quando?  Bruxelas precisa ser municiada para uma decisão dessa natureza.   Na pauta dos 27 estavam o desempenho desigual das economias, o financiamento da recuperação – houve queda extrema de 18,5% por parte da Espanha no segundo trimestre – e a taxação das grandes empresas tecnológicas. 

.. 

O que havia de consenso era que a injeção de recursos do bloco europeu foi superior àquela dos Estados Unidos, mas o efeito foi desigual.  Paralelamente, os membro do Eurogrupo já vinham discutindo, informalmente, o prazo de validade dos auxílios emergenciais decorrentes da pandemia e a criação de um imposto de 3,0% sobre receitas das empresas tecnológicas, ou, dito de outra forma, um tributo sobre serviços digitais.    

Ao longo do evento ficou evidente a importância do Fundo de Recuperação Europeu.  A incerteza, decorrente da pandemia, é imensa.  Nos jornais desse domingo toda atenção está direcionada à declaração do chanceler austríaco, Sebastian Kurz, que afirmou que o seu país está na segunda onda do coronavírus e que os brotes principais acontecem em Viena.  Ainda não propôs um novo confinamento, mas insistiu que a população se preserve porque a pandemia segue para 1.000 novos casos diários de infectados. 

Nas interlocuções entre os membros presentes à reunião de Berlim, parece ter ficado evidente que a recessão, queda de 11.8% no segundo trimestre,  possa estar sendo deixada para trás.  Ao mesmo tempo, dadas as suas características de ser uma contração muito profunda em curtíssimo espaço de tempo, o Eurogrupo concluiu que deve continuar promovendo estímulos fiscais porque as economias vivem extrema fragilidade, sem qualquer possibilidade de um retorno ao período pré pandemia. 

O maior receio do grupo é que uma tentativa de voltar à normalidade sem os incentivos fiscais.  Sem que haja condições para tanto e que possa abortar a frágil recuperação da economia, ainda incipiente.   A confirmação da segunda onda da pandemia levou à uma nova desaceleração recente, nas últimas semanas. 

É difícil sincronizar a saída dos estímulos se as condições plenas para a recuperação da economia não estejam asseguradas.  Daqui do meu beco, es penso que os europeus vão levar muitos meses para uma decisão definitiva.  Nesse ínterim, o presidente do Eurogrupo permanecerá indeciso entre permanecer no Fundo de Recuperação ou voltar ao Pacto de Estabilidade.   E, enquanto ele assim se mantiver, o orçamento comum permanece em standby.  

Durante esse interregno, os déficits orçamentários por país deixarão de ser observados.  Eu temo que essa medida de precaução, que eu reconheço a necessidade, possa levar as finanças do bloco à deriva da boa governança.    Penso, também, que nas próximas semanas o leitor ouvirá mais citações ao nome de Paolo Gentiloni, o comissário europeu, e menos, a Klaus Regling, o titualr do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Para encerrar, eu acredito que após as eleições americanas, dependendo dos resultados, os governos dos EUA, Japão e China vão partir para receituários ousados enquanto os europeus tenderão a ficar contidos dentro dos limites dos seus tradicionais mecanismos de gestão.

Boa tarde, leitor do blog

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