ECONOMIA DA EDUCAÇÃO, post 06 em 21.05.2019

Porto Alegre, 21 de maio de 2019

Horário oficial do beco 00h10, 21 graus, pancadas de chuva pela manhã (Climatempo)

Complicada a situação da educação nacional nesse 2019 que ainda não chegou à metade do seu curso.  A essa altura da crise atual eu creio que qualquer solução para o país passa pela educação.  Eu tenho consciência que não estou dizendo algo de novo.  

Na verdade eu estou escrevendo o post e acompanhando pela televisão o episódio da mina de Congo Soco em Barão de Cocais, em Minas Gerais.  Ela pode romper a qualquer momento e para tanto as autoridades estão concebendo uma estratégia para evacuar a população se o fato se confirmar em breve.  Se os problemas da educação exigem soluções para hoje, não resta dúvida que a solução para Cocais já deveria estar presente desde ontem. 

De volta à educação, o leitor do blog  pode saber que eu lecionei durante toda a minha vida como profissional.   Então, eu sempre me mantive vinculado à educação, porém daí a entender como o setor se insere na economia como um todo vai uma certa distância.

A primeira vez que eu ouvi falar em Economia da Educação foi nos anos 60.  Eram livros da editora Penguin Books.  Eu lembro que eu iniciava a minha carreira como professor universitário no curso de Economia e o que se tratava no âmbito setorial era se a educação era, ou não, investimento.  

Posteriormente, no final de curso de mestrado de Economia nos Estados Unidos havia uma disciplina de teoria econômica avançada.  Eu lembro que naquela época, fins dos anos 60, não havia professores com mestrado em número suficiente aqui no país.  Então, naquela época, eu concorri a uma bolsa da OEA para o mestrado nos Estados Unidos.   

Pois eu terminei o meu curso, apresentei os dois trabalhos de conclusão, realizei o GRE (Graduate Record Examination) e fiz o meu comprehensive, uma espécie de exame de conclusão.  Eu conclui o curso e fiz diversas disciplinas do doutorado porque a bolsa tinha um ano a mais para terminar. 

Naquela época eu imaginava que eu poderia um dia retornar para escrever a tese, todavia depois que eu voltei para o Brasil a minha vida tomou outro rumo.  A minha atividade como professor continuou importante, mas deixou de ser prioridade.   Eu optei por trabalhar na Fundação de Economia e Estatística do RGS que ia ser criada em Porto Alegre e que era uma espécie de instituição cérebro da esfera pública gaúcha.

Quase todo o meu curso nos EUA esteve concentrado em Métodos Quntitativos.   A opção por Econometria me levou a cursar uma disciplina que era oferecida à época com o título de Teoria Econômica Avançada.  E, aí, entre outros conteúdos, havia aulas de Economia da Educação e de Economia da Defesa. 

Assim como no estudo da Economia eu desenvolvia modelos econométricos, em Economia de Educação eu recorria aos padiometric models.   Nos anos 90, eu lecionei planejamento educacional no pós de Educação da PUC e todos esses conteúdos faziam parte da disciplina que eu lecionei naquela ocasião. 

Na FEE eu lembro de ter escrito um texto sobre o produto da educação.  Em certa oportunidade, uma das revistas da instituição destinou um número especial sobre atividades do setor público e eu escrevi a matéria sobre a economia da educação.

No Brasil da estagnação econômica o setor da educação está em crise. 

Na esfera pública a alta administração do Ministério de Educação e Cultura (MEC) enfrentou diversos empasses, polêmicas, demissões, substituições de executivos, sem esquecer as declarações da titular da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos sobre as cores das roupas dos meninos e das meninas e, ainda, o protagonismo do próprio presidente da República na eclosão da crise setorial. 

Além de tudo isso, boa parte das discussões e de debates setoriais surfam numa pauta atrelada à ideologização da educação.

… 

Em termos concretos, o contingenciamento de R$ 7,3 bilhões é de amplo espectro.  Cobre a construção e manutenção de obras, o transporte escolar, o ensino técnico e profissional, as universidades federais, a pesquisa, as bolsas de estudo.   

Eu creio que a crise tomou uma dimensão ainda maior porque o governo falhou ao deixar de explicar a natureza do contingenciamento nas finanças públicas.   E o problema se multiplicou à medida que a crítica foi direcionado ao campo das ciências humanas e ao comportamento de estudantes em campus das universidades. 

A reação do grande público foi imediata.  A multidão foi às ruas em 198 cidades.  A partir de agora, mesmo organizando alguma reação a favor de Bolsonaro, a tensão dificilmente tenderá a se reduzir no curto prazo.  Os jornais do centro do país informaram, inclusive, que face ao ambiente interno cientistas optaram por permanecer no Exterior.  

No setor privado a crise não é menor.   O contágio provocado pela redução do FIES sobre a receitas das faculdades privadas foi impactante nesse 2019.   

jornal Valor, em edição de 16 de maio corrente, página B7, apresentou uma tabela com a Receita Corrente Líquida (RCL) do ensino superior a partir dos dados estatísticos de quatro empresas do setor, a Króton, a Estácio, a Ser e a Ânima.  É preciso considerar que é uma pequena amostra do setor, mas é a informação disponível. 

Em termos financeiros, para o grupo das quatro empresas, a RCL caiu, em milhões de reais, de R$ 2.840,7 do primeiro trimestre de 2018 para R$ 2.813,6 no mesmo período do corrente ano.

Em termos físicos, o total de captação de alunos na graduação, aumentou de 564,4 mil alunos no primeiro trimestre de 2018 para 587,4 mil alunos no primeiro trimestre de 2019. É importante registrar que a graduação EAD, com 315,4 mil alunos, registrou incremento de 7,4% no período, enquanto a graduação presencial, com 272,0 mil alunos, vivenciou um avanço de apenas 0,5%.

…  

Em nível empresarial, a Kroton com RCL de R$ 1.303,2 milhões no primeiro trimestre de 2019 registrou uma queda de 1,0% na comparação com o primeiro trimestre de 2018.   A Estácio com RCL de R$ 932,6 milhões no primeiro trimestre de 2019 vivenciou um recuo de 0,3% na comparação com o primeiro trimestre de 2018.   Em terceiro lugar no ranking das receitas liquidas, a Ser obteve RCL de R$ 304,2 milhões e alcançou a maior queda, de 4,1% entre as receitas do primeiro trimestre de 2019 e o mesmo período do ano passado.  

Por último, a Ânima alcançou um nível de RCL de R$ 273,6 milhões no primeiro trimestre de 2019, tendo alcançado um incremento de 5,1% nas receitas sob igual período do ano que passou.  Entre as quatro empresas, somente a Ânima registrou avanço na RCL no período.

Eu creio que o governo precisa conceber uma estratégia para conter o ambiente adverso que pode ser crucial para a retomada da economia.  O desemprego que parecia obedecer uma trajetória levou os analistas a uma reversão de expectativa para o corrente ano. 

A taxa média de desemprego que vinha crescendo de 8,5% (2015), 11,5% (2016) e 12,7% (2017) e que recuou para 12,3% (2018), parecia ter chegado a um ápice e iria cair.  Agora a nova expectativa que a taxa subirá para o patamar de 12,7% começa a tomar forma e pode se consolidar. 

Tempos difíceis para um país que enraíza na estagnação e que sofre uma crise na Educação que poderia ter sido evitada. 

FOTO ABAIXO:  Rua Duque de Caxias, Centro Histórico de Porto Alegre, maio de 2019

 

ENTREVISTA na televisão, post 08, Jair Bolsonaro em 20.05.2019

Porto Alegre, 20 de maio de 2019

Horário oficial do beco 17h50, 24 graus, chove na próxima manhã (Climatempo)

O presidente Jair Bolsonaro está realizando o lançamento da campanha publicitária da Nova Previdência no Palácio do Planalto.   O canal da TV Brasil, canal 23 da SKY está transmitindo o evento ao vivo.  

Confira!

FOTO ABAIXO:  Rua da Praia, Centro Histórico de Porto Alegre, maio de 2019 

ENTREVISTA na televisão, post 07, Jair Bolsonaro em 20.05.2019

 

O presidente Jair Bolsonaro está concedendo entrevista agora, ao vivo, no canal da TV Brasil, canal 23 da SKY.  O pronunciamento do presidente acontece na visita que ele realiza à Federação da Industrias do Rio de Janeiro FIRJAN.

Agora são 13h00 no horário oficial do beco em que eu resido em Porto Alegre.  Mais tarde eu elaboro um post sobre a entrevista do presidente. 

Confira!

FOTO ABAIXO: Rua da Praia, Centro Histórico de Porto Alegre, maio de 2019

 

JORNAIS o tema da minha taxação, post 04,19.05.2019.

 

Porto Alegre, 19 de maio de 2019

Horário oficial do beco 18h10, 23 graus, máxima 26 graus, não chove (Climatempo)

Eu incluo sob o subtítulo acima, matérias que eu li em jornais e que me chamaram a atenção porque o assunto é novo na pauta da mídia, ou devido à originalidade com que o autor trata do assunto ou, ainda, dada à importância do assunto no momento atual da economia brasileira.

O assunto que eu apresento nesse post foi publicado no ano passado, eu lembro de ter separado o tema para elaborar o texto a seguir, mas a página do jornal foi para baixo de uma pilha de papeis e, simplesmente, eu o extraviei.   No sábado eu voltei a localizá-lo e hoje repasso a informação ao leitor do blog. 

Trata-se de um artigo sobre as taxas de juros e a fonte é a revista The Economist.  A matéria foi publicada na edição de 05.08.2018, página B8, do jornal O Estado de São Paulo.  Título do texto?  Os lucrativos bancos brasileiros.  

O texto é de responsabilidade da revista e ele destaca que os bancos tem bons resultados, esteja a economia em recessão ou em estagnação. 

O crédito é caro, as pequenas empresas pagam além do que deveriam e a chegada de novos operadores, via tecnologia digital, está tornando o mercado mais competitivo.

É isso aí.  Recomendo a leitura do texto a professores e estudantes de economia e de áreas afins.  O texto trata do spread e dos que criticam e dos que defendem os juros praticados pelos intermediários financeiros no Brasil. 

Desculpe-me, o leitor, pelo atraso na divulgação da informação. 

Boa leitura!

FOTO ABAIXO:  Noite de espetáculo no Teatro São Pedro, maio de 2019.19

JORNAIS o tema da minha taxação, post 03, em 18.05.2019

Porto Alegre, 18 de maio de 2019.

Horário oficial do beco, 06h10, 16 graus, pancadas de chuva à tarde (Climatempo)

A vida de um acumulador não é fácil.  A vida de um dissimulador é ainda mais incrível.  Faço taxações de jornais a 50 anos e criei a minha videoteca a 40 anos.  Uma voz isolada dentro de casa.

As 65 mil horas de fitas e de dvds gravados até que a maioria da casa aceita, mas os jornais, os jornais em papel, a maioria rejeita peremptoriamente.  Se eu, a minoria, quero entrar em conflito com a maioria, basta eu deixar alguns jornais na sala. 

Jornal em papel dá asma, argumenta a maioria, tossindo.  Tosse da verdadeira, eu asseguro ao leitor do blog.  Fazer o quê contra a asma de quem bateu pulmão a noite inteira?

A videoteca acumulada em 40 anos é “a minha última flor do lácio, inculta e bela”.  São oito horas de gravação todos os dias, nos 366 dias do ano quando ele é bissexto.

Os jornais já é outra história.  A maioria piscou e eu coloquei três camas no meu escritório. Daquelas camas que mais parecem beliche. 

Embaixo dos colchões. pacotes de jornais guardados em sacos de comprar batatas em supermercados, descansam o sono reparador de quem teve uma missão nobre a cumprir. 

O Frei Tibúrcio José da Rocha ficaria orgulhoso da forma como eu, a minoria da casa, trato os jornais e enfrento uma batalha contra a bancada da asma que lê jornais mais do que ninguém e, depois, tosse ao entrar no meu escritório porque “jornal dá asma”. 

A Gazeta do Rio do Frei Tibúrcio é de 10 de setembro de 1808, a minha dissimulação do local onde escondo os jornais é de 10 de setembro de 2018.  É duro aos 75 anos conduzir a vida equilibrando entre o acumulando e o dissimulando, mas as boas vibrações do Frei Tibúrcio me dão a força necessária para persistir no embate. 

Bem, vou ao primeiro post desse sábado porque as histórias começam a espoucar na minha mente e eu já estava ficando pronto para contar outra história sobre o dia em que meu pai chegou em casa com um vidro de Neuro Fosfato Eskay. 

Era um remédio para ajudar a enfrentar as 4 horas de aula da manhã no colégio Marista da minha cidade natal, e as 6 horas de aula – matemática, português, inglês, piano, desenho em grafite, francês e coral da igreja – da tarde. 

A parte da manhã era em Santana e a parte da tarde em Rivera.  Eu lembro que eu perguntava para o meu pai porque eu tinha que estudar português, em aula particular, no Uruguai.  E, ele, com a autoridade de um relho guardado atrás da porta, só dizia que eu que eu deveria ir para a aula sem perda de tempo.  Reclamações não eram permitidas. 

Coisas de pai.   Transcorria o ano de 1954 e o Neuro Fosfato Eskay iria substituir o Biotônico Fontoura à mesa, antes do almoço.  Eu tinha dez anos de idade.  Outro dia conto essa estória.

Bem, vou então ao primeiro post do dia.  Para valer.    Essa seção intitulada JORNAIS o tema da minha taxação eu criei para reunir matérias que eu lia e leio em jornais e que me chamaram a atenção pela originalidade do texto ou pela importância do conteúdo. 

Nessa manhã eu estou identificando um artigo sobre sucesso profissional.  O autor é Rafael Souto, o artigo é Existe um novo conceito de sucesso profissional e foi publicado no jornal Valor do dia 16.05.2019, página B2.

Rafael é um CEO de uma empresa e ele escreveu que o “conceito de carreira vem mudando”.  Há cem anos a carreira era uma sequência de cargos e o sucesso, se eu entendi certo, era medido pelo nível de evolução do profissional ao longo sua trajetória.         

Hoje, diz Rafael, há um novo conceito de carreira.  É um “conjunto de experiências significativas para o indivíduo”.  E, aí, o sucesso profissional “é medido pelo quanto o profissional consegue implementar seus objetivos e se realizar”. 

Bem, esse é apenas o início do texto do CEO.  Eu recomendo ao leitor que vá à fonte e leita todo o artigo que é bem interessante.  Há muitos anos eu acreditei que sucesso profissional implicava trabalhar com modelagem matemática.  Certamente que depois de ter lido o texto do Rafael eu vou precisar me reciclar.

Bom sábado a todos!  Realizada a catarse, eu continuo o fim de semana no beco, escrevendo e postando.  Às vezes, a maioria complica tanto que eu fico com os  textos no meio do caminho.  Outras vezes eu perco o texto e começo a entrar em luta contra o meu computador.  O post que eu publiquei ontem  sobre a fase 2 do Governo Bolsonaro eu perdi o texto por mais de 12 horas. Cheguei a ficar um tanto desanimado. 

Quando eu já estava perdendo a luta contra a tecnologia o texto reapareceu.  Momentos difíceis para quem foi criado em curso de datilografia, usando máquina FACIT para fazer cálculos e que utilizava muitas folhas emendadas  de papel de álbum seriado para calcular uma quarta derivada no Cálculo Diferencial  no chão de casa. 

FOTO ABAIXO: Edifício da Lebes, antigo prédio da Guaspari, novo cartão de visita da melhor cidade do país para se viver.  Centro Histórico de Porto Alegre, 17.05.2019, 18h30.  Fotógrafo amador desde 1967, tenho muita dificuldade de “acertar” uma fotografia.  Dessa vez, eu gostei da imagem!

BRASÍLIA distante de todos, post 10, em 17.05.2019

Porto Alegre, 17 de maio de 2019

No beco, 12h10, 24 graus, hoje não chove (Climatempo)

Eu creio que nessa semana Jair Bolsonaro acessou o que eu considero a fase de número 2 do seu governo.  Esvaiu-se o período em que o capital político pós eleições contribuía para justificar os equívocos que aconteceram e que eu acredito que acontecem em todo o governo que assume o Palácio do Planalto. 

Durante os primeiros 100 dias de governo, Jair Bolsonaro e sua equipe contavam com o capital político para pautar os debates e jogar a responsabilidade pelas dificuldades do país às administrações que o antecederam. 

A pauta era densa.  A corrupção, o populismo, as pedaladas, as propinas, o desemprego, o impeachment, tudo, enfim, justificava a posição e os argumentos dos vencedores do último pleito.

Contudo, os meses passaram e o estoque de capital político foi se esvaindo progressivamente.  E agora chegou o momento de justificar o porquê da aposta do eleitorado em Jair Bolsonaro. 

A população votou no então candidato à presidência porque acreditou que ele teria as condições de reverter a crise econômica que aí está. 

Os números das pesquisas dos institutos refletirão progressivamente o nível de esperança do público.  Até aqui imaginava-se que o presidente dispunha de uma receita para que o país retomasse o ritmo de crescimento econômico.   

Doravante é necessário migrar para uma agenda de proposições que sinalizem resultados dentro de um prazo determinado. 

A aprovação de alguma reforma previdenciária, embora necessária e oportuna, não era condição suficiente para alterar a estagnação que se enraizou no contexto atual.  E, lamentavelmente, é impossível aceitar o discurso oficial sobre o alcance da reforma.   

Eu escrevo sobre isso desde que a quilométrica proposta da reforma foi apresentada.  Eu lembro sempre que a ideia da reforma não surgiu com Bolsonaro.  

O presidente FHC tentou aprovar uma reforma.  Lula, Dilma e Temer também trabalharam com agendas específicas visando mudanças na previdência.  Sempre houve consenso sobre a necessidade de reformar para não quebrar. 

Eu creio que a proposta de Paulo Guedes é de uma densidade em excesso.  Da forma como foi encaminhada a Nova Previdência, ela tomou a forma de uma solução para todos os males do país.  Um Biotônico Fontoura que cura a história do Brasil. 

Ah, se eu tivesse a inspiração de um Juca Chaves eu apanharia o meu violão ou o meu piano e, sem perda de tempo, eu prepararia mais um post da seção Memórias de um professor de solfejo.  É uma pena que eu não disponho de tempo.   Mas que a melodia está fluindo aos meus ouvidos eu não posso negar. 

Eu percebi que a fase 1 do Governo Bolsorano tinha chegado ao fim no momento em que eu gravava a última ida de Paulo Guedes à Comissão Especial.  A frase foi contundente. 

O país está no fundo do poço, disse Guedes.  Ou a economia do país está no fundo do poço.  É isso aí.  O fundo do poço foi a senha que era preciso para avisar, na minha percepção, que ele também “estava indo para Passárgada”.

…   

Perdoe-me o leitor que eu vou abrir um parêntese no post e já volto ao texto original.  Na primeira vez que eu li o “Vou-me embora p’ra Passárgada” de João Carlos dos Santos Silva, me chamou a atenção que ele associava o local à presença de Juana, la loca, rainha da Espanha.  

Eu estive na casa de Juana de Castela quando fui à Espanha em 1969.  E eu nunca mais esqueci a minha estada no local porque foi a primeira vez na minha que eu toquei em um cravo.  Eu sempre toquei piano, mas em cravo foi a primeira vez.  

Eu cheguei a Salamanca em torno de meia noite.  Era fim de inverno, mas estava frio. Eu não tinha o menor interesse em “perder tempo na Espanha” porque eu sempre me senti 50% uruguaio e eu achava que uma convivência com mais castelhanos era mais do mesmo.

A minha mãe uruguaia, o meu pai criado no Uruguai, familiares todos do lado de lá da fronteira.  Os fatos me mostraram que eu estava cometendo o maior erro de percepção da minha vida.  Na verdade, a Espanha é top. 

Pois eu cheguei a meia noite e acessei à cidade através de uma ponte construída pelos romanos.  Muitas e muitas placas mostrando a importância do legado de Roma.  Segui em direção onde estava a iluminação que deveria ser o centro de Salamanca. 

De repente eu cheguei a Plaza Maior.  Fui tomado por uma emoção indescritível.   Em duas ocasiões eu senti sensações semelhantes, quando cheguei à Catedral de Colônia e quando me deparei na frente do Monte Fuji.   É como se estivesse chegando à Terra Prometida!

O ponto é que a tal emoção veio pela primeira vez em Salamanca, na Plaza Maior.  Eu creio que eram duas horas da madrugada.  A Plaza Maior estava vazia porque era uma noite fria. Noite fria e ainda feriado.  Eu parei o carro e caminhei pelas proximidades. 

Era uma iluminação incrível.  Um quarteirão fechado, pulsando história, inaugurada em 1756, e descrita como um “quadrilátero irregular, mas assombradamente harmônico, de acordo com a opinião de Miguel de Unamuno, um filósofo espanhol”.   É isso, Unamuno disse tudo. 

O estado de espirito vivenciado em Salamanca me fez mudar a opinião sobre a Espanha e eu passei a querer conhecer outros lugares.  A menos de cem quilômetros de Salamanca estava localizada a cidade de Tordesilhas. 

E assim, no dia seguinte pela manhã eu me encontrava na casa onde havia sido assinado o Tratado de Todesilhas, no dia 7 de junho de 1494, que dividiu o Brasil entre o Reino de Portugal e a Coroa de Castela. 

Eu bati uma fotografia na casa onde o tratado foi assinado.  Eu fotografei a placa alusiva ao evento na frente da casa.  Sensacional!  Outro dia farei um post sobre a tal fotografia. 

E foi nesse dia que eu estive frente ao cravo de Juana de Castela, Juana la loca, e ensaiei uma melodia que eu levo comigo em minha memória até hoje. 

Então, a poesia de João Carlos dos Santos Silva teve esse significado para mim e, por alguma razão quando Paulo Guedes disse que “o país estava no fundo do poço” eu senti que ele estava deixando o discurso convencional.

Parecia-me que Guedes estava partindo para um outro ponto, que bem poderia, em sentido figurado, ser Passárgada.  Daí ao cravo da rainha foi um mero exercício de memória.

Agora eu retorno ao argumento do post original.   O que me chamou a atenção quando Paulo Guedes expressou a sua opinião aos congressistas em Brasília quanto à situação atual do país, é que ele jogou a responsabilidade do momento atual para a classe política.  

Foram vocês que deixaram o Brasil nessa situação, disse o ministro.  Foram doze anos de gestão que deixaram o Brasil nessa situação. 

Eu, disse o ministro, não sou o responsável pelo cenário que está aí.  Vocês é que tem que resolver o impasse.  Naquele momento houve a transição da fase 1 para a fase 2 do governo.  A negação de quem era o responsável para tirar o Brasil do poço. 

É isso aí, eu creio que o governo Bolsonaro passou a fase 2 porque abandonou o discurso mítico de que a reforma previdenciária mudaria o Brasil.  E caiu na realidade de vez.

E mais, ao invés de reconhecer que o seu governo foi eleito para tirar o Brasil da crise ele transferiu a responsabilidade àqueles que não foram escolhidos para assumir o Poder Executivo em primeiro de janeiro passado.

Paulo Guedes tem, sim, a obrigação de sinalizar qual a proposta de governo para terminar com a estagnação e colocar o país nos trilhos outra vez.   

Eu torço pelo sucesso do ministro porque sou brasileiro acima de tudo.  Agora, eu torço que ele tenha alguma proposta pronta para levar o país à retomada do crescimento.  É impossível imaginar que o país possa ir para uma segunda recessão. 

Em posts anteriores eu repeti em algumas ocasiões que a possibilidade da ida das multidões às ruas era uma questão de tempo.  O problema, hoje. é a ameaça de uma segunda recessão. Não é um contingenciamento na verbas para a educação que é o problema. Ela é uma medida, antes de tudo, administrativa.    

É isso aí.  O post está longo demais.  Eu quis registrar a mudança de fase na gestão do governo Bolsonaro.  Urge pressa em propor como mudar o que está aí.   

Unificar discursos, acertar o passo e ter o que propor porque ninguém tem dúvida que o país tem um imenso futuro.  É preciso, apenas, criar uma ponte para chegar lá.   E estou convencido que a criatividade do brasileiro está acima de tudo e de todos.

É isso aí, Brasil.  Criatividade da nossa gente acima de tudo e acima de todos!

Boa noite, leitor do blog! 

FOTO ABAIXO: Mercado Público, Porto Alegre, 16.05.2019

 

ENTREVISTA na televisão, post 06, Donald Trump em 16.05.2019

Porto Alegre, 16 de maio de 2019

Horário oficial do beco, 15h43, 21 graus, sem chuva e vento de 28 km/h, muitas nuvens à noite (Climatempo) 

O presidente dos EUA Donald Trump está realizando um pronunciamento, ao vivo, nos jardins da Casa Branca.  Nesse momento ele está falando sobre o tema da segurança na fronteira dos EUA.  Também está comentando sobre o visa para os EUA.

O tema formal do pronunciamento é o anúncio de A NEW U.S IMMIGRATION PROPOSAL.  Eu estou acompanhando a programação do canal da CNN, o canal número 174 da SKY.  Oportunamente eu elaborarei um post sobre a entrevista.

Confira!

FOTO ABAIXO:  O meu primeiro dia em Londres e a primeira imagem do ônibus de dois andares, maio de 1969 

 

CARTUM, economista pensa demais, post 09, em 15.05.2019

Porto Alegre, 15 de maio de 2019

No beco, 18h10, 22 graus, chuva a qualquer hora

A noite passada eu fui deitar tarde.   Foi deitar e dormir.  Foi dormir e sonhar.  E quem foi que eu fui encontrar no sonho?   Nada mais, nada menos, que o Doutor Mariano.  Há dias que eu não lembrava de sonho algum.  Mas, na noite passada, pareceu tudo muito real.

Explico melhor.  Antes de vir para a UFRGS e para a FEE eu fui professor na Universidade Federal de Santa Maria, mais precisamente entre 1967 e 1973. 

Eu lecionava à noite.  Durante o dia eu trabalhava no Departamento de Administração Central (DAC) da UFSM, cujo diretor geral era o Professor Luiz Gonzaga Isaia, o administrador da gestão Mariano da Rocha. 

Nesse período em que eu mantive domicílio na Cidade Universitária, eu trabalhei um tanto próximo do Dr José Mariano da Rocha Filho. 

Eu tive um verdadeiro aprendizado com Mariano na gestão da Educação.   Eu o considero entre os cinco maiores homens públicos que eu conheci em minha vida como profissional da área de Economia. 

Eu o conheci como aluno do curso de Economia da Faculdade de Ciências Econômicas dos Irmãos Maristas, uma Instituição agregada à UFSM.  Contudo, eu me aproximei do Dr Mariano como economista do DAC no período 1967-70, antes de eu ir para os EUA.   

O DAC estava localizado ao lado do gabinete do reitor.  Oportunamente, eu vou fazer um post sobre Mariano da Rocha.  Hoje eu quero relatar o que ele me disse no sonho.

Ele sempre me chamou por professor, era uma forma de prestigiar aqueles que contribuíram para levar a UFSM adiante em uma trajetória de sucesso.   E nessa noite não foi diferente.  

Na conversa que mantivemos, o Professor Mariano estava muito preocupado com o Brasil de 2019.   Acompanhou o país em diversas crises e embora ele tenha falecido em 1998 ele me pareceu muito atualizado sobre o que acontece por aqui.  

O problema, professor Fraquelli, é que a crise está se retroalimentando e tomando uma dimensão muito maior de tudo o que o país vivenciou até o presente momento. 

Nesse ínterim, a educação foi deslocada para o foco central da crise.   A educação é solução.  Jamais pode ocupar o espaço do campo de batalha que é para onde o processo se encaminha nesse mês de maio. 

E o reitor continuou com os seus argumentos.  Do contingenciamento de R$ 30 bilhões houve um provisionamento de R$ 5,7 bilhões por parte do Ministério de Educação. 

É muita verba para quem tem uma tarefa de tamanha importância.   E não ficou apenas nesse valor, ele se tornou ainda maior e foi fixado em R$ 7,6 bilhões.

Da forma como o fato aconteceu um contingenciamento gerou um embate de reitores e universidades contra o ministério, contra o titular do MEC.  O episódio está gerando um ambiente totalmente adverso ao equilíbrio de demanda e oferta por educação.  

O pronunciamento do presidente sobre a utilidade de alguns cursos da academia, os termos inapropriados que foram utilizados na ocasião poderão limitar os diálogos entre as autoridades e os professores, as barras de chocolate levadas pelo ministro da pasta para explicar a decisão dos cortes, tudo isso em nada contribuiu  para estimular a criação de um ambiente adequado junto aos jovens que optaram pela docência.    

Sem professores qualificados o país torna o futuro incerto.  É preciso valorizá-los sempre.  É preciso adequar o discurso oficial às dificuldades que o país enfrenta.  Não há emprego e a estagnação se agrava a cada semana.  

Cortes nos recursos para a educação no presente representarão despesas redobradas na segurança no dia de amanhã e, certamente, gastos quadruplicados em saúde depois de amanhã. 

Não lembro como tudo terminou.  Ao mesmo tempo não tenho dúvida que o Dr Mariano esteve muito presente no meu sonho.  E o que escrevi acima foi tudo que sobrou da conversa com o mestre. 

FOTO ABAIXO:  A foto abaixo é de 1967.  Eu estou junto aos diretores e assessores que formavam a equipe do Dr Mariano da Rocha na reitoria da UFSM. 

De pé da esquerda para a direita estão o Colbert, Blaya Peres, Gilberto, eu e o Carlinhos, diretor do departamento do pessoal da UFSM. 

Sentado ao centro da mesa olhando para a câmera está o Sr Helio Silva, diretor da contabilidade, e os dois últimos à direita são o Professor Isaia, diretor geral, e o dr Basílio, diretor de obras da universidade.  

 

CHINA hoje, post 07, em 14.05.2019

Porto Alegre, 14 de maio de 2019

No beco, 18h10, 19 graus, nublado chuva a qualquer hora na 4a feira, máxima 20 graus

O jornal People’s Daily confirmou o aumento de tarifas de 10% para 25% sobre um total de US$ 60 bilhões de importações dos Estados Unidos, conforme foi amplamente divulgado pela imprensa internacional.

O jornal chinês, todavia, informou que esse avanço das tarifas se dará em três categorias a partir do dia primeiro de junho próximo vindouro.  Para as demais mercadorias as tarifas vão se manter no patamar de 5,0% que era o praticado até então.  A fonte dessas informações é a Customs Tariff Commission of the State Council.

Que produtos norte-americanos importados os chineses tem dado maior destaque dentro da imprensa local?  Alimentos, químicos e peças para automóveis.  São esses os mais frequentemente citados. 

O que eu percebo em qualquer jornal da China e em manifestações das autoridades locais é que a reação vem sempre acompanhada do argumento que o país não pode se submeter a pressões de quem quer que seja.   E, mais, a iniciativa é de parte dos norte-americanos.  Não foi a China que deu início a Trade War.

Outro ponto que eu verifico que os chineses repetem frequentemente diz respeito à incapacidade dos norte-americanos em reconhecer que a China estava disposta a negociar.

Isso porque os analistas econômicos locais reconhecem que se não houver uma solução para a guerra comercial em curto espaço de tempo, a continuidade do impasse irá afetar os consumidores não só nos Estados Unidos e na China, mas também em toda a corrente de comércio mundial.   Haverá impacto sobre a competitividade e sobre o emprego. 

Eu tenho escrito sobre a guerra comercial com muita frequência.  Eu lembro que a alguns meses Trump iniciou a pressão sobre os parceiros do NAFTA e sobre os chineses.  Melhor, também iniciou um movimento de cobrança sobre os parceiros da OTAN. 

Nas três frentes Donald Trump retomou um tema que foi discurso de campanha.  A todos repetia, insistentemente, que os EUA perdiam na corrente do NAFTA, citava os valores que os chineses se beneficiavam do comércio bilateral com os Estados Unidos durante um longo período de tempo e era crítico mais intenso quando afirmava que não havia razão dos EUA bancarem a defesa da Europa. 

Eu me mantive atento o que acontecia nessas diversas frentes.  Na nova configuração do NAFTA, Donald Trump ameaçou retirar os EUA do acordo em três oportunidades.  No final o acordo foi fechado.  

Na pressão sobre a OTAN, os antigos parceiros parecem ter entendido que não havia o que negociar com os EUA e eu notei que os europeus deixaram Trump “falando sozinho”.  Levaram o assunto para dentro da União Europeia e o tema tomou vida própria a partir do Parlamento Europeu.

Já com relação a guerra do comércio, ocorreram muitas reuniões alternadas entre Beijing e Washington.  Os participantes das reuniões eram cada vez mais políticos do alto escalão do governo chinês.   Ao final de uma agenda que foi cumprida conforme eu lia após a conclusão de cada reunião, eu pensei que era uma questão de semanas e o acordo entre as partes seria firmado.

No último encontro da pauta, antes de Trump “atravessar a ponte e explodi-la” eu lembro que para o evento final o primeiro ministro viria para Washington e em solenidade especial o acordo seria firmado e a guerra comercial seria encerrada.

Ledo engano.  Os chineses ficaram surpreendidos pela atitude de Trump, manifestaram o sentimento do momento, mas deram o fato como consumado.  A delegação voltou à Ásia e de lá vieram as sanções aos produtos americanos.

Uma observação final, os americanos jogam tarifas sobre um volume de US$ 200 bilhões de produtos chineses e o governo de Beijing reage com um volume menor, de US$ 60 bilhões. 

Eu acho que a China tem consciência que Donald Trump tem eleições à frente, está com muitas dificuldades na dimensão política norte-americana, está se beneficiando do bom momento da economia dos EUA, mas, acima de tudo, as reservas chinesas tem o volume maior destinado ao financiamento do tesouro americano.   

Há uma dívida dos EUA com a China que não cabe o governo de Beijing ir além de uma retaliação dentro de uma meta previamente fixada. 

FOTO ABAIXO: Rua Duque de Caxias, Centro Histórico de Porto Alegre, maio de 2019.

 

BRASILIA distante de todos, post 09, em 13.05.2019

Porto Alegre, 13 maio de 2019

No beco, 18h10, 21 graus, sol com muitas nuvens pela manhã, máxima 21 graus 

(Climatempo)

A semana começa com algumas informações de impacto no âmbito político e a consolidação da ideia que o desempenho da economia será muito tímido em 2019.

A informação que Moro irá para o STF explica porque o juiz deixou a Lava Jato e migrou para o Poder Executivo.   

Eu lembro de ter escrito um post à época em que se ficou sabendo que ele seria o Ministro da Justiça de Bolsonaro.  Eu achei surpreendente um juiz deixar um cargo daquela natureza para vir para o Poder Executivo e tratar de temas como as condições dos presídios e do combate às drogas. 

E complementei dizendo que no Executivo ele vivenciaria a experiência de administrar uma pasta com limitações de recursos orçamentários.   O contraponto de quem justificava a opção de Moro era que ele reforçaria a operação Lava Jato estando no Ministério.

Agora, com a especificação que ele ocupará a vaga do decano do STF no fim do próximo ano está tudo esclarecido porque Sergio Moro tomou a decisão naquela oportunidade,  

Uma segunda informação que ainda repercute no ambiente político é a ideia dos cortes orçamentários e, dentre eles, aqueles aplicados às universidades.  

O contingenciamento é um ato de gestão no âmbito da esfera pública.   Se é preciso retardar algum gasto público, o governo pratica o contingenciamento dos recursos.  É uma rotina de começo de ano quando o dinheiro está curto.   

É impossível imaginar um ministro da Educação tomar carona no processo de contingenciamento de recursos e justificá-lo com um ataque às ciências humanas.   Esse procedimento deixa as lideranças educacionais do país em um ambiente de incerteza crescente.

Finalmente, o futuro do meio ambiente global, onde o Brasil já foi um ator importante no cenário internacional e hoje está à merce de Mauro Salles e a desmontagem da agenda verde, poderá tomar um caminho sem volta nas próximas semanas?

Aos cem dias de governo, há uma falta de unidade de comando na cabeça e a ausência de um roteiro, de uma hoja de ruta, que sinalize onde o corpo leva o país.  É lamentável a perda de tempo de um governo que não dispõe de tempo a perder.   O país tem um  futuro promissor, o agronegócio é uma realização presente, mas o passado da gestão pública contagiou a administração atual. 

Há muitas cabeças falando pelo governo, e o corpo não consegue afastar o país do caminho da estagnação.   Os múltiplos discursos geraram equívocos desde os primeiros dias do governo.  A necessidade de interpretar o discurso de cada autoridade passou a ser rotina.   

O corpo tomou a reforma previdenciária no colo e tem repetido que o seu destino é a retomada da economia.  E os brasileiros acreditaram que virão vultuosos recursos de investimentos externos.   A necessidade de justificar o destino final do corpo passou a ser rotina.         

  … 

No desempenho da economia, o Boletim Focus mostrou que o incremento do PIB de 1,49% na semana passada recuou para 1,45% nessa segunda-feira. 

São onze semanas com o desempenho caminhando no sentido do contrário àquele esperado do governo.  O governo parece ter dificuldade em aceitar que a estagnação está enraizada e que o desemprego tardará a ser revertido.  

Na estabilidade da economia, o IPCA continua subindo.  Uma taxa de desemprego nas nuvens, um consumo fragilizado e a inflação não cede.  Em 2019, nos acumulado dos últimos 12 meses o IPCA avançou 3,78% (até janeiro), 3,89% (até fevereiro), 4,58% (até março) e 4,94% (até abril).   

Hoje, mesmo com essas taxas acumuladas nos últimos doze meses, o Boletim Focus manteve o IPCA para o corrente ano em 4,04%.  Nessa visão dos executivos do mercado financeiro o IPCA deve fechar o exercício abaixo da meta de 4,25% fixada pelo COPOM.

Sem emprego o consumo sofre.  Se confirmada o IPCA de 4,04% do Focus ao final do ano o consumo aguarda. 

Conjuntura truncada, produção industrial sofre.  O governo bate no sistema S como uma atividade de rotina e a industria sofre.  O superministro promete abertura e a indústria sofre.  Guedes mostra-se proposto a despedalar o BNDES, se ele foi efetivamente pedalado,(Estadão, 11.05.2019, página B6) e a indústria aguarda.

É isso aí.  É mais uma semana que começa.  Uma agenda densa.  É difícil avançar em meio a uma estagnação que não cede.  

FOTO ABAIXO:  Mercado Público de Porto Alegre, maio de 2019