ESTADOS UNIDOS, REDUÇÃO NOS DIAS DE TRABALHO E AUMENTO DAS TAXAS DE JUROS?

 Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 01.03.2021, 12:10, 30 graus C, 59 % de umidade

Post 01.09.52

01 Internacional, 09 Estados Unidos, 52 número de ordem do post

A conjuntura continua surfando na pandemia. Fica difícil configurar um cenário convincente com uma restrição de tal ordem.   

Normalmente eu apreendi um pouco sobre o hiato entre os que precificam a retomada e levam as  bolsas às nuvens e os que apostam na continuidade da crise e prosseguem com as concepções dos voos de galinha.

… 

Acontece que dessa vez não há um mero hiato entre os dois enfoques.   Há um precipício.

De um lado, há recordes que se sobrepõem.  Há ralis que se repetem.  Do outro lado, há desemprego, divergências de políticas econômicas e a espera atroz para que o destino esperado chegue de vez.

O que ambos os lados tem consciência é que um dia a correção se realizará.   Nesse ínterim a polêmica se instala e encobre o precipício.   

Se o conteúdo migrar da polêmica para a polarização, estamos conversados, leitor. Não há o que fazer.  Por que?

Porque antigamente havia uma pessoa delirante e a gente a achava desequilibrada.  Hoje, há multidões que creem em uma história delirante e seguem o seu autor.

Você, leitor, lembra do post que eu escrevi no dia 5 de fevereiro?  Aquele que tratava das narrativas econômicas do prêmio Nobel de Economia Robert Schiller?  

Pois é, como eu escrevi no início, a conjuntura continua surfando na pandemia.  O quem  preocupa é que podem acontecer decisões precipitadas nessas condições.

Eu comecei a perceber que nas economias avançadas já estão falando em semana de quatro dias de trabalho. 

Da mesma forma eu percebei que já estão falando em que chegou a hora de elevar os juros nos títulos dez anos.   Também percebi que há forte questionamento das injeções mensais de US$ 120 bilhões na economia norte-americana.

Qualquer mudança antes da hora adequada pode criar novos problemas se a pandemia chegar ao fim. 

….

Contudo, e se tudo permanecer como está por mais tempo, o que se pode esperar de Jerome Powell e de Janet Yellen nesses momentos de tamanha incerteza?   

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: LEMBRANDO DO ZÉ DO PASSAPORTE   

Quando eu cheguei em Porto Alegre, em setembro de 1973, eu ia com um grupo de amigos às cercanias da esquina da fotografia acima  onde estava localizado o Zé do Passaporte, o primeiro cachorro-quente da capital gaúcha. 

O empreendimento de 1959, foi tomando forma com o passar do tempo com José Ribeiro Faillace, já falecido, à testa do negócio.   Eu me tornei  vegetariano em 1978.   Então eu curti o cachorro quente, com mostarda e ketchup, por alguns anos.

Durante os três anos nos Estados Unidos, todos os dias eu almoçava na cafeteria da universidade. Qualquer que fosse o almoço servido, o acompanhamento era sempre de batatinhas fritas com ketchup em cima.   Quando eu voltei para o Brasil eu fiz a promessa que jamais comeria ketchup.   

O Zé do Passaporte me fez quebrar a promessa.  Dia e noite, o local estava sempre com clientes,  enfileirados e esperando pelo atendimento.  Eu lembro que ficávamos ali, eu e meus amigos, até que ninguém mais conseguia permanecer acordado.  Era a hora de deixar o local.

Até hoje eu lembro daquele tempo em que tudo era motivo de discussão. Era, também, uma época em que se ria demais.   Hoje, eu creio que essas lembranças ficaram impregnadas na  minha memória.  Dentro do possível, eu nunca mais assimilei o ketchup.  Quando, eventualmente, me perguntam se eu quero ketchup, eu respondo, instantaneamente, “nem pensar!”

A BOLHA DAS BOLHAS

Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 28.02.2021, 12:10, 29 graus C, 55 % de umidade

Post 01.09.51

01 Internacional, 09 Estados Unidos, 51 número de ordem do post

Já escrevi diversas vezes sobre a palavra bolha.  Na condição de analista de conjuntura ela representa algo equivalente aquele sinal que existe no cruzamento de uma ferrovia.   Quando os carros acessam ao local, ele param e o motoristas procuram ouvir se há algum sinal sobre a presença de um comboio chegando ao cruzamento.

Antes desse domingo eu redigi quatro artigos sobre a matéria desse post.   Eu escrevi WALL STREET AVANÇA A MIL, INCERTEZAS PROSSEGUEM UM POUQUINHO À FRENTE, em 18.12.2020, A BOLHA, em 24.01.2021, TRÊS BOLHAS, em 05.02.2021 e UMA CORREÇÃO EM WALL STREET, em 12.02.2021. 

… 

Entre meados e o fim do mês passado, a mídia fazia referencia ao comportamento de Wall Street.  Dentre elas, o Bank of América associava o recorde das ações ao pacote de estímulo do governo norte-americano.    Bolha no lado da política econômica e bolha no lado do mercado de ações.

Na percepção do banco norte-americano, a bolha foi consequência do pacote de estímulos à economia.  O que há de concreto é que a Câmara dos Representantes aprovou no dia de ontem, sábado, por 219 a 212 votos,  o plano de estímulos de US$ 1,9 trilhão encaminhado pelo governo de Joe Biden ao Poder Legislativo. 

O plano criticado pelo Bank of América visa oferecer financiamentos e ajudas.   É preciso financiar o setor de saúde e ajudar as famílias, as empresas e os governos estaduais e municipais.  Para os intermediários financeiros há uma bolha da política governamental, no valor de US$ 1,9 trilhão, para alimentar uma bolha em Wall Street. via os preços dos ativos.  

Esse mesmo assunto que esteve no foco da mídia no mês de janeiro voltou ao centro da atenção dos analistas de mercado de capitais nesses últimos dias de fevereiro. 

Na dimensão política, Joe Biden lançou um plano para lidar com a pandemia.  Contudo ao mirar num escopo, o coronavírus, o pacote bateu em outro alvo, em Wall Street. 

Na prática, além do plano de Joe Biden, os Bancos Centrais de todo o mundo também utilizaram bilhões de dólares  para comprar ativos e jogar liquidez na economia. 

Ambas as iniciativas criaram sobrevalorização de diversos ativos.  É muito provável que tudo o que está acontecendo em meio à pandemia – resoluções de governos e de autoridades monetárias – vá rebater na inflação.    Aí, o temor maior.

Daí o título dado – a bolha das bolhas – entre analistas do mercado financeiro norte-americano.  Houve valorizações recordes.  Quantas vezes eu escrevi sobre valorizações e mais valorizações de ativos.  O que se ouve agora é que esse fato levará a uma correção.  A polêmica implica identificar, quando e em quanto, tal fato irá se concretizar.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: GALERIA CHAVES 

A Galeria Chaves é uma galeria comercial e, ao mesmo tempo, um prédio histórico de Porto Alegre.   Quem passa na frente do prédio, localizado na Rua dos Andradas, número 1444, no Centro histórico da capital gaúcha, fica impressionado com a beleza do local.  Algo de aparência renascentista em plena capital dos Pampas.
… 
A galeria, cuja construção iniciou em 1936, liga a Rua da Praia à rua José Montauri.  O nome da galeria é alusiva à figura de Pedro Chaves Barcelos.   A sua família foi a responsável pela obra.   O prédio foi tombado pelo município em 1986.
Quando eu trabalhava em mercado de capitais, nos anos 60, um dia por semana eu dava expediente em Porto Alegre.  E lembro de visitar a galeria semanalmente.
Posteriormente quando eu migrei da UFSM para a UFRGS, nos anos 70, eu vim morar no beco da Rua General João Manoel, nas proximidades do Palácio Piratini.  Eu lembro de ouvir dizer que o local onde eu resido era um sítio dos Chaves Barcelos.
Quem passa na esquina da Rua Duque de Caxias com a Rua General João Manoel, no Centro Histórico, vê uma mansão imensa e bela.  Eu ouço que era propriedade da mesma família.  Durante algum temo nos anos 80, o recinto foi utilizado como um local para recepções.
Os eventos aconteciam ao anoitecer.  Eu passava pelo local que fica nas proximidades da minha residência, e eu via muita gente aglomerada, vestidas a rigor, em festas dignas de cinema.  O tempo passou e o local se tornou um estacionamento de automóveis.   

De volta à galeria, há muitos anos eu passo por ali diariamente.  Ou melhor, eu passava por ali, diariamente, antes da crise sanitária.  Eu li na Wikipédia que depois de inaugurada, o térreo da galeria destinava-se às atividades comerciais e os cinco andares eram ocupados por residências.
O Portal de entrada é de uma beleza inusitada.  Assim como na Esquina Democrática eu vejo, ou via, grupos de pessoas de certa idade conversando, diariamente, no portal.
Quem acessar o local pela rua José Montauri, junto ao antigo Abrigo dos Bondes, tem uma outra visão da galeria.  Ali há um entre-solo com muitos estabelecimentos comerciais, dentre eles, pizzaria, cabelereiro, caixas eletrônicos de bancos e cafés onde há grupos de idosos que frequentam o local desde que o mesmo foi aberto ao público.
Há uma escada eletrônica que liga o entre-solo, da rua José Montauri, com o térreo, da Rua da Praia.  Eu criei um roteiro como pedestre que eu ia ao Mercado Publico passando pelo térreo e voltava para o centro via entre-solo.  A escada eletrônica era um ponto de passagem obrigatório no meu deslocamento.
Sempre que eu subia essa escada eu sempre via as mesmas pessoas, já de certa idade, sentadas no café e jogando conversa fora.   Foram tantas vezes que eu passei por ali que, ao fim e ao cabo, eu, idoso, era cumprimentado pelos presentes como se pertencesse aos grupos do local.
… 
Na verdade, eu passei a desconfiar que eu poderia conhecer algum dos presentes.  E por isso eles me cumprimentavam.   Esse fato de ser cumprimentado por desconhecidos era comum quando eu morava em Sant’Ana e em Santa Maria.
Em Bagé eu era muito cumprimentado por desconhecidos na rua.  Eu procura ser gentil e respondia aos cumprimentos.  Uma tarde, eu descia a Avenida Sete e um sujeito chegou perto de mim, colocou o braço no meu ombro e começou a falar assuntos totalmente estranhos.  Em dado momento ele parou e percebeu que estava falando com a pessoa errada.
Ele me achou muito parecido com um empresário local, da área das funerárias, assunto que eu não fazia a menor ideia do que se tratava.  Pelo pouco que eu ouvi eu conclui que o setor era muito próspero.  Isso foi no início dos anos 60.    A partir daquela oportunidade, em Bagé, sempre que cumprimentado eu respondia com um sorriso.  Eu sabia que eu era um empreendedor funerário e estávamos conversados!
Em tempo:  Eu tive um aluno no curso de pós graduação de nome Pedro Chaves Barcellos.  Ele era bem mais velho que eu e já faleceu.  Ficamos amigos e conversávamos muito.  Eu nunca falei com o Pedrinho sobre a Galeria. Eu fui ao Google para ver mais detalhes sobre o meu amigo, mas eu percebi que há muitas pessoas com esse mesmo nome.  Como há diversos homônimos eu não sei se adiantaria pedir a ele que me falasse sobre a história da galeria. 

CHINA, DESEMPENHO DA ECONOMIA, VIGILÂNCIA GENÔMICA E IMPASSE COM EUA

Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 27.02.2021, 12:10, 29 graus C, 56 % de umidade

Post 01.11.14

01 Internacional, 11 China, 14 número de ordem do post

Aproveito o sábado para começar o acompanhamento da conjuntura econômica internacional pela China por duas razões especiais.  Creio que preciso monitorar a sequência da retomada econômica local e verificar como se encontra o embate comercial e tecnológico contra os norte-americanos após a posse de Joe Biden na Casa Branca.

… 

Começo pelo World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial do FMI, com as informações atualizadas recentemente, ou seja, no dia 21 de janeiro do corrente ano.   De acordo com a publicação o PIB da China cresceu 2,3% (2020), e deve registrar incrementos de 8,1% (2021) e 5,6% (2022). 

… 

Na versão imediatamente anterior do WEO, de 07 de outubro de 2020, o FMI trabalhava com o crescimento do PIB nos seguintes patamares 6,7% (2018), 6,1% (2019), 1,9% (2020) e 8,2% (2021).   A China encontrava-se na desaceleração global em 2018-19, um comportamento comum à economia global, exceção feita aos estados Unidos que navegavam no pleno emprego.

Com a chegada da pandemia,  o FMI previu incremento do PIB de 1,9% (2020) na versão do WEO de 07 de outubro de 2020 e a projeção foi elevada para um avanço de 2,3% (2020) na atualização de 21 de janeiro do corrente ano.   Então, no desempenho do ano da pandemia, a China foi uma exceção entre as grandes economias. 

Além de ter registrado incremento do  PIB, esse aumento foi ainda maior em 0,4% da versão de outubro de 2020 para a atualização de janeiro de 2021.     Para o corrente exercício, o PIB da China deverá crescer 8,1% e para o próximo ano a economia deverá estabilizar em 5,6% ao ano.

Bem, todo esse desempenho de curto prazo da China deve se concretizar simultaneamente à continuidade, ou não, da agenda de Donald Trump frente à reação de Xi Jinping no impasse comercial entre as duas maiores economias do planeta.   Biden já fez uma ligação telefônica para Xi, mas ainda não foi possível avaliar se a pauta entre ambos vai permanecer, vai mudar e, nesse caso, em quanto vai mudar.

O novo presidente já manifestou a vontade de não depender de produtos chineses como aconteceu durante a pandemia da covid19.  O contexto Xi/Trump é diferente do ambiente Xi/Biden porque agora há a pandemia.

No contexto Xi/Trump eu trabalhava com um  cenário A, um cenário otimista, em que a vacina induziria a retomada do crescimento mundial.  Vacina implicaria o fim do confinamento e a volta ao trabalho.  

…  

No contexto Xi/Biden eu tendo a trabalhar com um cenário B, um cenário alternativo, em que a vacina dependerá da regionalização das vigilâncias genômicas, ou seja, do sequenciamento do virus, que viabilize conhecer as novas variantes e as suas mutações, just in time.  Nesse caso, a regionalização da vigilância levaria a maior eficácia das vacinas que implicaria a volta ao trabalho e a retomada da economia mundial.  Sem vigilância não haverá descoberta de variantes regionais

Na hipótese do cenário B, Joe Biden não pode adotar o posicionamento de Donald Trump porque ele tem consciência da importância de depender, ou não, dos produtos e materiais originados na China enquanto a pandemia se mantiver e a incerteza da eficácia de uma vacina frente a uma variante que ainda não foi descoberta porque muitos países não tem condições de investimento no setor.

Na hipótese do cenário B, como reagirá Xi Jinping se ele sentir que Biden pretende retirar produto e materiais originados na China na cadeia de abastecimento global?

…   

De qualquer forma a retomada chinesa já é uma realidade.   O FMI fez duas projeções, divulgadas em janeiro de 2020 e em janeiro 2021 e se percebe que a curva em V da publicação de 2021 é seguida de um formato de radical que bate quase em cima da reta projetada em 2020. 

O que pode emperrar o processo de retomada em curso na China poderá ser a descoberta de novas variantes por falta de investimento em pesquisa em algumas regiões do planeta.  Eu creio que é por aí que está o foco da incerteza atual nesse sábado de final de fevereiro. 

Não deve ser por outra razão que Joe Biden trabalha com um prazo de três meses para um diagnóstico completo das cadeias produtivas que vieram a público durante a pandemia.   Em quanto o mundo depende da oferta chinesa? 

Eu creio que daqui há uns três meses os analistas terão uma ideia precisa de como Biden enfrentará Xi.  Eu, particularmente, creio que ele não deve bisar Trump, contudo eu penso que a relação continuará intrincada entre as duas lideranças mundiais. 

Outro ponto que me parece mostrar uma certa fragilidade “nessa história toda” das vacinas é que eu demorei a entender um ponto que é óbvio para o pessoal do setor de saúde.  O nível de eficácia da vacina não significa que aquele é o potencial de derrubar o coronavírus.  Aquele percentual diz respeito apenas ao nível de eficácia frente ao placebo.

Em suma leitor do blog, a retomada mundial depende de uma conjuntura no setor de saúde que não me permite trabalhar com um cenário dentro de um nível de confiança factível.  Todos os dias há fatos novos. 

São tantas fontes entre os Estados Unidos, numa extremidade, e os países da Ásia, no outro, que fica difícil ter uma compreensão de uma pandemia que o leigo só percebe que ela está ali quando o seu ente querido deixa a UTI rumo a dimensão maior da existência. Fazer o quê?  

A par desse ponto, da perspectiva do desempenho à frente, eu procurei alguma informação  sobre o comportamento recente do mercado de trabalho na China.   Eu fui ao South China Morning Post e encontrei dados recentes do que acontece no mercado de trabalho daquele pais.  

A informação vinda da Ásia dá conta que durante o ano da pandemia o país criou 11, 8 milhões de empregos urbanos.  A chegada dos universitários sinaliza que haverá mais 15 milhões disputando uma vaga em um país que estima gerar 10 milhões de empregos em 2021.  Nesse contexto a taxa de desemprego que chegou ao seu pico em meados do ano passado recuou para 5,6% no final de 2020. 

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Domingo tem jogo na Arena do Grêmio

Essa é a minha neta Victória, a número um de cinco, que tem mais um ano para chegar à adolescência. É mais uma gremista na família dividida entre tricolores e colorados.   Eu creio que em Sant’Ana a turma está mais alinhada ao Internacional enquanto que o lado da família na capital está mais próximo do Grêmio.

O Internacional teve três possibilidades de se tornar campeão brasileiro com todo o merecimento, mas as oportunidades não foram aproveitadas por razões das mais diversas.  O colorado inicia o Gauchão com  uma nova comissão técnica e terá um técnico espanhol tão logo houver normalização das viagens aéreas. 

Ele traz uma nova metodologia de trabalho para o RS.   Em primeiro plano ele prega a ocupação do espaço em campo; não mais a prioridade pela posse de bola.  

Na segunda foto está a minha neta Laura, número três de cinco. É mais uma torcedora do tricolor.  Ela deu sorte de ter acompanhado a fase do Renato Portaluppi na Arena do Grêmio.  Foram alguns títulos conquistados e posições no grupo de cima que disputa o Brasileirão. 

Amanhã, à noite, a disputa promete ser muito renhida em Porto Alegre.  O Palmeira vinha de um desempenho muito bom até conquistar o titulo do campeonato nacional.  Depois, a equipe mostrou-se mais tímida. O Grêmio vem de um desempenho apenas razoável até conquistar a vaga para a primeira fase da Libertadores.  Agora, a equipe deve se espelhar na história de muita garra demonstrada no passado. 

Tomara que a Victória e a Laura tenham o que comemorar após o segundo jogo a ser realizado em São Paulo no próximo domingo!  Enquanto o Renato estiver na Arena eu mantenho alguma fé que a vitória possa ser alcançada. 

RECUPERAÇÃO GLOBAL, INFLAÇÃO, RENDIMENTOS DE BÔNUS DO TESOURO E BANCOS CENTRAIS EM ÂMBITO INTERNACIONAL

Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 26.02.2021, 12:10, 29 graus C, 56 % de umidade

Post 01.01.33

01 Internacional, 01 Conjuntura Global, 33 número de ordem do post

A economia mundial navega em meio a um mar bravio.  Os números do desempenho de 2020 foram antecedidos por uma desaceleração da economia mundial que já estava em curso quando a pandemia chegou. 

O PIB mundial recuou -3,5% em 2020.   O Produto das economias avançadas registrou uma queda de -4,9% enquanto o PIB das economias emergentes evidenciou um recuo de -2,4%.   Então, esse é o pano de fundo de tudo o que está acontecendo em 2021. 

Eu confesso que eu não esperava focar o meu blog na inflação nesses meses de pandemia.  O consumo sentiu o impacto da covid19.  A atividade econômica se contraiu.  Os confinamentos bateram de frente com o desempenho da economia. 

As projeções da taxa de inflação do World Economic Outlook, o Panorama Econômico Mundial do FMI, de outubro de 2020, trabalhavam com a possibilidade do IPC das Economias Europeias estarem estabilizadas com taxas de 2,0% (2020) e 2.4% (2021).  Na Ásia, o IPC previsto pelo Fundo mostrava taxas de 2,5% (2020) e 2,5% (2021). 

Aqui, no Novo Continente, a América do Norte trabalha com taxas de 1,6% (2020) e 2,7% (2021) enquanto a América do Sul projetava IPC de 7,0% (2020) e 8,6% (2021).  Por fim no Oriente Médio e na Ásia Central havia convivência   com taxas de 9,3% (2020) e 9,3% (2021).

Logo, em 2020 havia um mundo com atividade econômica em contração a inflação estava “sob controle”.   O que se imaginava era que mantidas as linhas emergenciais em crédito e em salários, os preços iriam avançar dentro de um comportamento esperado.

A crise sanitária alterou tudo.  Os números acima que pareciam estabilizados começaram a mostrar algumas movimentações dentro da pandemia.   

Os bancos centrais trabalhavam com a hipótese de que as vacinas criariam um ponto de inflexão sobre as expectativas de retomada do crescimento econômico mundial.   E assim, em janeiro do corrente ano, houve novas projeções para a recuperação da economia global

As expectativas eram de crescimento do PIB mundial em 5,5% (2021) e 4,2% (2022).    Então, o ano está recém no seu primeiro bimestre e o horizonte, em janeiro, era esse, de uma retomada com alguma pujança para o biênio 2021-22.

Hoje, nesses últimos dias de fevereiro, parece que uma nova movimentação começa a ser perceptível.  O leitor tem constatado que a todo o momento eu tenho escrito sobre as vacinas, a logística das vacinas, a eficácia das vacinas, o desafio das mutações sobre as vacinas e todas as incertezas que vem se acumulando mensalmente, semanalmente e porque não dizer, diariamente.

Está difícil firmar convicção nesse mar de incerteza.  Eu acreditei que a chegada de Biden à Casa Branca e a bandeira do seu programa de estímulos da ordem de US$ 1, 9 trilhão iria mexer com uma melhora nas projeções de retomada da economia.  Biden era sinônimo de vacinação generalizada, para mim.  

Havia a perspectiva de normalização da economia.  Na prática eu me deparei com uma explosão no comportamento do mercado de ações.   Paralelamente, aconteceu um volume crescente de transações de divida soberana.  Era chegado o momento de uma mudança no comportamento dos juros. 

De repente, o filme parece que começou a rodar em câmara lenta.  A retomada global que era para ser passou a ser, apenas, uma possibilidade a considerar.  Há pouco o foco estava na logística da vacina; agora, o processo parece emperrar nas variantes e nas mutações. 

… 

Nesse novo momento da crise sanitária, a movimentação nos bônus do tesouro eclodiu nos Estados Unidos.  Entre os investidores a confiança não perdeu força.  O aumento do rendimento dos bônus do Tesouro norte-americano repercutiu internacionalmente, numa verdadeira onda de confiança global.
E, ai, eu chego ao que parece ser um divisor de águas entre as posições dos bancos centrais.  O FED aposta que o incremento do rendimento dos bônus é a confirmação da confiança do mercado; o Banco Central Europeu (BCE) é de parecer que se a retomada é confiável, vem inflação à frente.
A grande diferença está localizada na data da recuperação da economia regional.   Os norte-americanos apostam na retomada no curtíssimo prazo e o aumento dos rendimentos dos bônus do tesouro transmitem confiança.  A inflação está na meta de 2,0% ao ano.
Os europeus, ao contrário, não estão debatendo a retomada no curto prazo, havendo, inclusive, a possibilidade de uma segunda recessão no horizonte.  O que pode vir a frente é alguma inflação e, nesse caso, o aumento do rendimento dos bônus do tesouro não se justifica e deverá ser pago por alguém.  
É isso aí.  O cenário vai sendo configurado progressivamente.   A incerteza corre solta.  A volatilidade some e reaparece.  E pouco vai mudar enquanto a pandemia estiver de mãos dadas com a economia.
Ha pouco eu ouvi uma manifestação de Andy Haldane, chief economist do Banco da Inglaterra.  Ele falava sobre a inflação e disse que o problema não é ser conservador num momento desses, mas ser complacente com o comportamento dos preços.
Outras lideranças de autoridades monetárias, na Ásia e na Austrália, tem se manifestado sobre a ameaça da inflação nesse momento em que a política fiscal trava um embate de guerra contra a crise sanitária.   Uns alinham-se aos Estados Unidos, outros ao Banco Central Europeu e eu fico aqui a registrar o que vejo e o que sinto em meio a uma crise que parece não perder a força.  
Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO O MERCADO PÚBLICO DE PORTO ALEGRE

A foto abaixo eu bati há algum tempo. Grupos de religiosos acessavam o mercado publico para o desenvolvimento de alguma atividade programada para aquela oportunidade.  

O mercado prosseguia com aquela cobertura em azul,  Ela se encontrava ali desde que começou a conservação do prédio em decorrência do incêndio que destruiu parcialmente o segundo andar no ano de 2013.  

Na segunda fotografia eu estou dentro do mercado público, uma obra inaugurada em outubro de 1869.  Foram quatro incêndios desde então, 1912, 1976, 1979 e 2013.   Esse ultimo eu assisti de local próximo.  Na verdade, da distância permitida ao público.   

Quando eu voltei para a casa eu achei que o local tinha ficado destruído.   O incêndio durou muitas horas e as chamas eram altíssimas.  Essa foi a percepção que eu guardei na minha memória.

Dias depois eu voltei ao mercado público.   Qual a minha surpresa!  Cadê o incêndio que eu presenciei, essa foi a primeira pergunta que eu me formulei.  O movimento aparente era o mesmo de tantas outras visitas que eu fiz ao local.

Quando eu subi ao segundo andar eu fiquei com uma dimensão concreta do que tinha acontecido naquela noite.   Desde então eu me abastecia de muitos produtos ofertados nas 111 lojas existentes.   

Na foto de baixo eu fotografei um grupo de religiosos de cultos africanos atendendo um público numeroso.   Em diversas oportunidades, ao longo dos últimos anos, eu obtive boas imagens de diferentes grupos atendendo os seus fiéis no centro do Mercado Público.

PANDEMIA NOS EUA, DETECTADA A NOVA VARIANTE B.1,526 E SINALIZADA A PRESENÇA DE UMA QUARTA ONDA

Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 25.02.2021, 12:10, 30 graus C, 62 % de umidade

Post 01.09.50

01 Internacional, 09 Estados Unidos, 50 número de ordem do post

O placar da Johns Hopkins University mostra que há 28,3 milhões de infectados e de 508 mil óbitos nos Estados Unidos, nessa quinta-feira.   Eu confesso que fiquei surpreso ao observar atentamente as curvas de infectados e de óbitos na maior economia do planeta.  

O que eu fiz foi abrir os gráficos de ambas as curvas e percebi que elas se encontram em ritmo ascendente.  É bem verdade que com alguma boa vontade eu possa ver no comportamento dos casos infectados uma sinalização de estabilidade à frente

O mesmo não acontece com a frequência dos óbitos.   No período que inicia em dezembro do ano passado até hoje, o gráfico das vítimas do coronavírus está representado praticamente por uma linha reta que parece ter o céu como limite.

É bem provável que as figuras que eu vi no site do Coronovirus Resource Center mostrem que o otimismo inicial com as vacinas entre em standby.   Ontem eu assisti a manifestação do Dr Anthony Fauci, uma celebridade norte-americana que eu monitoro diariamente.  Ele disse que isso não poderia estar acontecendo nos Estados Unidos, um país rico e com tantos recursos.

A CNN está divulgando no seu site a existência de uma nova variante B.1,526 da covid19 que foi detectada em Nova York e no Noroeste dos Estados por duas equipes de especialistas.   Uma mutação da B.1,526 evidencia mudanças como aquelas detectadas na B.1,351, a variante sul africana.   

Eu percebi muitas informações novas no dia de hoje.  O que parece preocupar demais aos profissionais da saúde é a mutação E484K porque ela vai além da capacidade do corpo se imunizar.   Essa mutação está surgindo em muitas variantes conforme a matéria divulgada hoje pela televisão norte-americana.

Outra informação recente foi a opinião divulgada do Dr Michael Thomas Osterholm, autor da obra A ameaça mais letal.  Segundo matéria divulgada no site do El Economista, Osterholm afirmou que o planeta ruma para uma quarta onda da covid19.  A cepa britânica estaria por traz dessa nova onda.

É interessante o desafio que eu enfrento no dia a dia da minha atividade de focar, prioritariamente, na retomada da economia mundial.  Eu confesso a dificuldade de apostar na recuperação da economia internacional, em um prazo pré-determinado, como acontecia em recessões anteriores.

Dessa vez, a recessão da pandemia mostra uma contração de natureza diferente.   A ponte entre o desempenho da economia e a incerteza frente à pandemia parece levar ao analista a conviver com um processo de stop and go.

Não bastassem a nova variante, a B.1,526, e a nova onda, a quarta mundial, Osterholm afirmou que no próximo mês a desaceleração dos casos de coronavírus sofrerá uma freada.  A seguir, mais infecções e mais óbitos. 

Um cenário um tanto além dos acontecimentos de janeiro.  O por que desse diagnóstico?  Porque a cepa britânica internaliza um poder de contágio entre 30% e 70% do que se conhecia ate então. 

Fui ao Google em busca de informações sobre Michael Thomas Osterholm.  Ele é um epidemiologista de 67 anos e diretor do Centro de Pesquisas de Doenças Infecciosas e Política na Universidade de Minnesota.  Um professor e profissional reconhecido nos EUA.

Joe Biden foi eleito em 07 de novembro de 2020.  Dois dias depois, em 09 de novembro do ano passado, Michael Thomas Osterholm foi designado membro do conselho do presidente para fins doa Covid19.  Daí o impacto do que disse o especialista em entrevista coletiva.   As suas opiniões estarão junto à Casa Branca nos próximos meses.  

Para encerrar.  Eu gostaria demais que a recessão mundial de 2020 tivesse um comportamento convergente com aquelas recessões anteriores que eu trabalhava em sala de aula.  Dessa vez, tudo parece ser diferente.  Há uma guerra contra um inimigo invisível. Isso posto, não me cabe outra opção que prosseguir as minhas análises de “mãos dadas” com uma incerteza crescente. 

Boa tarde, leitor do blog! 

Em tempo:  eu vou dar uma folga no blog para assistir os jogos dessa noite que darão por encerrado o campeonato brasileiro de 2020.   A disputa entre Flamengo e Internacional sinaliza a pujança do futebol gaúcho nesse momento em que a disputa se dá com estádios vazios.  É uma pena que seja assim.  Fazer o quê? 

FOTO ABAIXO:  A DECISAO DO BRASILEIRÃO DA SÉRIE A ACONTECE, À NOITE, NO BEIRA RIO

A decisão do Brasileirão 2020 acontece essa noite, simultaneamente, com os resultados das partidas que serão disputadas no Estádio do Morumbi. em São Paulo, e no Estádio do Beira Rio, em Porto Alegre.

Na foto abaixo eu estou como convidado do meu irmão José Luiz Coitinho Fraquelli, ao centro, e do meu sobrinho José Luiz Peres Fraquelli, eles colorados e eu gremista, numa partida disputada, no estádio Beira-Rio, pelo Internacional contra o  Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, no ano de 2019 ou 2020.  

Irmão e sobrinho devem estar com os nervos à flor da pele.  A derrota do colorado frente ao Sport Recife, em Porto Alegre. foi um baque para as pretensões coloradas.   Se tivesse vencido aquele jogo certamente que nessa noite seria o campeão brasileiro de 2020 da série A.

Desde então, as possibilidades de comemorar o campeonato oscilou entre Flamengo e Internacional.  Hoje, é a noite da verdade.  O futebol gaúcho está de parabéns por estar na final de mais um titulo brasileiro.  Agora só resta torcer! 

O INTRINCADO PROCESSO EM CURSO NA PRÉ NORMALIZAÇÃO DA ECONOMIA NORTE AMERICANA

Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 24.02.2021, 18:10, 22 graus C, 50 % de umidade

Post 01.09.49

01 Internacional, 09 Estados Unidos, 49 número de ordem do post 

Os Estados Unidos vivenciam um dilema sem precedentes.   O FED tem focado as suas atividades na estabilidade da economia e na busca do pleno emprego.   É pouco?  Não, não é pouco.  Todavia está se formando a convicção que não é o suficiente para retirar o país da crise.

Então, é preciso mais? Pois é, as dúvidas começam a partir daí.  É preciso focar na desigualdade de renda e na preservação do clima?  Certamente que sim, contudo é possível priorizar os quatro objetivos ao mesmo tempo?  Bem, essa é a dúvida à medida que Joe Biden aposta forte no seu pacote de estímulos à economia. 

Para tanto, ele parece estar plenamente convicto que ele também precisa do apoio da população.  Todavia, o que todos esperam e pressionam é que ele faça mais do que está propondo.  E, assim, a polêmica está criada.  Daí, à polarização é um passo.

Nesse interim, todos convivemos com a euforia nos mercados.  A pandemia pouco afeta o investidor.  Ela bate mais em baixo, na parcela da população que tem renda baixa.  Parte da população brinda o avanço tecnológico; os mais fracos se ressentem da mesa vazia.  É a pandemia que se propaga em meio aos que comemoram a vacinação e os que temem as novas cepas. 

Fora isso, os norte-americanos estão divididos entre fazer e fazer melhor.  Entre fazer e fazer mais.  Esse fazer mais implica atender a mulher que se viu obrigada a abrir mão emprego para cuidar das crianças, compensar dentro do possível a perda de um ano de aulas por parte dos estudantes e buscar uma forma de dar sentido à vida daqueles que não podem ficar ao abrigo do confinamento, do lockdown. 

… 

A situação das parcela mais pobres, que não tem os meios para permanecer ao abrigo de um teto confortável e com comida na dispensa, é o desafio maior dos governantes.  Essa parcela se ve obrigada a ir às ruas em busca de sustento para os filhos, e esse é o desafio mais evidente que Joe Biden tem se mostrado sensível a compreender.

É danada essa conjuntura sob a pandemia!  O lockdown é preciso, é necessário, mas não é suficiente porque há as necessidades da população carente.  Em dezembro passado, o desemprego das mulheres foi muito superior ao dos homens.  

Nesse contexto é preciso recorrer aos estímulos para os negócios se manterem, o auxílio aos trabalhadores para que sobrevivam, sem desconsiderar a constatação de Jerome Powell que não ira alterar o rumo da política monetária enquanto a economia não reaja. 

Powell, disse mais.  Ele reafirmou perante o Comitês de Serviços Financeiros da Câmara dos Representantes que o FED busca a volta da economia ao pleno emprego, sem priorizar a inflação.  Ele está crente que o IPC em 2,0%, ou abaixo do mesmo, será exequível até 2023.  

…     

Para concluir,  vale lembrar que nesse intrincado processo em curso nos Estados Unidos, Jerome Powell procura passar a mensagem que não lhe cabe antecipar melhoras e nem convergir para ações prematuras no mercado de títulos.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: O PALÁCIO PIRATINI

Há mais de 45 anos que eu passo diariamente na frente do Palácio Piratini.   Mesmo antes de vir morar em Porto Alegre, em setembro de 1973, eu tinha presente a mesma imagem devido a tudo que aconteceu na política gaúcha e nos grandes eventos nacionais. 

Eu lembro da época de estudante e do movimento da Legalidade.  Eu estive em Brasília quando da implementação do parlamentarismo e tudo o que envolveu a política local.  Mais tarde o período autoritário, a transição e a anistia, tudo levou a uma presença da política gaúcha em todos esses eventos importantes da história do país.

Eu cheguei ao governo ainda na gestão Euclides Triches.  De lá para cá, do primeiro governo Guazzelli até à gestão Tarso Genro, quando me aposentei, eu convivi com tudo o que havia de presença da esfera pública na economia do Rio Grande do Sul.

Nesse momento, eu lembro quantas vezes eu frequentei o Palácio Piratini à época de elaboração de Programas de Governo.  A cada quatro anos era preciso elaborar diagnostico sobre o comportamento da economia estadual e definir objetivos e metas a alcançar até o fim de mais uma gestão.  

Ao fim de cada ano era necessário participar da redação das Mensagens do Governador à Assembleia Legislativa, uma espécie de prestação de contas das realizações alcançadas ao longo do exercício.  

Além disso, havia uma série de atividades voltadas ao Orçamento estadual.  Tudo passava por inter relacionamentos com as posições definidas junto ao Piratini.  Era preciso formalizar o Plano Plurianual e, posteriormente, os Orçamentos Anuais.

Eu trabalhei um período do governo no Piratini.  Isso aconteceu na gestão do governador Alceu Collares quando eu tive a honra de participar como seu assessor durante o início dos anos 90.

Eu gravei em minha videoteca muitos eventos que os canais locais de televisão transmitiram diretamente do Palácio.  As vezes quando eu passo à frente do Piratini, vazio, à noite, eu lembro quanto do desempenho da economia regional se deve a decisões tomadas por autoridades naquele local.  Certamente uma ideia que poderia ser desenvolvida por algum profissional em tempo oportuno!

PETRÓLEO, PAISES PRODUTORES, COMPORTAMENTO DOS PREÇOS DO BARRIL E PERSPECTIVAS DE CURTO PRAZO PARA O SETOR,

Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 23.02.2021, 12:10, 33 graus C, 51 % de umidade

Post 01.02.10

01 Internacional, 02 Petróleo, 10 número de ordem do post 

Inicialmente, a pandemia derrubou o desempenho da atividade econômica mundial e os preços do barril do petróleo.   

Eu lembro de ter redigido um post no dia 27 de agosto de 2020, em que eu fazia referencia ao fato que no dia 20 de abril de 2020 o preço do barril do petróleo havia chegado ao patamar negativo.  É isso mesmo.  A cotação do WTI chegou a  – US$ 37,6.   O preço tinha despencado -306%.

O Brent também também registrou queda, mas foi muito menor, apenas -8,94%.  Mesmo assim, a cotação se manteve no terreno positivo, em US$ 25,57.

Posteriormente, no dia 15 de setembro de 2020, eu fiz uma nova análise do comportamento dos preços da commodity.   Naquela oportunidade, eu escrevi que a OPEP trabalhava com o PIB mundial recuando -4,1% em 2020 e voltando a crescer 4,7% em 2021.

Nesse cenário, eu escrevi mais, que a demanda global de petróleo que tinha alcançado o patamar de 99,69 milhões de barris diários (2019), recuaria a 90,23 mb/d (2020), com queda de -9,49% e mostraria recuperação com a demanda em 96,86 mb/d (2021), implicando incremento de 8,28%.   Finalmente, a oferta global em agosto foi de 89,88 milhões de barris diários.

… loja virtual

Posteriormente, surgiu a vacina como uma solução concreta para o fim da pandemia.   A conjuntura passou a mudar.  A simples perspectiva da criação de uma vacina fez com que as bolsas passassem a antecipar a retomada da economia.  Eu escrevi um post sobre o comportamento dos mercados, incluindo os preços do barril do petróleo.    

Agora, fevereiro de 2021, a conjuntura é outra.  Há um intenso debate entre os países produtores sobre a oferta global de petróleo.  Os sauditas são de opinião que é preciso deixar tudo como esta.   Os russos tem posição diferente.   O governo de Moscou é favorável ao aumento da produção. 

Os Estados Unidos, tomados pela neve, estão imersos nos problemas do clima que afeta o Hemisfério Norte.  O Irã está focado, prioritariamente, nas sanções às suas exportações.   

A presença de Joe Biden na Casa Branca pode representar alguma mudança no mercado do Ouro Negro.   Parece-me que a discussão ainda está em processo de maturação, mesmo quando eu penso na OPEP +

Eu tenho procurado ler a posição das empresas sobre o que vem por aí.  No dia 11 de fevereiro eu li um artigo no New York Times em que o texto estava voltado para a produção da Shell. 

No texto há uma informação que destaca o fato de a produção de petróleo ter atingido um pico.  Ela deverá cair na base de um a dois por cento, anualmente, fruto do objetivo de migrar para um perfil com maior participação de energia verde.  

No momento em que eu estou redigindo esse post o preço do barril de petróleo do tipo Brent é de US$ 65,97 um incremento de Us$ 1,49, correspondendo uma valorização de 2,31%.  É uma fotografia do mercado do petróleo nesse preciso momento.  Os números mostram um incremento de 14,05% em um ano.

Paralelamente, o preço do barril do petróleo do tipo WTI está cotado em US$ 62,88, uma variação de 1,96%, ou seja, um incremento de 19,13% em um ano.

Para encerrar, a precificação da retomada prossegue na economia norte-americana,   Sobem as cotações das ações e o preço do barril do petróleo também acompanha o novo cenário.   O pacote de Joe Biden e as novas vacinas dão suporte ao otimismo vigente.  No caso do petróleo há os problemas do Oriente Médio e há diminuição na oferta de curtíssimo prazo.

Eu percebo que as projeções no mercado do petróleo já trabalham com avanço de US$ 10 a mais nas cotações atuais.  Outrossim eu constato que já informações sinalizando o barril do petróleo naquele patamar de 2014, ou seja, cotação de US$ 100.   Eu penso que esses números estão distantes da realidade, mas, ao mesmo tempo, eu também tenho que considerar que eu nunca presenciei uma retomada da economia após uma pandemia.

A conferir!  Eu não posso desconsiderar também que a retomada chinesa antecedeu o desempenho das demais economias e que a força da sua recuperação é de maior intensidade que a dos seus pares.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  BIBLIOTECA PÚBLICA DE PORTO ALEGRE

A história da biblioteca pública do Estado retrocede ao ano de 1871, época da sua criação.  Ela está instalada no local atual desde 1911.  Trata-se de um ponto de referência para o estudo da história e da cultura do Rio Grande do sul.

Na minha vida de estudante eu lembro de fazer pesquisas na biblioteca Rui Barbosa, em Sant’Ana, minha cidade natal.  Ela está localizada na Rua Sete de Setembro, número 724, no centro da cidade.  Somos contemporâneos.  Ela foi criada em 26 de fevereiro de 1943 e eu nasci em 31 de agosto de 1944.

Hoje a biblioteca da minha terra sofre a concorrência do Google e se ressente de problemas de infiltrações, mas em 1961-62, aa minhas aulas teóricas do curso de Piloto Privado, o brevê, eram realizadas sempre à noite no prédio da rua Sete de Setembro.

Nós éramos alguns manicacas que também fazíamos parte da primeira turma do Curso Científico do Colégio Estadual. As disciplinas implicavam muito estudo.  Era preciso estudar Aerodinâmica, Meteorologia, Navegação e Motores. Eu lembro que Aerodinâmica era física pura.   A gente estudava física, à tarde, no Colégio  Estadual com o Professor Guilherme Bassedas Costa e à noite, no curso do Brevê na Biblioteca da cidade. 

Quando eu cheguei em Porto Alegre, em 04 de setembro de 1973, vindo de Santa Maria, eu estudava no prédio em destaque da fotografia abaixo.  Eu era professor na UFSM e me transferi para Porto Alegre para trabalhar na Secretaria de Coordenação e Planejamento, cujo titular era o Professor Carlos Veríssimo do Amaral, que seria meu colega na UFRGS. 

Eu guardo muitas boas lembranças do meu local de estudo.   Eu aprendi a valorizar demais o trabalho do biblioteconomista na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.  Tão logo eu conclui a  primeira entrevista com o meu orientador, o Professor Aníbal Cavaco, eu fui encaminhado ao titular da biblioteca da Instituição.

Naquela oportunidade, eu passei a compreender melhor sobre o trabalho do profissional do setor.  Eles contribuíam decisivamente para os meus estudos, eles monitoravam o avanço do meu trabalho e a minha interação com os obras passou a conviver em um novo upgrade. 

Eu estive na biblioteca de Porto Alegre, poucos dias antes do início da pandemia.   Fui muito bem atendido.  Recebi todas as informações que eu procurava.  Em suma, cada vez que passo na esquina da Rua Riachuelo com a Ladeira eu sinto muito orgulho de contar com uma instituição de tamanha importância a serviço da população gaúcha. 

INCUBADORA HERA, RUMO À CRIAÇÃO DE MAIS UMA AGÊNCIA EUROPEIA

Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 22.02.2021, 12:10, 33 graus C, 51 % de umidade

Post 01.03.30

01 Internacional, 03 União Europeia, 30 número de ordem do post 

A pandemia não sai do radar das autoridades europeias.  A cada dia que começa eu acesso os principais fontes do Velho Continente e percebo uma série de eventos voltados à gestão da logística do processo de vacinação.

Hoje eu assisti uma entrevista coletiva de Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, em que ela falou da incubadora Hera, um programa publico privado a ser lançado e que estará voltado para as mutações do coronavírus.  Ele agregará os esforços de autoridades, cientistas e laboratórios, contando com recursos expressivos da União Europeia.

Ao fundo de onde se encontrava Ursula e duas outras autoridades havia um painel que fazia referência à Hera como uma inciativa de preparar o Continente para conviver com as mutações da covid19.  Na verdade a ideia é fazer com que os 27 países convirjam para essa iniciativa conjunta.

O leitor que desejar obter maiores detalhes sobre a nova agência, a Autoridade de Preparação e Resposta à Emergências de Saúde, deve acessar o site diretamente no endereço eletrônico  

file:///C:/Users/User/Downloads/Preparing_Europe_for_COVID-19_variants_-_HERA_incubator.pdf.pdf

Segundo as palavras da presidente da Comissão Europeia a Hera pretende detectar novas variantes da coronavírus, realizar ensaios clínicos e construir novas vacinas no período mais breve possível.   Em suma, a agência será uma arma de bio-defesa da sociedade europeia frente à virulência do coronavírus.

Ursula foi ao ponto ao dizer que é preciso reunir todas as forças para se antecipar às novas cepas da covid19.  É fundamental detectar as novas fases do vírus durante todo o processo para viabilizar uma produção massiva de vacinas.

Ao fim e ao cabo, o que parece é que as autoridades estão pensando em uma segunda versão da vacina, ou melhor, em produzir uma vacina de segunda geração.  Aí o remédio baterá de frente contra a covid19, via vacina de primeira geração, e no acumulado contra as variantes da cepa, no medicamento de segunda geração.

Embora fora da União Europeia, desde o BREXIT, o Reino Unido entrou de alguma forma no processo em curso liderado pelo governo de Bruxelas.   Artistas e cantores estão participando de um processo de conscientização dos telespectadores de que é preciso ser vacinado para impor um freio à pandemia.   

Para todos aqueles que imaginavam que 2020 seria o ano da pandemia e que 2021 seria coroado com a vacinação, tudo parece ser um ledo engano.  Nos primeiros dias desse ano surgiu o problema da logística da vacinação, depois eclodiram as variantes – britânica, amazônica e sul-africana – onde se analisava a rapidez do contágio e a letalidade do vírus, agora, parece que houve um upgrade em tudo o que envolvia a covid19, a atomização do processo propriamente dito.

Vou ficar atento ao que está acontecendo na Europa.   No noticiários vindos dos Estados Unidos a televisão norte-americana parece estar dando a guerra como vencida.  Não é o que eu percebo nas informações vindas do Velho Continente, pois a guerra parece ser um novo embate bélico que está recém no início.  Será isso?

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: A ANTIGA FÁBRICA DA BRAHMA, UMA OBRA DE 1911

Hoje, o complexo todo, se chama Shopping Total, um complexo formado lojas, serviços e gastronomia, inaugurado no bairro em 29 de maio de 2003.  Antes da pandemia eu visitava o local com alguma frequência.  Eu acompanhava a turma, procurava uma poltrona para esperar e carregava sempre um livro comigo.     

Um dia eu fui à Praça de Alimentação e percebi que havia uma grande quantidade de lojas no local.  Havia lojas de calçados, eletrônicos, brinquedos, esportes, moda, ótica, papelaria, e muitas outras mais.   Não sei se os demais shoppings da capital são tão diversificados como o Total.

Na verdade quando eu visitava o local eu lembrava sempre o meu tempo de professor.  No passado, aquele local representou os momentos iniciais das cervejarias na capital gaúcha.   

A beleza das fachadas presentes ao local é decorrência da originalidade do projeto de um arquiteto e engenheiro de nome Theodor Alexander Josef Wiederspahn, nascido em Wesbaden, na Alemanha, em 19 de fevereiro de 1878, naturalizado brasileiro e falecido com a idade de 74 anos, em Porto Alegre, em 12 de novembro de 1952.

Certa feita, quando eu era professor do curso de Pós Graduação em Administração da UFRGS, isso em meados dos anos 80, eu fui convidado para realizar uma palestra sobre cenários econômicos.

Foi a etapa mais difícil da economia brasileira.  Havia superinflação, choques econômicos, trocas de moedas, fuga de capitais e o calote externo do presidente Sarney que, em conjunto, levou o país a conviver com a inesquecível década perdida.

Argentina e Brasil vivam o efeito Orloff.  Eu recordo que eu vivia com demandas da imprensa local e da de Buenos Aires para analisar quem tinha alguma possibilidade de superar tamanha instabilidade econômica. 

Todas essas participações em emissoras locais e na BBC, Rádio Suíça Internacional e estações de países vizinhos – vídeos, fitas, dvds e matérias de jornais e de revistas – eu guardo com muito carinho em minha videoteca.  À essa altura e na gincana para os ’77 eu preciso definir o destino de tanto material.  

Pois na época da minha palestra, eu fui convidado a conhecer todas as instalações da Cervejaria Brama.  Tudo era muito amplo, as máquinas tinham um colorido todo especial, o produto dentro dos equipamentos, parece que foi ontem que visitei a fábrica.

Quando eu bati a foto abaixo, com destaque para a torre de 86 metros, o movimento era limitado.  A pandemia realizava a sua primeira incursão sobre Porto Alegre.  O ambiente estava relativamente vazio.  Jamais eu imaginaria que um ano depois tudo ficaria como “dantes na terra de Abrantes…”

 

BEM-VINDO AO PASSADO DA CONVIVÊNCIA COM A INFLAÇÃO!

Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 21.02.2021, 12:10, 31 graus C, 47 % de umidade, sem chuva e muito calor no Maracanã

Post 02.01.25

02 Brasil, 01 Conjuntura, 25 número de ordem do post 

O Brasil voltou ao foco da mídia internacional com a decisão do Presidente Jair Bolsonaro de intervir na Petrobras.  O fato aconteceu em meio a um tumulto menor que assumiu proporção maior.  Um deputado federal disse impropriedades inimagináveis e foi parar na prisão. Liberdade de expressão de dizer o que disse?

Parece ter havia uma sincronia não programada entre as palavras do deputado federal e as ações do Presidente da República.  O mal menor foi jogado para a imprensa e o mal maior caiu no colo do brasileiro.  Todos se engajaram no impasse entre o STF e o deputado enquanto o Brasil deu as boas-vindas à volta da inflação.

Não foi por falta de alerta que o Brasil perdeu seis anos consecutivos em crise sistemática.  Não houve um programa de estabilização, o presidente acreditou num posto de combustível, a valorização das bolsas internacionais empurrou os resultados locais e a polarização desviou a atenção do tamanho do furo. 

De repente, não mais do que de repente a inflação voltou.  Os caminhoneiros a antecederam.  Os militares fizeram advertências.  O vice presidente ocupou a única folga do mandato para uma consulta ao oftalmologista.  O Centrão ocupou o seu posto em cima da hora.   As lideranças no Congresso foram substituídas no momento aprazado.  O Supremo estava unido atento a uma questão menor.    Os ministros da ala da boiada se recolheram.   Foi um cenário interessante.  Todos estavam atentos em um ponto e não perceberam que o dragão estava de volta.

Depois do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ter registrado incremento de 4,31% (2019) o avanço do índice de preços chegou a 4,52% (2020).  Nos últimos meses, o IPCA evidenciou crescimento de 0,89% (novembro) e 1,35% (dezembro).

Na quinta-feira a FGV divulgou dados mostrando que o incremento da inflação da gasolina deixou os analistas impactados porque mais do que duplicou no IGP-M de fevereiro, tudo porque o incremento dos combustíveis registrou incrementos de 1,67% (janeiro) e 3,65% (fevereiro).

As metas da inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional projetam IPCA de 3,75% (2021), 3,5% (2022) e 3,25% (2023).  O IPCA do ano passado foi de 4,52%.  A inflação de dezembro (1,35%) foi a maior desde fevereiro de 2003 (1,57%). 

Vinte quatro meses sem um programa de governo, restou a Jair Bolsonaro agir sobre o termômetro.  Ele sinalizou a substituição do presidente da Petrobrás.  Os preços dos combustíveis assumiram um protagonismo inusitado. 

Nesse contexto, só me resta lembrar ao leitor que o país voltou ao passado.  Em termos de inflação ninguém a conhece tão bem como o brasileiro.

FOTO ABAIXO: O CAMINHO DO LIXO

Sempre que eu ia ao supermercado antes da pandemia e retornava com as compras para o meu apartamento eu contabilizava, em média, dez sacos plásticos no porta malas do meu carro.   

À medida que os dias iam passando, os dez sacos iam armazenando o lixo devidamente classificado conforme as normas do condomínio.  Ao fim do dia eles seguiam para a lixeira do prédio e dali para a lixeira pública da esquina.

Até onde eu sei, a partir da esquina o lixo segue para a Estação de Transbordo de Porto Alegre.  Devidamente pesado ele segue em carretas para o aterro em Minas do Leão.

Em suma, o saco plástico em que eu transportei o pão do supermercado para a mesa do jantar foi parar em outra cidade a 113 quilômetros da capital gaúcha. 

Fui a Wikipédia e li que o Brasil ocupa o quarto lugar no ranking mundial dos países que mais produzem mais lixo.  Vi também que mantemos lixo a céu aberto em três mil cidades.
Ora crescimento econômico implica mais consumo.  Na sequência, mais lixo.   Em São Paulo, cada pessoa produz até um quilo de lixo por dia.  São caminhões e mais caminhões num fila sem fim rumo ao ponto de destino.   
Nesse mundo com tantos desequilíbrios é preciso estar atento às decisões das autoridades quanto a fixação do caminho do lixo.  Até a revolução tecnológica, que forneceu equipamentos fantásticos à população, tem produzido lixo de qualidade específica.    Na verdade, é preciso estar atento a tudo, da seleção do lixo dentro de casa ao chorume acumulado nas lixeiras. 
Eu tenho lido sobre o que está acontecendo em países da Ásia.  São verdadeiras cadeias de montanhas gigantescas acumulando lixo a céu aberto.  Eu imagino as dificuldades locais para encontrar uma saída racional ao que está acontecendo naquele mar de lixo em um prazo exequível.

EM SEU RETORNO AO MULTILATERALISMO, JOE BIDEN REALIZA PRONUNCIAMETOS NO G7 E NA CONFERÊNCIA DE SEGURANCA EM MUNIQUE

Professor aposentado da UFRGS (1967-97), disciplina Cenários Econômicos, 76 anos, e economista da FEE  (1973-2012)meuip

Porto Alegre, 20.02.2021, 12:10, 33 graus C, 47 % de umidade 

Post 01.09.48

01 Internacional 09 Estados Unidos 48 número de ordem do post

Joe Biden falou ontem no encontro do G7 realizado sob a presidência de Boris Johnson, primeiro ministro do Reino Unido.  O presidente norte-americano esteve presente no evento com a ideia de liderar as parcerias globais advindas do governo Obama.   E essa articulação funcionou com muita propriedade quando o tema esteve relacionado à covid19.

… 

Boris Johnson propôs um plano restrito à necessidade formalizar um sistema de alerta da pandemia, uma rede de pesquisa, um aumento na capacidade de produção de vacinas, um acordo de  protocolos e uma queda de restrições comerciais.  Enxuto, mas aparentemente preciso.

 

Todos os sete países se dispuseram a avançar na cooperação junto à OMS.   Essa iniciativa implicou o G7 em produzir vacinas e adequar a logística do processo à obtenção de um produto adequado à imunização da população mundial, inclusive frente às novas cepas.

No encontro mundial de Segurança em Munique, Joe Biden reafirmou que o país estava de volta à aliança transcontinental. 

Enfatizou a importância de Aliança Transatlântica para retomar o elo com as nações europeias e criticou a atitude chinesa com relação à economia global e o comportamento russo minando as bases da democracia internacional.

Eu acredito que Joe Biden não perdeu tempo e utilizou os dois eventos dessa sexta feira para tentar recuperar o tempo perdido pelos Estados Unidos durante a Gestão Trump.  Eu confesso que torço por algum sucesso do presidente democrata porque a economia mundial só sai do fundo do poço se o governo de Washington voltar aos trilhos.

Eu acredito que Biden somou pontos quanto mostrou todo o empenho para contribuir com o esforço global em superar a crise sanitária.  Por outro lado eu até lamento porque eu creio que ele chegou um pouco tarde para retomar as antigas parcerias. 

O estrago realizado por Trump levou a Europa a se aproximar e fechar acordo com as nações que estavam disponíveis, inclusive China e Rússia.   O mundo era um quando Joe Biden era vice presidente e o mundo é outro quando Joe Biden se tornou presidente.  Não há como o tempo voltar atrás!

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: LEMBRANÇA DE UM ANTIGO RESTAURANTE ITALIANO

A primeira foto é da Esquina Democrática, o point de Porto Alegre.    É o local onde muitos grupos de pessoas se reúnem para jogarem conversas fora.   Eu creio que é o local que eu mais bati fotografias em toda a minha vida.  Isso não aconteceu porque eu assim o desejasse, mas porque as circunstâncias me levaram a tornar o local como o meu ponto preferido.

Ali sempre há muita gente em trânsito, mas há muitas pessoas que quando eu preparo a foto eu vejo que são as mesmas do dia anterior, da semana anterior e do ano anterior.   Eu desconfio que muitos batem ponto naquela esquina.

Quando eu era menino em Sant’Ana, na esquina da Ferragem Braga, na rua dos Andradas em frente ao prédio do antigo Banco do Comércio, havia um grupo de senhores que se reuniam todas as noites.  Era o Clube dos 21.  Eu passava na esquina e era uma velharia de terno, gravata e chapéu, conversando e pondo os assuntos em dia.  Eu recordo também que algumas vezes ter ouvido o meu pai dizer à minha mãe que ia para o clube.  

Eu não sei se é um clube, mas eu tenho a convicção que os subgrupos distribuídos pela Esquina Democrática estão ali ha muitos anos.   

Contudo, eu trouxe a imagem acima porque eu quero falar daquele prédio onde está, atualmente, a Farmácia São João. Veja, o leitor que à frente da farmácia há uma banca de revistas.  Ali eu comprava, durante muitos anos, os jornais do centro do país e a revista Conjuntura Econômica da FGV até antes da pandemia

Pois, em frente à banca de revistas e passando a Farmácia São João, pela avenida Borges de Medeiros, havia um restaurante italiano nos anos 60 que eu considerava o máximo em termos de gastronomia.  

O cliente entrava pelo lado da Borges de Medeiros e saia do outro lado, na galeria, na rua 24 horas.  Na verdade o restaurante tinha duas frentes comerciais.

Algumas pessoas idosas de avental branco atendiam o local.  Elas não me pareciam garçons.  Pelo contrário eu sentia que conversava diretamente com os proprietários. 

Eu podia ver as panelas gigantes com a massa no fogo quando chegava ao local.  O molho servido era de um vermelho transcendental. Eu fui ficando tão ligado ao local que os senhores que atendiam já me chamavam pelo nome. E eu creio que era assim com todos os clientes que se tornavam cativos daquele restaurante.

Na segunda foto é possível ter uma ideia mais precisa do antigo local ocupado pelo restaurante.    Ele ficava localizado subindo a avenida Borges de Medeiros, passando a Farmácia São João. 

Fiz um esforço danado, mas a minha memória não conseguiu recuperar o nome do restaurante.  As proximidades dos ’77 parece estar tornando tudo mais difícil para mim.  Alguém lembra do nome desse paraíso gastronômico?