ECONOMIA DO PETRÓLEO, post 64, 18.02.2020, um primeiro bimestre do ano no mercado e da empresa de petróleo

Porto Alegre, 18 de fevereiro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 26 graus, não chove na quarta-feira

O mercado do petróleo convive com a incerteza na China, a segunda maior economia do planeta.  Já refletia o ambiente da desaceleração global, agora o coronavírus bateu de frente com desempenho das economias da Ásia e com o mercado de commodities.

A empresa brasileira de petróleo convive com a incerteza inerente a uma economia nacional que parece ter parado no tempo.  Já refletia o ambiente de estagnação, agora a definição empresarial bateu de frente com o nível de ociosidade da economia.

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Em janeiro, o mercado do petróleo se ressentiu do ataque  à delegação do general iraniano Qasem Soleiman iraniano, no dia 03 de janeiro próximo passado, em território do Iraque, por parte das forças norte americanas.  E a cotação do barril voltou a apresentar volatilidade quando, no dia 08 de janeiro, quando os misseis iranianos atacaram os militares dos Estados Unidos que se encontravam em bases do Iraque.   

Outro fator de instabilidade no mercado está associado à Líbia, um pais que detém presença entre as top ten em reservas de petróleo e, ocupa, atualmente a décima posição no ranking mundial.  O Marechal Khalifa Hafftar, 76 anos, dirige as forças do Exercito Nacional contra o governo instalado em Tripoli e reconhecido pelas Nações Unidas.  Ele não demonstra o menor sinal de buscar sintonia com a comunidade internacional e o país continua como um foco de instabilidade setorial

Com relação ao destino do futuro do petróleo líbio, há incerteza se Hafftar se aproximará ainda mais, e poderá, eventualmente, se submeter a alguma influência dos governos de Moscou ou do Cairo.

Em fevereiro, o mercado do petróleo conviveu com todo um ambiente focado na reunião da OPEP, realizada na cidade do México no dia 05, e  voltada para definir o corte na produção da commoditie.  Sauditas, a favor do corte, frente aos russos, oponentes a uma redução na oferta, não chegaram a um acordo e a decisão permaneceu em standby.  Essa reunião denominada Painel OPEP + inclui a Rússia e os países aliados ao bloco.

No dia seguinte, a Rússia flexibilizou a sua posição porque o embaixador Sergei Lavrov informou que Vladimir Putin tinha concordado com um corte provisório de 600 mil barris diários na produção face à desaceleração da economia global.

O coronavírus também entrou na agenda dos países produtores de petróleo.   O príncipe saudita Salman Abin Abdulaziz tratou do impacto do problema surgido em Wuhan, cidade chinesa de 11 milhões de habitantes, com o presidente russo Vladimir Putin.  Foi esse contato que viabilizou a redução de 600 mil bpd negociada na capital mexicana. 

Ao contrário dos investidores internacionais que seguem apostando na bolsa e evidenciando novos recordes, independentemente dos desdobramentos do que acontece em Wuhan, os produtores e os investidores no mercado do petróleo estão atentos ao relatos sistemáticos produzidos pela Organização Mundial da Sáude (OMS) que quase que diariamente atualiza o que aconteceu com a pneumonia que travou parte da economia da China.  

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À essa altura do post eu migro do mercado do petróleo para o contexto da Petrobras, que tem o seu foco na exploração e produção do ouro negro e do gás natural.

Eu assisti nesse fim de semana a entrevista de Roberto Castello Branco, presidente da Petrobrás, à jornalista Miriam Leitão do canal Globo News. 

A jornalista pautou a entrevista no seu início ao afirmar que desejava saber qual era o futuro da Petrobras.  Por alguma razão o conteúdo partiu para a greve dos petroleiros. 

Eu assisti três vezes a mesma entrevista.   Desliguei os vídeo e parti para elaborar a segunda parte desse post que trata especificamente do presidente da estatal e da respectiva empresa dentro da matéria que eu assisti na televisão.

Castello Branco disse que as atividades da empresa não sofreram nenhuma limitação até aqui porque há uma equipe de contingência para atender as necessidades correntes.   Ao mesmo tempo, afirmou que esperava que a greve tivesse curta duração para não sobrecarregar, em demasia, esses trabalhadores que suprem as atividades dos grevistas.

Eu sempre visualizo a Petrobrás juntamente com a economia brasileira.   Pareceu-me que essa não é a percepção do entrevistado.  Eu sempre mantive a empresa colada no preço do combustível e na inflação, afinal muitas das nossas crises foram associadas à super-inflação, ao risco de uma hiperinflação e a possibilidade de uma crise que levasse o país à perda do padrão monetário nacional. 

Castello Branco me pareceu um tanto distante, ou por uma ou outra razão não quis tratar do link entre a empresa e a gestão da economia brasileira.  Quando indagado sobre o episódio do presidente ter lançado desafio aos governadores para o corte de impostos, Castello respondeu algo como que ele deveria se preocupar exclusivamente com a empresa e que a política econômica era de responsabilidade de autoridades designadas para a implementação das mesmas.

Indagado se o futuro da Petrobras implicaria privatização da companhia, o presidente disse que ele não tinha poderes para levar adiante uma meta dessa alçada.    Qualquer iniciativa dessa natureza cabia, exclusivamente, ao Congresso Nacional.

Quando a jornalista indagou ao entrevistado sobre o nível de participação do governo no capital da empresa, Castello Branco disse que o Estado Brasileiro tinha, atualmente, 50,3% do capital da Petrobras.  

Eu confesso que faço um esforço para lembrar o conteúdo do programa.  Quando questionado sobre as vendas de ativos que a empresa vem realizando, o presidente disse que o objetivo da empresa está voltado para a extração e produção do petróleo, ou seja, para o pré-sal.

A empresa está entre aquelas mais endividadas no setor do petróleo.  Os ativos que vem sendo ofertados pela empresa ao mercado porque eles não asseguram um rendimento maior do que os investimentos no pré-sal.

Outra indagação que me chamou a atenção foi quando Miriam Leitão perguntou sobre as tubulações, ou melhor, sobre os dutos que eram utilizados para o transporte do petróleo.   Não seria uma atividade vinculada à natureza da produção.  O serviço poderia ser prestado por terceiros. 

O entrevistado falou em rendimento de 6% a 7% que era o resultado obtido nos dutos enquanto que o pré-sal rende algo em torno de 15%.

Com relação aos leilões realizado e com pouca presença de investidores dispostos a participar do evento, Miriam perguntou o porquê dos resultados alcançados.  Castello disse que a Petrobrás venceu em quatro participações e destacou o arremate do campo de Búzios por parte da empresa.

Eu creio que os parágrafos acima resumem o que eu assimilei da entrevista do fim de semana.  Oportunamente eu volto ao assunto, seja no que diz respeito ao mercado do petróleo, seja no que se refere às atividades daquela que está, na minha percepção, entre os mais importantes empreendimentos do Brasil.

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Boa noite, leitor do blog!.  

FOTO ABAIXO:  Rua da Praia, Centro de Porto Alegre, movimento intenso do lado da sombra, fevereiro 2020

 

CENÁRIO ECONÔMICO o que vem por aí, post 36, 17.02.2020, incerteza aqui e acolá

Porto Alegre, 17 de fevereiro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12h10, 32graus, chuva à tardinha

A pauta está lotada.  A cada dia que passa eu estou atento ao comportamento das principais bolsas internacionais.  Os investidores continuam apostando forte em maiores rendimentos. 

A cada dia que passa eu estou atento às principais instituições multilaterais. Os analistas continuam monitorando ininterruptamente a desaceleração global.  A pauta está lotada.

Eu não lembro de ter acompanhado uma conjuntura internacional nos últimos 50 anos com tantas adversidades como aquela que eu tenho à minha frente nesse verão. 

Ao mesmo tempo, eu também não lembro de conviver há muitos anos com uma crise interna onde o país não retoma o crescimento e o governo prossegue imerso em um receituário de reformas que vão produzir efeitos em dez anos. 

É lamentável que seja assim.   

A economia norte-americana do pleno emprego que deveria estar comemorando uma fase inédita de desempenho se vê obrigada a estar acompanhada pela incerteza, tal a dimensão da crise política vigente. 

Paralelamente, a economia brasileira com desemprego nas nuvens que deveria contar com um governo top em comunicação e perito em definição de uma estratégia a seguir pelas autoridades econômicas, corre o risco de insistir em permanecer um sexto ano com a atividade econômica estagnada.

Lá fora, há eleições nos Estados Unidos em 03 de novembro.  É momento de definição do quadro político para a década dos anos 20 à fim de que os eleitores norte-americanos deem um rumo à polarização e possam curtir a economia do pleno emprego.

Aqui, dentro, o governo fecha o décimo quarto mês da sua gestão no dia 28 de fevereiro.  É momento de definição do quadro econômico para a década dos anos 20 à fim de que os brasileiros deem um rumo à polarização e possam curtir a política do Congresso Novo.       meuip.co

Aqui e acolá, todos estão atentos a uma crise que não cede e, pior, teima em se consolidar enquanto as autoridades governamentais insistem em permanecer fixados com os olhos no passado. 

Qual a carência para a crise permanecer onde está?  Há falta de experiência dos titulares? Os diagnósticos utilizados são insuficientes?   Sobram comunicações pífias?  Nesse ínterim, é consciente a aposta forte na polarização?

É lamentável que assim seja!

FOTO ABAIXO: Rua Uruguai, Centro Histórico de Porto Alegre, fevereiro de 2020

UNIÃO EUROPEIA, Comissão, post 43, 16.02.2020 a capacidade de fechar o orçamento do bloco

Porto Alegre, 16 de fevereiro de 2020 

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12h10, 30 graus, chance de chuva

Depois de muitas delongas, o Reino Unido, finalmente, colocou o BREXIT em execução.  O compasso de espera paralisava a Ilha e emperrava o Continente.  Enfim, o standby não ajudava ninguém. 

No fim, tudo convergiu para uma imensa polarização.  Em um ambiente que foi um tradicional braço norte-americano na Europa, dessa vez os conservadores britânicos estavam ancorados em Donald Trump enquanto os trabalhistas permaneciam articulados com as principais lideranças europeístas.

Eu venho escrevendo sobre integração econômica há muitos anos.   Quando técnico da Fundação de Economia e Estatística, onde trabalhei entre 1974 e 2012, eu me dividia entre a União Europeia, o Nafta e o Mercosul.

Nesses 50 anos eu conclui que a integração é semelhante a uma moeda, tem dois lados.  É muito bom para um país participar de um bloco porque se beneficia de um mercado muito além das fronteiras nacionais.  É muito ruim porque o país precisa se submeter à convergência de uma política econômica que pode estar anos-luz dos interesses nacionais. 

É fácil de entrar no bloco e se beneficiar da expansão do mercado, mas é muito difícil de sair e ter que permanecer dependente de políticas econômicas que não aquelas que representam os interesses do país de origem.

Fosse apenas isso, até que muitas integrações se manteriam.  Há um problema adicional.  É preciso submeter-se a uma sequência de integrações, zona de livre comercio, união aduaneira, mercado comum e, finalmente, a união econômica e monetária. 

No fim da guerra, à época do acordo do carvão e do aço, e o que veio logo a seguir, até se justificava a formulação de uma política convergente.  A destruição era total.  A necessidade era de uma recuperação total.  …

Em 2020, é preciso tomar uma decisão de acessar à integração depois de muito estudo, muita transparência, muita discussão com a sociedade.  Afinal, o namoro é fácil; o casamento, difícil. 

Bem, de volta ao governo de Bruxelas, afastado o Reino Unido, é preciso que os 27 países negociem o orçamento para os próximos sete anos.    Mais uma vez, não é uma tarefa simples.  

É preciso visualizar como se configurará o bloco no próximo quinquênio.  Nesse sentido Bruxelas promoverá uma reunião de cúpula para tratar da matéria nos próximos dias. 

Há ambiente para desenhar um futuro e enfrentar a instigação?   Há condições para exigir ajustes em uma economia global em desaceleração?  Como o Reino Unido deverá ser tratado a curto e médio prazos?  Quem desenhará as normas na relação bilateral entre Bruxelas e Londres?

Uma tarefa para lá de difícil. Contudo pode haver algo mais difícil que deixar a IIa Guerra Mundial para trás?  …

Bem, se o bloco conseguiu reconstruir tudo o que está aí, não deve existir alguma tarefa que não possa ser realizada entre governos tão maduros.  O orçamento plurianual será fechado na próxima semana e Bruxelas deve se preparar para outros e maiores desafios. 

A partir de agora, vamos todos, eu e os leitores, conferir a capacidade de negociação das lideranças do Velho Continente.   Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Avenida Borges de Medeiros, Porto Alegre, imagens dos meus arquivos, setembro de 2014

 

BREAKING NEWS, ultimas notícias, post 32, 15.02.2020, endividamento das economias maduras

Porto Alegre, 15 de fevereiro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 30 graus, muito calor, mas vem chuva

O tema do endividamento tem sido uma matéria recorrente no meu blog.   Hoje o site da BBC apresentou um texto sobre o endividamento global, subdividindo-o em quatro partes: fiscal, setor financeiro, empresas não financeiras e empresas domésticas. 

Eu penso que é um tema suficientemente importante, e mais do que isso, atualizado, para ficar um registro no meu blog.    Eu transcrevi aqui, as participações referentes aos quatro mercados – EUA, Zona do Euro, Japão e Reino Unido – classificados como maduros.  

A divida global encontra-se no patamar de US$ 253 trilhões, segundo o Institute of Internacional Finance (IIF),  No site do IIF, eu li que já havia a expectativa de que o endividamento fechasse em US$ 255 trilhões ao final de 2019, e que ele fosse amplamente liderado pelos Estados Unidos e a China. 

A Dívida Fiscal como participação relativa do PIB, é liderada pelo Japão (226,3%), seguida do Reino Unido (110,3%), dos Estados Unidos (101,8%) e da Zona do Euro (100,3%). 

A Dívida Fiscal da China de, aproximadamente, 310,0% do PIB, corresponde ao maior nível de endividamento entre as economias emergentes.  Ela é uma participação elevadíssima, mas o recurso foi tomado pelo Estado. 

No que diz respeito à participação da dívida do setor financeiro sobre o PIB, a liderança está com o Reino Unido (178,0%), seguida do Japão (157.0%), da Zona do Euro (122,6%) e dos Estados Unidos (77,1%).

Quanto à participação da dívida das empresas não financeiras sobre o PIB, a liderança é da Zona do Euro (107,9%), seguida do Japão (101,9%), Reino Unido (81,5%) e Estados Unidos (74,2%).

Finalmente, a participação das dívidas domésticas sobre o PIB, a liderança também é do Reino Unido (83,8%), dos Estados Unidos (74,2%), da Zona do Euro (57,8%) e do Japão (55,3%).

Está feito o registro da matéria que eu li essa tarde, entre o fim da partida do Liverpool e o início do GRENAL.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Esquina Democrática, Centro Histórico de Porto Alegre, fevereiro de 2020

ESPORTES, ao vivo, post 11, 15.02.2020, um sábado de GRENAL

Porto Alegre, 15 de fevereiro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12h10, 31graus, muito calor, mas vem chuva

Hoje tem futebol, ao vivo.  É dia de GRENAL.  As minhas netas, vestidas a caráter nas imagens abaixo, já tem camiseta para quem torcer.  Aqui, no Rio Grande, não há meio termo.  Tudo é  motivo de divisão, de polêmica, de acirramento de ânimos. 

Eu cheguei Flamengo em Bagé.  Quando mudei para Santa Maria continuei Flamengo.  Aí, conheci o aparelho de televisão, funcionando.  Na minha cidade natal havia televisores, à venda, ligados nas vitrines das lojas, sem imagem, só na base de chuvisco. 

À época que eu cheguei à Cidade Universitária a televisão era exclusivamente em preto e branco.  Nos domingos, em torno de 23h00, havia um programa chamado Conversa de Arquibancada na antiga TV Piratini, com apresentação de Batista Filho e Renato Cardoso. 

 

Aí passei tomar conhecimento de Grêmio e Internacional.  Troquei o Flamengo pelo Grêmio.  Muitos anos se passaram e hoje a dupla GRENAL é referência nacional pelos títulos internacionais obtidos nas últimas décadas.

Hoje é um GRENAL por laranjas?  Não creio.  Ambos desejam vencer.  Eu creio que as partidas que erram guerras no passado se transformaram em clássicos mais bem jogados.

Hoje,o Grêmio tem articulação e pouca penetração.  O Inter tem correria e mais penetração.   O Grêmio tem Maicon e o Internacional tem D’Alessandro.  Maicon e D ‘Alessandro têm fôlego para um tempo e meio e ambos dão funcionalidade às suas equipes.

 

 

No Internacional eu destaco a forma como o D’Alessandro ocupa o seu espaço no campo.  Parece-me que ninguém consegue marcá-lo.   A minha preocupação é redobrada porque ele não erra um passe e tem precisão nas bolas paradas.

No Grêmio eu destaco a forma como Maicon ocupa o seu espaço no campo.  A bola chega e ele dá andamento à mesma, sem interrupção.  A preocupação colorada deve ser redobrada com o desempenho do capitão gremista porque ele é preciso no penúltimo passe.

Quem ganha?  Não sei. Creio que o Grêmio irá melhor no primeiro tempo e o Inter, no segundo.  Ambos contam com goleadores velhos.  Nem Guerreiro e nem Diego Souza tem muitos recursos, além de poucos recursos técnicos.

Quem ganha?  Eu torço pelo Grêmio, mas nada me perturba se der colorado.  Já passei da idade de ficar tenso em dia de Grenal. 

Hoje eu já torci pelo Liverpool na vitória de um a zero sobre o Norwich.  Depois do GRENAL vou assistir a partida entre São Paulo e Corinthians.  O jogo da Premier foi excelente.  Tomara que o clássico paulista esteja no mesmo nível do jogo no interior do Reino Unido.  

Depois do GRENAL eu preparo um post se a partida justificar a elaboração de um texto.  Estou curioso para ver a qualidade do desempenho do Lucas Silva no Grêmio e Bosquilha no Internacional.  Trata-se do primeiro clássico estadual para eles.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Aqui, no Rio Grande, tudo é motivo de divisão, Esquina Democrática, Porto Alegre, fevereiro 2019

CHINA hoje, post 21, 14.02.2020, o coronavírus, os intermediários financeiros e a visão do CDC

Porto Alegre, 14 de fevereiro de 2020 

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 33 graus, um dia muito quente e sem chuva

O coronavírus veio para ficar?  Sempre que surge um novo vírus eu procuro elaborar um post sobre o mesmo porque as ameaças são sempre maiores do que o desenrolar dos fatos. 

Na verdade, eu escrevo em seguida que surge as informação porque a reação das autoridades, o trabalho de pesquisadores, tudo, enfim, acontece de forma muito rápido e o episódio chega ao fim num abrir e fechar de olhos. 

Dessa vez parece que tudo está acontecendo exatamente no sentido contrário.   Eu confesso que nem dei a devida atença ao fato quando ele surgiu na mídia, todavia quando eu assisti as primeiras imagens de Beijing e vi as ruas desertas, eu mudei rapidamente de ideia. 

Hoje eu deixei tudo de lado e fui buscar novas informações nos jornais da China.  Paralelamente eu cheguei, virtualmente, a Beijing pensando se, a par das ações das autoridades, eu poderia buscar alguma informações sobre o comportamento da bolsa.  Afinal, do lado de cá do globo, os investidores parecem não temer qualquer restrição na corrida da busca de novos e maiores rendimentos.

Em Beijing, virtualmente em Beijing, eu percebi que os próprios atores do mercado de capitais estão contribuindo com as autoridades para a contenção do vírus.

Grandes empresas através dos seus CEOs tem afirmado que as autoridades chinesas terão êxito na luta contra o vírus e, no mesmo momento, disponibilizam expressivas somas para ajudar o governo chinês a derrotar o denominado SARS-CoV-2, que surgiu na China no último dia do ano de 2019.

Um banco de investimento que atua no mercado local prometeu doar US$ 1 milhão.  Dois intermediários financeiros norte-americanos irão participar com doações de US$ 1 milhão para cada um.  Uma outra empresa, subsidiária de uma empresa internacional do mercado de capitais, também se comprometeu com uma contribuição de $ 1,5 milhão de yuanes, ou seja, o equivalente a US$ 215,15 mil.

Uma última informação que eu achei pertinente repassar ao leitor do blog é que na última quarta-feira a bolsa fechou lá em cima.   O índice Shangai Composite fechou o pregão em 2.926,9 pontos, com uma alta de 0,87%. O  índice Shenzhen Component encerrou o dia em 10.940,79 pontos, com alta de 1,6%.

O volume de negócios na movimentação combinada dos dois índices alcançou um montante de 790,07 bilhões de yuanes, o equivalente a US$ 113 bilhões.  Na véspera, diz a informação obtida no site da XINHUANET, a movimentação havia alcançado a 785,9 bilhões de yuanes.  

E assim eu encerrei a minha recorrida junto aos intermediários financeiros da China e as suas ações solidárias às autoridades da China.

Quanto ao vírus propriamente dito, os números vindos de Beijing nessa sexta-feira não são nada otimistas.  Eles mostram que o número de infectados na área da saúde aumentou em 1700 trabalhadores e que há seis novas vítimas a lamentar.

O presidente Xi Jinping reconheceu na mídia que o coronavírus é um teste efetivo para o seu país.   No Japão, as autoridades confirmaram que permitiram o desembarque de onze passageiros do Diamond Princess, um navio de 290 metros de comprimento e que transporta até 2.670 passageiros.

Para encerrar esse post eu faço o registro de uma entrevista do Dr. Robert Redfield, o diretor do Centers for Disease Control (CDC) and Prevention dos Estados Unidos, que eu assisti na CNN nessa manhã.

Redfield afirmou que os chineses ainda não aceitaram a ajuda do CDC.  Por enquanto, ele complementou, o objetivo do CDC é manter os norte-americanos seguros. 

Finalmente, eu confesso que fiquei um tanto preocupado com relação ao coronavírus porque ele disse também que está preparado para o pior cenário.  E mais, que o vírus pode se espalhar antes do desenvolvimento dos sintomas.

Boa noite, leitor do blog! 

FOTO ABAIXO: Rua Sete de Sembro, Porto Alegre, em imagem dos meus arquivos, setembro de 2014 meu ip

 

BRASÍLIA, distante de todos, post 32, 14.02.2020, IBC-Br frusta e há necessidade de um choque de gestão

Porto Alegre, 14 de fevereiro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12h10, 29 graus, sem chuva

Hoje, pela manhã, o Banco Central divulgou o IBC-Br, aquele que antecipa o número do PIB por parte da Autoridade Monetária, e o dado foi frustrante.  O incremento da economia ficou em 0,89% (2019).

Ora, a economia brasileira recuou -3,5% (2015) e -3,3% (2016), nos anos da recessão.  Aí, durante a estagnação, os incrementos ficaram em 1,3% (2017) e 1,3% (2018).  Agora, a estimativa do crescimento se resumiu a, apenas, 0,89% (2019). 

Então é preciso resignar-se aos dados e esperar que o crescimento do PIB, quando divulgado, permaneça em 1,0%, ou algo muito próximo dessa taxa.

A propósito, no último biênio do ano passado o IBC-Br já vinha registrando quedas consecutivas.  Os dados do BACEN evidenciaram recuos do índice em -0,11% (novembro) e -0,27% (dezembro).

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Logo, com esse desempenho na economia, é mais do que chegada a  hora de arregaçar as mangas e conceber um programa que tire o Brasil desse quinquênio perdido. 

Sem a promessa que basta aprovar reformas, que vão produzir efeitos em dez anos, porque essa ideia perdeu o fôlego. 

Reformas são necessárias, mas não suficientes para resgatar o país da estagnação.

Eu creio que treze meses após a posse, o presidente perdeu muito do seu capital político.  Mesmo assim, os brasileiros aguardam por um diagnóstico do que está aí e de um programa que leve o país à retomada do crescimento.  

Mudou a estrutura administrativa em torno do presidente.  Há recursos humanos qualificados na administração pública para tanto.  Logo, não há mais tempo a perder.  É preciso, agora, um choque de gestão porque o país não pode permanecer sem um horizonte adequado para atrair investimento.

Assim como está, o setor público não pode investir porque a gestão das finanças públicas não viabiliza a tarefa.  Paralelamente, o setor privado também não investe o necessário porque a gestão não viabiliza a confiança.  

Então, é preciso migrar de um apagão da gestão para um choque de gestão.

Bom dia, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Rua da Praia lotada, Porto Alegre em imagem dos meus arquivos, setembro de 2014

CASA BRANCA, as últimas dos EUA, post 29 , 13.02.2020, há correção à vista?

Porto Alegre, 13 de fevereiro de 2020  

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 28 graus, sem chuva 

A inflação avançou nos Estados Unidos em janeiro.  De acordo com a informação divulgada hoje, o IPC cresceu de 2,3% para 2,5% ao ano o que pode ser um sinalizador que o FED não deve estar com a redução da taxa de juros no visor no curto prazo.  O problema é que a economia, embora em pleno emprego, não mostra a pujança anterior. 

…  

Ora a economia norte-americana está em processo de desaceleração.    O PIB cresceu 2,9% (2018), 2.3% (2019), e deve crescer 2,0% (2020) e 1,7% (2021), segundo a publicação World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial do FMI, em sua atualização do mês passado. 

Além do ritmo da economia encontrar-se em desaceleração, o IPC encontra-se em patamares de 2,4% (2018), 1,8% (2019) e a previsão de um incremento de 2,3% (2020), de acordo com a versão de outubro do WEO.

A par dos números sobre o desempenho e a estabilidade da economia o FMI estimou que o pleno emprego acontecerá em patamares cada vez mais baixos.  A taxa de desemprego de 3,7% (2018), caiu a 3,5% (2019) e deve voltar a recuar para 2,5% (2020).   

Nessa conjuntura, Donald Trump pressiona o FED para que reduza a taxa básica de juros porque a economia está em desaceleração.  Jerome Powell (FED) discorda porque a economia está robusta e a taxa de desemprego está em queda.  A informação de hoje do aumento de 0,2% em janeiro, da taxa de crescimento da inflação deixa Powell fortalecido perante Trump. 

Enquanto há essa polêmica ao rés do chão da política, nas nuvens os investidores apostam em mais e mais rendimentos.    As valorizações parecem não encontrar teto.  O exercício de 2019 foi excepcional. 

Há uma correção à vista?  Ela pode acontecer em 2020? É bem provável que a cada par de semanas um novo teto possa ser testado?  Ajustes limitados podem conviver com a expansão do coronavírus?  

A cada fim de semana eu ploto o gráfico com os últimos números do Nasdaq e do S&P 500.   Surpreende-me que os investidores estejam jogando forte quando as imagens da China, com o coronavírus paralisando parte das atividades da segunda maior economia do planeta, mais pareçam cidades desertas ou pleno feriado.  E tudo acontece à luz de uma desaceleração global.  

Daqui, do meu beco, eu vou reunindo dados saindo do forno e produzindo novos posts na ponta do consumidor.  Fazer o quê?

Boa noite, leitor do blog!  

FOTO ABAIXO:  Esquina Democrática, Porto Alegre, em imagem dos meus arquivos, setembro de 2014

BRASÍLIA, distante de todos, post 31, 13.02.2020, novos embaixadores nos EUA e no Líbano

Porto Alegre, 13 de fevereiro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 10h10, 25 graus, sem chuva

Acompanhe agora, ao vivo, via canal da TV Senado, a sessão da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, em que estão sendo sabatinados os futuros embaixadores do Brasil nos Estados Unidos e no Líbano. 

São eles Nestor José Foster, gaúcho de Porto Alegre, para ocupar o cargo em Washington e Hermano Telles Ribeiro para ocupar o cargo em Beirute.

A sessão está extremamente interessante.  Eu estou tomando conhecimento de muitas novas informações, uma verdadeira aula.  O conteúdo sobre o Líbano foi um dos destaques do evento. 

Eu lembro ao leitor que o último embaixador brasileiro no Líbano, Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, faleceu, juntamente com sua esposa Vera Lúcia, em acidente de carro na Itália.

No espaço reservado às respostas, Nestor Foster rejeitou qualquer alinhamento automático com os Estados Unidos e ocupou algum tempo para tratar da sua visão do bioma amazônico.  Falou das exportações brasileiras para os EUA e disse que pretende aumentar o fluxo de comércio para que aquele pais.  Foster fez rápidos comentários sobre os setores agrícolas do Brasil e dos Estados Unidos. 

Os senadores que estão se manifestando evidenciam um nível de atualização elogiável para quem é um mero observador, um mero telespectador nesse beco no extremo do Brasil. 

Eu gostaria de recomendar essa programação da TV Senado a professores e estudantes de Economia e de áreas afins.   

Bom dia leitor do blog!

Agora, 12h55, saiu o resultado da sabatina dos dois indicados.  Eu decidi reabrir o post para informar o leitor que ambos receberam 12 votos de aprovação e nenhum voto em contra.   Está feito o registro.

… 

FOTO ABAIXO:  Esquina Democrática, Porto Alegre, em imagem dos meus arquivos, setembro de 2014 

 

ECONOMIA DO PETRÓLEO, post 63, 12.02.2020, o futuro do mercado do ouro negro em publicação do FMI

Porto Alegre, 12 de fevereiro de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12h10, 28 graus, sem chuva

O FMI publicou em seu site um documento intitulado The Future of Oil and Fiscal Sustainability in the Golf Cooperation Council (GCC) Region, um documento elaborado pelos Departamentos do Oriente Médio e da Ásia Central daquela Instituição.

…  

O texto, divulgado no dia 06 de fevereiro de 2020, foi elaborado por Tokhir Mirzoev, Ling Zhu, Yang Yang, Andrea Pescatori, and Akito Matsumoto, com a supervisão de Tim Callen.

No Abstract do texto, os autores lembram ao leitor que o mercado do petróleo convive com mudanças fundamentais.   Procurarei mostrar esse resumo em, apenas, um parágrafo. 

De um lado, a oferta de petróleo cresce com a utilização das novas tecnologias; de outro, a demanda da commodity diminui devido avanço da consciência ambientalista.   Essa constatação é um desafio para os países produtores e, em especial, para aqueles da região GCC.   

O roteiro do documento compreende cinco seções, a Introdução, o Futuro do Petróleo, o Que isso implica para a região GCC, Alcançando a sustentabilidade fiscal e Conclusões.  Há ainda, um anexo, referencias e dezenove figuras. 

…  

Nesse post, eu estou focado na segunda seção do documento, a que diz respeito ao futuro do petróleo.  Ela tem onze páginas de extensão, repleta de gráficos.  Eles tratam da oferta e da demanda pela commodity

O que dizem os autores?   Vou registrar apenas algumas constatações desenvolvidas pelos autores que me pareceram extremamente importantes.  Primeiramente, as observações  do lado da oferta. 

Diversas mudanças de rumo ocorreram no mercado do petróleo recente.  Houve uma queda de 50% no preço do ouro negro no biênio 2014-15, um dos maiores no século passado e que implicou a transferência de US$ 6,5 trilhões dos países exportadores para os países importadores da commodity no período 2014-18.  Muitos desses países ainda estão se ajustando à essas mudanças.

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No médio prazo, o preço baixo veio para ficar.  Nos países da região os orçamentos anuais e as políticas fiscais de médio prazo foram implementadas dentro da perspectiva que as cotações serão lower for longer.   Nesse contexto, a volatilidade e a incerteza levaram à utilização de políticas mais cautelosas. 

Tendo em vista a imprevisibilidade dos fatores geopolíticos e cíclicos, os autores recomendam que o leitor deve estar atento às tendências de longo prazo porque elas são mais robustas a choques temporários. 

Mesmo assim, há evidencias que as alterações de longo prazo vem crescendo há algumas décadas porque há duas mudanças – a disponibilidade e a substituição crescentes do petróleo – que irão afetar a configuração do futuro da commodity no longo prazo.

Finalmente, do lado da procura os autores analisam o Panorama da Demanda Global por Petróleo.  Eles recorrem a um modelo econométrico com informações de 137 países referentes ao período 1971-2016.  E o que dizem os autores?

Tradicionalmente, ou melhor, historicamente a população e a renda per capita determinaram a demanda global do petróleo.  Além desses dois fatores é preciso levar em conta um terceiro fator, que há uma forte tendência temporal  decrescente na demanda global por petróleo. 

Uma queda anual de 2,5% ao ano no período 1971-2016 que implicou em queda de demanda da ordem de 100 milhões de barris/dia em 2016.   Esses três fatores explicam 95% das variações do preço do petróleo nas últimas quatro ou cinco décadas.

Uma última informação que eu no texto e que eu gostaria de chamar a atenção do leitor do blog é que a tendência decrescente é muito mais fraca na demanda global por gás natural.

Paro por aqui.   Nesse post eu apenas repeti idéias que estão expressas no artigo dos técnicos do FMI.  Baixe o texto no endereço eletrônico abaixo

https://www.imf.org/~/media/Files/Publications/DP/2020/English/FOFSGCCEA.ashx

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Ritual umbandista no Mercado Público de Porto Alegre, 10.02.2020, 16h00