A DIVULGAÇÃO DE NÚMEROS ATUALIZADOS SOBRE O COMPORTAMENTO DA ECONOMIA NORTE-AMERICANA

Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 25.01.2021, 18:10, 29 graus C, 39 % de umidade

Post 01.09.42

01 Internacional, 09 Economia Global 42 número de ordem do post.

Depois de uma ano de recessão, a economia dos Estados Unidos deve se recuperar em 2021.   O World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial em sua edição de outubro do ano passado, divulgou o desempenho da economia norte-americana registrando incrementos do PIB em taxas de 2,2% (2019), -4,3% (2020) e 3,1% (2021).

Amanhã, no horário de 08:00 do Leste norte-americano, o FMI irá divulgar uma atualização do Panorama Econômico Mundial, oportunidade em que haverá uma entrevista coletiva de imprensa com a participação de Gita Gopinath,  Economic Counselor and Director of the Research Department, Petya Koeva Brooks, Deputy Director of the Research Department, e Malhar Nabar, Division Chief of the Research Department.

O FMI divulga uma nova versão do WEO em abril e em outubro, e no interregno ele faz uma atualização dos números da publicação original.  Amanhã será possível conhecer novos dados sobre o PIB que serão muito importantes para fins de análises e de decisões de governos e de empresas em âmbito mundial.

Independentemente das projeções que vierem ao conhecimento do público nessa segunda-feira, o National Bureau of Economic Bureau (NBER) divulgou o comportamento do PIB para o terceiro trimestre de 2020.   A instituição divulga esse dado sistematicamente e, posteriormente, realiza três atualizações consecutivas.  O número de hoje é a terceira atualização do PIB trimestral.

Então, de acordo com a terceira estimativa das National Income and Product Accounts (NIPAs), as Contas Nacionais de Produto e Renda, o Produto Interno Bruto (PIB) real avançou a uma taxa anual de 33,4% no terceiro trimestre de 2020. 

Essa revisão implicou aumento de 0,3% na comparação da terceira estimativa com a segunda estimativa realizada em dezembro passado. 

Esse aumento de 33,4% foi uma decorrência dos incrementos dos gastos do consumidor, dos investimentos em estoque, das exportações, do investimento fixo não residencial e do investimento fixo residencial, que compensaram, em parte, as reduções nos gastos do governo federal e dos governos estaduais e locais, e, ainda das importações.

Para encerrar, cabe a informação que no trimestre anterior, o segundo trimestre de 2020, o PIB real havia diminuído 31,4%.      Então, o que há de novo sobre o desempenho da economia norte-americana nessa segunda-feira, após a terceira revisão dos números é que depois do PIB do segundo trimestre haver registrado queda de 31,4% em taxa anualizada, houve um incremento de 33,4% no terceiro trimestre em taxa anualizada. 

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  ESQUINA DEMOCRÁTICA EM NOITE DE FESTA

A Esquina Democrática é uma referência para a política gaúcha.  Eu penso que é o nosso maior marco histórico.  Ela fica localizada nas esquinas da Avenida Borges de Medeiros com a Rua dos Andradas, a Rua da Praia (que não tem praia).

Sempre que eu vinha a Porto Alegre, antes de me mudar para cá, eu sempre realizava as refeições em um restaurante que havia na descida da Borges, numa espécie de galeria, distante uns dez metros da Esquina Democrática. 

 Desde que eu passei a residir na Capital Gaúcha, eu percebi que qualquer acontecimento importante, ocorria aqui.  Então, toda vinda da rua que eu resido ao Centro, eu realizava, e realizo o percurso via Rua da Praia.  Chegando à Esquina Democrática eu sentia que cheguei ao coração da metrópole. 

Na minha atividade de fotógrafo amador eu tenho uma imensa coleção de fotos batidas nessa esquina.  De grandes concentrações políticas, de discursos de celebridades, até o dia a dia da turma da música e do lazer.

A foto acima eu a produzi numa tardinha do último verão antes da pandemia.  A música tocava e os que são aptos à dança já começaram a sacolejar.   Muitas vezes, a pessoa fotografada faz pose; outras vezes, eu percebo que não há boa vontade para a imagem e eu não a realizo.  Normalmente eu procuro fotografar uma visão geral de qualquer ambiente.

Tomara que a vacina altere o quadro de confinamento que eu me mantenho e eu possa voltar às ruas, passear pela Esquina Democrática e fotografar  o que me parecer oportuno. 

A BOLHA

Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 24.01.2021, 12:10, 31 graus C, 55 % de umidade

Post 01.01.28

01 Internacional, 01 Economia Global 28 número de ordem do post.

A vida de quem acompanha diariamente um grande volume de informações está associada a muitos dilemas, muitas dúvidas, em suma, uma incerteza profusa.  No fundo, eu penso que a minha atividade, desde o início, sempre esteve associada a um processo de escolhas.  

Vou recolocar as minhas ideias e simplificar o meu post.  Sobre o quê eu devo escrever?   Qual é o assunto mais importante?  Vale a pena redigir sobre a pandemia ou a recessão?  Depois que eu identifico um norte tudo fica mais fácil.  É isso aí.

Eu lembro que nesses 50 anos de embates diários, como eu fiquei sensibilizado quando eu li, em algum lugar, uma frase que dizia que “à tarde o barco estava no meio do mar”.   Sim, à medida que eu apanhei a ideia, na sequência eu andei de letras de músicas às páginas do Evangelho.     

No fundo é como se um velho navegador andasse em tempos pretéritos em mar bravio, um tanto desorientado, à espera de localizar a estrela polar.  Atingido esse objetivo tudo ficava facilitado no seu processo de escolher a direção a seguir.

Eu lembro da oportunidade em que eu viajei de Calais a Dover, uma distancia de 82 quilômetros, na travessia do Canal da Mancha.  Eu estava em um navio cruzando aquele braço que une o Atlântico ao Mar do Norte.  Eu embarquei no lado francês em um dia em que havia condições de boa visibilidade.   

Eu tinha consciência que eu estava seguindo o caminho inverso àquele percurso que as forças aliadas realizaram no dia D e que ficava a 320 quilômetros de distância do local onde eu me encontrava naquela tarde. Efetivamente, no dia 06 de junho de 1944, precisamente 83 dias antes do meu nascimento, houve a Batalha da Normandia. 

Foi, também, uma decisão em cima de um processo de escolhas.   A operação Overlord implicou reunião de três milhões de soldados aliados para fazer frente ao alemães.  Quantos filmes em que havia cenas da guerra real eu já havia assistido no cinema?

E, de repente, lá estava eu a bordo de um navio fazendo o caminho em sentido contrário.  Poucos minutos após o embarque o tempo fechou.  Íamos, todos os passageiros, em deslocamentos bruscos, subindo em direção ao céu e imergindo, inesperadamente, rumo ao desconhecido.

Dentro do barco a sensação de insegurança era total.  Eu olhava pela janela e já não via mais as falésias, as escarpas que estavam à vista quando eu havia embarcado em Pas-de-Calais.  O barco oscilava em meio às ondas crescentes e eu lembrei Juan Manoel Fangio.

Na biografia de Fangio, o grande campeão argentino de Fórmula 1, ele contou certa vez que havia passado toda a vida correndo em disputas que exigiam decisões rápidas.   Ele venceu cinco vezes o campeonato mundial de F1 e estava sempre convivendo com o perigo. 

Um dia ele estava em um restaurante em Paris.   Um osso de galinha trancou na sua garganta durante a refeição.  Então, ele pensou que seria desmoralizante ter vencido tantas adversidades nas pistas de corridas e vir a morrer sem poder respirar por causa de um osso de galinha.

E assim, lá estava eu naquele barco, no meio do mar, em dúvida se eu chegaria ao outro lado do Canal Mancha.  Foram minutos incontáveis de desespero generalizado à bordo.   Em dado momento, em meio ao inesperado eis que surgiu a primeira visão das paredes rochosas da Inglaterra, a minha estrela polar, que sinalizava o meu ponto de destino. 

Nessa catarse que estou realizando eu lembro de uma experiência semelhante que me aconteceu no ar, não mais no mar.   Durante o meu brevê, eu tinha aulas práticas durante o dia e teóricas à noite.  Havia muitas disciplinas que os alunos deviam prestar prova, junto ao Ministério da Aeronáutica, ao final do curso. 

Havia conteúdos que exigiam muito estudo e muito esforço pessoal.    Dentre eles eu lembro que as dificuldades que eu encontrei em Aerodinâmica, uma disciplina do brevê, eram as mesmas que eu tinha enfrentado nas aulas de Física no Curso Científico. Na verdade, os dois conteúdos eram da mesma natureza, tinham a mesma origem. 

O que era preciso estudar de Meteorologia, de Navegação, e porque não dizer de Motores, me fizeram levar os anos de 1961 e 1962 na base de estudos ininterruptos.   O meu exame final aconteceu em 1963 e a minha licença de piloto foi emitida pelo Ministério da Aeronáutica em 02 de setembro de 1964.

Na linguagem dos anos 60, ou, quem sabe, na linguagem da aviação, os alunos do brevê eram considerados manicacas até realizarem o primeiro voo solo.  A fase de manicaca, pilotus novatus, era a fase da inexperiência.  Depois que se realizava o primeiro voo solo a situação mudava abruptamente. 

A vida era relativamente tranquila enquanto o aluno estava acompanhado no voo por um piloto que fazia às vezes de um professor.  Depois do voo solo tudo passava a ser da alçada, exclusiva, do aluno.  Qualquer problema exigia pensamento focado e solução rápida.

Então, de volta ao leito do post, as aulas do brevê mudaram em termos de decisões, de riscos, de responsabilidades, após o primeiro voo solo.  As nossas aulas teóricas eram realizadas, à noite, na Biblioteca Pública de Sant’Ana. 

À medida que as noites do curso foram passando, os temas ficaram cada vez mais importantes e interessantes.  Eu lembro de muitas e muitas aulas sobre pane, um conjunto de circunstâncias que brecam a normalidade de voar.  Por exemplo, aquelas decorrentes de uma falha no funcionamento do motor do avião.  O que fazer frente a uma pane? 

Em sala de aula eu lembro da recomendação de jamais descer na pista do Jockey Clube.  Quando você estiver lá em cima e sofrer uma pane, rapidamente você vai enxergar, em destaque, a pista de corrida de cavalos, repetia o professor. 

Jamais tome a decisão de pousar ali porque você vai quebrar as asas do avião e se acidentar.  Durante os anos de brevê eu vi, mundo afora, pousos forçados de todo o tipo. 

Então é isso.  Está aí o meu curso de brevê, pensei comigo, em certa noite de aula na Biblioteca Pública.  O pior, todavia, estava por vir.  Pior que pane era a palavra bruma.  Bruma, o que é isso?   

É um nevoeiro, é uma névoa seca.  Em princípio algo semelhante àquela experiência que eu tive no navio atravessando o Canal da Mancha.  De repente, eu não via nada a não ser os movimentos bruscos do navio.  De repente, eu não via nada, eu via apenas o avião em pleno voo.  

No caso do avião, me pareceu algo pior.   Eu decolo, tomo altura, entro em velocidade de cruzeiro e de repente, em plena luz do dia, eu deixo de ver o que eu vinha enxergando abaixo do avião,  em terra.  Então, de um momento para outro há solução de continuidade, há interrupção, há uma quebra de continuidade.  O que eu via abaixo, normalmente, eu já não consigo mais visualizar. 

Na época que eu vivenciei essas experiências os aviões eram simples, com poucos instrumentos de bordo.  Ao entrar numa bruma, era preciso tomar uma decisão para reverter a situação rapidamente.  Onde está a minha estrela polar? Como proceder nessa situação?  Não há tempo a perder.   

Cinquenta anos depois eu continuo acompanhando, sempre que possível, o que acontece no âmbito da aviação.  Eu não esqueço as panes e as brumas.  Eu lembro, em especial, de ter lido relatos sobre acidentes aéreos em jornais de grande circulação.

Eu recordo de descrições que diziam que o piloto havia perdido a noção de localização.  Ele estava subindo?  Ele estava descendo?  O que podia ter acontecido para levá-lo a bater, inesperadamente, contra o solo?

Então eu retorno ao anos noventa.  Eu vivia com muitas atividades para realizar. Eu acordova às 05:00 e tinha um artigo de quatro mil toques para escrever em sessenta minutos.  Às 06:00 eu tinha toda uma série de atividades a desenvolver para ministrar aulas às 07:30. 

Sobre o que eu vou escrever?  Dos 60 minutos para concluir a tarefa eu não podia perder mais do que 5 minutos escolhendo o assunto, identificando o tema da minha coluna para o jornal.  

Gente, e isso acontecia todos os dias úteis da semana.  Eu lembro que a pressão era enorme.   É verdade que havia uma compensação sempre que algum leitor me desse um retorno.  E isso acontecia de forma recorrente.   Era no meio desse burburinho que acontecia a escolha do assunto.

Dessa experiência eu absorvi resultados para os meus dia a dias posteriores.   Eu comecei a localizar a estrela polar de forma objetiva, mais burocrática, sem maiores entraves. 

É bem verdade que eu tinha uma meta acadêmica, profissional, docente que era chegar à modelagem matemática.   E foi isso que eu procurei obter nos Estados Unidos, em cursos nos Departamentos de Economia e de Engenharia.   Foi um período de dúvidas atrozes e de descobertas magníficas.

De volta ao Brasil eu precisei dar continuidade a outro campo da academia, à História da Filosofia.  Foram quatro anos em que eu me dediquei integralmente aos períodos dessa história, antiga, medieval, moderna e contemporânea.  Buscar a compreensão das divisões e das subdivisões.  Eu fazia fichas para resumir e destacar o que eu julgava mais importantes

A partir daí eu procurei combinar, reunir modelagens matemáticas de um lado e correntes da filosofia, de outro.  E assim, nesses 50 anos de magistério eu procurei formar um pano de fundo, onde os assuntos da economia fossem tratados.  No teto, os conflitos metodológicos em economia; no piso, a inserção da econometria nesse contexto.

Durante muito tempo eu foquei nas séries temporais.  Dediquei um tanto ao estudo dos ciclos.  Segui rumo às análises de conjuntura econômica.  Fiquei algum tempo em solução de equação diferencial.  Passei outro tanto em identificação na econometria. 

É importante considerar que eram tempos em que não havia os recursos que a tecnologia nos oferece atualmente.  Hoje, eu tenho procurado acompanhar a tecnologia de Machine Learning.    Para quem passou a vida focado na modelagem, é preciso pensar numa readaptação para pensar que é possível reconhecer padrões no conjunto de dados analisados. 

Essa vida nova focado na inteligência artificial, no lato sensu, e no aprendizado de máquina, no strictu sensu, é algo que aconteceu com Arthur Samuel no distante ano de 1959.   Eu confesso que nesses tantos anos de videoteca, de gravações diárias de imagens, eu não me deparei com esse nome. 

Nessa mesma época eu cheguei à ARPANET e a DARPA.    Explico melhor.  Em meados dos anos 70 eu gravei uma fita para a minha videoteca.  O conteúdo era em preto e branco.  Na gravação um almirante contava sobre o porquê da criação da ARPANET.  E ele repetiu, em dois momentos, a data de 1959.

Em sala de aula, eu projetava esse vídeo no telão.   Os alunos mostravam o maior interesse nesse conteúdo.  Daí eu seguia o meu roteiro de convencional de cenários econômicos. apresentava Tim Berners-Lee, James Gosling, e chegava à polêmica, vigente em 1992-94, se havia, ou não, uma Nova Economia.

…   

Eu lembro de discussões entre a Velha Economia, a economia do automóvel, e a Nova Economia, a economia do computador.  Ao passar do tempo, o automóvel internalizou a tecnologia e, desde então a solução passou a ser associada ao mercado de trabalho.  

Quanto do emprego era absorvido pelo hardware, quanto pelo software e quanto pelo setor de comunicação.   A comunicação fazia parte desse conjunto e representava apenas 10% do total do emprego do segmento.  Os demais, hardware e software, tinham a predominância do conjunto.  Bem depois chegou a ideia da mudança da economia com base na indústria para a economia dos serviços. 

O leitor mais jovem talvez não lembre da crise das empresas ponto.com.   Aí eu cheguei à palavra bolha pela primeira vez.  As ações dessas empresa registraram valorizações recordes.   Na mudança do século a bolha estourou.  Eu escrevi e fiz muitas palestras de cenários que incluam esse conteúdo. ‘

… 

Da análise de conjuntura eu avancei para flutuações. análises de séries, e fui ajustando o perfil dos programas da disciplina à sequência de crises, em nível internacional e a recorrência de choques internos para enfrentar a superinflação.

Um dia, eu optei por trabalhar as crises em três dimensões, política, econômica e administrativa.  Eu analisava os pactos políticos, o desempenho e a estabilidade da economia e, eu jogava a política econômica – monetária, fiscal, cambial e de rendas – para a dimensão administrativa.   

Dessa forma eu conclui a minha fase de FEE na década passada.   O tempo passou, a idade chegou, o mundo mudou e a pandemia confinou.  Eu penso que o biênio 2020-21 provocou uma ruptura imensa na ordem econômica internacional.  Se bem absorvidas as lições que ficaram, o mundo de 2022 será outro, sem precedentes.   A História passará a ser reescrita.

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Governantes que realizarem diagnósticos adequados partirão na frente.  A polarização subiu um tom na escala mundial.  É possível que haja um upgrade na globalização.  A distribuição ocupará espaços relevantes.  Haverá consolidação da sustentabilidade.   A configuração que vem por aí ainda não chegou por aqui.   

Encaminho o encerramento do post.  Desde as ponto.com a palavra bolha é um viés de alerta.   Surgiu no meio do caminho, eu a reconheço como uma pedra e sinto que preciso identificar as suas especificações.   Um objeto complexo que precisa ser estudado, nenhuma semelhança com um 2001 FO32 .

Então de onde eu selecionei o título Bolha para esse post?   Acontece que eu acessei o site do jornal El Economista deste sábado e fiquei surpreso com uma manchete do mesmo.   Fui à matéria e percebi algumas estatísticas que eu gostaria de compartilhar com os leitores do blog.

A manchete do jornal diz que La bolsa rusa toma la delantera frente al resto de mercados emergentes.   Há um arrazoado da autora do texto, a jornalista Cristina Garcia, em que são citadas três vacinas desenvolvidas na terra de Vladimir Putin. 

Eu confesso que não fazia a menor ideia que além da Sputnik V, os russos tinham criado mais duas outras vacinas, aa EpiVacCorona e a ChuVac.  A EpiVacCorona teria 100% de eficácia e a ChuVac que seria produzida a partir do mês que vem.  Era de se imaginar que com esse arsenal sanitário a bolsa russa refletisse o fato de forma imediata.    

O leitor acompanhou os meus posts sobre as valorizações das bolsas internacionais durante o exercício passado.    A dúvida que se colocava ao fim da gestão Trump dizia respeito à continuidade, ou não, das valorizações.   Se não como se dará a correção?  Em 3%, 5%, 10%, mais de 10%, em que patamar se dará a correção?

A questão, ou melhor, o ponto central na conjuntura, nesse sábado, é que desde novembro são expressivas as valorizações dos principais indices das bolsas das economias emergentes.

Quais são as variações desses índices?  O RTS da Rússia valorizou 19.46%, o SENSEX da Índia avançou 17,52%, o Ibovespa 15,58%, o MEXBOL do México 13,60% e o CSI da China incremento de 11,56%.

Então, o que se perguntam,  analistas e investidores, nesse domingo, “ei, você aí, me diz se existe uma bolha aí?

 

Boa tarde, leitor do blog! 

FOTO ABAIXO:  MERCADO PÚBLICO DE PORTO ALEGRE

O mercado público de Porto Alegre foi inaugurado em 1869.  Os clientes não tem auto atendimento no local.   Há muitas pessoas circulando diariamente pelas vias internas de pequenas lojinhas.   Eu vou, ou melhor, eu ia duas a três vezes por semana ao mercado antes da pandemia.

Há produtos que eu só encontro lá.  Hoje ele dispõe de serviço on line.  Desde o meu confinamento, em fevereiro do ano passado, é possível telefonar para o mercado ou utilizar o serviço via Internet disponível e eles entregam os produtos em casa. 

São 106 lojas funcionando no horário de 07:30 às 19:30 das segundas às sextas-feiras.  Nos sábados o local encerra as atividades às 18:30 e não há expediente nos domingos.   

Eu gostava demais de ir ao mercado.  Era um verdadeiro passeio.  Eu realizava as compras em um ambiente de atendimento individualizado, à moda antiga.  Os trabalhadores dos estabelecimentos comercias demonstravam sempre bastante conhecimento dos produtos oferecidos à clientela.

Os preços me pareceram sempre aqueles vigentes no mercado. Nada de excepcional, para mais ou para menos.  Há bancas para vendas de carne e peixe.  Nos açougues eu sempre me deparei com filas que me faziam esperar entre 10 e 15 minutos para ser atendido.

Na foto acima é possível perceber uma verdadeira multidão acorrendo ao local antes da pandemia.  Na verdade, algumas pessoas conhecidas eu as encontrava somente lá.   Eu acredito que há uma clientela que é fiel ao Mercado Público.

A única lembrança triste que eu tenho do local é da época do incêndio de 2013.   Eu presenciei tudo o que aconteceu. Eu vi aquelas chamas enormes se propagando pelo mercado.  Na madrugada eu pensei que a destruição era total.  Dias depois eu estive no mercado e percebi que o incêndio tinha sido localizado, não havia sido generalizado.  Foi um consolo!

A CONFIGURAÇÃO DE UM NOVO CENÁRIO GLOBAL CONCOMITANTEMENTE À VOLTA DOS ESTADOS UNIDOS À MESA DE NEGOCIAÇÕES

Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 23.01.2021, 12:10, 31 graus C, 55 % de umidade

Post 01.01.27

01 Internacional, 01 Economia Global 27 número de ordem do post.

Desde o dia 4 do corrente mês que eu não realizo um apanhado da conjuntura global.  Faço-0 hoje.   

Naquela oportunidade a última informação sobre a economia internacional dava conta que o desempenho do PIB mundial tinha sido de crescimento de 2,8% em 2019, uma queda abrupta de -4,4% em 2020 e que haveria um incremento de 5,2% em 2021. De lá para cá, os números do desempenho global mudaram muito pouco. 

Contudo, há mudanças expressivas para registrar nesse post.  Os Estados Unidos estão de cara nova, a China retomou o seu crescimento, o mercado financeiro encontra-se frente a um dilema de prosseguir na euforia ou observar uma correção iminente e a Europa está dividida entre a pandemia e a sucessão de Ângela Merkel, na CDU e, possivelmente, no seu governo.   As economias emergentes a tudo assistem, sem usufruir um poder de barganha.  

Os Estados Unidos voltarão às mesas de negociações?  É o que todas as lideranças internacionais esperam e eu me encontro entre aqueles analistas que também aguardam o retorno da maior economia do planeta a um cenário global com alguma estabilidade.   A pandemia é o desafio chave em qualquer diagnóstico da crise global.

As vacinas chegaram.  O que seria comemorado como um fato excepcional há três meses, deixou de sê-lo.  Há novas ondas do covid19 em picos mais elevados.  As vacinas não chegaram para todos.  A produção de insumos está concentrada em alguns países.  A logística tem se mostrado bastante complexa.   A eficácia tem sido amplamente questionada. 

Há vacina e vacinas?  Ninguém sabe o que alguns poucos podem saber.  As informações são difusas, dispersas, desencontradas.  A indústria farmacêutica surfa em uma onda de inovação recente, incompleta.   Das projeções de instituições tradicionais às previsões do terceiro milagre de Fátima, vale tudo.   Há um verdadeiro dégradé entre a agenda da ciência e a pauta da fé. 

Nesse sábado, eu creio que as perspectivas para o corrente ano deverão se constituir num período de máscara, de distanciamento e de algum confinamento.   A comunidade internacional deverá realizar as suas projeções levando em consideração que 2021 será um pouco mais de 2020. 

Os números da pandemia não cedem, não desaceleram.  O tsunami sanitário pode ser verificado nas estatísticas da Johns Hopkins University.  Abro o site do Coronavirus Resource Center e confirmo que há 98,2 milhões de infectados e 2,1 de mortes no mundo.

Os top 5 em óbitos são os Estados Unidos (414 mil casos), o Brasil (215 mil casos), a India (153 mil casos), o México (147 mil casos) e o Reino Unido (96 mil casos).   No dia da sua posse, Joe Biden sinalizou que os Estados Unidos devem chegar a 600 mil casos.   Ao mesmo tempo, o presidente propôs vacinar 100 milhões de pessoas nos EUA em 100 dias. 

Se essa projeção se confirmar será um sinal que nesse mês de janeiro 0 mundo está recém na metade da guerra contra o inimigo invisível.   

No Reino Unido circula a informação nessa manhã que a variante britânica da cepa da covid19 poderia estar associada a um nível maior de letalidade.   E, veja o leitor, que o Reino Unido já vacinou nove por cento da sua população. 

Na Polônia, que convive com governo ultraconservador, bares e restaurantes estão a desafiar a pandemia, não obedecem ao confinamento, mantém as suas atividades de rotina, servindo aos clientes que nem estão aí para o distanciamento necessário entre as pessoas.   Discute-se, isso sim, um passaporte sanitário que permita o deslocamento irrestrito do indivíduo.

A Alemanha, ao contrário da Polônia é um exemplo para o Velho Continente.   Angela Merkel tem norteado as decisões do seu governo com base no pragmatismo.  Pressupõe-se que ela manterá a estabilidade nesses tempos de crise. 

Afora o tratamento dado ao caso dos imigrantes no bloco, a chanceler dever preservar a racionalidade e seguir assim até a consolidação do processo de vacinação no país.  Merkel já faz parte de um processo sucessório, primeiro no seu partido, a CDU, depois no seu governo.   Nesse último passo eu reconheço que há dúvidas.  

Na CDU, na Christlich-Demokratische Union Deutschlands, a União Democrata Cristã, o partido conservador germânico, Merkel já começou a transição. 

Num primeiro momento, Annegret Kramp-Karrenbauer, 58 anos, conhecida como AKK, substitui Ângela na presidência da CDU em 2018, mas se exonerou em 2020, devido à crise política no coração verde do país, a Turíngia, localizada no Leste do país, um estado famoso também por estar associado às imagens de Johann Sebastian Bach, Johann Wolfgang von Goethe e MartinhoLutero.

… 

O porquê da crise?  AKK havia indicado um nome para primeiro ministro da Turíngia, mas as lideranças locais optaram por um político vinculado à AfD, à Alternativa para a Alemanha.   

 

O anúncio da demissão foi feito na manhã desta segunda-feira (10.02), numa reunião interna do partido, depois de no estado federado da Turíngia, no leste, a CDU ter ajudado a escolher para primeiro-ministro um membro da Alternativa para a Alemanha (AfD), desrespeitando as indicações de AKK.

Então, o impasse foi solucionado no dia 16 de janeiro do corrente ano com a escolha de Armin Laschet, 59 anos, ministro da Renânia do Norte Vesfália, para a liderança da CDU.    As notícias de ontem e que repercutem nesse sábado é se Laschet poderá vir a ser o sucessor de Ângela Merkel como chanceler?

Na Espanha, as reuniões de mais de quatro pessoas estão proibidas.   Sim, leitor, você leu corretamente, o veto é para aglomeração de, apenas, quatro pessoas.  Em Madri, o comercio e os serviços de hospedaria encerram às 21:00.  Ficou determinado que o toque de recolher acontece às 22:00 e há proibição de reuniões com visitas nos domicílios.

… 

Nesse momento do meu post eu voltei ao site da Johns Hopkins para verificar as diferenças dos picos da segunda para a terceira onda da covid19 na Europa. 

O gráfico mostra que no Reino Unido a terceira onda é muito superior à segunda. Muito, mesmo.   Na Espanha também a terceira onda é bem superior à segunda.  Interessante que na França e na Itália esse fato não acontece. 

Hoje, pela manhã, eu tomei conhecimento nos noticiários da Europa que a AstraZeneca informou que irá atrasar as suas entregas de doses de vacinas ao Velho Continente.   

Em outra fonte eu li que a mesma empresa vai cortar em 60% as suas entregas de vacinas.   Leitor, é muita alteração de última hora!  Esse assunto tem repercutido amplamente na mídia europeia.  Como a informação é recente, teme-se que a consequência da ausência da vacina possa levar a população a um cenário de “salve-se quem puder”.

Na oportunidade, eu conferi a situação do Brasil nas estatísticas da Johns Hopkins e verifiquei que o pico da primeira para a segunda onda é praticamente o mesmo.  Na verdade o problema do Brasil não é, propriamente, do avanço da pandemia, mas da interrupção da vacina que vai acontecer porque a quantidade que chegou ao país é pouca, mas é tudo.

….

Dessa forma eu entendi o porquê da preocupação das autoridades sanitárias europeias estar em um patamar bem mais elevado do que qualquer outra região do globo.

Nos Países Baixos, a música Grow, um canto à esperança tomou conta da mídia europeia nessa transição da terceira para a quarta semana de janeiro.   O autor holandês Daan Roosegaarde destaca que em meio à pandemia é preciso ter presente a beleza que nos rodeia.

… 

Na verdade, Grow ocupa uma area de 20 mil metros quadrados enfatizando a beleza da agricultura.  Na filmagem, Grow é uma vista luminosa em um sonho.  Tendo um campo à frente, o expectador se depara com ondas de luzes roxas e azuis.

Até onde eu entendi, Daan Roosegaarde parte da noção científica que a luz artificial ajuda no desempenho e na resistência dos vegetais e transfere essa ideia para que as pessoas abatidas pela pandemia recorram à opção de plantar luz como esperança nesses tempos escuros vivenciado pela população do globo.

No contexto da Zona do Euro, os analistas perceberam a presença de um nacionalismo sanitário recente.   Alguns países estão procurando adquirir vacinas como uma iniciativa nacional, à margem do governo de Bruxelas.  A polêmica surgiu essa semana no âmbito do plenário do Parlamento Europeu.   

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A propósito da pandemia, o jornal The New York Times publicou um artigo sobre o futuro da Covid19.   O que diz o artigo assinado por Apoorva Mandavilli, 47 anos, uma jornalista norte-americana focada em ciências médicas ? 

À medida que os adultos estiverem vacinados o virus se tornará um mero resfriado.   A autora do artigo se baseou em um estudo publicado na Revista Science para firmar essa conclusão.   Por isso é preciso que a vacinação seja realizada imediatamente, segundo a coordenadora do estudo, Jennie Lavine, da Universidade Emory de Atlanta. 

O texto trata também das crianças que são desfiadas, sistematicamente, por patógenos que são inéditos para os seus corpos.   Nesse futuro, a única preocupação das autoridades estará relacionada à capacidade das crianças menores de cinco de fazer frente ao vírus.  Por que?  

..,   

Porque o estudo mostrou que o primeiro contágio da covid19 acontece entre os 3 e os 5 anos.   A partir dai, pode haver contágio eventual, que só aumenta a imunidade, mas a pessoa não adoece.

Migro da pandemia para os mercados.   Ontem, o S&P 500 fechou em 3.841,47 pontos, uma variação de -11,60 pontos, ou seja uma queda de -0,30%.   O Nasdaq encerrou o pregão em 13.543, 06 pontos, uma variação de 12,15 pontos, ou seja uma valorização de +0,09.   Finalmente, o Dow fechou em 30.996,98 pontos com uma desvalorização de -0,57%.

Na semana da posse de Joe Biden, as variações dos três índices foram positivas.  No período de uma semana, o Nasdaq avançou 4,19%. o S&P 500 ganhou 1,94% e o Dow valorizou 0,59%.   

Vou ao site do New York Times e verifico que nos últimos 30 dias as valorizações alcançaram os patamares de 5,02% para o Nasdaq e 3,02% para S&P 500.  Nos últimos três meses as valorização foram bem maiores atingindo os níveis de 17,27% para o Nasdaq e 10.85% para o S&P 500. 

Finalmente, nos últimos doze meses, os rendimentos avançaram em 44.04% no caso do Nasdaq enquanto a valorização foi de 15,51% no S&P 500.   O quadro é de novas valorizações ou pode haver correção no curto prazo?  

Especula-se que alguma correção de 5,0% possa vir a acontecer porque as valorizações eram expressivas até recentemente.   Eu penso que para fixar posição em um processo dessa natureza é necessário acompanhar, mais um pouco, como serão os desdobramentos da nova política econômica do governo norte-americano.

… 

Paro por aqui.  As dúvidas são muito maiores do que as constatações que ser viram de base para o meu post nessa manhã de sábado.   

Dentre elas, como se dará a permuta entre os tributos que Biden pretende implementar e os tributos que Trump efetivamente cortou?  Valerá a promessa de Biden de tornar sem efeito a iniciativa dos primeiros dias da gestão Trump?  Tudo o que aconteceu em termos de desemprego levará a novas medidas de alívio para a economia?  A pandemia determinou o comportamento do desemprego, é de se imaginar que o pacote de estimulo resolva esse problema ou ele poderá vencer antes da retomada da economia norte-americana?

Tenho que me deslocar agora, em torno do meio dia até Campo Bom, aqui, na Região Metropolitana.  Volto a priorizar os textos do blog amanhã, bem cedinho, então, boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: LEMBRANÇA DA PARTICIPAÇÃO NA TV ASSEMBLEIA RS

Durante trinta dos quarenta anos em que exerci o cargo de técnico da Fundação de Economia e Estatística (FEE)  eu mantive uma agenda densa com a imprensa local.   

Eu fiz essa ressalva inicial porque a minha condição na FEE mudou a partir do momento em que me tornei assessor da professora Wrana Panizzi na presidência da FEE.  Isso aconteceu em 1989.   Até então, eu tinha uma vida relativamente tranquila. 

Wrana me agendou uma entrevista na imprensa e depois foi uma bola de neve que não parou mais.   Ela achava que a Instituição precisava uma transparência, ou melhor, uma interação maior com a mídia.  Com o passar do tempo eu percebi que ela tinha razão.

No final das quatro décadas eu começava o dia com seis compromissos diários junto à imprensa.  A pauta começava amanhã e terminava nos programas que começavam a meia-noite e tinham uma hora de duração.   

Eu lembro, em particular, o meu tempo de colunista do Jornal do Comércio.   Eu começava o meu dia às 06:00 porque tinha aula na UFRGS às 07:30 eu entrava na FEE às 09:00.   Para honrar o compromisso com o Jornal do Comércio eu precisei levantar às 05:00 e escrever um artigo de 4 mil toques em uma hora.   Essa, realmente, foi uma atividade que me exigiu bastante porque eu tinha que escolher o assunto, dispor das informações, redigir a coluna e encaminhar o texto à editoria da FEE. 

À medida que fui envelhecendo e me aposentei na FEE eu fiquei com um compromisso semanal no programa Espaço Aberto da TV Assembleia.   Eu resido a duas quadras do local.  Foram alguns anos em que eu fui entrevistado por alguns jornalistas.

A foto abaixo foi um mimo que eu recebi com o meu nome como participante constante do programa Espaço Aberto. 

Dentre os últimos jornalistas que me entrevistaram na TV Assembleia, eu cito a Daniela Sallet, o Carlos Hammes e o Antonio Czamanski.   Tudo que estava acontecendo da economia internacional à economia brasileira era assunto da entrevista.  A pauta focava nos fatos recentes mais importantes, mas ficava aberta para qualquer tema de última hora. 

Esse meu convívio com a imprensa foi notável.   Na minha videoteca, que está em fase lenta como uma decorrência da minha aposentadoria, eu tenho todas as minhas entrevistas em televisão e em rádio nesses quarenta anos. 

Eu coloquei uma ou outra dessas entrevistas no meu blog para fins de ilustração.  Seria impossível da minha parte lidar com 65 mil horas de imagens e dar um destino mais adequado a todo esse volume de imagens. 

BANCO POPULAR DA CHINA INJETA LIQUIDEZ NA ECONOMIA

Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 22.01.2021, 12:10, 30 graus C, 60 % de umidade

Post 01.11.11

01 Internacional, 11 China 11 número de ordem do post.

Hoje eu realizei mais uma recorrida sobre os jornais da China a afim de buscar informações pertinentes ao novo cenário que irá se configurar com a chegada de Joe Biden à Casa Branca.

Normalmente eu acesso à mídia chinesa com um objetivo, mas muitas vezes não há nada relacionada à minha expectativa e, então, eu opto pela segunda melhor alternativa,   Algo que eu nem tinha imaginado analisar, mas ao fim e ao cabo, me pareceu pertinente trazer o fato de lá para o meu blog.

Antes, uma observação sobre a moeda chinesa.  O nome oficial da moeda chinesa é Renminbi, moeda do povo, e a unidade de conta é Yuane, circular.   Um yuane é dividido em 10 jiao.  Um jiao é subdividido em 10 fen.  Vale lembrar que hoje Hoje, a cotação de um yuane, CNY 1,00 = R$ 0,83. 

Hoje, eu cheguei ao site do China Business News e selecionei uma matéria relacionada ao fato do People’s Bank of China (PBOC), o  Banco Popular da China,  ter emitido uma operação de 500 bilhões de yuanes (US$ 77,301,536,898.260), em MLF.

A taxa de juros da operação, que vem de um longo período de dez meses de estabilização, é de 2,95% e o prazo é de um ano.   A sigla MLF é utilizada para identificar Medium-term Lending Facility (MLF), ou seja, Linhas de Crédito de Médio prazo.

A estabilização das taxas de juros nos últimos dez meses deve estar refletindo a retomada da economia que já vai para o sétimo mês consecutivo. 

Lembrando, sempre, que a China foi a única das grandes economias que cresceu 1,0% ao ano quando todas as demais entraram em forte contração decorrente da pandemia.  

O foco das autoridades monetárias chinesas, que atende à expectativa do mercado, é prover liquidez à economia.   

Ocorre que há duas operações MLF, com vencimentos de 300 bilhões de yuanes e de 240,5 bilhões de yuanes, com vencimentos no corrente mês.  Então, de fato o que está acontecendo é que o PBOC está rolando empréstimos vencidos e vincendos, preservando inalterados os custos das operações pelo décimo mês consecutivo.

Para encerrar, face a tudo o que foi escrito, as taxas básicas de juros praticadas na China não devem ser alteradas no curtíssimo prazo.   

Em suma, na conjuntura atual as maiores economias do mundo parecem estar taxiando na pista e prontas para o cheque de cabeceira.   Paralelamente, a China que decolou mais cedo deve ter chegado à altitude adequada e já se encontra em pleno voo de cruzeiro. 

É o que as notícias de lá permitem ao analista concluir.   Confirmada essa hipótese, qual será a estratégia de Joe Biden para conviver com o governo de Xi Jinping?

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: SANTUÁRIO MEIJI

Na foto abaixo, diversos colegas do Curso de Planejamento, realizado no Japão, estão na entrada do Santuário Meiji, localizado em Shibuya, em Tóquio.  

A denominação da região de Shibuya tem origem em um castelo da família Shibuya que residiu no local no século XI. 

No fim do século XIX, a região tornou-se um terminal ferroviário.  Quando eu lá estive em meados dos anos 70,  a região já era um imenso centro comercial e financeiro.  Depois, nos anos 90, a região abrigou a indústria de Tecnologia de Informação (TI). 

O Santuário Meiji em Shibuya é um templo Xintoísta, que reverencia as forças da natureza.   Não há escritura sagrada e nem a busca da salvação.

Na parte inferior da fotografia o leitor pode verificar que o local foi dedicado ao Imperador Meiji e à Imperatriz Shöken, sua esposa.   Após a morte do Imperador, em 1912, a Dieta do Japão autorizou a construção do templo.

Na fotografia, na parte de cima. é possível ver tudo o que se encontra na área de 700 mil metros quadrados em que foi construído todo o complexo.  A construção foi concluída em 1926, destruída durante a IIa Guerra Mundial e reconstruída em 1958. 

Dentro do complexo encontra-se o santuário central.   Ele está na fotografia abaixo que eu bati quando cheguei ao local.  Trata-se de um templo destinado à adoração do espírito deificado de Meiji.  A parte superior do templo é de cobre.

Quando eu cheguei às escadas que permitem o acesso ao santuário eu percebi que todos os visitante batiam palmas (Hakushu), em três vezes consecutivas.  O som implica alegria para invocar a divindade e fazer um pedido.  Bater palmas significa admirar, evocar, emocionar.   

Eu lembro que me explicaram no local que a primeira palma é para chamar a divindade, a segunda palma tem o significado de fazer um pedido a ela e a terceira palma visa agradecer a graça a ser recebida.

Esse momento é conhecido como kashiwade em japonês.  A função de bater palmas equivale a de bater sinos.  

Tenho muito a contar sobre os diversos templos que eu conheci e fotografei no Japão.  É um verdadeiro processo de aprendizagem.

Certa feita eu viajava em um trem comum com todo o grupo no interior do Japão. Em dado momento o coordenador do curso sentou ao meu lado e disse para eu ficar atento a algo que ele queria me mostrar. 

De repente surgiu uma cruz ao lado da linha férrea.   Ele apontou para a mesma e me disse que ela representava alguma crença ou alguma figura importante em religião praticada no Ocidente. Eu virei para ele e quase nem acreditei no que ele estava me dizendo. 

Eu falei, Jesus, Jesus Cristo e ele respondeu, instantaneamente, é esse!   Pediu licença, deu as costas e voltou para o seu assento.   Bem, leitor, esse é o mundo em que vivemos!

UMA AGENDA DENSA E UMA PAUTA CARREGADA NA ARRANCADA DO GOVERNO BIDEN

Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 21.01.2021, 18:10, 25 graus C, 47 % de umidade

Post 01.09.41

01 Internacional, 09 Estados Unidos 41 número de ordem do post.

Ontem, finalmente, chegou o dia da posse do presidente Joe Biden na presidência dos Estados Unidos. Ã noite eu conheci, via televisão, Jen Psaki, a nova secretária de Imprensa do presidente norte-americano. 

Jen, 41 anos, descendente de irlandeses, gregos e poloneses, é natural de Stamford, Connecticut.     Ela tem formação em letras, inglês, no ano de 2000, na Faculdade de William e Mary, uma das instituições coloniais fundadas em 1693, na cidade de Williamsburg, no Estado de Virginia. 

Ela também era uma atleta.   Na sua biografia consta que durante dois anos ela competia no nado de costas como atleta do College William and Mary.   Deve ser uma pessoa preparada fisicamente para conviver com tanta atividade junto à nova equipe de governo. 

Tão logo o presidente chegou, finalmente, ao salão oval da casa Branca, a televisão mostrou Biden sentando à mesa e tendo ao seu lado uma pilha de dezessete decretos para assinatura. 

Dentre eles, o presidente determinou o fim dos recursos destinados à construção do muro na fronteira com o México e às restrições que impediam a viagem a alguns países no Exterior. Paralelamente, ele autorizou os retornos dos EUA ao Acordo Climático de Paris e à Organização Mundial de Saúde (OMS). 

À noite o presidente assistiu ao mega show programado para saudar a sua posse no cargo.  Um festival com fogos de artifício tomou conta da capital norte-americana.   Na oportunidade, a cantora e compositora Katy Perry apresentava a sua composição Firework. 

Ao contrário de Donald Trump, que assumiu posição de Negacionismo, Joe Biden declarou guerra à covid19.   O que ficou evidente após a chegada do democrata à Casa Branca é que o governo federal não dispunha de qualquer estratégia para o fazer frente à pandemia. 

Para hoje são esperadas divulgações de novos decretos para o enfrentamento à pandemia.  Durante todas as cerimônias da quarta-feira o presidente utilizou máscara e observou o distanciamento.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Teatro Dona Maria II, Lisboa

A foto abaixo é de 1968, no meu segundo dia em Lisboa.   Eu estou de terno e gravata à frente do Teatro Dona Maria II, inaugurado em 13 de abril de 1846.   

Dona Maria II era filha de Dom Pedro I do Brasil, que é conhecido em Lisboa como Dom Pedro IV de Portugal, e de Dona Maria Leopoldina, de Austria.  Ela nasceu no Rio de Janeiro em 1819 e faleceu, depois do décimo parto, em Lisboa, em 1853.   

Dona Maria tinha apenas sete anos quando Dom Pedro I do Brasil abdicou o trono de Portugal em seu favor.   Isso aconteceu em 1826.   Em 1828, ela foi enviada para Londres e, em 1831, para Paris e só chegou em 1834 para assumir o governo português.   Na oportunidade ela tinha, apenas, quinze anos de idade.   

Essa região da Lisboa do passado era um imenso caneiro sujo e sem asseio.   No século XV ele foi coberto porque ali eram realizadas feiras de produtos comerciais.   

A seguir, surgiram edifícios à sua volta.  Dentre eles, o Hospital Real de Todos os Santos, o Paço da Regência, a secretaria da Polícia, o Tesouro Público e a Escola do Exército.     

O teatro foi construído onde era o prédio do Tesouro Público, em frente à Praça do Rossio, que foi reconstruída após o terremoto de 1755 e que é também conhecida como Praça Dom Pedro IV. 

Devido à pandemia, o teatro foi fechado no dia 13 de março de 2020 e reabriu no dia 20 de junho.  Na ocasião houve a apresentação da peça By Heart, onde o teatro é evidenciado como um esconderijo onde matérias marginalizadas chegam ao cérebro do espectador presente.  

Os carros que estão na frente da praça são de pequeno porte.  Naquela época eu fiquei impressionado com a quantidade de carros FIAT, modelo 500, que circulavam por todos os lugares onde eu me encontrava na Europa.  Eu lembro até hoje que eu percebia que em popularidade o Fiat 500 na Europa equivalia ao fusca e ao DKW no Brasil. 

A propósito dos carros pequenos eu lembro uma curiosidade que aconteceu comigo na Auto Estrada do Sol.   A rodovia tinha um movimento imenso, mas naquela tarde havia um nevoeiro muito forte.  Era quase impossível enxergar à frente.

Era impossível parar no meio da estrada porque lá eu via, a todo momento, acidentes com mais de 30 a quarenta carros envolvidos.   A solução era recorrer a marcha de primeira e avançar à medida do possível.  

De repente eu senti uma batida no fusca alemão que eu tinha alugado em Lisboa para viajar por toda a Europa.   Olhei para frente, da forma que dava, e não vi nada; olhei pelo retrovisor, nada.   Não era possível parar porque eu iria produzir muitos acidentes.

Continuei à frente até encontrar um daqueles restaurantes que ficavam localizados por cima da estrada.   Desci, olhei o carro em toda a volta, e nada.  Fui fazer um lanche e esperar até o tempo mudar. 

Quando eu estava distraído surgiu um italiano à minha frente e perguntou se eu era o motorista do fusca alemão.   Respondi que sim.  Aí ele deu um sorriso e disse que vinha se desculpar. 

Ele me disse que havia dormido na estrada e que tinha acordado quando o seu Fiat 500 bateu contra o meu carro.   Estava muito grato porque, na sua percepção, eu havia salvado a sua vida.

Pode?

UMA REPRISE DO POST CARTUM, economista pensa demais, post 26, 23.08.2020, algumas coincidências

Porto alegre, 21 de janeiro de 2021

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06:10, 21 graus C, 71% de umidade

Eu escrevi esse post no dia 23 de agosto do ano passado.  Na época eu fiquei sabendo que Joe Biden havia estudado na mesma universidade que eu também havia realizado o meu mestrado de Economia.  Daí o título, algumas coincidências.   

A sua posse no dia de ontem me levou a tomar a liberdade de repetir a publicação do post para os que, eventualmente, não tenham tomado conhecimento do mesmo.  Ei-l0:

 Porto Alegre, 23 de agosto de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12:10, 13 graus, 63% de umidade

O fim da quinta-feira foi a noite final da Convenção Democrata.   Era o momento de Joe Biden, 77 anos, advogado, aceitar a candidatura do partido à Casa Branca.   Eu havia escrito um post na véspera sobre o evento.   E pretendia me ater ao discurso do candidato nesse post.  Depois, mudei de ideia.

O que aconteceu?   Bem, eu detectei algumas coincidências à medida que fui obtendo informações sobre Joe Biden.  Jamais imaginei que ele poderia ter estudado na mesma universidade que eu, ou melhor, vice-versa.  A partir daí eu comecei a conhecer a história daquele político e resolvi escrever este post na classificação do Cartum.

A propósito, quando eu criei essa classificação de Cartum eu pensava em combinar a minha habilidade em desenhar em pedra com o meu desejo de desenvolver textos de humor.  Nem uma coisa, nem outra. 

O dia a dia de ter um blog tem uma dinâmica própria.   Parece uma máquina pesada que vem pelo caminho fazendo um ruído imenso, como aquele que eu conheci no terremoto de Lisboa de 1969 e que  contei ao leitor do blog em algum momento do passado recente.

… 

Nesse contexto, ou eu dou curso à logística do blog ou ela me descarta.  Quando eu escrevo, e sinto que uma ideia surge eu preciso redigir imediatamente.  Algo parecido acontecia quando eu me dedicava a compor.  Eu sentia a inspiração da melodia, a letra atropelava a minha mente e eu precisava chegar, rapidamente, no teclado ou no violão.    Perdida a oportunidade, perdida a música. 

A par de tudo que eu expliquei acima, essa classificação denominada CARTUM tem recebido alguns posts que poderiam fazer parte de um livro de memórias.   Eu tinha, e quem sabe, ainda tenha vontade de escrever algo sobre fatos que eu vivenciei.  Como, por exemplo, o dia em que eu entrei na Iugoslávia, na época do Marechal Tito. 

Foi num dia no inverno de 1969.  Eu vinha da Itália e parei na fronteira.  E, agora, eu pensei?  Volto ou sigo?  Optei por seguir e foi uma experiência inesquecível.  Bem, leitor, eu paro de divagar e volto à ideia desse post que surgiu, um pouco, por acaso. 

… 

Joe Biden nasceu (1942) em Scranton, Pensilvânia, mas mudou-se (1953) para Claymont, Delaware.    Eu estive, durante um dia apenas, na Nova Inglaterra.   Eu lembro que eu achei diferente de tudo o que eu tinha visto nos EUA.   Um amigo me convidou para ir até lá e eu aceitei.  Eu achei tudo um pouco mais tradicional de tudo o que eu tinha conhecido até então.  

Em 1964 Biden conheceu Neilia Hunter(1942-72), natural de Skaneateles (NY), que estudava na Syracuse University, instituição que eu também estudei nos Estados Unidos.

Em 1965, Biden concluiu o curso de Direito na Universidade de Delaware.   Nessa época, 1966, eu concluiu o meu curso de Economia na UFSM.   No ano seguinte, 1966, ele casou lá; eu, aqui. 

Então, Biden foi para Syracuse onde ele concluiu seu doutorado profissional em Direito, em 1968, na Syracuse University, onde estudava a sua futura esposa.    Eu cheguei a Syracuse em 1970 e obtive o meu mestrado em Economia em 1971.   Ele na Law School; eu, na, Maxwell School. 

Neilia era professora num colégio de Syracuse.   Então, o casal foi residir na Stinard Avenue.  Em Syracuse, eu morei no Vincent Apartments que ficava localizado em 105 Smith Lane.   A distância entre a Stinard Avenue e a Smith Lane era, ou melhor, é de 3,1 milhas, que corresponde a uma distância a ser percorrida em dez minutos. 

… 

Biden primeiro estudou Direito e Política para depois chegar à Faculdade de Direito.   Eu primeiro estudei Economia e pretendia fazer Matemática.  Na conversa com o meu pai que tinha apenas o primeiro ano primário, mas uma experiência de vida notável, eu migrei da Matemática para o Direito. 

O meu pai trabalhou toda a sua vida em Casa de Câmbio em Rivera, no Uruguay, e era muito bom em aritmética.   Nunca entendi porque ele me desaconselhou de eu seguir na minha ideia original.  Quem sabe porque ele tivesse uma ideia do alcance de quem lidava com matemática. 

Quando éramos pequenos, eu e meus irmãos, e a gente discutia alguma coisa sobre o colégio, o meu pai entrava na briga e perguntava quanto era tantos por cento de um total que ele especificava na hora?  Por exemplo, quanto é 15% de 200?   A gente pegava o papel e ia montar uma regra de 3. 

O meu pai não esperava a resposta e dizia que nós não sabíamos nada.  Então, foi com esse perfil de fazer qualquer conta de cabeça que ele me convenceu que eu devia abandonar a ideia de estudar Matemática e partir para o curso de Advocacia, como ele dizia.   

Eu nunca mais esqueço a primeira aula do curso de Direito.  Eu sentei na última fila.  Eu era professor de Economia, trabalhava em mercado de capitais, e eu me achava um pouco “passado” para começar uma nova faculdade.  Eu imaginava que eu ia começar tudo de novo e cursar uma faculdade particular tinha muitos custos. 

Entre os meus colegas estavam a Regina Bollick, que viria a ser juíza no Estado, o João Gilberto Lucas Coelho, que viria a ser vice-governador do Estado, o Tarso Genro, que viria a ser governador, enfim, uma turma de uns quarenta alunos, todos brilhantes.   Eu me tornei um aluno do curso, mas, ao mesmo tempo, um observador atento de tudo o que eu aprendia, no dia a dia, em sala de aula.   

Para quem vinha de um curso de Economia eu me deparei com uma turma de alunos muito cultos no curso de Direito.  Na comparação com os professores do Direito eu aprendi a importância de um corpo docente admitido por concurso público.  Era o caso do curso de Direito; não, o de Economia.

Bem, volto ao assunto do meu post.  Joe Biden tornou-se abstêmio porque havia casos de consumo de álcool na família.  Eu também tive um parente na família que me impressionou muito pelas conseqüências que o consumo de álcool produziu na sua família.   Tornei-me abstêmio.

Eu lembro que, na ausência de refrigerante, ter tomado um copo de cerveja, que eu achei muito amargo, ao final de uma partida de futebol de salão, quando eu cheguei em Porto Alegre em 1973. 

Nos anos 60, quando eu trabalhava em mercado de capitais e ainda não era professor, eu viajava todos as semanas para Rio e São Paulo.  Construí muitas amizades nessa época.  A grande maioria bebia.  Então eu entrava na aeronave e já pedia um whisky para não ter que dar satisfação por que eu não bebia.  E, ali, eu levava aquela bebida até os cubos de gelo derreterem.   

A primeira esposa de Biden faleceu em um acidente de carro.  Embora eu já estivesse separado, a minha primeira esposa faleceu em um acidente de carro.  No caso dele, um caminhão provocou o acidente; no meu caso, também.  No caso dele, junto da esposa faleceu uma filha de 13 meses;  no meu caso, além da esposa faleceu uma irmã. 

Biden ficou com dois filhos para criar; eu também.   Na condição de professor ele realizou sete mil viagens até Washington e voltava para casa de trem para fazer as crianças dormirem.   Esse, também, foi o meu maior desafio.  A hora das crianças dormirem.   

Era comida, roupa, colégio e quanta coisa mais.  Eu lembro de ter assistido o filme Kramer versus Kramer e a tarefa até me pareceu mais branda.   A maior dificuldade era a atenção que eu precisava dar à dupla na hora da realização das tarefas do colégio.

Nos meus tempos de FEE eu escrevi sobre as Guerras do Golfo (1990) e do Kosovo(1999).     Eu lembro de ter redigido um longo artigo sobre As economias desenvolvidas e o conflito do Golfo Pérsico. 

O leitor do blog pode acessar a matéria no endereço eletrônico  https://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/view/350/584  .   

Lembro, também de ter escrito um artigo sobre o Kosovo, um elo militar para o século XXI    que o leitor pode acessar no endereço eletrônico  https://revistas.fee.tche.br/index.php/indicadores/article/view/1794/2162

Quando eu li sobre a biografia de Joe Bieden, surpreendeu-me que ele se mostrou interessado nas guerras da Iugoslava e do Golfo (1991).  No texto eu li que ele votou contra a Guerra do Golfo (1991).  Mera causalidade que eu escrevia artigos na Fundação ao mesmo tempo em que ele tomava posições políticas no Congresso dos EUA.  

Biden perdeu um filho já adulto.  Eu perdi um filho no parto.   Foi uma experiência inesquecível.  Eu não imaginava o que acontecia no caso da perda de uma criança.  Eu lembro de ter levantado cedo, no dia seguinte à perda, para fazer o registro do nascimento e do óbito.  Concluída a tarefa, e um tanto atônito por tudo o que havia acontecido na véspera, eu voltei ao hospital.

Eu lembro de ter chegado no hospital e alguém me perguntou se eu não ia no necrotério.  Necrotério?   Aí, a pessoa me disse que o meu filho estava sendo velado.   Velado?  Na hora eu procurei em que pensar e não veio nada à minha mente. 

Dirigi-me ao local e me deparei com o que seria um menino, que levaria o nome de Marcos Vinícius, sendo velado em um pequeno caixão branco.  Foi um choque.   A tia da minha esposa estava de mão com o nenê, para fora do caixão.

Foram umas oito horas até o enterro a tardinha.  Chovia.  O meu sogro e um amigo iam num carro na frente.   Eu seguia num segundo automóvel que era conduzido por outro amigo da família.   Éramos quatro pessoas em um cortejo de dois carros.  Eu ia na posição do carona, no segundo carro, carregando o caixão no meu colo. 

… 

Chegamos ao cemitério.  Junto à chuva havia vento.  As árvores sacudiam pela intensidade do vento.  E, eu, carregando o corpo do nenê, tão aguardado por toda a família durante nove meses. 

Essa cena, que eu descrevi acima, convive comigo desde uma tarde de um dia de maio de 1970.   Não há o que eu possa fazer.   A imagem sempre me acompanha.   Eu li que o Biden pensou em se atirar de cima de uma ponte, mas havia as outras duas crianças para educar.  Eu li que ele procurou atribuir o acidente ao fato do motorista ter bebido, mas nada ficou confirmado,

Eu nunca pensei em nada disso.  Eu trabalhei numa instituição de crianças.  Eu lecionei música para crianças deficientes.  Eu creio que tudo o que aconteceu me deixou um tanto sensível aos problemas da infância.  Nos anos 80 eu participei como consultor de um projeto do Banco Mundial voltado para a educação das crianças do RS.

No final do projeto, terminaram todos os prazos e a equipe se dissolveu.   Convidaram-me, posteriormente, para redigir o documento final a ser entregue ao BIRD.   Ou eu fazia a tarefa, ou ela ficaria incompleta.  No fim, aceitei.

Eu fiquei vinte dias escrevendo, dia e noite, e na data aprazada eu conclui a tarefa.  Houve um seminário em Porto Alegre e eu apresentei o documento.  Havia três seções no índice: crianças de zero a dois anos, crianças de dois a quatro anos e, finalmente, crianças de quatro a seis anos.   

O projeto tinha envolvido muita gente, entre profissionais, consultores e estagiários.  O tempo passou e eu até esqueci daquela tarefa.  Eu fiquei com a convicção que eu tinha feito uma grande tarefa, mas eu sabia que eu havia assumido algo que transcendia a minha formação acadêmica. 

Um dia, anos depois, eu estava na sala de espera da direção do BANRISUL para uma audiência qualquer e aguardava na sala de espera.  Em cima da mesa havia um documento com o logotipo do banco.  Eu tinha que esperar até a hora do evento.   Peguei o texto e comecei a ler.  Fiquei surpreso porque parecia que eu conhecia a obra. 

No final havia uma observação em que constava que eu havia elaborado o texto.   Eu saí impressionado por que eu assumi a atividade, realizei a tarefa, entreguei o produto, mas, ao tomar conhecimento da sua divulgação eu fiquei com a sensação de que eu deveria ter revisado o texto. 

Para encerrar, a vida apresenta cada improviso que é preciso persistência para seguir adiante.   Eu imagino tudo o que Biden passou.  Eu gravei o seu pronunciamento na última noite.  Ele era uma pessoa sorridente e pregando a esperança à população norte-americana.  Durante os oito anos de Obama eu escrevi muitos posts em que Biden constava como coadjuvante.   

Agora é a vez dele poder assumir o papel principal na política americana.   Se ele vencer o pleito de 3 de novembro deverá adotar posições coerentes com as ideias que defendeu ao longo da vida.  Antes de eu conhecer toda a história de Joe Biden eu achava que ele não era páreo para Donald Trump.   

Parecia-me um pouco lento para enfrentar um presidente extremamente ativ0.  Aí surgiu a pandemia no caminho de ambos.  Parece-me que agora tudo mudou.   Vou esperar as eleições chegar.  As prévias dão vantagens para Biden, mas é preciso deixar a eleição chegar.  Depois, se for vitorioso vou procurar monitorar as suas ações. 

Nesse mês eu completo 76.  Biden tem 78.  Não acho que seja uma boa idade para fazer frente à pauta de um presidente da maior economia do mundo.  Com a agenda que está aí, eu penso que a tarefa deveria ser para alguém mais jovem.    Eu me preocupo porque eu li que ele fez duas operações delicadas em 1986 e em 1988.

Quem sabe eu esteja totalmente enganado e Biden tenha uma grande vitalidade.  Eu só não creio que ele chegou aonde chegou por outra razão que não os seus méritos.  Então é esperar a eleição e verificar como será o seu desempenho.   Ele tem o exemplo de Hillary que parecia que ia vencer e foi derrotada.  Por tudo isso, eu preciso esperar e verificar o que vai acontecer depois do pleito.

… 

É isso aí.  Boa tarde, leitor do blog!    “

FALECIMENTO DE TELMO RAUL BLAUTH, PROFESSOR APOSENTADO DA UFRGS

Porto Alegre, 21 de janeiro de 2021

Horário oficial do beco da rua General João Manoel, 00h10, 21 graus C, 63% de umidade 

Tomei conhecimento do falecimento recente do economista Telmo Raul Blauth, meu colega na UFRGS, através de um telefonema do meu cunhado, o Professor Antonio Carlos Rosa.   

Há muito tempo que eu não o via porque ambos estávamos aposentados há alguns anos da universidade.  Eu o conheci quando lecionávamos no Programa de Pós Graduação em Administração (PPGA) de universidade federal e ao mesmo tempo éramos colega na área de Finanças no Departamento.

Telmo era um economista formado pela UFRGS e fez o seu Mestrado em Finanças na Michigan State University, nos Estados Unidos. 

Paralelamente às suas atividades docentes, ele trabalhou no Banco Regional de Desenvolvimento Econômico (BRDE), no Banco Nacional, no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) e no Banco Iochpe.  

Blauth sempre foi um professor de reconhecida qualificação e de muita dedicação em sala de aula.  Eu creio que ele regulava em idade comigo, quem sabe fosse um ou dois anos mais velho. 

Ele estava enfermo há um ano e deixou esposa, filhos e netos.  É isso aí.  A passagem para outras dimensões é muito tênue e acontece quando menos as pessoas pensam no significado de uma vida.   

Nessas ocasiões eu lembro no meu curso de Admissão ao Ginásio, no Ginásio Santanense dos Irmãos Maristas de Sant’Ana do Livramento, a minha cidade natal, no distante ano de 1955.  Havia uma frase colada no púlpito do professor que dizia “Viva sempre como se fosse o último dia”. 

UMA NOVA ERA NOS ESTADOS UNIDOS, JOE BIDEN, PRESIDENTE

Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 20.01.2021, 15:10, 28 graus C, 48 % de umidade

Post 01.09.40

01 Internacional, 09 Estados Unidos 40 número de ordem do post.

Joe Biden é o novo presidente dos Estados Unidos.  Eu acredito que nessas primeiras horas a pandemia e a recessão estarão no alvo do novo inquilino da Casa Branca.   Eu penso que ele deve se manifestar sobre esses, dentre outros, grandes problemas que deverá enfrentar a partir dessa quarta-feira.

Ontem, à noite, Donald Trump concedeu 143 indultos, inclusive a Steve Bannon, estrategista chefe da Casa Branca na sua gestão.   Ele foi acusado de participar de fazer as vezes de um link de fraudar aqueles que contribuíram com recursos para criar o muro na fronteira.

Trump já havia anunciado que não participaria da cerimônia de posse.  Melanie, em particular, não deu curso a uma atividade tradicional de mostrar a infraestrutura da Casa Branca à nova primeira-dama do país.

O ainda presidente Donald Trump deixou Washington nessa manhã.     Ele partiu para a Flórida onde tem um número expressivo de correligionários e seguidores.   

No momento em que escrevo esse post, Joe Biden e Kamala Harris estão assistindo a um culto religioso na Catedral de St Matheus.   Kamala seráa importante, ainda mais, porque será o voto de minerva no Senado onde há 50 a 50 cadeiras entre democratas e republicanos. 

Estou acompanhando o evento pela CNN.  Agora, 11:52 no horário oficial do meu beco, a televisão mostra o forte esquema de segurança presente às imediações do Capitólio.  A missa na igreja católica chegou ao fim e Biden e Kamala seguiram para o Capitólio, local da cerimônia de posse. 

Chegaram para o evento Michele e Barack Obama, Hillary e Bill Clinton e Laura e W. Bush.  É o que a CNN está mostrando desde o Capitólio, às 12:05, horário de Brasília.  Kamala tuitou nesse momento, que os EUA vivenciarão um novo capitulo a partir de hoje. 

..

São 12:15 e a CNN mostra a primeira imagem de Joe Biden descendo do carro para a cerimônia no Capitólio.   Ao mesmo tempo eu vejo a chegada de Mike Pence, vice de Trump e do ex-presidente George W. Bush.  É um sinal que importantes lideranças republicanas participarão do evento.  

Uma ameaça de bomba na Suprema Corte levou à evacuação do local por forças de segurança.  São 12:23 no horário oficial do Brasil.   Agora as imagens da televisão mostram a vez da Comitiva de Joe Biden chegar ao Capitólio. E, logo a seguir, Biden e Kamala sobem as escadas do Capitólio, abanam várias vezes aos presentes e entram no prédio.

Agora 12:32, é hora de Joe Biden jurar a Constituição dos EUA.   Não há publico nas ruas de Washington DC.  Os jornalistas precisam realizar todos os seus deslocamentos como pedestres.  A todo momento enfrentam bloqueios dos representantes do setor de segurança.  

Os convidados para o evento deveriam ser representados por um público de 200 mil pessoas, todavia devido às circunstâncias, ficou reduzido a, apenas, a hum mil pessoas.   De forma intermitente, as imagens da televisão mostram, os casais Clinton, Obama, Bush e Pence. 

Todos as autoridades estão devidamente acomodadas à frente do Capitólio.   São 13:21 e começa o discurso da senadora Amy Klobushar que fez uma retrospectiva do que aconteceu junto à Capitol Hill e saudou Biden e Kamala nos cargos que estão sendo empossados. 

A seguir, Roy Blunt, Senador do Missouri, também recorre à história da democracia, ao ataque ao Capitólio, aos desafios da saúde e saúda os novos líderes dos país.   Enfatiza que o momento é de união de democratas e republicanos.  

São 13:30 e haverá uma prece por parte do padre católico Leo Jeremiah Donovan.  Até agora a história registra a presença de dois presidentes católicos no país, John Kennedy e Joe Biden.   

O sacerdote pregou a sabedoria ao presidente para saber diferenciar o certo do errado.  É preciso sonhar juntos, disse o Papa Francisco, lembrou o sacerdote na ocasião.  

… 

É chegado o momento de Lady Gaga cantar o Hino Nacional.   São 13:39.  Ela saudou o presidente e a vice e começou a cantar.  Um momento emocionante.  Nos meus anos de Estados Unidos eu aprendi que o hino era uma prática do cotidiano.   Um momento maravilhoso da solenidade!

Kamala Harris está fazendo o juramento à Constituição (13:41).  Agora, é a vez de Joe Biden realizar o seu compromisso frente à Carta Magna norte-americana.

Chega Jennifer Lopez ao evento dirige-se ao microfone para realizar a sua apresentação.   No meio de sua performance da canção This land is my land, ela recorre ao espanhol e pede libertad y justicia para todos.

...

Agora, 13:48, Biden desloca-se perante o juiz para fazer o seu juramento à Constituição como presidente dos Estados Unidos.

São 13:52 e Biden começa o seu discurso, o dia dos Estados Unidos e da democracia.  Hoje o país comemora o dia da democracia, afirma o presidente.  Nesse solo sagrado onde as invasões ameaçaram a democracia, hoje há uma reunião para mostrar a nação que podemos ser.   

Confessou a força da nação e cumprimentou o presidente Carter que não podia estar no local.  O povo busca uma nação mais perfeita.  Superou-se dificuldades mesmo com guerras, mas há muito a fazer.  

Os momentos atuais são os mais difíceis pela presença do virus que a pandemia está levando de vidas americanas.  Os sonhos não serão postergados.  Um grito vem do planeta para superar o desafio é preciso mais do que palavras, é preciso a união, falou o presidente.

Biden lembrou Abraham Lincoln e disse que nesse dia, mais uma vez, a alma dele estava completa.  É preciso união para combater inimigos, raiva, desemprego, dentre outros.  É preciso dar emprego para as pessoas e educação para as crianças, disse Biden. 

Há uma batalha perene e nunca a vitória está garantida.  O ânimo dos americanos sempre prevaleceram.   É preciso recorrer à fé para juntar forças pela união do país.   Juntos, jamais fracassaremos, disse Biden. É preciso ouvir o próximo.   Toda a discórdia não pode levar à guerra. 

Os Estados Unidos podem ser melhores do que aí está.   Na Guerra Civil nós mostramos que podíamos ser melhores, continuou o presidente.

Saudou Kamala Harris, mostrando a primeira mulher na vice presidência do país.  Então, não digamos que não podemos mudar, complementou o presidente. 

Disse que estava honrado a todos que apoiarem a sua campanha.  Aos que não apoiaram vejam o meu coração.  A discordância não pode levar à falta da União.  Prometeu lutar por todos o que o apoiaram e os que não o apoiaram. Ele citou Santo Agostinho.  Disse que os Estados unidos devem conviver com oportunidade, segurança, honra e verdade.  Lembrou do pai que ficava olhando para teto pensando como ia pagar as suas contas.

Precisamos terminar a luta de democratas x republicanos, conservadores x liberais.  Pare e se coloque no lugar do outro.  Se assim procedermos o País será mais forte no futuro.  É preciso utilizar a ciência e lembrar a Bíblia que diz que depois da noite vem a luz, disse Biden.

Falou ao resto do mundo dizendo que iria restabelecer as antigas parcerias.  Seremos um parceiro forte. Passamos por todas coisas.  Unam-se comigo por uma prece silenciosa pelos 400 mil óbitos que foram vitimas da pandemia.  O presidente fez um silêncio e disse Amém.  

É preciso passar um novo futuro para nossos filhos.  O trabalho e orações nos trouxeram a esse dia.  Biden disse que ao final da sua vida que ele gostaria de dizer que fez tudo por seu país.  A liberdade nos Estados Unidos deve ser a ideia que é preciso passar para todo o mundo.  E concluiu o seu pronunciamento.

Bem, Joe Biden é, agora, quadragésimo sexto presidente dos Estados Unidos.  São 14:14

Garth Brooks, artista county, cantou Amazing Grace.   Amanda Gorman recitou uma poesia em que o silencia nem sempre representa paz.  Para concluir, Silvester Beaman, reverendo da Igreja Metodista de Delaware e amigo do filho falecido de Joe Biden, realizou a prece de encerramento. 

À essa altura, 14:41, a mídia divulgou que o Papa Francisco enviou uma mensagem ao presidente Biden, dizendo que ele iria orar pelo seu sucesso.  

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Rumo à cidade de Hiroshima.

A distância de Tóquio até Hiroshima é de 810 quilômetros.   Durante o curso de Planejamento que realizei no Japão, uma promoção da Overseas Technical Cooperation Agency, havia aulas em Tóquio e, em algumas oportunidades, o grupo viajava a alguns locais pré-determinados.  

Na foto abaixo, que eu bati em 1974, a turma viajava no trem bala.   Todavia, a alguns quilômetros de Hiroshima, foi necessário realizar uma baldeação porque a via férrea ainda estava em fase de construção até o ponto de destino.   

Éramos doze alunos com formação básica em Economia e estávamos sempre , inclusive nas viagens, acompanhados pelo coordenador do curso, Mr K. Kato, e do staff da Agência de Planejamento do Japão. 

Na imagem, a pessoa mais baixa em primeiro plano era o Ministro da Economia do Vietnã.  Ele está conversando com um colega do Irã.  O terceiro presente ao grupo veio da Indonésia. 

À esquerda, em terno claro e com a cabeça encostada contra as escadas, está o representante da Tailândia.    Ele havia estudado no Reino Unido.  Durante o curso ele tinha uma participação intensa debatendo temas da maior importância.   Às vezes, as discussões mais tensas entre os colegas do grupo tinha ele como uma das partes.

Atrás, olhando para a câmera, está o representante da Nigéria e, logo atrás, de terno branco e gravata escura, o técnico vindo do Paraguai. 

Nós formávamos um grupo relativamente bem integrado, fora uma ou outra exceção.  Eu percebia, a todo momento, que os profissionais do Japão que conviviam conosco tinham uma ideia mais precisa dos países presentes do que vice-versa.

Eu lembro do dia em que fui visitar a Nippon Steel, eu fiquei surpreso como havia informações disponíveis sobre o Brasil.  Eu lembro em especial dessa data porque a havia uma cor marrom  no ar.  Quando a porta do ônibus que levou o grupo para conhecer a corrida do aço, um dos alunos, vindo da Arábia Saudita, passou a relatar a dor que estava sentindo no nariz que tinha sido operado anteriormente.

A CERIMÔNIA DE POSSE DO PRESIDENTE DE JOE BIDEN NA PRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS

Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 19.01.2021, 12:10, 29 graus C, 56 % de umidade

Post 01.09.39

01 Internacional, 09 Estados Unidos 39 número de ordem do post.

Hoje, terça-feira, às 17:30, a cerimônia de posse de Joe Biden terá início.   Sob a presidência de Maju Varghese, um indiano-americano nomeado para o cargo de diretor executivo da Comissão de Posse Presidencial, haverá um evento de iluminação no Memorial de Lincoln para lembrar os óbitos por covid19 nos Estados Unidos.

Maju Varghese é um advogado nascido nos Estados Unidos, descendente de pais vindos de Thiruvalla, uma cidade do Estado de Kerala, na Índia. 

Ele foi o principal consultor e executivo de operações da campanha de Biden coordenando a transição do trabalho presencial para o remoto.    No passado, ele trabalhou na gestão de Barack Obama, dentro da Casa Branca, tendo sido o chefe de operações do Hub Project.

Amanhã, quarta-feira, às 12:00, deverá acontecer a posse de Joe Biden.  Sob a coordenação de Maju Varghese, será uma cerimônia ajustada à realidade da pandemia  

Joe Biden fará o juramento perante o juiz John Roberts Junior, titular da Corte Suprema,  na frente Oeste das instalações do Capitólio.  Depois, apesentará a sua primeira locução como presidente e revistará as forças militares dispostas para o evento.

Donald Trump negou-se a participar da posse de Joe Biden.  Não haverá desfile na Avenida Pensilvânia. Do local da posse, Joe Biden e Kamala Harris irão para a Casa Branca onde serão escoltados, em um quarteirão, por militares representantes de todas as forças armadas. 

Os eventos serão simplificados, mas repletos de significados.   A pandemia exige que assim seja.  Há preocupação com as ameaças armadas anunciadas, previamente, pelo FBI. 

Finalmente, para o grande público haverá um programa de televisão com participação de artistas e músicos famosos visando unir a nação, tão dividida na gestão anterior.   Dentre as quarenta e seis músicas constantes da programação está a música de Anita, Make it hot.

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: A PARADA DOS BICHOS, BAGÉ, 1963

Em 1962  eu conclui o curso Científico na primeira turma do Colégio Estadual Liberato Vieira da Cunha em Sant’Ana e no ano seguinte, 1963, eu fui morar na casa dos meus tios, primos e da minha madrinha Leonor Rich Dias na cidade de Bagé. 

A Faculdade de Economia funcionava à noite, junto às instalações de um Curso de Contabilidade, no prédio da Escola Silveira Martins, na Avenida Sete de Setembro, a via principal da cidade.

No início das aulas do primeiro ano da Faculdade havia o famoso desfile dos bichos.  Durante o primeiro mês de aulas, o trote era exercido por parte dos veteranos sobre o que estavam começando o curso superior.

O desfile representava o fim dos trotes.  Era uma data importante em que os bichos desfilavam pelas ruas da  cidade.  O evento acontecia na Avenida Sete de Setembro.   O grupo descia a avenida do prédio da Faculdade em direção ao centro da cidade. 

Na foto, o meu colega Sebastião representava o Fidel Castro e eu, de cartola e fraque, representava John Kennedy.   A nossa colega, filha de um professor da faculdade, representava Cuba.

O nosso trio passou todo o tempo do desfile discutindo com quem deveria ficar Cuba.  O público, atento, ouvia e também participava emitindo opiniões ininterruptamente. 

Se a minha memória está correta a foto foi batida em frente a Casa Obino, uma grande loja que havia na época, e que ficava na calçada da frente onde nós estávamos desfilando.   

Eu permaneci aquele ano na cidade da fronteira e no ano seguinte, 1964, fui transferido para a UFSM, em Santa Maria, onde o meu irmão menor José Luiz estudava na Faculdade de Agronomia. 

Eu fui morar numa república de estudantes de Sant’Ana, localizada na rua Duque de Caxias, em frente à casa do Tarso Genro que foi colega do meu irmão do meu irmão na Escola Agrotécnica e que anos depois foi meu colega no Curso de Direito, ambos da UFSM, à época da gestão do Reitor Mariano da Rocha

JANET YELLEN, SECRETÁRIA DO TESOURO, SERÁ A ARTÍFICE DA TRANSIÇÃO

Docente aposentado, 76 anos, da UFRGS (1967-1997), disciplina Cenários Econômicos, e economista da FEE durante 40 anos (1973-2012)  

Porto Alegre, 18.01.2021, 12:10, 26 graus C, 54 % de umidade

Post 01.09.38

01 Internacional, 09 Estados Unidos 38 número de ordem do post.

No dia 03 de novembro de 2017 eu escrevi um post sobre a transição no FED, de Janet Yellen para Jerome Powell.   

Dada a importância de Janet Yellen na economia e na política norte-americana eu reproduzo o que eu escrevi naquela oportunidade.   Veja, a seguir, o post de novembro de 2017:

” EUA, mudança no Sistema de Reserva Federal (FED), de Janet Yellen para Jerome Powell 

Há dias que o assunto está na pauta da mídia.  No começo havia sete nomes cotados para assumir o Sistema de Reserva Federal dos EUA (FED) e o canal Bloomberg mostrava as fotografias de todos na tela. 

Posteriormente, eu percebi que a lista diminuiu de sete para cinco e, na semana passada, a imagem projetada na televisão mostrava, apenas, três candidatos na disputa.  Naquela oportunidade, o canal Bloomberg colocou um título THEN THERE WERE THREE? 

E, logo a seguir, um subtítulo, Trump whittles down FED Chair Candidates.   Três fotografias apareciam abaixo, na tela da televisão, Janet Yellen, Federal Reserve Chair, Jerome Powell, Federal Reserve Governor e John Taylor, Stanford University Professor.

Há dois dias, a figura de Jerome Powell foi associada à opção de Donald Trump para liderar a política monetária na maior economia do planeta.  Finalmente, ontem a decisão foi tomada e Powell substituirá Yellen em fevereiro do próximo ano.

Janet Yellen (1944) substituiu Ben Bernanke no FED e foi nomeada no primeiro dia de fevereiro de 2013.   Eu esperava que ela permanecesse por um período maior.  Parecia-me uma pessoa sempre disponível, gentil, respondia as perguntas dos políticos nas comissões do Congresso e as indagações dos jornalistas nas entrevistas coletivas da mesma forma, com calma, sem pressa e muito didática nas explicações.  Eu acompanhava todas as suas entrevistas na televisão porque elas eram previamente anunciadas na mídia. Yellen é formada na Universidade de Brown (1967), doutoramento em Yale (1971) e professora emérita por Berkley (1980).   Possui um currículo invejável, tanto na academia como em cargos importantes nos setores público e privado.  Esteve no FED, pela primeira vez, em 1994.  No Conselho de Administração do Sistema de Reserva Federal o seu mandato atual termina em 2024. 

Jerome Powell (1957) é formado (1979) pela Georgetown Law, Princenton.  Chegou ao FED por indicação de Barak Obama.  Embora não deva acontecer mudanças abruptas na política monetária, Powell não deve prosseguir com o discurso da prudência que Yellen manteve ao longo do seu mandato.  Durante os últimos anos, o mercado pressionava pela retomada da política monetária, mas Yellen pedia paciência aos seus interlocutores.  Powell não deve convergir para essa estratégia em seu mandato. Bem, agora começa a fase das mudanças de expectativas e a conjuntura deve repercutir em breve qualquer sinal de alteração na gestão do FED.”

Eu reproduzi o que escrevi ao final da gestão de Yellen porque eu acredito que as minhas observações continuam válidas ainda hoje.  Naquela oportunidade ela estava no banco central, o FED, e liderava a política monetária.   Agora ela vai ocupar o cargo de Secretária do Tesouro e vai liderar a política fiscal.

Eu acredito que ela tem uma imensa contribuição a dar para a economia norte-americana e para o mundo como um todo.   Eu imagino que vou escrever muitos posts sobre Yellen e a sua gestão no governo Biden.  Promete ser uma figura importante na transição do governo republicano para o democrata.  

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: JOALHERIA GALLO EM 1944

A propaganda abaixo é do jornal A Plateia, de Sant’Ana do Livramento, de 1944.   Na mesma edição que aparece a participação do meu nascimento em 31.08.1944 está a imagem abaixo

A joalheria era de propriedade da família Gallo, amigos de meu pai desde a infância.  Os Gallo vieram de Nápoles, o meu avô, de Como, pertinho de Milão.   Nápoles é no Sul e Como é no Norte.  Conheci as duas regiões e tenho alguns slides de ambas que vou publicar à medida que eu sincronize as minhas atividades no Blog.

Os Gallo que eu conheci eram três irmão, Simone, Giovani e Francisco.   O seu João fazia aniversário em primeiro de abril e a sua esposa, Dona Antonietta, de saudosa memória, comemorava a sua data natalícia  em 17 de novembro.   

O filho deles, o meu amigo Vito, foi o grande parceiro desde que éramos meninos.  Retomamos os contatos no fim do ano passado e trocamos WhatsApp diariamente desde o natal passado. 

O Vito era Vasco quando pequeno e, eu, Flamengo.  Hoje, ele é Internacional e, eu Grêmio.  Quando éramos pequenos o Lelinho criou um time de futebol de campo, o Hércules, com camisetas de cores vermelha, branca e preta.

O Vito era o “meu contato com as camisetas do Hércules, onde eu jogava de half direito.  A gente disputava partidas em campo de futebol de dimensões normais.  Era um cansaço danado. 

Bem, a joalheria ficava na Rua dos Andradas, entre a Quitandinha do Remo Bíssio e a casa do Dr Rosa, pai da Carmem, um dentista de muito reconhecimento na cidade.

A joalheria era atendida pela Elvira, tia do Efraim, um amigo meu que faleceu com nove anos, e pela Neusa Savi, irmã do meu amigo José Luiz Savi, o Cecito, que jogava muito futebol, ria bastante, foi expedicionário nas forças da SUEZ e se aposentou, penso eu, como delegado de polícia em Porto Alegre. 

A Neusa Savi foi representante da joalheria em um concurso de beleza em Santana.  Ela foi escolhida a mais bela comerciária de Sant’Ana em 1954 ou 1955.   

A Neusa era filha do seu Pedro e Dona Maria e tinha mais dois irmão, o Nei, capitão do 14 de Julho de Livramento que faleceu num acidente de trem, na condição de passageiro que foi apanhado por uma ponte da estrada de ferro.   O Nei estava para ser contratado pelo Grêmio de Porto Alegre.  

A outra irmã da Neusa era a Luisa que eu encontrei, depois de muitos anos, aqui em Porto Alegre, na rua André da Rocha.  A última vez que eu a vi foi há uns dez anos. 

Em volta da entrada da joalheria havia produtos e joias para o público ver.   A joalheria propriamente dita tinha uns 20 metros de profundidade com o balcão à esquerda de quem entrava no local. 

Na rua, havia um grande relógio que marcava as horas para o público que passava pela rua dos Andradas.  Era um “patrimônio” da cidade.  Ao fundo da joalheria estava a oficina do seu João. 

Eu o via, por cima do muro do pátio, sempre trabalhando nos seu serviço.  Ele falava um português com muito sotaque italiano.  Quem o conhecesse achava que ele havia chegado ao Brasil na semana anterior. Eu achava que ele tinha um pouquinho do professor Pardal porque me parecia que sabia muito de tudo.

Os almoços na casa do Vito Gallo estão desafiando a minha memória até hoje.  Presentes à mesa, Simone, Giovani, Vito, Ana, Stella, Paulina, Flora, Lília e Rubens Mandarino na extremidade da mesa.  A dona Antonieta passava todo o tempo da mesa para a cozinha. 

Eu poderia escrever um livro sobre as minhas doces lembranças da família Gallo.  Um dia vou contar como eles amassavam os tomates, produziam suco de tomate e o engarrafavam.  Eram uma semana de trabalho ininterrupto.  Eu achava que aquilo era uma imagem de Nápoles em plena Sant’Ana.