O PRESIDENTE FERNÁNDEZ RETORNA DA EUROPA EM MEIO A CRISE NA ECONOMIA E O AVANÇO DA PANDEMIA

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012), duplamente vacinado (2021) e vivendo em um país em que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos (2018) e em um estado em que a expectativa média de vida do gaúcho é de 76,89 anos (2016-18)

Porto Alegre, 15.05.2021, 06:10, 09 graus C, 66 % de umidade

Post 01.14.10

01 INTERNACIONAL, 14 Argentina, 10 Número de ordem do post

Amanheceu muito frio em Porto Alegre.  Agora o termômetro marca nove graus. Na minha percepção não houve o verão de maio nesse ano.  Cada dia me parece que está mais frio que o anterior.  Eu acordo e já começo a preparar o mate.  Ele me ajuda a tornar a tarefa mais fácil no início de um novo dia. Eu penso que é a agitação que ele provoca.  Quem sabe um pouco do ritual em prepará-lo. 

Hoje eu vou priorizar a Argentina.  O país está com a pandemia em alta.  São 3,2 milhões de casos de contágios, décimo primeiro lugar no ranking global, e 69,8 mil óbitos contabilizados no país.   

Eu observei atentamente os gráficos do Coronavirus Resource Center da Johns Hopkins University e verifiquei que o país está na terceira onda de contágios, praticamente o dobro do número de casos quando comparada às duas ondas anteriores, e essa última se mantém no pico da curva.   

Quanto ao número de óbitos eu creio que o país convive com a segunda onda e também se mantém na extremidade superior da curva.   Finalmente com relação ao número de vacinados, esse já alcançou um contingente de 9,5 de pessoas nesse sábado.

O canal 26 de Buenos Aires está informando que ocorreram 27.363 novos casos de contágios e 601 óbitos nas últimas vinte e quatro horas.  Segundo a imprensa local são os piores resultados na convivência com a Covid desde o início da crise sanitária.  

Da pandemia eu migro para a política argentina.  O presidente Alberto Fernandez retornou ao país depois de uma viagem ao Exterior iniciada por Portugal no dia 09 do corrente mês.  Acompanharam o presidente os ministros e/ou secretários Martin Guzman, Gustavo Beliz, Juan Pablo Biondi e Julio Vitobello, além do chanceler Felipe Solá. 

O objetivo principal do presidente e dos seus auxiliares era obter apoio para a renegociação da dívida de US$ 44 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Essa pauta externa da Argentina é antiga.  Há muitos anos o país vive em embates com o FMI.  A fase mais crítica da crise aconteceu com a pressão dos credores abutres sobre o governo de Buenos Aires. 

Maurício Macri assumiu com um discurso de mudar o ambiente local, mas ao fim o governo encerrou a gestão com recessão, inflação nas nuvens e deixando de honrar compromissos com o FMI.

Alberto Fernandez assumiu depois de bater Maurício Macri nas últimas eleições.  O novo presidente teve a ex-presidente Cristina Fernandez como companheira de chapa.   Eu confesso que eu não tinha muitas expectativas com relação ao novo governo.

Para minha surpresa, o Papa Francisco entrou em cena.  Ora Francisco é o antigo cardeal argentino Jorge Mário Bergoglio, 84 anos,nascido em Buenos Aires em 17 de dezembro de 1936.   O Papa  apoiou Fernández e a comunidade internacional passou a ser parceira argentina. 

Incrível o peso de um papa.  Naquela oportunidade Francisco promoveu um seminário no Vaticano sobre a economia argentina e convidou Kristalina Georgieva, a economista búlgara que exerce o cargo de Diretora Gerente do FMI.  Martin Guzman, o ministro da Economia, participou do evento.  

Dessa vez foi o próprio presidente Alberto Fernández quem esteve com o Papa no Vaticano.  Fernández esteve com diversas lideranças europeias.  Todas fechadas com a Argentina.  Emmanuel  Macron da França, Pedro Sánchez da Espanha, Marcelo Rebelo de Sousa de Portugal, Antonio Costa de Portugal e Mário Draghi da Espanha.

Alberto Fernandez reuniu também com a Diretora-Gerente do FMI, objetivo principal do presidente em sua viagem ao Velho Continente.   Acompanhado de Martin Guzmán, o líder argentino pleiteou uma revisão nos juros sobre a dívida de US$ 44 bilhões.   De parte da diretora gerente da Instituição o presidente confirmou que recebeu apoio para a elaboração de um programa econômico para enfrentamento da crise atual.

Eu acessei o site do FMI e verifiquei que Georgina deixou uma mensagem sobre o seu contato com Fernández.  Ela escreveu que manteve uma reunião muito positiva com o presidente da Argentina.

… 

E complementou “Tive uma reunião muito positiva com o presidente Alberto Fernández, da Argentina, hoje. Foi um verdadeiro prazer finalmente conhecer o Presidente Fernandez cara a cara, que destacou os benefícios do diálogo pessoal. Conversamos sobre a necessidade urgente de continuar a lutar contra a pandemia Covid-19 para preservar vidas e meios de subsistência, bem como os desafios únicos que os países de renda média enfrentam”.

Ao fim da sua visita, o Presidente reconheceu que recebeu ampla apoio das lideranças europeias em todos os níveis, mas que ele tem presente que está realizando uma negociação.   Enquanto o acordo final não for firmado há muita incerteza em curso.

A par da renegociação da dívida externa argentina não se pode esquecer como se encontra a conjuntura econômica local à essa altura do ano.     

O PIB recuou -10,0% em 20200, o ano da pandemia.   O Panorama Econômico Mundial do FMI estima que a economia argentina crescerá 5,8% no corrente ano e 2,5% em 2022.

Durante a pandemia além da profunda recessão, a Argentina conviveu com uma taxa de inflação expressiva de 42,0% no ano passado.   O país ainda sofre com altos níveis de desemprego.  A taxa de desemprego elevada encontra-se em patamares 11,4% (2020), 10,6% (2021) e 9,3% (2022)

Em suma, essa é a situação da Argentina.   A pandemia está no pico, a economia está no piso e o governo de Alberto Fernández buscando apoio de lideranças internacionais para fechar um acordo com o FMI que contribua, de alguma forma, para que o país possa sair da crise.

Boa noite, leitor do blog! 

FOTO ABAIXO: MUSEU DA HISTÓRIA DA MEDICINA DO RIO GRANDE DO SUL

Eu estive nesse prédio quando ele era conhecido como Beneficência Portuguesa e ainda não havia sido inaugurado o Museu da História da Medicina do RS.

Naquela ocasião o meu pais precisou ser operado em razão de uma hérnia.  De dia, mesmo sendo um prédio antigo, havia boa iluminação no recinto.  Eu lembro que meu pais precisou ficar dois ou três dias hospitalizado e a iluminação à noite me pareceu muito fraca.

Antigamente as luzes eram amarelas e de baixa intensidade tornando o ambiente um tanto inóspito.  Eu lembro que na primeira noite eu conversei com um trabalhador do hospital.  Ele me disse que o quarto que o meu pai estava utilizando naquela noite, era o mesmo local que tinha sido ocupado pelo cardeal Dom Vicente Scherer.

Atualmente o prédio tem uma iluminação invejável. O leitor pode saber tudo sobre o museu ao acessar o site no endereço eletrônico  https://www.muhm.org.br/

A CRISE BRASILEIRA PERSISTE, MAS É PRECISO PROSSEGUIR FINANCIANDO O TESOURO NACIONAL

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012), duplamente vacinado (2021) e vivendo em um país em que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos (2018) e em um estado em que a expectativa média de vida do gaúcho é de 76,89 anos (2016-18)

Porto Alegre, 14.05.2021, 18:10, 18 graus C, 35 % de umidade

Post 02.01.49

02 Brasil, 01 Conjuntura econômica, 49 Número de ordem do post

Mais uma sexta-feira chegou.  Paro tudo para ver como está o Brasil.  Quando a crise brasileira dos últimos seis anos convergiu para a recessão mundial da pandemia eu fiquei extremamente temeroso.  Não há formula mágica para sair dessa situação sem um grande estadista no Planalto e um profissional competente no Ministério da Economia.

A OMS já confirmou que não há como produzir mais vacinas para atender a demanda global.   O país não conta com um estadista no Planalto e a pasta da Economia carece de uma proposta de retomada do crescimento econômico desde o dia primeiro de janeiro de 2018. 

Lamentavelmente, o Brasil sobrevive em meio à polarização sem qualquer chance de dispor de meios de se articular com a comunidade internacional.  E assim as horas vão passando com as palavras de Paulo Guedes reafirmando que as contas públicas estão quebradas. 

Nas poucas conexões que o país poderia se comunicar com o mundo há um bloqueio rígido na articulação.   A OCDE condicionou a aceitação do Brasil na Instituição se o desmatamento for zerado.  Uma medida extrema, quem sabe, mas é o que há.   

Como encaminhar uma mesa de negociação se o ministro brasileiro de Meio Ambiente anda às turras com os representantes do Velho Continente no plenário da sustentabilidade?   Assim como está não há a menor chance das partes chegarem a uma agenda mínima como ponto partida de discussão.

Na verdade, o governo está na reta final do seu mandato.  Há um ano e meio à frente sem que o governo de Bolsonaro, através do seu ministro Paulo Guedes, tenha sinalizado como repor o país nos trilhos da economia. 

Lamentavelmente, penso eu, a partir de agora resta conviver com polarizações, pandemia, polêmicas, Pazuello e tudo o que possa acontecer com a CPI. 

Nesses últimos dezoito meses que restam ao  governo que se propunha seguir um receituário conservador, que criou um super-ministério e colocou Guedes à testa, não aconteceu nada de novo na Economia a não ser às críticas sistemáticas aos governos sociais-democratas que o antecederam.

Haveria um estadista à vista que assumisse uma estratégia de desenvolvimento do país, sem estar comprometido com todas as mazelas que os brasileiros já não toleram mais?   Eu creio que o Brasil da Democracia precisaria iniciar um ciclo virtuoso com objetivos amplamente aceitos e com metas extremamente exequíveis.  

Estarei sonhando em demasia?   O país está com a situação fiscal totalmente comprometida.  Se nos próximos dezoito meses não houver um ajuste mínimo eu acredito que as agências internacionais irão voltar a reduzir a nota da nossa dívida soberana.

Eu consultei o site da Agência Brasil e verifiquei que a Dívida Pública Federal avançou de R$ 4,249 trilhões em 2019 para R$ 5,01 trilhões em 2020, um incremento de 17,9% de um ano para o outro.   Desse total, R$ 4,787 trilhões representa a Dívida Pública Mobiliária Federal Interna e R$ 243,45 bilhões representa a Dívida Pública Federal Externa.

Até onde eu lembro, em dezembro passado a Standard & Poor’s manteve a nota da dívida pública em três degraus abaixo da classificação conhecida como grau de investimento. 

É preciso estar atento porque um governo sem planejamento e com a dívida batendo no teto precisa continuar se financiando.  É fundamental contar com a confiança do investidor para que a via de mão dupla funcione.  Ele investe numa mão e o Tesouro honra compromissos financeiros na outra.  

Amanhã, ou depois, eu volto a detalhar ao leitor outras dificuldades que nos aguardam à frente. 

Boa noite, amigo! 

FOTO ABAIXO: USINA DO GASÔMETRO

A Usina do Gasômetro era uma antiga usina térmica a carvão mineral inaugurada em Porto Alegre em 1928.  A chaminé de 113 metros foi construída em 1937 e o complexo todo foi desativado em 1974, à época da crise do petróleo.   

Nas cercanias do local havia canalização de tanques de gás de petróleo que deu nome à usina de Gasômetro.

Eu tive um vizinho, já falecido, que morava no edifício onde eu resido e com quem eu conversava com alguma frequência.  Um dia, o Sr Johnson, esse era o seu sobrenome, me contou que trabalhou na construção da usina da ponta do Gasômetro.   Ele me disse que naquela época todos os grandes investimentos em energia da capital gaúcha pertenciam a grandes empresas internacionais.   

De 1988 para 1989, na transição do governo Collares para o governo Olívio, houve a reciclagem do local que levou à inauguração de um Centro Cultural em 1991.

Quando os meus filhos eram pequenos e a família saía para realizar uma refeição fora eu utilizava aqueles minutos em que o garçom nos atendia e a comida era servida para desenhar no guardanapo de papel algum quadro que estivesse pendurado na parede. 

Era uma tarefa para ser cumprida em poucos minutos.  O desafio que eu me colocava perante as crianças era de ter a figura pronta até o momento do início da refeição.   O desenho abaixo tem mais de quarenta anos.  Eu precisava iniciá-lo, sem chance de recomeço ou de descarte, e terminá-lo no tempo aprazado.   

JAPÃO, PANDEMIA, EMERGÊNCIAS TOTAIS E EMERGÊNCIAS PARCIAIS

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012), duplamente vacinado (2021) e vivendo em um país em que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos (2018) e em um estado em que a expectativa média de vida do gaúcho é de 76,89 anos (2016-18)

Porto Alegre, 13.05.2021, 00:10, 13 graus C, 43 % de umidade

Post 01.10.03

01 INTERNACIONAL, 10 Japão, 03 Número de ordem do post

As idas e vindas da pandemia me deixa um pouco indeciso na escolha do tema do post a cada dia que passa.  A economia norte-americana está retomando o seu crescimento e esse fato é fundamental para a recuperação global.  Eu tenho tenho escrito a respeito de forma recorrente no meu blog.

As idas e vindas a que eu me refiro tem muito a ver com as imagens do crematório da Índia que foi objeto de um post na semana passada.   No último dia 07 de maio eu publiquei o texto intitulado “A Covid provoca uma catástrofe na Índia e deixa o mundo à beira do pior”.

Nas imagens de Varanasi, no estado de Uttar Pradesh, a jornalista Clarissa Ward da CNN fazia uma cobertura sobre cremação de mortos na Índia.  A câmera estava focada no crematório  Tempal Maharaja Marishehandra onde eram incineradas até cento e cinquenta pessoas por dia.

Agora, além da presença da Covid na Índia e da Turquia, um novo fato relacionado à pandemia me chamou a atenção e ele se refere ao que está acontecendo no Japão.  Explico melhor.

O país conta com o ministro Yasutoshi Nishimura como o titular responsável para conduzir o Japão em meio à pandemia. E ele comunicou ao país que da mesma forma como Tóquio e Osaka, outras três prefeituras, Hokkaido, Okayama e Hiroshima ingressariam em estado de emergência até o último dia do corrente mês.

Como assim?  Há uma preocupação maior com a expansão da pandemia em nível mundial?   A situação da Covid se agravou no país?  O que houve de novo para uma decisão daquela natureza.  Migro para a Johns Hopskins University em busca das últimas informações sobre a crise sanitária mundial, e, particularmente, sobre os dados referentes ao Japão.

O mundo convive com 161,2 milhões de casos de pessoas contagiadas, 1,4 milhões de pessoas vacinadas e 3,3 milhões de óbitos.     Observando, visualmente, os gráficos de contágios e de óbitos eu percebo que o mundo está na segunda onda dos contágios e se mantém no pico da segunda onda dos óbitos.   

Essa minha última observação é um imenso desafio para as lideranças mundiais e pode, de certa forma, estar levando Yasutoshi Nishimura a adotar uma medida de estado de emergência em importantes prefeituras do Japão.

Concretamente, o Japão tem 673 mil pessoas contagiadas e contabiliza 11 mil óbitos.   Ele ocupa, apenas, a trigésima sétima posição no ranking mundial das pessoas contagiadas.  Agora, eu me ative ao mapa da Johns Hopkins University e percebi que a segunda onda no Japão está em seu ponto extremo.  Será isso que preocupa o ministro Nishimura?

O que pode estar acontecendo é que as autoridades nipônicas tem presente que o país depende demais das interações com os agentes econômicos internacionais, fontes potenciais de novos contágios.   Será isso que preocupa o ministro Nishimura?

Além das decisões citadas, o ministro determinou que as prefeituras de Gunma. Ishikawa, Kumamoto devem ingressar em medida de quase emergência.   Ou seja, as autoridades locais devem ficar de sobreaviso, qualquer fato novo a situação pode sofrer um upgrade.

Afora tudo o que está acontecendo no país, eu li que os trens estão lotados em Tóquio.   Eu lembro dos anos 70 que eu via todo muita gente de máscara – como a gente usa aqui no Brasil durante a pandemia – e eu perguntava o que estava acontecendo e as pessoas me respondiam que a proteção era uma forma de conter a gripe.  Isso, em 1974.

Para concluir, nos noticiários de hoje, os maiores números de contágios no Japão estão concentrados, pela ordem, em Tóquio, Osaka e Okkaido.  Vou seguir atento ao que acontece na terra do sol nascente.

Bom dia leitor do blog!

FOTO ABAIXO: FOTOGRAFIA BATIDA NO COLÉGIO PROFESSOR CHAVES, 1953

O Colégio Professor Chaves estava localizada na esquina da rua Rivadávia Correa com a linha divisória.  Eu morava a duas quadras do colégio.  Eu lembro que eu passava pelo bilhar no bar que tinha na esquina da Tamandaré, pela Sociedade Italiana de Mutuo Socorro, onde meu pai jogava bocha, pelo jornal A Plateia e eu atravessava de calçada na frente da Telefônica. Mais alguns metros e eu chegava ao portão do colégio.

Na minha infância todos os alunos de um colégio eram fotografados em data previamente estabelecidas.   Não era bem um feriado, mas parecia como se assim fosse. 

A gente cortava o cabelo de véspera com a franja caprichada.  No dia seguinte os meus pais me acordavam cedo para o banho. Depois era preciso escolher a melhor camisa e a melhor gravata azul marinha.  Finalmente, a minha mãe preparava o avental bem engomado para ser fotografado no colégio.

Cumprida a missão, eu voltava para casa com todo o quadro de limpeza geral afetado pelo jogo de bola no recreio.  Eu lembro que eu retornava e a minha mãe me obrigava a ir diretamente para o banho. 

INFLAÇÃO, MERCADO DE TRABALHO E O ATAQUE DE RANSONWARE AO OLEODUTO DA OPERADORA COLONIAL PIPELINE

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012), duplamente vacinado (2021) e vivendo em um país em que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos (2018) e em um estado em que a expectativa média de vida do gaúcho é de 76,89 anos (2016-18)

Porto Alegre, 12.05.2021, 18:10, 19 graus C, 35 % de umidade

Post 01.09.67

01 INTERNACIONAL, 09 Estados Unidos, 67 Número de ordem do post

A inflação norte-americana está no foco dos analistas econômicos internacionais.  No meu, inclusive.  Wall Street vem hesitando nos três últimos dias. 

De março para abril o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) avançou de 0,6% para 0,8%.   Esse número gerou muita preocupação com relação ao comportamento futuro dos preços na conjuntura local.    Em abril, também o Índice de Preços ao Produtor (IPP) registrou avanço de 0,6% quando os analistas esperavam um incremento de 0,3%.

O mercado de trabalho absorveu 916 mil empregos em março, depois revisados para 770 mil empregos, e 266 mil empregos em abril.   A taxa de desemprego ficou em 6,1% no corrente mês.

Há muita instabilidade em curso.  Os pedidos de subsídios de desemprego caíram nessa semana.  Foram 507 mil pedidos na semana anterior que ficaram reduzidos a um total de 470 mil pedidos na semana corrente, contra uma previsão de que seriam 490 mil pedidos de subsídio de desemprego.

A par da inflação e do mercado de trabalho, o ataque de ransonware à operadora do oleoduto Colonial Pipeline (CP) que liga o Texas a Nova York também tem concentrado a atenção da mídia nos Estados Unidos.   

Essa infraestrutura foi atacada por um software de extorsão e interrompeu o abastecimento de combustível. Desde o primeiro momento. os analistas econômicos começaram a realizar projeções de quando o oleoduto teria a sua atividade normalizada.   

O que se tem de concreto é que as distribuidoras localizadas do sul do país até o Estado da Virgínia, estavam sujeitas a não ter como atender a demanda de combustíveis. 

Uma demora um pouco maior, ou menor, em restabelecer a atividade do duto poderia, de alguma forma, ser um fator a mais a impactar sobre a taxa da inflação.

Boa noite, leitor do blog!

FAIRBANKS, ALASKA, 1974

O avião preparou o pouso no Alasca.  Eu estava realizando uma viagem maravilhosa.  Afinal, eu estava sobrevoando o Estado americano que ficava próximo ao Polo Norte.  

Em 1867, a área foi comprada pelos Estados Unidos ao custo de cinco centavos por hectare.  Nos anos 80 do mesmo século foram descobertas minas de ouro no território. Em 1900 a população local era de 63 mil habitantes.  Em 1959 o território foi transformado em Estado norte-americano.  Em 1964 sofreu um mega sismo de 9,2 na Escala Richter. Em 1968 houve descoberta de uma imensa reserva de petróleo no Estado. 

Eu bati a foto abaixo em 1974.  Em 1978 foi inaugurado um oleoduto de 1,3 mil quilômetros.    Embora sejam muitos idiomas falados no Estado, o inglês passou a ser o idioma oficial do Alasca somente no ano de 1988. 

Eu havia obtido a minha licença de piloto civil em 1963.  À medida que o avião baixou os flaps eu imaginei tudo o que o piloto comercial estava realizando de operações na cabine da aeronave.   Aí de repente eu olhei para baixo e vi a cidade que o leitor está visualizando na imagem.   Cidade?  Mas não era a segunda maior cidade do Estado?  Cadê Fairbanks?   

Havia poucas edificações. Aos poucos eu fui assimilando que eu estava chegando a uma cidade de apenas 14.711 habitantes (1970).   Ela era muito, muito menor que a minha cidade natal no Brasil.  A capital do Alasca é Juneau.   A maior cidade do Estado é Anchorage e Fairbanks é a segunda maior cidade do Alasca. 

Na segunda foto eu estou com um empresário, à esquerda, e, à direita, um médico que ia para o Japão para realizar um curso em uma área específica.  Eu estou entre ambos.   

esde que eu voltei para o Brasil eu passei a me atualizar sistematicamente sobre tudo o que acontece no Alasca.  Na verdade eu priorizo o mercado do petróleo, mas eu estou focado sempre em Fairbanks, hoje uma cidade moderna com apresença da Universidade do Alasca, a mais antiga do Estado.

Atualmente eu recebo por e-mail os jornais de lá.  Eu acompanho três programas sobre o Alasca na televisão a cabo e eu escuto diariamente a rádio KFAR 660 AM  no endereço eletrônico  https://www.radios.com.br/aovivo/kfar-660-am/1149 

O meu maior problema é que o dia só tem 24 horas e eu preciso dormir.   A vida passou tão rapidamente até aqui que quando eu percebi eu já estava me aproximando dos ’80.  

O MOMENTO DO MERCADO DO PETRÓLEO ENTRE A RECUPERAÇÃO NORTE-AMERICANA E A PANDEMIA NA ÍNDIA

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012), duplamente vacinado (2021) e vivendo em um país em que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos (2018) e em um estado em que a expectativa média de vida do gaúcho é de 76,89 anos (2016-18)

Porto Alegre, 11.05.2021, 18:10, 19 graus C, 35 % de umidade

Post 01.02.13

01 INTERNACIONAL, 02 Commodities/Petróleo, 13 Número de ordem do post

O petróleo Brent fechou a terça-feira na cotação de US$ 68,55, resultando em incremento de 0,34%.  A cotação vem avançando sistematicamente desde 02 de março do ano passado quando o preço estava no patamar de US$22,85.

Essa recuperação dos preços do Brent acompanha as expectativas de retomada do crescimento econômico mundial.  É interessante que esse vetor da conjuntura toma força em meio a um avanço da pandemia no cenário internacional, seja em número de contágios, seja em número de óbitos.

Já o petróleo West Texas Intemediate (WTI) fechou a terça-feira na cotação de US$ 65,73, resultando em incremento de 0.69%.  A cotação vem avançando sistematicamente desde 02 de março do corrente ano quando o preço estava no patamar de US$ 18,80.  

No momento em que escrevo esse post, há 159,7 milhões de contágios e 3,3 milhões de óbitos em âmbito global de acordo com a Resource Center Johns Hopkins University.  Desse total, a Índia representa 23,3 milhões de contágios e 254.1 milhões de mortes.    Esse é o maior obstáculo à otimização das expectativas dos agentes econômicos.

E é com esse pano de fundo que os preços do ouro negro oscilam no mercado internacional.  Os analistas estão atentos a esses números da pandemia na Índia.  Os investidores estão focados na vacinação desse imenso contingente populacional.  Na percepção desses últimos, a economia se recuperará e a demanda por petróleo também.  

Eu tenho escrito, recorrentemente, que o comportamento da economia mundial está pendente da confirmação da retomada americana, tendo em vista que a China partiu na frente.  Pois a OPEP comunga dessa mesma posição e daí o otimismo da Instituição.   A AIE vai além, e afirmou em pronunciamento que haverá excesso de demanda frente à oferta que aí está.

A par da inserção do mercado do petróleo no interface entre recuperação global e pandemia na Índia, não se pode esquecer o ciberataque do último fim de semana em que um dos principais dutos norte-americanos – Colonial Pipeline Co (CP) – interrompeu o fornecimento de combustível sem previsão de quando o equipamento voltará a trabalhar plenamente. 

O CP está localizado no sudeste do território norte-americano e há receio quanto ao desabastecimento de combustível na região. Um problema adicional ao mercado da commoditie, mas que não pode ser ignorado porque aconteceu nos Estados Unidos.

Para encerrar, na semana anterior a maior economia do planeta já convivia com a informação de que os estoques de petróleo tinham recuado no país.  Um recuo expressivo de 2,5 milhões de barris de petróleo. 

Estou atento a tudo que acontece em termos de retomada americana e pandemia na Índia.  Qualquer fato novo que repercuta no mercado do petróleo eu estarei atento e elaborarei um novo post. 

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: O URUGUAI 

Eu guardo a xícara abaixo com muito carinho.   Filho de mãe uruguaia, desde muito pequeno eu morei e me criei na esquina da rua Rivadávia Correa com a rua Uruguai, no centro de Sant’Ana do Livramento, minha cidade natal.

Passei os anos iniciais da minha vida na fronteira.  Tive atividades culturais de todo o tipo no lado uruguaio.  Foi uma fase excelente essa convivência com os familiares e os amigos castelhanos.  Deixei a cidade em 1963 e nunca mais voltei a residir na fronteira.  A última vez que visitei Sant’Ana foi em 2014,   

Agora idoso, tenho dedicado parte do meu tempo para estudar a história regional.  Deveria ter realizado anteriormente, mas a vida passou rápida demais.  Quando eu percebi já tinha chegado até aqui.  

A RETOMADA NORTE-AMERICANA, O DESEMPREGO E AS MIGRAÇÕES

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012), duplamente vacinado (2021) e vivendo em um país em que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos (2018) e em um estado em que a expectativa média de vida do gaúcho é de 76,89 anos (2016-18)

Porto Alegre, 10.05.2021, 18:10, 19 graus C, 35 % de umidade

Post 01.09.66

01 INTERNACIONAL, 09 Estados Unidos, 66 Número de ordem do post

Volto a atualizar o leitor sobre as últimas informações, que me parecem as mais importantes nesse momento, sobre o momento da economia norte-americana.   Nesse post eu destaco a pandemia, o desemprego em abril e o fenômeno das migrações. 

Hoje pela manhã ao iniciar a minha recorrida virtual eu estive no site da Johns Hopkins Univervisity e abri o gráfico dos contágios provocados pela Covid nos Estados Unidos.  Eu consigo visualizar quatro ondas na imagem.  A terceira foi a mais intensa e a quarta e última já está nitidamente em um processo de desaceleração. 

..

Isso significa que eu posso deixar de lado a pandemia nos EUA e focar apenas na economia? Em princípio até eu poderia, mas a informação vinda de Délhi preocupa “meio mundo”.   Ou seria o mundo inteiro? 

Na verdade, o que aconteceu é que a variante da Índia foi considerada pela OMS como de maior vulto.  Maior vulto?  Isso, maior transmissibilidade.  Uma variante com esse perfil chegando, por exemplo, à América do Sul provocaria um impacto danado.  Daí, para acessar aos Estados Unidos seria uma questão de pouco tempo. 

A par da interface entre economia e pandemia, a recuperação da economia está em curso, mas não é uma tarefa simples que pode ser visualizada sem maiores obstáculos.  Isso porque, antes da recessão da Covid a economia norte-americana convivia com pleno emprego.

No post de 08 do corrente eu escrevi um post no blog em que eu registrei que a economia norte-americana absorveu 916 mil empregos no mês de março.   Agora, depois da primeira revisão do indicador, o número ficou em 770 mil empregos.  Já o número de abril foi bem menor ficando em 266 mil empregos e produzindo reações. 

À época do pleno emprego, quando Trump ainda estava na Casa Branca, eu lembro da taxa de desemprego ter recuado até 3,6%.  No corrente mês de abril a taxa de desemprego encontra-se no patamar de 6,1%. 

Então, embora as condições da retomada da economia são promissoras há um caminho a percorrer.  E, também, há obstáculos a ultrapassar.  De forma sucinta, o desafio está associado, inclusive, a levar a taxa de desemprego atual de 6,1%, vigente em abril corrente, para um patamar em torno de 4,0%.

Dentre os tantos desafios que eu visualizo para o governo de Joe Biden, eu identifico as imigrações que representam dez por cento da população norte-americana, como uma prioridade de curto e médio prazo.    Eu tenho acompanhado, sempre que possível, a programação da mídia voltada ao que está acontecendo nas imediações da fronteira dos Estados Unidos.   

As imagens da televisão me mostram muitas facetas dos imigrantes rumo aos Estados Unidos.   A mais frequente é aquela em que aparece uma verdadeira multidão com origem na América Central em direção à América do Norte.  Duas mil pessoas?  Três mil pessoas?  Eu creio que até um pouco mais, caminhando até à exaustão.

… 

Homens, mulheres e crianças, muitas crianças se deslocam a passos lentos pelas rodovias.   Amiúde aqueles grupos vão parando para um descanso com fins de alimentação.   Param em uma vila, breve interrupção e seguem adiante, Ao anoitecer o grupo precisa parar para o repouso e no dia seguinte tudo recomeça outra vez.

As câmeras mostram as crianças, em detalhes.   Mães com muitas crianças pequenas.  Grupos de adolescentes em meio àquela multidão.  Sensibiliza a todos ver bandos de mal alimentados sem saber se chegarão a algum lugar não tendo mais como retroceder aonde tudo começou.

Eu vi um grupo numeroso chegando a uma ponte na fronteira.  As câmeras mostravam que o policiamento se mantém irredutível em sua posição.   Os migrantes retrocedem algumas dezenas de metros e passam a atravessar o trecho à frente deslocando-se através do rio.  O bando se subdivide em diversos grupos e acessam a outra margem do rio e voltam a se reunir.  Crianças e pessoas idosas totalmente molhadas precisam prosseguir.  E assim o fazem.

Há uns três ou quatro dias eu vi um vídeo na televisão internacional em que a câmera estava do lado norte-americano filmando o muro da fronteira.   De repente há um adulto que aparece na parte superior do muro, ela traz uma criança amarrada em um volume e vai soltando o conjunto lentamente até tocar o chão do lado de cá da fronteira.  Repete a operação com uma segunda criança.  Por fim joga de cima do muro um volume, que eu imagino conter comida e roupas, para utilização dos menores e some na imagem da câmera.

E as crianças pequenas ficam ali um tanto confusas sobre o que está acontecendo.  Então, o que acontece em meio as migrações tem todo o tipo de ações por quem quer acessar a fronteira do México com os Estados Unidos. 

Hoje, a CNN informou que no domingo a polícia da fronteira encontrou cinco crianças, entre 11 meses e 7 anos, desacompanhadas, do lado americano da fronteira entre o México e o Texas.  Eram três crianças hondurenhas de 7, 3 e 2 anos e outras duas, gualtemaltecas, de 5 anos e outra de 11 meses.   

O policial que localizou o grupo disse que não sabia o que aconteceria com as crianças com sol abrasador.  Eu vi outras duas crianças muito pequenas à margem do Rio Grande sendo retiradas da água, em meio a arbustos, por guardas da fronteira.  É preciso ver as cenas para acreditar o estado de tantas crianças sul-americanas chegando aos Estados Unidos.  E, veja o leitor que isso acontece junto à economia mais rica do mundo.    

Os órgãos oficiais, segundo a mídia, estimam a chegada de 1,2 milhão de migrantes por ano nos Estados Unidos.  No mês passado, a polícia da fronteira deteve 171 mil pessoas, um número sempre crescente.   As estatísticas permitem tomar conhecimento que chegaram 18 mil jovens desacompanhados ao território norte-americano.

No momento em que o país já conta com 28 milhões de imigrantes.  Há o problema do tráfico de pessoas, há famílias que são separada ao longo da tentativa de passar a fronteira e há a capacidade, ou não, do Escritório de Alfândega e de Proteção Fronteiriça absorver tantos problemas de atendimento médico e de custodia de saúde aos migrantes.

Em meio a tudo o que acontece na fronteira, o governo Biden tem procurado criar refúgios para absorver todo esse contingente populacional que chega irregularmente ao país.

Alejandro Nicholas Mayorkas, nascido em Cuba, criado em Los Angeles, advogado formado em Berkley, atualmente Secretário da Segurança Interna dos Estados Unidos, afirmou à imprensa que ele procura expulsar os adultos, mas que não expulsa menores desacompanhados.

É isso aí.  Por hoje fico por aqui.  Boa noite, leitor do blog!  

FOTO ABAIXO:  TÓQUIO, 1974

A foto abaixo foi batida em uma grande área que fica localizada em frente ao Palácio Imperial do Japão. 

Na época da minha visita ao local o imperador era Hirohito que reinou de 1926 a 1989, depois vieram os imperadores Akihito (1989-2019)  e, atualmente, o Imperador Naruhito que foi coroado em 22 de outubro de 2019.

Como eu destaquei em posts anteriores as crianças pequenas e os adolescentes viajam em atividades culturais por diversos pontos do país.   Na ocasião, o grupo de meninas pediu para tirar uma fotografia conosco, alunos do curso de Planejamento promovido pelo governo do Japão.  

A DÉCADA PERDIDA (2011-20), O AVANÇO DOS PREÇOS E OS RESULTADOS DOS INTERMEDIÁRIOS FINANCEIROS

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012), duplamente vacinado (2021) e vivendo em um país em que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos (2018) e em um estado em que a expectativa média de vida do gaúcho é de 76,89 anos (2016-18)

Porto Alegre, 09.05.2021, 18:10, 14 graus C, 83 % de umidade

Post 02.01.48

02 Brasil, 01 Conjuntura econômica, 48 Número de ordem do post

Domingo, o Brasil faz a transição da semana 18 para a semana 19 de 2021.    O tempo passa rapidamente e o brasileiro vê o tempo se esvair sem que haja uma luz no fim do túnel da crise que se mantém há seis anos consecutivos no país.  É lamentável que assim seja.

O crescimento médio do PIB anual, por década, mostra que o desempenho da economia no período 2011-20 foi desperdiçado.   

Segundo o IBRE-FGV, nas últimas quatro décadas o Produto cresceu 1,6% ao ano (1981-90),  2,5% ao ano (1991-2000), 3,6% ao ano (2001-2010) e, por último, na década desperdiçada, um incremento de apenas 0,3% (2011-2020).

É difícil que não haja massa crítica para deixar de lado o acessório e focar no essencial.   No desempenho do PIB per capita, por década, os números preocupam ainda mais porque a população cresceu ao longo do período. 

Os números divulgados pelo IBRE-FGV mostram que as variações médias do PIB per capita ao ano foram de -0,4% (1981-1990), 1,0% (1991-2000), 2,6% (2001-2010) e, na década perdida, – 0,6% (2011-20).  Isso posto, é duro informar que o PIB per capita de 2020 é o menor desde o distante ano de 2009. 

E mais duro ainda é assimilar a informação que nos últimos quarenta anos nós perdemos duas décadas, 1981-1990 e, agora, 2011-2010.   E dizer que tem gente que defende as bravatas do czar da economia brasileira.   

Aos 76 anos eu temo pelas crianças que iniciam a primeira fase de suas vidas escolares.   É difícil que os adultos não percebam o destino que o país está tomando em meio às crises que se sucedem.  

A inflação continua “na ordem do dia”.   Eu venho escrevendo sobre os diversos índices que sinalizam a instabilidade na economia brasileira há algumas semanas.   Eu publiquei posts no blog nos dias 11.03, 13.03, 20.03, 09.04 e 23.04, ou seja cinco textos em menos de quarenta e cinco dias.

Então, nesse momento de instabilidade a informação divulgada mais recentemente pelo IBGE, diz respeito ao comportamento do Índice de Preços ao Produtor que registrou avanço de 4,78% em março.   

O índice mede as variações médias dos preços de venda – bens de consumo, bens intermediários e bens de capital – recebidos pelos produtores da indústrias extrativa e de transformação.   

Para que o leitor entenda o momento dos preços na indústria, o IPP vem de 20 incrementos sucessivos e a taxa de crescimento alcançou 3,55% em janeiro, 5,16% em fevereiro e, agora, 4,78% em março.

Logo, a economia não decola ao fim de uma década perdida e os preços não param de avançar formando o ambiente adequado para a tempestade perfeita.   Independentemente do comportamento dos diversos setores da economia, os intermediários financeiros mantiveram os seus resultados em patamares elevados. 

Os valores conjuntos dos lucros líquidos do Banco do Brasil, Bradesco, Itau e Santander atingiram as somas de R$ 12,16 bilhões (segundo trimestre 2020), R$ 15,58 bilhões (terceiro trimestre 2020), R$ 20,11 bilhões (quarto trimestre 2020) e, agora, R$ 18,61 bilhões (primeiro trimestre de 2021).

É inusitado que  foi nesse cenário que o COPOM elevou a taxa Selic de 2,00% para 2,75% em 17 de março e, agora, em 05 de maio, voltou a elevá-la para 3,5o% .   E o Copom já sinalizou que vem novo aumento na próxima reunião do Conselho, quem sabe, para 4,25%. 

E dizer que ontem eu escrevi um poster em que Jerome Powell, chairman do FED, e John C. Williams, presidente do Banco de Reserva Federal de Nova York, afirmaram que não há como elevar a taxa básica de juros para não prejudicar a economia que se encontra em fase de recuperação.   Nos Estados Unidos, é lógico!

Fazer o quê?   Boa noite leitor do blog!

FOTO ABAIXO: A MINHA PASSAGEM PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DO BANRISUL, 1980-81

Eu comecei a minha experiência como economista do governo do Estado do Rio Grande do Sul quando eu cheguei a Porto Alegre em 1973.   

Dentre os cargos que exerci eu fui economista da FEE, diretor do Departamento de Planejamento do Setor Público na Secretaria de Coordenação e Planejamento (SCP), Secretario Executivo do Sistema Estadual de Processamento Eletrônico de Dados (SEPED) junto à Procergs, Secretário Executivo do Sistema de Atividades voltadas para o Mercosul e Assessor para assuntos de Economia do governo Alceu Collares.

A par desses cargos eu estive duas vezes em atividades ligadas aos intermediários financeiros.   Eu participei do Conselho de Administração do antigo Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul (BADESUL) nos anos 70 e no Conselho de Administração do Banco do Estado do Rio Grande do Sul nos anos 80.   

A experiência no Banrisul foi muito importante porque a par de tudo o que eu havia assimilado em termos de economia brasileira e de economia gaúcha nos cargos anteriores, quando eu estive no Banco eu pude verificar o impacto das decisões do governo central sobre o ambiente de negócios regionais.   

Os anos 80 foram extremamente difíceis porque o país conviveu com a superinflação, os choques econômicos e a moratória da dívida externa.  A minha experiência no Banco foi muito produtiva porque eu acompanhei, de perto, a política econômica posta em prática pelo governo federal que resultou numa década perdida para o país.

DADAS AS DEVIDAS PROPORÇÕES OS ANOS VINTE DO SÉCULO XXI ESPELHAM, DE ALGUMA FORMA, OS ANOS VINTE DO SÉCULO XX NOS ESTADOS UNIDOS?

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012), duplamente vacinado (2021) e vivendo em um país em que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,3 anos (2018) e em um estado e que a expectativa média de vida do gaúcho é de 76,89 anos (2016-18)

Porto Alegre, 08.05.2021, 18:10, 14 graus C, 83 % de umidade

Post 01.09.65

01 INTERNACIONAL, 09 Estados Unidos, 65 Número de ordem do post

A noite foi muito fria.  Nos últimos dias eu tenho sentido um pouco de frio.  Não sei se é a idade ou a ausência do verão de maio aqui no sul.  Eu nunca fui do Verão, mas depois dos 70 eu também deixei de apreciar o Inverno porque as baixas temperaturas parecem reduzir a minha capacidade de trabalho. 

A minha sorte é que as temperaturas aumentam por aqui no horário do meio dia.   De vez  em quando eu preciso ir para baixo das cobertas e carrego comigo um dos muitos livros sobre a história do RS que estão sobre a minha mesa.  Coisa de meia-hora e estou de volta ao blog.  Essa minha leitura de cabeceira me ajuda a compreender, um pouquinho, a respeito da polarização que eu acompanhei nos últimos quarenta anos nesta extremidade do país. 

Bem, retorno ao post e tento justificar a escolha da economia nacional que eu selecionei para objeto do texto.  Eu estou focado na economia norte-americana porque a economia chinesa partiu na frente. 

É fundamental para o desempenho global que o governo de Washington consiga aprovar as medidas propostas por Joe Biden para retomar o crescimento em 2021 porque o governo de Xi Jinping conseguiu atravessar 2020 sem recessão.

Eu escrevi em texto anterior em que a conjuntura mundial dependia dos Estados Unidos e da China para que a economia internacional pudesse decolar.  A todo momento eu escrevo sobre a economia norte-americana porque ela me parece ser a “bola da vez”.

É muito interessante na crise atual que o analista comece a formar uma posição em termos de perspectivas quando a Covid reaparece com um novo papel determinante da conjuntura econômica.  Isso porque a pandemia se mantém a ameaçar com mais intensidade as economias da Índia e da Turquia e com grande poder de propagação dos contágios na Ásia e na Europa.

Sempre que eu penso no momento atual da economia dos Estados Unidos eu lembro de um vídeo que eu passava para os meus alunos do pós de Administração da UFRGS sobre a realidade norte-americana dos anos vinte do século passado.   

A Primeira Guerra Mundial havia terminado e os soldados norte-americanos voltavam para o país.  Chegava de participação internacional, era a crença dominante, e todos queriam se integrar à urbanização interna em expansão.

Eu lembro, em particular, das imagens daquela época que evidenciavam uma controvérsia se a economia voltaria, ou não, à normalidade.   Ressalvada as devidas proporções, afinal transcorreu um século entre o pós guerra e a pandemia da Covid, mas nas duas ocasiões houve foco na resiliência da economia.   Era possível tudo ficar como era antes?

Em ambas ocasiões houve troca na Casa Branca, os republicanos chegaram ao poder no pleito de 1920 enquanto os democratas assumiriam o governo após as eleições de 2020.  Então, a decolagem da economia em 1920 levaria à quebra da bolsa em 1929.   Nesse post eu estou focado no fato da economia taxiar na pista e ter decolado rumo a um período de grande prosperidade nos anos vinte. 

…   

Naquela época, a indústria do entretenimento convivia com o jazz e o charleston, mas havia indústrias liderando o processo – produtos químicos, carros, rádio – em 1920, assim como agora o streaming lidera a receita da indústria da música e o analista identifica a presença das tecnológicas no topo dos empreendimentos de 2021.

… 

Ao contrário da realidade de 1921, na conjuntura de 2021 a absorção da mão de obra enfrenta dificuldades para manter o seu ritmo de recuperação.  Explico melhor.   Havia 152,5 milhões de empregados nos Estados Unidos em fevereiro de 2020 quando a crise começou.   

Desde então, transcorridos 14 meses, há necessidade de recuperar ainda 8,2 milhões de empregos.   As vagas vem chegando ora em doses homeopáticas, ora em maiores proporções, mas está difícil de chegar ao marco zero.   Em março foram 916 mil empregos, euforia, em abril foram apenas 266 mil empregos, misantropia.  

E assim, prosseguem as oscilações entre “o bem e o mal”.   Depois da andança que realizei pelos anos vinte do século XX, eu migro para os anos quarenta do século passado.   O que eu vou encontra dessa vez?

Se em 16 de  junho de 2020, o número de mortos de 116.500 na pandemia nos Estados Unidos já superava o número de soldados falecidos na Primeira Guerra Mundial, hoje, 08 de maio de 2021, o número de mortos de 581 mil pessoas na pandemia já supera, de longe, o número de 292 mil norte-americanos mortos na Segunda Guerra Mundial.  

No fim do segunda guerra, dentro da pauta dos direitos civis, os afrodescendentes buscaram reverter o longo período de discriminação via igualdade de tratamento na legislação vigente.   Em maio de 2020 o policial Derek Chauvin matou George Floyd por asfixia e o movimento de combate ao racismo e por igualdade de direitos humanos tomou grandes proporções na política norte-americana. 

Nos anos 1920 o governo republicano avançou sobre a economia. Prioridade às rodovias e ao crédito.  Nos anos 2020 o governo democrata avançou sobre à economia.  Prioridade à infraestrutura e ao crédito.

Em 1920 o FED procurava expandir os financiamentos dos intermediários financeiros mantendo estabilizada a taxa de redesconto.  A preocupação estava voltada para a inflação que no pós guerra avançou em demasia ao comparar o período da guerra.

Em 2021 o FED procura manter os juros estabilizados em níveis praticamente zerados até que a economia se recupere.  Jerome Powell tem reafirmado que não está preocupado com a inflação cuja meta é de 2,0% ao ano, preocupação essa que não é comungada com os analistas do mercado financeiro que esperam pela elevação da Federal Funds Rate.

…   

Para concluir, eu lembro a posição do presidente do Banco de Reserva Federal de Nova York, John C. Williams, que eu li no site do FED.  Ele afirmou que nas condições em que a economia se encontra ele não percebe condição suficiente para alterar a política monetária.

Boa noite, leitor do blog. 

FOTO ABAIXO: CENTRO DE TRADIÇÕES GAÚCHAS FRONTEIRA ABERTA, PORTO ALEGRE

O CTG Fronteira Aberta, localizado na Avenida Tamandaré, 2538, em Sant’Ana do Livramento, foi criado em 1955.  Nesse ano eu tinha 11 anos e estava iniciando o meu curso de Admissão ao Ginásio no colégio dos Irmãos Maristas, denominado Ginásio Santanense.  O professor da minha turma se chamava Irmão Firmo.

Em 1959 eu conclui o curso ginasial e fui para o Colégio Estadual Liberato Salzano Vieira da Cunha, denominado Colégio Estadual.  Eu mudei de escola porque os Maristas não tinham curso científico e o colégio estadual estava inaugurando o seu curso de segundo grau.  Isso aconteceu em 1960.

Eu estudei no curso científico no período 1960-62.  A Legalidade aconteceu nesse período.  Eu era segundo tesoureiro do grêmio estudantil.   Alguns colegas foram participar da União Santanense de Estudantes Secundários (USES), outros deixaram a política estudantil e quando eu percebi eu estava na direção da instituição.

Nessa época da Legalidade, as lideranças estudantis da cidade utilizaram as instalações do Fronteira Aberta como um centro de atualização dos acontecimentos em curso no Brasil.   O local estava sempre lotado de estudantes e de jornalistas locais.

O movimento de aglomerações em 1961 era intenso.  Houve uma grande mobilização para a posse do Jango na presidência da República.  Brizola e Machado Lopes eram nomes extremamente populares no RS, até onde eu lembro. 

Eu lembro de haver treinamento até da pratica de injeção em doentes.  Enfermeiras vinham até o CTG e utilizavam frutas de laranjas para ensinar as pessoas a dar injeções porque a população poderia precisar de medicações se houvesse algum conflito no país.   

Em suma, algumas memórias que ficaram guardadas dos anos sessenta…

A COVID PROVOCA UMA CATÁSTROFE NA ÍNDIA E DEIXA O MUNDO À BEIRA DO PIOR

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012)

Porto Alegre, 07.05.2021, 18:10, 17 graus C, 38 % de umidade

Post 01.12.05

01 INTERNACIONAL, 12 Índia, 05 Número de ordem do post

Nesse post eu estou focado, mais uma vez, nos últimos acontecimentos da Índia.  Confesso que estou um pouco dividido entre centralizar as análises do blog na retomada mundial e abandonar a pandemia à sua trajetória de uma crise sanitária.

Eu acredito que Joe Biden e Xi Jinping não podem nem pensar em propor uma estratégia pós Covid, sem resgatar, em primeiro plano, a população da Índia e tudo que a cerca.   

No fundo, no fundo, eu estou iniciando a pensar melhor sobre o futuro da pandemia.  Muitas vezes eu supus que a Covid estava com os dias contados, mas já não penso mais assim.  

O que eu vi essa manhã no programa Connect the world with Beky Anderson, na CNN, foi marcante.  A jornalista entrevistava o ministro da saúde do Estado de Goa, na Índia, sobre o avanço dos óbitos provocado pela Covid no país.

De repente, a imagem foi cortada para a cidade de Varanasi, no Estado de Uttar Pradesh, a capital espiritual do país com dois mil templos, onde se encontrava a jornalista Clarissa Ward, Chief Internacional Correspondent, para fazer uma cobertura sobre a cremação dos mortos na catástrofe que abala a Índia. 

Clarissa desceu de pequena embarcação no rio Ganges e acessou o crematório Tempal Maharaja Marishehandra, onde estão sendo incineradas 150 pessoas por dia. 

Ela entrevistou Matru Chowdary, um trabalhador do crematório, e à medida que ele falava à televisão, a câmera ia mostrando imagens do local.  Matru afirmou, com o semblante um tanto assustado, que nunca tinha visto algo igual.

As ambulâncias chegavam a cada cinco minutos, paravam na porta do crematório que tinha apenas um arco de concreto em cor rosa identificando o local.  Eram muitas vans, em fila, para descarregar as últimas vítimas da Covid.   

Os trabalhadores da saúde, totalmente vestidos de roupas de proteção, retiravam o falecido em uma maca com a presença de familiares, que se mostravam totalmente emocionados e sem qualquer vestimenta que os protegessem.  O grupo se deslocava uns trinta metros até a beira do rio Ganges onde estava o local pronto para o início da incineração. 

O falecido era colocado em cima de um estrado, um pouco improvisado, cercado com madeira em todos os lados inclusive alguns toras eram postos em cima do cadáver, totalmente embalado nas vestimentas hospitalares, e Madru Chowdary, ou outro agente do crematório, acendia tochas de fogo e dava início ao processo de incineração. 

Os parentes colocavam objetos pessoais do falecido na base da fogueira e demonstravam toda a tristeza que carregavam naquele momento.   Lado a lado, diversos estrados queimavam, simultaneamente, em pequenas fogueiras.  

A linha das incinerações estava disposta em cima da areia distante a uns dez metros do rio.   Na matéria da televisão eu vi algumas pessoas jogando as cinzas dos recém cremados no Ganges.   Parecia-me que havia um ritual em curso.   Uma cena tão impactante que eu jamais eu esquecerei.

Para encerrar, eu estou impressionadíssimo com tudo o que vi nessa manhã.   Eu penso que o momento atual da Índia representa de fato uma nova onda mundial da pandemia.   

Mesmo que os Estados Unidos, outras economias avançadas e a China estejam apresentando desaceleração nos contágios, a Índia, sozinha, tem protagonismo suficiente para sensibilizar as lideranças mundiais a agir rapidamente e de forma coordenada para evitar que o pior – uma nova onda – aconteça para o mundo como um todo.

Boa noite e bom fim de semana, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  A FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA, A INSTITUIÇÃO DO CONHECIMENTO

No final de 2016 a Assembleia Legislativa aprovou o projeto do governo Ivo Sartori para extinguir a FEE.  No dia 05 de abril de 2018 o decreto do governador foi publicado no diário oficial do Estado encerrando as atividades da Fundação. 

Foi uma decisão lamentável para a administração pública estadual.  Uma instituição criada nos anos 70, que deu continuidade aos trabalhos de estatísticas presentes no Rio Grande do Sul desde o fim do século XVIII à época do Governador Sebastião Xavier da Veiga Cabral.

Quando eu cheguei a Porto Alegre em setembro de 1973 eu fui trabalhar na Secretaria do Planejamento que tinha como titular o Professor Carlos Veríssimo do Amaral.  O primeiro presidente da FEE foi o professor Rudi Bratz que teve na diretoria técnica a Professora Edi Madalena Fracasso, uma profissional com extenso currículo e com uma vida acadêmica amplamente reconhecida. 

Desde então, a Instituição absorveu um quadro altamente qualificado de profissionais para exercer ações relacionadas ao comportamento da economia gaúcha e às atividades da esfera pública estadual.    

Nesses quarenta anos em que eu trabalhei na Instituição eu pude perceber o quanto a equipe da FEE contribuiu para que a população gaúcha pudesse conviver com trabalhos técnicos de excelência.   O acervo de publicações, produzido sem interrupções, é um tesouro que foi guardado com muito empenho no seio da comunidade gaúcha.  Na verdade, ela se transformou numa Grande Instituição do Conhecimento  

O que me surpreendeu é que ela foi encerrada sem que houvesse um órgão para exercer as suas atividades no âmbito da Economia e da Estatística.    Custou muito ao Estado formar um grupo que produziu tanto, tendo obtido reconhecimento nacional através de todos os programas de parceria que criou em benefício da população de diversos estados brasileiros.  

Na foto abaixo estão diversos servidores que participaram do início das atividades da FEE.  O Professor Rudi Bratz, primeiro presidente, está em pé no centro da fotografia tendo ao seu lado a professora Edi Fracasso, diretora técnica da Fundação.

OS DEPOIMENTOS DE LUIZ HENRIQUE MANDETTA E NELSON TEICH NA CPI DA COVID

Antonio Carlos Coitinho Fraquelli, professor, 76 anos (31.08.1944), aposentado da UFRGS (1967-97) e da FEE (1974-2012)

Porto Alegre, 06.05.2021, 06:10, 14 graus C, 83 % de umidade

Post 02.01.47

02 Brasil, 01 Conjuntura econômica, 47 Número de ordem do post

Na terça-feira, eu assisti o depoimento e todas indagações dos membros da Comissão da CPI que foram formuladas ao ex-Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.   

Na ocasião, houve todo o tipo de impasse – a mesa contra o plenário,  oposição contra situação e a transferência da audiência de Eduardo Pazzuelo para o dia 19 de maio – até que o evento tomasse o seu curso normal.  As discussões se tornaram recorrentes ao longo do evento.

… 

A reunião que durou sete horas e demorou muito a começar devido aos impasses citados, parecia não ter mais fim. Os pontos apresentados por Mandetta já eram um tanto conhecidos.   Ele citou a ciência repetidas vezes e imputou ao presidente a responsabilidade pelo atraso nas vacinas, a ausência do confinamento da população e a existência de um tratamento precoce contra a Covid que, em conjunto, contribuíram para  expandir a crise sanitária.

Novidades apresentadas pelo ex-titular da pasta incluíram a presença de um documento, sem timbre, que lhe foi apresentado no Planalto para inserir uma alteração na bula da cloroquina de forma a recomendá-la para uso na pandemia, a negação do presidente em liderar um movimento no país contra o coronavírus, a existência de um grupo que o assessora e que se opunha a endossar as medidas propostas pelo ministério, a possível influência de Paulo Guedes nas decisões do Planalto.

Um fato curioso aconteceu quando o senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, estava com dificuldades em realizar a sua pergunta a Mandetta e esse se antecipou, ajudando-o, a formulá-la.   

Na oportunidade, Mandetta disse que o ministro Fábio Faria, da pasta das Comunicações, errou o destino e enviou a pergunta para o ex-titular da Saúde, indagação essa que deveria ter sido remetida para o senador Ciro Nogueira.  O fato repercutiu entre os presentes porque mostrou que havia interferência do Planalto no processo em curso.

…        

Na quarta-feira eu acompanhei o depoimento de Nelson Teich, que eu imaginava que seria mais tranquilo do que havia acontecido no dia anterior.  Ledo engano.  Dessa vez, houve um impasse entre governistas contra bancada feminina que deixou o depoente em uma situação constrangedora.    A reunião não avançava porque simplesmente as partes não conseguiam chegar a um meio termo em suas argumentações.  

Assim como na véspera, um dado momento os presentes reduziram as polêmicas e o processo passou a fluir.  Teich deu a entender que parou no mesmo ponto de Mandetta.  Ou seja, ele também se negou a receitar cloroquina aos pacientes da Covid.   

Mesmo assim, a cloroquina foi objeto de muita discussão ao longo do dia.  E o segundo ministro da Saúde informou que se demitiu quando ele percebeu que não tinha autonomia para governar, para administrar a pasta.  

Para concluir, uma palavra sobre o comando da CPI.   Omar Aziz, conseguiu com que a Comissão prosseguisse em meio a muitas discussões.  No relacionamento com o depoente, Aziz pressionou Teich para que ele fosse mais objetivo em suas respostas. 

Muitas vezes, Omar Aziz demonstrou extrema paciência para se manter como presidente dos trabalhos quando a polarização levou o ambiente no recinto a muita tensão. 

Renan Calheiros, na figura de Relator e, imaginou eu, sabendo de antemão que há muita oposição à sua presença na função, procurou trazer as perguntas prontas e foi lendo uma a uma para que os depoentes respondessem.  Por tudo isso eu creio que o relator evitou polemizar com o plenário. 

…   

Já Randolfe Rodrigues me pareceu um pouco dividido em sua participação no evento.   Ele ocupou o seu lugar como senador no fundo da sala realizando as suas indagações muito objetivas aos depoentes, mas a todo momento precisou participar da mesa dos trabalhos, presidindo-a em substituição temporária a Omar Aziz. 

Foi inusitada a discussão entre os senadores Eduardo Girão, do Podemos do Ceará e Otto Alencar, do PSD da Bahia.   Girão defendeu o uso da hidroxicloroquina como tratamento precoce da Covid enquanto Alencar, que é médico, o contestou indagando como era que ele podia receitar algo que ele nem conhecia?

Para encerrar, o Brasil vai estar totalmente voltado para a CPI nas próximas semanas.  Eu vou acompanhar os trabalhos na televisão que mantenho à frente na minha sala de trabalho. 

Na elaboração dos posts eu vou concentrar, prioritariamente, na análise da conjuntura econômica.   Eu voltarei a tratar da CPI se Paulo Guedes confirmar a sua participação ou se houver algum tema muito importante na pauta. 

Hoje serão ouvidos Marcelo Queiroga, atual ministro da Saúde, e Antonio Barra Torres, diretor presidente da Anvisa.  

Bom dia, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: MUSEU JÚLIO DE CASTILHOS

Na primeira foto eu procurei obter uma imagem dos dois antigos casarões que são ocupadas pelo Museu Júlio de Castilhos, na Rua Duque de Caxias, números 1231, construído em 1887, e 1205, no Centro Histórico de Porto alegre.   A obra foi inaugurada em 1903.

Nesses quase cinquenta anos que resido na capital eu visitei o local em muitas oportunidades.    Os meus quatro filhos estudaram no Colégio Sevigné e eu procurei fazer com que eles conhecessem essa face importante da história do Rio Grande do Sul

Na segunda foto eu foquei a imagem na máscara morturária de Júlio de Castilhos (1860-1903) que está localizada em uma sala do museu.   O leitor pode ter uma noção no material disponível no local acessando a página do museu no endereço eletrônico http://www.museujuliodecastilhos.rs.gov.br/