UNIÃO EUROPEIA, Comissão, post 35, 15.09.2019, Ursula, objetivos e equipe de gestão

Porto  Alegre, 15 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 182h10, 30 graus, um dia muito quente

A partir de agora, a par da participação de Shinzo Abe, primeiro ministro do Japão, a midia global estará focada em três personagens principais, Donald Trump, Xi Jinping e Ursula von der Leyer.

É isso aí.  O leitor do blog interessado em cenários internacionais deve estar atento à figura de Ursula, 60 anos, licenciada em Economia e doutoramento em Medicina, que presidirá a Comissão Europeia a partir de 01 de novembro.  Ela foi Ministra da Defesa no governo de Ângela Merkel e agora está sendo guindada à posição mais importante da política europeia. 

As prioridades fixadas por Ursula implicam a luta das mudanças climáticas, a retomada da economia e a agenda digital.  Ela deverá conviver com a saída do Reino Unido da União Europeia, o Brexit.  O quadro político está ainda muito indefinido. Boris Johnson, o primeiro ministro do Reino Unido, suspendeu o Parlamento, mas o Tribunal de Justiça da Escócia considerou a medida como ilegal.  

Se o processo em curso do Brexit, dentro do Reino Unido, continuar como está, as dificuldades para o governo de Boris Johnson serão imensas à medida que haverá tarifas bilaterais entre Londres e cada um dos países membros da União Europeia.

Ursula não deverá se ater apenas ao Brexit em suas dificuldades na arrancada da nova administração.   A economia está muito debilitada.  Mario Draghi está em final de gestão no Banco Central Europeu (BCE). 

Antes de transferir o comando para Cristine Lagarde, Draghi já anunciou um novo estimulo à economia.  Ele pretende utilizar, mais uma vez, o Quantitative Easing (QE), o afrouxamento monetário.   Isso aconteceu por ocasião da sua penúltima reunião com o conselho de administração do BCE.

Nessa semana, a futura presidente da Comissão Europeia anunciou oficialmente os nomes dos futuros dirigentes da União Europeia Segundo o programa Europa 2019, apresentado aos sábados pela manhã na TV Espanhola, há “três pesos pesados” na equipe de futuros comissários europeus.  São eles, Frans Timmermans, da Holanda, Margrethe Vestager, da Dinamarca e Valdis Dombrovskis, da Letônia.

… 

Esse trio de comissários também serão Vice-presidentes da Comissão Europeia.  Cabe a eles a coordenação de trabalhos que digam respeito à sociedade, mas também à economia.  É isso aí.  Eles ficarão com a agenda de temas globais para proporcionar uma gestão conjunta.

… 

Na ocasião, Ursula destacou, ainda dois nomes de vices-presidentes que julgou importante citar.  Josep Borrel, da Espanha que se aterá às relações exteriores do bloco, e Margaritis Schinas, da Grécia, que ficará com a missão de proteger o estilo de vida europeu.  …

Ela encerrou a entrevista afirmando que os vice-presidentes escolhidos vem de todos os pontos da União Europeia, do Este, Oeste, Norte e Sul.

Os demais comissarios são, Johannes Hahn, da Áustria, Didier Reynders, da Bélgica, Mariya Gabriel, da Bulgária, DUbrayka Suica, da Croácia, Stella Kyriakides, do Chipre, Vera Jourova, da República Checa, Kadri Simson, da Estônia, Jutta Urpilainen, da Finlândia, Sylvie Goulard, da França, Laszlo Trocsanyi, da Hungria, Phil Hogan, da Irlanda, Paolo Gentiloni, da Itália, que será o titular da área da Economia, Virginijus Sinkievicius, da Lituânia, Nicolas Schmit, de Luxemburgo, Helena Dalii, de Malta, Janusz Wojciechowski, da Polônia, Elisa Ferreira, de Portugal, Rovana Plumb, da Romênia, Maros Sefcovic, da Eslováquia, Janez Lenarcic, da Eslovênia e Yiva Joahnsson, da Suécia.

Veja, o leitor, a dificuldade que deve ser administrar o Velho Continente, com tanta gente, trabalhando interesses diversos,  com política monetária centralizada no Banco Central Europeu e política fiscal centrada na gestão do bloco. 

...

Em breve volto ao assunto.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Largo Glênio Peres, Centro Histórico de Porto Alegre, 13.09.3019, 18h00  

 

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URUGUAI, estabilidade sempre, post 05, 14.09.2019, lembranças, incerteza, liberdade econômica e comércio eletrônico

Porto Alegre, 14 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 17 graus, sem chuva

Há dias que estou para escrever um novo post sobre o Uruguai.  Metade da minha vida está ligada à terra de Artigas. Eram muitos parentes que chegavam do interior e da capital à cidade de Rivera e que visitavam a minha casa gerando um ambiente de muita alegria.  

Eu ficava impressionado com tantos tios e primos que surgiam de forma inesperada.  Todos falavam muito alto.  Era muito riso.  Tudo era motivo de descrições de lembranças que eram comuns a todos.  Eu me sentia uma exceção a tudo o que ouvia.  Certa feita eu imaginei fazer um desenho em que constavam cada um dos visitantes, o grau de parentesco e a cidade de origem. 

Com o tempo eu fui decorando os nomes de todos.  Eu reconhecia cada um dos parentes apenas pela voz que eu ouvia tão logo eles entravam pela porta da minha casa.  Normalmente eram dois ou três dias em que se falava, predominantemente, o castelhano.

Afora a educação formal, todos os meus estudos aconteciam no lado de lá da fronteira.   Por uma razão ou outra, eu me criei sem ter horas de folga ao longo do dia.   Sempre tinha uma aula para assistir.  Eu nunca parei para pensar porque tudo era assim.  O que eu não tenho dúvida é que meu pai era como que um escravo do relógio.     

O tempo de todas as tarefas que eu recebia tinha horário quebrado.  Obter um carimbo no correio às 12h48, voltar em casa até às 12h58 e retornar ao correio para fazer o registro da correspondência às 13h14.   Sem esquecer que às 13h30 era preciso estar dentro de uma sala de aula em Rivera.

Em suma, disciplina espartana no dia a dia.  Daí o registro do ambiente festivo que eram a chegada dos parentes vindos do Uruguai. Uma exceção ao lazer em meio à rigidez da rotina. 

No dia em que criei o titulo dessa seção, eu pensei que palavra justapor ao Uruguai?   Contrapondo ao que eu via na Argentina, optei pela palavra estabilidade. 

Desde menino eu achava que as crianças castelhanas deviam ter um algo a mais.   Eu não sabia se o fato de ser um dos poucos brasileiros entre tantos castelhanos não explicava a diferença que eu percebia no grupo.  Quem sabe o link das crianças para os adultos no lado de lá era mais descontraído? 

O que eu não tinha dúvida era que eles, os uruguaios, eram mais politizados, do que nós, os brasileiros.  Eu percebia que os meninos falavam em assuntos de adultos com muito mais frequência do que eu.   Entre eles tudo parecia ser motivo de discussões, de debates, de interpretações. 

Entre nós, onde eu me incluo, parecia que a pauta estava mais ligada aos estudos e à avaliação dos desempenhos.  Os professores daqui eram autoridades; os de lá, faziam as vezes de um animador, de um promotor de atividades, de um coordenador em sala de aula.

… 

Eu começo a escrever sobre a adolescência, a interação com os uruguaios e as ideias passam a brotar aos borbotões.  Procuro migrar para o objetivo do post, mas as mãos no teclado parecem impedir que a funcionalidade prossiga em seu curso original. 

Quando a minha irmã caçula nasceu em 1957, passamos a ser seis em casa.  Lembrei, em seguida, do Éramos Seis, da Sra. Leandro Dupré, um livro utilizado em sala de aula.  Uma obra que recebeu o premio Raul Pompeia da Academia Brasileira de Letras, em 1944, o ano que eu nasci. 

Eramos seis conta a história de Lola e Júlio, os pais, e os filhos,o Carlos, o Alfredo, o Julio e a Isabel.  Algo semelhante ao que havia lá em casa onde éramos três irmão e uma irmã.  À medida que eu lia a descrição da autora da obra, eu projetava, ou melhor, comparava, como se dava o mesmo fato lá, em casa. 

A história é contada por Lola, descrevendo os principais fatos ocorridos na sua família, filhos, parentes próximos e alguns amigos.  Na partida, a idade da menina é de três anos e os meninos, tem cinco, sete e nove anos.  Ela analisa a evolução, aproximação e afastamento entre os membros do grupo, os destinos de cada um dos seis, até o seu próprio fim, sozinha, em um quarto, em um convento de freiras.  História um tanto triste porque só restou ela dos seis, mas faz parte!

Bem, dou uma pausa nas lembranças, viro as costas à catarse, e migro para os fatos que me levaram, efetivamente, a redigir esse post.

Pois nessa semana eu fui surpreendido pela informação em torno de uma manifestação de José Bayardi, Ministro da Defesa do Uruguai.    Ele questionou, entre outros fatos, a eleição de Bolsonaro e a presença brasileira no Mercosul.   A Chancelaria brasileira se disse perplexa com a fala do ministro uruguaio.

O impasse mostra o momento do relacionamento entre a Frente Ampla e o governo de Bolsonaro.  Argumentar a saída do Mercosul para um governo em seu primeiro ano de mandato, evidencia, no mínimo, que a tradicional amizade entre os dois países já não é mais a mesma de outros tempos.

…   

Nos últimas dias foram divulgadas informações importantes sobre a economia uruguaia.  As fontes foram o Fundo Monetário Internacional e o Fraser Institute.   

Entre os 143 países utilizados para medir o Índice de Incerteza Comercial por parte do FMI, o Uruguai usufrui da mesma incerteza dos Estados Unidos e da China.  

Entre os 162 países constantes do Índice de Liberdade Econômica calculado pelo Fraser Institute, o Uruguai está situado na septuagésima posição no ranking, uma posição intermediária entre todos os países presentes ao estudo.

O trabalho do FMI sobre o Índice de Incerteza Comercial pode acessado no blog da Instituição, no endereço eletrônico  

https://blogs.imf.org/2019/09/09/new-index-tracks-trade-uncertainty-across-the-globe/

Já o trabalho do Fraser Institute sobre o Índice de Liberdade Econômica está acessível no endereço eletrônico

https://www.fraserinstitute.org/studies/economic-freedom

Um segmento que o Uruguai tem se projetado é o do comércio eletrônico.  Eu li uma matéria na edição de hoje do jornal La República em que há uma entrevista com Marcos Pueyrredon, o presidente do Instituto Latinoamericano de Comércio Eletrônico. 

Na oportunidade fica evidente o quanto o Uruguai está bem posicionado no comércio eletrônico.  Por ocasião do evento eCommerce Day Montevideo realizado no dia 13 de agosto próximo passado, Pueyrredon afirmou que o país é uma vedete no âmbito do comércio eletrônico.

O leitor pode acessar essa matéria no endereço eletrônico republica.com.uy/uruguay-bien-posicionado-en-materia-de-comercio-electronico-id724847

Há uma outra entrevista de Marc Puueyrredon, presidente do eCommerce Institute & Global VP Hispanic Marketx VTEX, em que ele responde algumas perguntas sobre a Instituição que ele dirige.

O leitor pode acessar a entrevista no endereço  https://elsiglo.com.gt/2019/03/25/entrevista-a-marcos-pueyrredon-presidente-del-instituto-latinoamericano-de-comercio-electronico-ecommerce-institute-global-vp-hispanic-markets-vtex/

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É isso aí.  Outro dia escrevo sobre a conjuntura econômica uruguaia e o desafio dos governantes do país.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Viaduto da Borges, Centro Histórico de Porto Alegre, 13.09.2019, 17h00

 

BRASÍLIA, distante de todos, post 23, 13.09.2019, retomada, reformas e Paulo Guedes

Porto Alegre, 13 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 16 graus, não chove hoje

A gestão Paulo Guedes assumiu otimista quanto ao desempenho da economia brasileira no corrente ano.   Na partida, a previsão constante do orçamento fixava o crescimento do PIB em 2,5%, taxa essa que caiu para 2,2% em março, 1,6% em maio e, agora, em setembro, 0,85%. 

O discurso que com a aprovação das reformas os investimentos iriam surgir aos borbotões sumiu do visor oficial. Não há uma receita para a retomada, Bolsonaro prossegue com as suas frases provocando ampla repercussão e Guedes se mantém como fiel escudeiro.  Retomada do crescimento?  Nada!

Há ampla divulgação na imprensa que o PIB está avançando.  Há ênfase em reação nos investimentos.  Outros destacam que a construção está por trás da “melhora” do desempenho.  A produção industrial se arrasta em 0,7%, mas mostra “recuperação” do setor.

É uma pena que assim seja. A informação bate aqui, rebate lá, e as pessoas começam a repetir o que ouvem.  De concreto, tudo se mantém como “dantes no quartel de Abrantes”.

A propósito, Abrantes, a margem do Tejo, fica a 141 quilômetros de Lisboa.  Em Abrantes foi instalado o QG das forças de Napoleão quando invadiram Portugal, mas o rei Dom João VI havia fugido para o Brasil.

A economia brasileira vivencia uma estagnação, os desempregados e os subempregados totalizam em torno de 20 milhões de trabalhadores, há falta de recursos públicos para atender as demandas mínimas  da população.

Está difícil conviver nessa Torre de Babel. 

Os arroubos dos discursos políticos esvaziaram-se em meio às contradições dos resultados, empresas ajustam-se aos bolsos vazios dos consumidores, o combate aos crimes da administração pública mirou na corrupção mas derrubou junto a infraestrutura.

Não há como pensar em política fiscal expansionista porque o estado não se sustenta em pé.  De concreto, o governo ainda não mostrou o que quer da esfera pública porque ainda nem apresentou ao Congresso a sua versão da reforma tributária. 

A Selic poderá migrar do patamar de 5% para 4%, mas na outra ponta é preciso encontrar solução para a dívida pública, os spreads bancários e os juros pagos pelo consumidor. 

Os focos de incêndio expandem-se na Amazônia, mas também no Cerrado e no Pantanal. As discussões com a comunidade internacional em torno dos incêndios poderão criar algum empecilho às exportações do Agro? 

É preciso priorizar o Agro, é preciso defender o Agro, é de lá que vem algum fôlego para a economia.  A ministra Cristina tem mostrado competência no cargo e deve estar atenta aos riscos das ocorrências na Amazônia.

O outro dia liguei televisão e vi uma manchete que dizia que Witzel decide aterrar estação de metrô que custou um bilhão.  O quê? Depois de escavar uma estação do metrô, o governador Witzel vai mandar aterrá-la?  Não entendi o que estava acontecendo na Torre de Babel. 

Mais dois dias, ao ligar a televisão e verifiquei que lá estava o Witzel dizendo que não ia mais aterrar a estação do metrô que tinha outra saída para o impasse.  Eu não disse?  Coisas que acontecem em Babel.  

Está difícil conviver nessa Torre de Babel..

Pois com esse pano de fundo é que se deve colocar Paulo Guedes na Torre.

Eu tive a oportunidade de gravar as manifestações de Paulo Guedes no dia 05 em Fortaleza.   Ele falou a quinhentos empreendedores do Nordeste no evento A NOVA ECONOMIA DO BRASIL, O IMPACTO NA REGIÃO NORDESTE.    Na pauta, a retomada do crescimento econômico.  

Na ocasião, o ministro evidenciou o seu descontentamento com a desidratação da reforma previdenciária levada a cabo pelo Congresso Nacional.   Ao mesmo tempo antecipou a sua confirmação do IVA e do imposto sobre pagamentos na reforma que está sendo formatada dentro do ministério.

Guedes estava falando descontraído, à vontade, para um público que queria ouvir o que ele estava dizendo.

Ele falou que o Brasil estava abrindo a sua economia.  Falou das exigência que se tem para criar um emprego por causa das exigências para criar uma empresa. 

Falou na necessidade de um alvará, da licença dos bombeiros, da licença da Junta Comercial, tudo para criar um emprego.  Mostrou-se favorável a ideia que o empreendedor deve abrir uma empresa e “avisar a turma que vai criar emprego”. 

Segundo Guedes, é preciso digitalizar tudo de modo que o empresário avise uma agência que está criando uma empresa “e elas que se comuniquem entre si”.

Guedes afirmou que 40% do funcionalismo público federal se aposentará nos próximos quatro ou cinco anos.   É preciso digitalizar tudo.  Nos últimos seis meses saíram 16 mil funcionários na Previdência.  É preciso digitalizar tudo.

Eles devem sair por causa da reforma da previdência.    Ótimo, disse o ministro, saiam correndo “antes que o raio caia em cima da cabeça”.  Ótimo!  

O ministro ironizou que antes tinha que se comprovar a existência em vida.  O outro dia uma velhinha doente, saiu lá de Friburgo, no norte do Rio de Janeiro, colocaram-na em um caminhão e ela veio deitada em uma cama e ao fim da viagem ela foi levada a um hospital.  Quando ela chegou lá em cima, perguntam se ela estava viva, ela respondeu que sim, e estava realizada a prova de vida!  Então se ela provou que estava viva, podiam dar o dinheiro para ela.    Isso é um absurdo.  É de uma crueldade, disse Guedes.  Tira uma foto da velhinha no celular, bota as digitais e está pronto.  

O Ministro informou que dos 96 serviços físicos que o INSS realiza, 90 já estão digitalizados. Inclusive, agora, até a obtenção de aposentadoria já está digitalizada.  Você entra na Internet, preenche tudo em duas horas e no dia seguinte você já pode ir buscar a sua aposentadoria. Antes se ficava dois meses buscando papel, mas agora tudo está digitalizado.

Então, disse Guedes que tem gente no setor privado que conhece isso, que faz isso, e que resolve tudo muito rápido. Ora tem gente que trabalha com Inteligência de dados há 20 anos, é chamado ao governo para ajudar e resolve  tudo “nadando de costas”.  Ao contrário se criarem uma Comissão Brasileira de Criação de… para realizar a mesma tarefa, vão passar três anos e não vai sair nada.  

Quais os próximos passos?  O Ministro disse que ele iria entrar na Câmara e no Senado.  No Senado Guedes disse que vai entrar com o Pacto Federativo e na Câmara e no Senado com a Reforma Tributária.  Nesse ínterim ele balançou a cabeça e afirmou que entre a Câmara e Senado tem que se combinar com eles.  

Ele disse que a reforma é conciliatória.  Tem alguns impostos da proposta do Hauly,  Ele deseja o IVA, eletivo, do Hauly.  Se o Estado quiser ele vem, e se não quiser não vem.  Ele quer dois ou três impostos seletivos, cigarros e bebidas, como o Hauly quer, e manter o IVA, como o Appy quer.

Guedes disse que era ex-fumante e que seu pai faleceu de enfisema. O sujeito fuma, fuma, fuma e se adoecer lá na frente vai ter um hospital público para atendê-lo.  Então, se é assim, disse, “toca um imposto em cima deles”.  Daí a importância de um desses impostos seletivos.    

Então, ele confirmou, “vamos entrar com dois ou três impostos seletivos como o Hauly quer”, “vamos entrar com o IVA como o Appy quer” e vamos também entrar com a “nossa novidade, que o pessoal fica chateado, mas eu sempre pergunto qual é a alternativa, então vamos fazer uma reforma no Imposto de Renda”, concluiu Guedes. 

A reforma do IR é simples, baixa um pouco das empresas, aumenta um pouco dos dividendos e acaba as deduções – as autoridades tem outras formas de pegar esses casos – e baixa as alíquotas.  A novidade corre por conta da desoneração da Folha.   Encargos trabalhistas são os impostos mais cruéis do universo.

O ministro falou um pouco sobre os países que saíram do socialismo.  Todo o mundo está saindo da miséria.  O ministro fez gracejos sobre o chinês e o americano.  Na Ásia a “turma está saindo da miséria e tomando conta do espaço”.   Na Europa a “turma não sai do lugar”.  O Ocidente não entendeu o que está acontecendo, não compreendeu como enriqueceu. 

Disse, também, que todo o mundo acha que o capitalismo não gosta de pobre.  Na verdade, ele gosta de pobre porque ele quer enriquecê-lo.   Capitalismo gosta é de povão, concluiu.

Guedes falou em mudança na distribuição de renda global.  O Oriente avança e o Ocidente com a sua social-democracia quer garantia de direito, não fala em garantia de emprego.

A seguir o ministro fez a defesa do IVA.  Disse que pretende colocar todas as propostas na mesa e a sociedade escolhe.  E, assim, a pauta para o segundo semestre é o Pacto Federativo e a Reforma Tributária.  Ele ainda falou em reforma política e na necessidade de um voto distrital misto.  Defendeu que 70% dos recursos fiquem com Estados e Municípios.  A União faz uma coisa ou outra. 

Fez graça em torno da multa que recebeu nos EUA por estar dirigindo acima da velocidade permitida.  Na hora foi parado, julgado na hora e com licença para ir até o fim da viagem e pagar a multa na hora.

Aí ele começou a descrever as cinco equipes que criou para o trabalho a ser desenvolvido no Ministério.  A certa altura ele esqueceu onde estava e teve que perguntar a plateia sobre o que ele estava falando.  Sesculpou-se que o fato se deve à idade.  Ele sabe o conteúdo, mas ele o esquece. 

Eu paro por aqui.  Quem sabe, mais adiante eu tomo o final da palestra de Guedes em Fortaleza e faço outro post.   Não sei se vale a pena.  Guedes fala tudo de forma muito rápida, pula de um assunto para outro, utiliza exemplos mais ou menos ligados ao tema que está desenvolvendo, procura por graça em tudo e fica tudo assim.   Mas ele falou sobre outros assuntos – Nordeste e COAF, por exemplo, que poderiam ser objeto de outro post.  

No meio da exposição, ele disse, Obrigado, pessoal, e encerrou. 

Foi nesse evento que Guedes confirmou que  Brigitte Macron, a esposa de Emanuel Macron, era feia.  O presidente da França havia criticado a dimensão dos incêndios da Amazônia.    Na hora eu “pensei com os meus botões” porque ele falou na primeira dama daquela forma?  

No dia seguinte Guedes lamentou profundamente o mau gosto da sua manifestação da véspera.   Na França, Tiphaine Auzière, a filha de Brigitte, criticou Guedes como um caso de misóginia, um desprezo a mulher. 

Em suma, Guedes é informal.  Fala muito.  Quase não faz pausa para respirar.  Ele parece reconhecer que é um ator no processo vigente dentro do governo.  Ao contrário da experiência brasileira onde os ministros da Fazenda apresentavam diagnósticos, fixavam objetivos e estabeleciam estratégias, Guedes descreve o que está vendo.   Pula de um tema interno para assunto que ocorre no Exterior de um momento para outro.  Não segue uma ordem previamente estabelecida.  Enquanto os interlocutores estão de acordo com a sua pauta, o processo flui.  Não foi o que aconteceu em uma das suas presenças no Congresso quando foi contestado e teve dificuldades para debater.  

Bem, esse é Paulo Guedes.  Não me parece que vai seguir um caminho obedecido por ministros anteriores.  Passa a ideia que está solto na administração do país.  Não lembro dele ter citado outras autoridades que não fossem os presidentes da Câmara e do Senado. 

À essa altura, o que me pareceu é que ele jogou a pauta das reformas e deu.  A da Previdência foi totalmente desidratada.  Não me pareceu que ele lamente o fato.  A Reforma Tributária ainda não chegou ao Congresso, mas ele fala como se todos soubessem o que ele pretende com a tal conciliação dos projetos. 

Em todas as oportunidades que a sua posição ficou frente a do Congresso, ele diz que “eles que decidam o que querem”.  Em todos os exemplos que cita, ele recorre ao pensamento conservador e evidencia a necessidade de resolver os problemas  que os “outros criaram”.

… 

À essa altura de 2019 e depois da desidratação da Nova Previdência, fica difícil imaginar em que direção Guedes conduz o país.  Creio que ele precisaria divulgar mais, e melhor, onde pretende chegar e quando isso irá acontecer. 

Fico com a impressão que no fim da tarde, o barco se encontra no meio do mar …

Boa noite, leitor do blog!  

FOTO ABAIXO:  Esquina das ruas Riachuelo e Floriano Peixoto, bloqueada aos automóveis, setembro de 2019. 

      

CASA BRANCA, as últimas dos EUA, post 15, 12.09.2019, mais um debate do Partido Democrata

Porto Alegre, 12 de setembro de 2019

Horário do beco da rua General João Manoel, 18h10, 15 graus, frio e chuva estão de volta

Hoje, à noite, será realizado o terceiro debate dos candidatos a candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata.  Diretamente de Houston, a grade de programação da CNN está anunciando o Democrat National Committee Debate Post Analsis a partir da próxima meia-noite.

Por enquanto, é preciso estar atento às presenças de Joe Biden, ex-vice de Barack Obama e Elizabeth Warren, a senadora pelo Estado de Massachusetts. 

A propósito de Warren, o seu livro Fighting Chance de 2014 foi traduzido para o português e foi publicado com o título Uma chance de lutar  pela Editora Instrínseca Ltda em 2016.    Leitura obrigatória para professores e estudantes de Economia e de áreas afins. 

É importante saber que à essa altura da gestão do presidente norte-americano, em setembro do terceiro ano de governo, uma pesquisa divulgada pela Gallup  mostra que Donald Trump tem 39% de avaliação positiva contra 43% de Barack Obama, 44% de Bill Clinton, 47% de Ronald Reagan, 50% de George W. Bush, 56% de Kennedy e 68% de George Bush. 

É isso aí.  Vale a pena acompanhar o evento.

FOTO ABAIXO:  Eu bati a foto em 1970 quando participei do primeiro evento promovido pela University of Houston (UH). 

MEMÓRIAS e outras histórias, post 56, 11.09.2019, dois filmes nas minhas lembranças

Porto Alegre, 11 de setembro de 2019

Horário do beco da rua General João Manoel, 12h10, 15 graus, frio e chuva estão de volta

Eu nasci em Livramento, Brasil, uma cidade vizinha à cidade de Rivera, Uruguai.   Minha mãe, Stella, era uruguaia e o meu pai, Aleixo, era brasileiro.  Órfão muito cedo, em 1908, o meu pai foi criado por uma família uruguaia e viveu boa parte da sua vida no interior do Departamento de Rivera. 

FOTO ABAIXO:  Aleixo Fraquelli, 104 anos, Stella Coitinho Fraquelli, 89 anos, meus pais, ambos já falecidos. 

 

Anos mais tarde, meu pai veio do interior do Departamento para trabalhar na cidade uruguaia. Paralelamente, foi a família de minha da minha mãe que deixou Rivera e se transferiu para Livramento.  Isso no final dos anos 20 ou início dos anos 30, uma década antes de eu nascer, em 31 de agosto de 1944.

 

FOTO ABAIXO: Participação do nascimento do autor do blog, em edição do jornal A Plateia de 01.09.1944. 

 

A par de trabalhar em Rivera, durante alguns anos o meu pai foi empregado de uma casa bancária que havia em Livramento.  A empresa se chamava Sociedade Comercial Sul Brasil Limitada que tinha sede em Livramento e filiais em diversas cidades do Rio Grande do Sul e na capital do país, o Rio de Janeiro.

 

FOTO ABAIXO: Propaganda da casa bancária SUL Brasil em edição de A Plateia, de 01.09.1944.

 

Desde menino eu fui muito ligado ao cinema.   Na minha cidade natal havia o Cine Teatro Colombo, mas no lado de Rivera, Uruguai, os brasileiros tinham quatro cinemas – Grand Rex, Avenida, América e Astral – disponíveis.  

A infraestrutura oferecida à população dos cinemas de Rivera era muito superior àquela existente do lado de cá da fronteira. 

A par da atividade desenvolvida no palco do teatro, como é o caso da matéria divulgada na nota do jornal daquela época, o Colombo tinha uma programação um tanto concentrada em apresentação de seriados para os adolescentes nas tardes de domingo. 

 

FOTO ABAIXO:Apresentação da cantora Olga Praguer Coelho no Cine Teatro Colombo, jornal A Platéia, 01.09.1944

 

Já a programação noturna que começava no horário de 20h45 apresentava dois filmes.  O preço para assento na Platéia era de CR$ 1,50 e na Geral o preço da cadeira era de CR$ 0,80.   

 

FOTO ABAIXO: Programação do Cine Colombo correspondente ao dia 01.09.1944

 

Já os cinemas de Rivera apresentavam semanas e mais semanas de filmes franceses, italianos, russos e assim por diante.  Aos domingos, havia uma programação que iniciava em torno de 13h00 e encerrava após às 20h00.  Adolescente, eu assistia quatro filmes durante as tardes de domingo, e como eu boa parte dos jovens da minha cidade natal. 

É dessa época o meu interesse pelo cinema.  E, creio, eu o mantive vivo até o fim dos anos 50 e meados dos anos 60.  Depois, eu passei a ter atividade profissional muito intensa e pouco tempo restou para o lazer. 

De qualquer forma, o post de hoje tem a ver com cinema.  Eu gostaria repassar ao leitor do blog algumas informações ligadas a dois filmes que eu vi e que me marcaram como apreciador da arte.  Um eu assisti há muitos e muitos anos; o outro, nessa semana. Por que?  Porque eu penso que é possível realizar algumas comparações entre ambos.

O primeiro filme leva o título de IL SORPASSO, Aquele que sabe viver.  Ele acontece no dia 15 de agosto, data em que os italianos comemoram a Ferragosto, a festa de assunção da Virgem Maria. 

O filme de 1962 é estrelado por Vittorio Gassman, Jean Louis Trintignhant e Catherine Spaak, e dirigido por Dino Risi.  O filme é preto e branco e acontece em Roma e na Toscana durante a Ferragosto.   

Eu lembro que o filme começa com o play boy Bruno (Gassman) de 42 anos se deslocando em um carro Lancia Aurelia B24 por Roma a procura de um telefone público durante o fim de semana em que tudo está fechado na capital italiana. Quando ele encontra um aparelho ele vê que em prédio vizinho está Roberto (Trintignhant) estudante de direito realizando algum compromisso discente.  

Bruno convence Roberto a acompanhá-lo e a história se desenvolve com muita ação.  Bruno é um bon vivant que sabe tudo, fala sobre tudo, fala alto e parece que pouco ouve.  Leva Bruno por todos os lugares.  O estudante tímido conhece nessas andanças a filha e a ex-mulher de Bruno.   

É uma comédia romântica que se desenvolve no mundo do pós-guerra.   Todo o filme gira, até onde eu o lembro bem, em torno de Bruno, vivido por Vittorio Gassman.  

As cenas ao longo da estrada dentro do carro Lancia, a interação com outros automóveis que viajam na mesma estrada, a chegada a locais de repouso, a ida a ambientes com presença de muita gente, tudo acontece com muito bom humor. 

Eu lembro que durante muito tempo eu queria saber como era o título do filme.  Certa ocasião, conversando com o meu colega e amigo Enéas de Souza eu indaguei-lhe sobre o espetáculo e ele me deu o nome do filme, Il Sorpasso. 

Pois nessa semana eu lembrei desse filme porque assisti um outro que mostrava algumas semelhança com o anterior.

Dessa vez eu estava em casa, era em torno de meia-noite, liguei a televisão em busca de um programa de esportes mas dei de cara com o filme A GRANDE BELEZA.   

Eu não sabia do que se tratava, mas fui assistindo, assistindo, assistindo e fiquei até o fim do filme.  Fui achando interessante, as imagens eram muito bem apresentadas, o conteúdo fazia o espectador pensar sobre o que ia acompanhando.

O filme é a história do jornalista Jep Gambardella, com uma atividade noturna intensa e que elabora uma análise da sua existência ao longo do filme.  A direção é de Paolo Sorrentino. O filme é de 2013.

Em IL SORPASSO, Vittorio Gasmann é um playboy de 41 anos enquanto que em A GRANDE BELEZA o ator Tony Servillo é um escritor de 65 anos.

Jep escreveu “O aparelho humano”.  Durante o filme ele curte a sua fama e vive em festas da alta sociedade.  Assim como Gassman, Servillo é o tipo sabe tudo.  Ambos conhecem todo o mundo.  Gassman é mais expansivo enquanto Servilho faz um papel mais contido.

As imagens do filme dirigido por Sorrantino são notáveis.  As mudanças de cena são bruscas.  Cada personagem que contracena com Jep tem uma história marcante. 

Tendo passado todo o filme adiando a elaboração de uma nova obra, citando autores, fazendo apenas o que deseja, falando sobre artes e literatura, encerra com uma imagem extraordinária de Roma.  

Dois filmes que fazem o espectador pensar em torno da vida.  Creio que levo os conteúdos de ambos pelo conteúdo das obras bem como pelo desempenho dos atores.

Boa tarde leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Dois estabelecimentos comerciais bastante próximos um do outro, localizados na Rua Rivadávia Correa e que eu frequentava nos anos 40 e 50.  A Casa Caggiani, onde a meus pais adquiriam sapatos, era de propriedade do pai do meu colega de colégio Sergio Caggiani.    A Fármácia Nacional, conhecida como a Farmácia do seu Bica, era um dos locais em que eu ia comprar medicamentos com muita frequência.  As propagandas são da edição de 01.09.1944 do jornal A Plateia, de Livramento. 

      

UNIÃO EUROPEIA, Comissão, post 33, 10.09.2019, a nova chefia de Ursula von der Leyen

Porto Alegre, 10 de setembro de 2019 

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 20 graus, chuva e frio de volta

Há algum tempo eu escrevi um post sobre Ursula von der Leyen.  Na época ela ocupava a pasta da Defesa no governo de Angela Merkel e buscava apoio externo para se candidatar à presidência da Comissão Europeia.   

Ela teve o seu nome proposto pela Comissão Europeia em 02 de julho, obteve a confirmação do seu nome pelo Parlamento Europeu em 16 de julho e deve assumir a presidência Comissão no dia primeiro de novembro em substituição a Jean-Claude Juncker.  

Eu acompanhei o trabalho de Jean-Claude e considero que ele mostrou muito empenho para levar adiante a sua administração.  Ele sofreu com as criticas de Donald Trump, presidente de um país que era antigo aliado e parceiro até então. 

Não desejou partir para um processo de reeleição alegando motivos pessoais.  Eu acredito que tenha algo a ver com o seu estado de saúde porque ele mostrou limitações nos últimos meses da sua gestão.  

Ursula trabalha com quatro grandes objetivos, quais sejam, a promoção da economia digital, a geração de energia, a preservação do meio ambiente e o avanço da confiança dos habitantes do bloco.

A par dos seus objetivos, há toda uma expectativa que Ursula leve adiante a proposta de criar uma unidade de Defesa dentro do bloco que abrange 28 países.  Eu registrei em textos anteriores a pressão que Donald Trump fez às autoridades europeias nos dois primeiros anos de sua chegada à Casa Branca.

Em diversas oportunidades, Trump nem parecia visualizar antigos parceiros nas lideranças europeias atuais.  Ele jogava em todos os eventos bilaterais o valores dispendidos pelo governo de Washington para assegurar a defesa dos países do Velho Continente.

A pasta da Economia que diz respeito, prioritariamente, as minhas análises no blog, ficará a cargo de Paolo Gentiloni, jornalista de 64 anos, político do Partido Democrático e ex-Primeiro ministro da Itália entre dezembro de 2016 e junho de 2018.

Tendo em vista que as mudanças acontecem em menos de 60 dias, achei importante buscar os nomes da nova equipe que acompanhará Ursula na gestão do bloco. 

É interessante registrar que para enfrentar eurocéticos e nacionalistas nos anos à frente, a direção da UE precisa consolidar alianças entre conservadores, liberais e sociais-democratas. 

Com Úrsula não foi diferente. Ela terá representantes das três correntes políticas em suas vice-presidências executivas.  São eles Valdis Dombrovskis (conservador), Margrethe Vestager (liberal) e Frans Timmermans (social democrata)

Para colocar em prática as decisões que tem origem no Parlamento e no Conselho, a presidência de Ursula na Comissão terá a companhia de 28 comissários, um para cada país do bloco.

… 

Por fim, uma palavra sobre o que eu considero o maior desafio de Ursula van der Layer.   Ao contrário do seu antecessor, voltado prioritariamente para a integração, ela precisa ir além e ocupar o espaço político reservado ao Velho Continente.  

É preciso dar um basta a Trade War lançada por Donald Trump.  As restrições e a reações, lado a lado, levarão a economia global a uma instabilidade cada vez maior.   

Os EUA lançam novas medidas a cada semana e a China reage sem dar espaço para outras lideranças globais.   Eu acredito que é possível agrupar uma terceira força política para levar adiante uma mensagem que transcenda o momento da economia atual.

Não sei se Ursula tem um perfil para se lançar em um projeto dessa natureza.   Eu penso que ela se projetou à medida que Angela Merkel mostrar sinais que o seu tempo pode estar chegando ao fim.

Ela deve contar com Joseph Borell, um político espanhol experiente, como o seu vice-presidente, além de acumular com as funções de alto representante da Política Exterior.

Quem sabe Borell não seja o complemento que Ursula precisa para se projetar em voos mais altos?

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Mercado Público de Porto Alegre, setembro de 201910

 

CHINA, hoje, post 11, 09.08.2019, preços, balança comercial, RRR, fórum, satélites, suinocultura, Jack Ma

Porto Alegre, 09 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 18 graus, foi um dia de verão

Diariamente eu faço incursões pela mídia da Ásia.  Normalmente, em torno de meia noite, eu acompanho a programação daquele continente.  É preciso considerar que há uma diferença de 11 horas entre o fuso horário de lá e aquele do meu beco em Porto Alegre.

É interessante que há uma forte repercussão do fechamento do mercado norte-americano e uma grande especulação em torno da abertura do mercado europeu que acontecerá algumas horas à frente.

A primeira informação importante da economia da China que eu identifiquei nessa segunda-feira foi na televisão e tem a ver com a estabilidade econômica.

Os preços aos produtores que vinham avançando em terreno positivo até o mês de maio, ficaram zerados em junho e passaram a cair desde então.  O índice de Preços aos Produtores (PPI} registrou incrementos de 0,4% em março, 0,9% em abril e 0,6% em maio. 

A variação foi nula em junho e depois caiu -0,3% em julho e deve registrar uma queda de 0,9% em agosto segundo estimativas locais.  A deflação verificada no Índice de Preços aos Produtores gerou forte repercussão na mídia internacional. 

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Analistas em Hong Kong evidenciam que na comparação anual de 2018 para 2019 até o mês de agosto, a taxa da inflação deve estar variando entre 2,7% a 2,8% ao ano.

A par dos números da inflação, hoje houve também divulgação de dados sobre o comportamento da balança comercial, onde os saldos se mantém positivos e com crescimento nos últimos meses.  Eu tomei conhecimento dos mesmos via canal Bloomberg.

Depois de registrar um saldo de $ 4,12 bilhões em fevereiro, o mesmo cresceu para US$ 32,61 bilhões em março e caiu para US$ 13,81 bilhões em abril.  Posteriormente, houve, praticamente uma mudança de patamar, tendo em vista que o saldo da balança comercial alcançou US$ 41,65 bilhões (maio), US$ 50,98 bilhões (junho), US45,06 bilhões (julho) e US 34,81 bilhões (agosto).

Isso posto, eu começo a perceber que a ideia de estimular a economia está voltando com força.  A propósito houve corte nas reservas dos bancos, conhecidas como Reserve Requirement Ratio (RRR), em 50 pontos básicos, 50 basis points (bps),  para todos os bancos, implicando uma injeção de US$ 126,35 bilhões, algo equivalente a 900 bilhões de yuans.  

Eu não poderia deixar de registrar no blog que durante o fim de semana a cidade de Beijing foi sede do China Development Forum que reuniu executivos de grandes empresas estrangeiras.  Na recorrida virtual pela mídia local dessa segunda-feira, eu tomei conhecimento do evento no site da Xinhua Net.

A ideia era as empresas de fora divulgarem alguns dos seu planos.  Segundo o autor da matéria, o que os empresários citaram varias vezes foram a busca de uma integração mais profunda e a realização de novos investimentos.   Na verdade, estavam em discussão as perspectivas dos negócios e a confiança no mercado chinês.

Uma informação importante que eu li no site é que a empresa não se encontra no local apenas para usufruir a dimensão do mercado.  Ela mira a competitividade e daí o foco na inovação e no valor agregado na cadeia produtiva.   

É como se implicasse migrar de a identificação de produto da China para criação na China.  Aparentemente, eu acredito que hoje já não basta afirmar que se está produzindo na China.  É preciso se beneficiar da inovação e receber o selo de um produto criado na China. 

Outra notícia que me pareceu relevante nas leituras virtuais de hoje foi aquela que vinculava a atividade de lançamento de satélites.  O país conta com algo em torno de 200 satélites em órbita e pretende lançar 100 novas unidades até o ano de 2025.

Segundo a mesma fonte, há mais um satélite agendado para ser lançado ainda no corrente ano e que “visa desenvolver um sistema de alta resolução para observação do planeta”.

Por fim, a mídia divulgou uma série de medidas no âmbito da economia por parte das autoridades locais.  Dentre elas, eu verifiquei que há um objetivo voltado para recorrer a estímulos fiscais visando elevar a produção da suinocultura 

Na hora de encerrar o post eu verifiquei a grande divulgação dada à aposentadoria de Jack Ma, o presidente do grupo de tecnologia Alibaba, com direito a uma festa para 80 mil pessoas.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Cruzamento das ruas Riachuelo com Marechal Floriano, Centro Histórico de Porto Alegre, setembro de 2019

 

BRASIL, bom dia leitor do blog, post 276, 08.09.2019, um momento hiper intrincado da conjuntura

Porto Alegre, 08 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 12h10, 22 graus, dia nublado 

E chegou o domingo.  Foi-se a primeira semana de um novo mês e nada.  A economia continua na mesma.  Não há o menor sinal de retomada.   Depois da recessão chegou a estagnação.    O desempenho do primeiro trimestre mostrou um recuo de -0,2% no PIB. 

Há alguns dias se falava em nova recessão.  Na undécima hora os oficialistas comemoraram o avanço de 0,4% no Produto no segundo trimestre.  E já descartaram a recessão técnica como um episódio que ficou para trás.  Em definitivo. 

Surpreende-me que a exigência de um proposta objetiva para a retomada não venha dos agentes econômicos que tem condições de fazê-la.   Há parcela expressiva da população à margem do processo produtivo.   

Não se pode ignorar que a população desempregada fechou o segundo trimestre com 12,8 milhões de desempregados e 7,4 milhões de sub-ocupados segundo o IBGE.   

Mesmo com uma melhora de população empregada num total de 1,479 milhão de pessoas no segundo trimestre de acordo com os dados da PNAD, a situação do mercado de trabalho é crítica porque são muitos anos sucessivos de crise e a base de comparação é extremamente frágil.  

A estabilidade política que deveria estar presente ao longo do corrente ano vive aos sobressaltos e sem qualquer expectativa de normalidade por tudo o que aconteceu nesses nove meses de gestão. 

Todos os dias acontecem manifestações dos agentes políticos que minam a confiança da população e dos empreendedores.

Eu acredito que as reformas indispensáveis aos ajustes econômicos e que os investimentos empresariais como pré-condição de crescimento futuro devem ser trabalhados de forma convergente pelas lideranças nacionais.  

A futura retomada deve fazer frente, também, a causas geradas externamente.  A incerteza decorrente da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China deve criar embaraços à retomada brasileira à medida que a desaceleração global sinaliza uma queda no ritmo da economia dos países emergentes.   

Certamente que a desaceleração em curso e a ameaça de uma recessão global podem atrasar os movimentos da economia brasileira.   Tudo porque há possibilidade de diminuições nos investimentos internacionais e nos preços das commodities, fatores importantes na configuração de cenários econômicos para os próximos exercícios.    

Paralelamente, o governo deve ter reconhecido a gravidade do momento quando optou por jogar recursos na economia estagnada.

Nesse sentido, as autoridades optaram por uma MP como a forma de liberar recursos do FGTS e do PIS/PASEP no valor de R$ 42 bilhões.  Trata-se de uma dose homeopática.  Um recurso irrisório para chegar à economia até março do próximo ano.

 

À medida que o Poder Executivo propõe e o Poder Legislativo desidrata cria-se um lapso de tempo para que possa se discernir quem é quem no andamento das reformas estruturais.

Nesse contexto,  o governo recorre também a ajuste microeconômicos que devem devidamente explicados à sociedade para que ela compreenda a gestão como uma melhora do ambiente de negócios no país.

…  

Há alguns anos eu lembro de fazer palestras no SEBRAE ou em alguma instituição equivalente, em que eu estava muito ligado às perspectivas de fusões e aquisições na economia brasileira.       

Recursos externos sempre estiveram disponíveis.  O Brasil, tradicionalmente, conta com um potencial consumidor imenso.  Daí a minha percepção que o processo iria se consolidar no curto prazo.

Veio a crise.  Tudo o que poderia prejudicar o desempenho da economia tomou um formato real.  O pais ficou dividido.  Criou-se um “diálogo de surdos”.     A polarização se acentuou, a retomada atrasou, os retornos ficaram em standby e as fusões e aquisições não se confirmaram.  

Eu creio que a reforma tributária é uma peça chave no Brasil que há de vir.  Desde a primeira vez que ouvi Paulo Guedes eu pensei que essa poderia ser a grande contribuição desse governo.  

A essa altura do ano, há três opções em curso, mas a proposta oficial ainda não chegou ao Congresso.  Os Estados estão com dificuldades de se manterem em pé, Guedes fala convicto de um novo pacto federativo, enquanto eu, aqui no meu beco, já não desprezo qualquer alternativa disponível, contudo enfrento dificuldades de aceitar convergência de posições tão distintas.

A outra reforma, a previdenciária, é dada como um episódio superado por autoridades da capital federal.   Não me parece que seja assim. 

Desde que a Nova Previdência migrou na Câmara para o Senado eu ouvi com atenção as manifestações do senador Tasso Jereissati.  Eu acreditei que ele estava certo em introduzir a previdência dos Estados e Municípios na pauta da reforma.

Eu penso que Jereissati fez bem em introduzir os trabalhadores informais no regime geral e de estabelecer que nenhuma pensão do INSS será abaixo do salário mínimo.      

Também considero que a PEC Paralela é uma ideia positiva.  Ela inclui o direito à seguridade social para crianças em situação de pobreza e a aposentadoria por incapacidade grave de 100%.    Outrossim estou de acordo com acumulação de funções quando houver caso de dependentes com deficiência grave.

O meu maior receio é que ao desdobrar a Nova Previdência, a PEC Paralela fique no meio do caminho.   Houve muita reação quanto a introduzir a previdência de Estados e Municípios na reforma original.  Não visualizo o que possa ter mudado para que a Câmara concorde com a ideia da PEC Paralela.

Tendo em vista que tudo o que avançou é produto de medidas desidratadas, não sei o Centrão, ou quem quer que seja porque o governo não tem e nem parece pretender ter maioria, poderia pressionar pela inciativa que vem do Senado para a Câmara.

Ao apagar das luzes da elaboração desse meu post sobre o momento intrincado da conjuntura, eis que surgiu o pacote de combate ao desemprego. 

Como tudo nesse governo, as informações fluem em pílulas.  Fala-se em liberação de R$ 65 bilhões para capital de giro das empresas.  Há uma mistura de dez frentes que deram forma ao pacote.   Vou preparar um post sobre a iniciativa que ainda está em elaboração no Ministério da Economia.

É isso aí.  Uma boa tarde!

FOTO ABAIXO: Praça da Alfândega, Centro Histórico de Porto Alegre, setembro de 2019

CASA BRANCA, as últimas dos EUA, post 14, 07.09.2019, o momento intrincado da conjuntura

Porto Alegre, 07 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 12h10, 16 graus, trovoadas desde ontem à noite, sem interrupções

A economia norte americana está sob atenção redobrada.  O momento é intrincado. O que a gente vê é um desentendimento de diagnóstico entre Donald Trump e Jerome Powell.   O que a gente ouve é que a economia vai para uma recessão contra visões de relativo otimismo.  O que a gente percebe é que há espaço para uma reeleição de Trump contra um fechamento da porta das urnas ao megaempresário.  O que a gente não sabe é onde a conjuntura vai levar as expectativas e os interesses. 

Na América, os dados divulgados ontem pelo Departamento de Trabalho dos Estados Unidos para o mês de agosto mostraram que houve 130 mil novos empregos e o pleno emprego continuou no mesmo patamar vigente anteriormente à medida que a taxa de desemprego se manteve nos mesmos 3,7% de julho.   

Os números para o mercado de trabalho norte-americano ainda são extraordinários tendo em vista que eles registram novos empregos mensais e consecutivos há, praticamente, nove anos.  Contudo é evidente que a média mensal de empregos gerados caiu de 223 mil no ano passado para 158 mil no corrente ano.  Algum sinal do que está para acontecer?

…  

A bolsa prossegue em sua trajetória de apostar “que ainda dá”. 

O índice S&P 500 fechou a semana em 2.978,71 pontos.  As variações foram de 0,09% na sexta-feira, 3,36% nos últimos 30 dias, 7,03% nos últimos 90 dias e, finalmente, 2,83% nos últimos 12 meses. 

O índice NASDAQ encerrou o pregão de ontem em 8.103,07 pontos.  As variações foram de -0.17% na sexta-feira, 3,44% nos últimos 30 dias, 7,36% nos últimos 90 dias e 1,06% nos últimos 12 meses.

Ambos os índices, S&P 500 e NASDAQ, apresentam taxas positivas nos últimos 30 e 60 dias, independentemente, da desaceleração da economia norte-americana e da ameaça da recessão global.   

O fato de ser refúgio último para os investidores mundo a fora, viabiliza a convivência da bolsa com a volatilidade em meio a tamanha incerteza.  

A polêmica em torno das posições de Trump e Powell evidencia desdobramentos aqui e acolá.  Donald Trump, até aqui, não deixou de esgrimar com Xi Jinping.   Maior o embate, menor o nível da atividade econômica.  Donald Trump, acolá, deve estar vendo a sua chance de reeleição se esvair.   Em algum momento no futuro imediato ele deverá optar entre a guerra comercial ou a permanência na Casa Branca. 

Setorialmente, há problemas supervenientes que impactam o desempenho da economia, independentemente das razões apresentadas até agora.  Um desses casos é o da Indústria que recuou 0,9% de julho para agosto por causa da paralisação de unidades produtivas causada pela passagem do furacão Harvey.

Jerome Powell esteve em Zurique nessa semana falando para empresários e autoridades europeias.  Surpreendeu-me o seu desempenho.  Eu nunca o tinha visto falando sobre a economia norte-americana de forma tão descontraída.  O fato de ter afirmado que não vê a recessão que muitos estão tratando “a favas contadas” me deu um novo alento.  Ainda vou preparar um post sobre o evento.

Joe Biden, Bernie Sanders e Elizabeth Warren lideram a corrida para a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca.  São vinte candidatos a candidato para o enfrentamento com Donald Trump.  Dezenove eu os considero como fracos para uma disputa com o Presidente. 

A exceção corre por conta de Elizabeth Warren.  É fortíssima como política, mas creio que não tem voto para chegar a ser a escolhida.  Estou muito ligado nesses acontecimentos.  E preocupado.  Mais uma gestão de Trump seria algo de efeitos imprevisíveis.  Se não houver uma barreira que tolha os seus passos, dificilmente algum democrata o baterá, antecipadamente, nas pesquisas.  O que é certo é que há muita água a rolar pela ponte.    

Encerro o comentário dos Estados Unidos, lembrando ao leitor de uma informação de natureza esportiva. Hoje tem final feminina do US OPEN com Serena William frente a Bianca Andreescu do Canadá, a partir de 17h00, com transmissão da ESPN e do SPOTV 3.   Serena, 37 anos, é hors-concours.  Quanto à Bianca, 19 anos, eu acompanhei o seu desempenho nesse US OPEN. 

Muitas vezes eu achava que Bianca não conseguiria superar as adversárias, mas ela sempre me surpreendeu.  Houve oportunidades em que ela demonstrava sinais de dores no joelho, todavia, mesmo assim, ela conseguia chegar ao fim das partidas e vencer os embates.   À essa altura, fica difícil qualquer prognóstico.   

No âmbito masculino, a partir de 17h00 desse domingo, Rafael Nadal, segundo no ranking, enfrenta o russo Daniil Medvedev, quinto no ranking.  Eu sempre acredito que o espanhol é o favorito.  Mantém um desempenho médio sensacional.   Ele já está com 33 anos e não sei até quando o seu corpo vai aguentar sendo tão competitivo.  O russo tem apenas 23 anos. Não sei se consegue fazer frente a um adversário tão forte. 

O raciocínio que eu fiz para Bianca vale para Daniil.  Em ambos os casos, as adversidades durante uma ou outra partida, nesse US OPEN, pareciam insuperáveis, mas eles buscavam forças em algum lugar e concluíam os seus jogos. 

Serena busca o seu sétimo título e Nadal pretende chegar ao seu quarto título do US OPEN.  A minha única dúvida é se Serena e Nadal não apresentarão alguma lesão durante as finais que os impeçam de chegar até o encerramentos do embates.    

FOTO ABAIXO:  Orgulho dos avós, as netas números 01 e 03, de 5, respectivamente, foram conhecer a ARENA GRÊMIO despertando cedo o interesse pelo esporte regional.

  

 

ENTREVISTAS na televisão, post 21, 06.09.2019, James Powell em Zurique

Porto Alegre, 06 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 13h30, 20 graus, temperatura recua à noite meu ip

Leitor do blog,

Acompanhe, agora, ao vivo, diretamente de Zurique, via Bloomberg, a entrevista de James Powell, o diretor do FED.

Quem sabe James Powell seja uma das pessoas mais importantes em âmbito global no presente momento.  O Sistema de Reserva Federal (FED) é independente nos Estados Unidos.  Há pressão para mudanças nas taxas de juros.  A economia global está em desaceleração e muitos analistas sinalizam com a presença de uma nova recessão global.

Ele está na Europa, em Zurique, na Suiça.  Submetido a toda ordem de perguntas, Powell está apresentando um desempenho invejável.  Tranquilo, objetivo nas respostas e muito bom humor.  Depois faço um post sobre a pauta do evento. 

Ufa!  A melhor informação que ele poderia repassar aos presentes, e ao mundo, é que ele não prevê a presença de uma recessão.  E isso ele afirmou.  Aleluia!

Confira, no canal 573 da SKY.

Boa tarde!

FOTO ABAIXO:  Porto Alegre às vésperas de uma chuva que chegará à tarde ou à noite.