Em 23 de agosto passado, Christine Lagarde esteve em Jackson Hole para a reunião patrocinada pelo Sistema de Reserva Federal (FED) dos Estados Unidos.   Li as matérias publicadas nos jornais sobre o pronunciamento da Diretora-Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI). Posteriormente, obtive a íntegra do discurso de Lagarde junto ao site do Fundo.    Neste post eu procuro fazer uma breve resenha desse conteúdo que ela intitulou “O cálculo mundial das políticas monetárias não convencionais”.

Em princípio, Lagarde é a favor das medidas excepcionais de política monetária adotadas pelos bancos centrais desde à crise.  E ela afirma que se não fosse esse procedimento a economia global entraria numa depressão.  Todavia ela reconhece que trabalhar com medidas não ortodoxas é como navegar em mar desconhecido.

Dadas essas informações preliminares, Lagarde coloca três perguntas para a reflexão: (i) qual é a influência das medidas não convencionais utilizadas pelos EUA e outros países? (ii) o que acontecerá para a economia global com o abandono dessas medidas? (iii) há possibilidade de se obter uma combinação de políticas globais a fim alcançar um crescimento duradouro de forma mais adequada?

À primeira pergunta ela responde que as medidas apresentaram resultados positivos embora reconheça que há opiniões divergentes da sua.  Nos Estados Unidos e no Reino Unido elas contribuíram para evitar um colapso do sistema financeiro e da atividade econômica.   Paralelamente, ela enfatiza que “as operações de refinanciamento de longo prazo e as operações de compra e venda do Banco Central evitaram a fragmentação da Zona Euro”.

O FMI monitorou a conexão entre o setor financeiro e a economia real dentro dos países e entre os países.  O FMI “caminhou em terra nova”, diz Lagarde.  Houve muitas ramificações para acompanhar.  Publicou-se um trabalho sobre o contágio de políticas monetárias não convencionais. No caso dos EUA houve redução nos rendimentos dos bônus de longo prazo em 100 pontos e um incremento de 1% no produto global.  Ela encerra a resposta à primeira pergunta reconhecendo que as melhoras aconteceram no início da crise quando a situação era muito difícil.

À segunda pergunta – repercussão atual sobre a economia mundial das políticas monetárias não convencionais – Lagarde não propõe a retomada das medidas não ortodoxas embora reconheça que a Europa e o Japão devam preservá-las.

Porém é preciso estar pronto para quando as medidas expansionistas possam ser eliminadas.  A Diretora ainda não sabe quando isso ocorrerá, mas dependerá do ritmo da retomada econômica. Como não sabe quando ocorrerá essa mudança é preciso estar atento à estabilidade e ao crescimento. Na verdade, é fundamental verificar (a) o equilíbrio entre a estabilidade e o risco e (b) os efeitos do contágio.

À terceira pergunta – combinação de políticas pode levar a um crescimento duradouro – Christine Lagarde assume que a política monetária não pode, isoladamente, resolver toda a crise.  São necessárias medidas complementares.  Políticas monetárias não convencionais implicam agendas de reformas.

E aí, a diretora do FMI recomenda: que nos países que optaram pelas políticas monetárias não convencionais devem aprofundar as reformas e que os bancos centrais administrem os riscos na transição.

E a conclusão? Há conclusão? Sim, Lagarde acredita que é chegado o momento de ligar todas as linhas da reflexão. Há margem para  cooperação e coordenação internacional.  O mundo interconectado facilita a tarefa.

E encerra, com base na experiência da Diretora do FMI no âmbito da natação sincronizada: o mundo gastou muito tempo flutuando na água  e chegou o momento de nadar até à margem.

Christine Lagarde no Simpósio de Jackson Hole, Wyoming

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