Nesses 50 anos de convivência com a economia, seja como professor desde 1967, seja como economista da FEE desde 1974, eu já vi muitas expectativas frustradas, mas, também, a concretização de fatos totalmente inesperados.  Sempre o pelotão procurando andar no passo certo, pois quem errava o passo ia parar no FMI.  Dessa vez, ao completar 50 anos na profissão, eu estou vendo o porta bandeiras da escola desfilando de passo trocado.   E, penso, que a mudança no cenário internacional é iminente.

Seja no pelotão desfilando na Semana da Pátria, seja na escola desfilando na Marquês de Sapucaí, errar o passo é atravessar as instâncias.   No mundo da disciplina rígida ou no círculo da harmonia da arte, andar ao léu na hora errada é um passo para deixar a platéia entre a desconfiança e a gargalhada.

Nesses 50 anos de observações sobre os mundo da Política e da Economia, eu jamais vi alguém de passo trocado receber o beneplácito do voto, a investidura no cargo, a gestão da ordem, o enlevamento na titularidade e o tuitar do escárnio.

Donald trump esteve na reunião de cúpula da OTAN, anteontem e ontem, dias 11 e 12 de julho.   Na véspera, a Instituição e a União Europeia assinaram uma declaração que se propõe a realizar um upgrade no nível de cooperação entre ambas.  No documento do Conselho Europeu eu li que as áreas que estarão cobertas pelo acordo, há destaque para um melhora na mobilidade militar das tropas e equipamentos,  preparação conjunta para ataques virtuais e híbridos, combate ao terrorismo e conter a entrada de migrantes traficantes via Mediterrãneo. 

Donald chegou ao evento após a assinatura da declaração conjunta da OTAN com a UE.  Donald Tusk o saudou lembrando que Trump era um crítico sistemático das contribuições insuficientes dos países membros, mas que ele não tinha um aliado melhor do que a Europa.   E mais, que o bloco gastava mais em defesa do que a Rússia e o equivalente aos gastos da China.   E complementou o seu pronunciamento fazendo referências sobre as tantas vezes que os militares norte-americanos e europeus lutaram, lado a lado, em diversas frentes de batalha. 

Donald, então, deu o troco.  Reclamou do descumprimento da contribuição e do atraso no pagamento.  Criticou que 2% do PIB é pouco para os países membros.  Ironizando, ele já havia tuitado que estava em dúvida se ele seria reembolsado por toda contribuição dada pelos EUA ao longo dos anos.   

Donald fez uma viagem em que não mostrou o menor interesse em se mostrar polido.  Abre uma nova frente de atrito sempre que possível.  Realiza um upgrade no embate comercial com a China à medida que o conflito anterior perdeu o fôlego.  Trata mal os tradicionais parceiros em âmbito internacional.  A sua participação na reunião da NATO foi lamentável.  Dessa forma, a economia global vai se ressentir, brevemente, no desempenho que vinha realizando até agora.  Oferta e Demanda vão sofrer soluções de continuidade.  Daí, a uma mudança brusca no cenário internacional é uma questão de tempo.

FOTO ABAIXO: Mercado Público de Porto Alegre, 11.07.2018, 11h00

 

ECONOMIA INTERNACIONAL, o perfil de Donald Trump pode levar a uma mudança brusca no cenário econômico?

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