A foto é de 1969 e o local é a Holanda, os Países Baixos.   Eu estou à esquerda na fotografia, no centro está o Cel Milo Darcy Aita e à direita a Professora Celanira Prates Aita. 

Estava muito frio, era inverno e o objetivo daquela tarde era conhecer um dique, uma barragem que continha a água.  É uma obra de engenharia que evita que a água do mar avance sobre a terra que, assim, é mantida seca.

Eu lembro de ter ficado muito impressionado ao saber que  uma terça parte da área do país, aproximadamente, ficava abaixo do nível do mar.  E mais, que Nieuwerkerk aan den IJssel,  uma espécie de ponto extremo, ficava, nada mais, nada menos, que 6,76 metros abaixo do nível do mar.   Tanto assim? 

E, mais ainda, eu não sabia que 60% da população holandesa estava abaixo do nível do mar.  Imagine, o leitor, o que foi realizado em termos de trabalho para recuperar as terras via pôlderes e diques.   A propósito, o pôlder é o próprio terreno baixo que é protegido pelo dique.  Uma grande parte do feito se dá em cima do delta do Reno e do Mosa.  

Hoje eu sei que a tradução de dique é dam, mas naquela época eu não sabia.   Naquele frio todo eu ia subindo o território da Holanda no sentido norte.  Eu lembro que eu esperava encontrar alguma placa anunciando onde teria acesso ao dique, ou a um dique.  Preocupado com a chegada da noite, eu parei em um local onde havia um ponto de comércio para pedir informações.   

E aí foi outro problema.  O que eu tinha que perguntar?  Onde fica uma obra que separa a terra do mar?  E parti para a solução da dúvida, mas o meu interlocutor não entendeu o que eu perguntei.  Depois de algumas tentativas, eu disse que em português a palavra era dique.  E logo ele respondeu, oh, dike!

Resolvido o problema do que eu buscava, desloquei-me uns 200 ou 300 metros à esquerda do local onde eu me encontrava e ali, à minha frente, estava o dique.    Bastou isso e pronto. 

De fato eu estava viajando sempre em paralelo ao local do dique, mas eu não enxergava nada de diferente à minha frente nem à minha esquerda, simplesmente porque eu estava viajando na estrada, no pôlder, e o dique estava localizado à minha esquerda.   Jamais eu iria ver o mar porque o dique o impedia.

Então, fora do carro, avançamos sobre o dique e vimos o mar.  Uma sensação incrível.  De um lado o pôlder; do outro, o mar.  Verdadeiramente uma sensação incrível  Dava vontade de ficar algum tempo alí, mas estava frio e era preciso voltar para casa.  Para casa?  É forma de expressão porque  naquela oportunidade era preciso, sempre, seguir em frente.  Só assim eu teria o que contar um dia.  Faço-o hoje. 

MEMÓRIAS e outras histórias em 29.11.2018

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