Porto Alegre, 08 de fevereiro de 2019

VERÃO

São 14h30 em Capão da Canoa, litoral do Rio Grande do Sul, Brasil.  A temperatura local é de 32 graus, sensação térmica de 36 graus, de acordo com o site do Climatempo.  Uma sexta-feira de “sol com algumas nuvens. Não chove.”   Para amanhã, a previsão é de “Sol e aumento de nuvens de manhã. Pancadas de chuva à tarde. À noite o tempo fica aberto”.  A temperatura oscilará entre os 22 e os 33 graus. 

INTERNACIONAL

Norte-americanos e chineses são protagonistas do que se convencionou chamar de Trade War, a Guerra Comercial.  Depois de impor as primeira barreiras ao comércio bilateral, Trump sinalizou que iria aumentar ainda mais as restrições à China.

Ao contrário, autorizou uma delegação norte-americana para negociar a pauta entre os dois países.  Os representantes dos EUA foram a Beijing e mantiveram a primeira reunião.

A partir daí ficou acordado que uma delegação chinesa viria a Washington para prosseguir as negociações.  Isso efetivamente aconteceu e eu redigi um post recente.

Hoje há um fato novo na guerra comercial entre as partes.  A edição eletrônica de hoje do jornal People’s Daily informa que os EUA enviaram um relatório sobre a presença chinesa junto à Organização Mundial do Comércio.

No relatório emitido pelo U.S. Trade Representative, conhecido pela sigla USTR, há uma denúncia que as práticas comerciais chinesas representam um sério desafio à Organização Mundial do Comércio e ao sistema multilateral de comércio. 

A China deu o troco.  O Ministério do Comércio posicionou-se a respeito da crítica recebida e afirmou que o relatório da USTR contraria os fatos e as evidências.  Segundo o governo de Beijing, a China age como uma força que promove o sistema multilateral de comércio.

Do comércio para a política norte-americana.  Até agora os problemas de Trump se atinham ao que efetivamente aconteceu de influência russa nas últimas eleições nacionais.

A partir de agora o cenário político é outro nos EUA.  Os democratas lideram a Câmara dos Representantes e pretendem avançar da pauta russa para a pauta saudita.  O cerco a Donald Trump aumenta em intensidade e em densidade.  

A Argentina prossegue em sua sina de inflação nas nuvens e desempenho no subsolo.  Está difícil de Maurício Macri reverter o quadro de instabilidade que se instalou na economia vizinha. 

Sem poder impor uma dinâmica autônoma, Macri recorreu ao FMI e fechou um acordo de standby da ordem de US$ 57 bilhões.  Ao mesmo tempo o G20 realizou o seu último encontro em Buenos Aires.  O presidente mantém uma agenda conservadora que o torna suscetível de apoio das grandes lideranças globais.

No presente momento, o governo argentino está na iminência de receber mais uma quota do empréstimo, dessa vez no montante de US$ 10,8 bilhões.   Para tanto é preciso mostrar serviço à terceira delegação do Fundo que chega a Buenos Aires.

Sabe-se que a meta de déficit primário da esfera pública para 2018 era é de 2,4% do PIB, mas o governo conseguiu superá-la e alcançar o patamar de 2,7% do Produto.  Então, por aí não há nada a justificar. 

O que é  imprescindível explicar à equipe do Fundo é o porquê das autoridades monetárias locais pretenderem adquirir mais dólares e elevar o nível das reservas do país. 

Para eles, representantes de uma instituição multilateral, fica difícil entender que um pais que vivencia enormes dificuldades econômicas e financeiras pretenda utilizar parte dos recursos recebidos e lhe dar um destino fora do script, fora dos termos acordados previamente. 

Para nós, latino-americanos, a explicação é óbvia.  É fundamental diminuir a pressão da especulação sobre a cotação da moeda local, no caso, o peso argentino.

A propósito dos países latino americanos, não dá para deixar de evidenciar que a Argentina já é o pais de maior divida frente ao PIB de toda a região. 

De acordo com a Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), no terceiro trimestre do ano passado a relação da dívida frente ao PIB representava 77,4%.   

Se entrar mais dinheiro do FMI a partir da visita da próxima segunda-feira, a Argentina registrará endividamento ainda maior.

As autoridades uruguaias estão contabilizando os números do mercado de trabalho e já perceberam que não há nada a comemorar com relação ao último exercício. 

A taxa de desemprego que se encontrava no patamar de 7,9% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2017 avançou para 8,3% em 2018. 

Esse avanço de 0,4% no último exercício jogou o mercado de mão de obra para o pior patamar desde o malfadado desempenho de 2007, véspera da grande crise global, e que levou o Uruguai a registrar uma taxa de desemprego da ordem de 9,4%.

POLÍTICA

O Brasil está pronto para avançar numa pauta dupla, estratégica e convergente.  O êxito do governo Bolsonaro tem muito a ver com o sucesso da dupla Moro e Bonat, cada um numa frente de trabalho.

Também a atenção da comunidade internacional estará voltada a partir de agora às presenças de Sérgio Moro na pasta da Justiça e Segurança e de Luiz Bonat na Operação Lava Jato.

Luiz Bonat é bacharel em direito (1979), servidor da Justiça, juiz (2003) e, atualmente, titular da 21a Vara Federal em Curitiba.  Um desafio imenso para o juiz de 64 anos. 

Depois de Brumadinho e com a casa arrombada, há sinalização de fiscalização em um número crescente de barragens.  A cada dia eu percebo a intenção de fiscalizar um número crescente de obras.  A dúvida é saber se num país com contas públicas desequilibradas há recursos suficientes para tanto.

ECONOMIA

O IBGE divulgou hoje mais um indicador oficial da inflação brasileira.   Depois de dois meses em que o IPCA registrou avanços importantes de +0,48% (setembro) e +0,45% (outubro) sobre os meses imediatamente anteriores, o índice passou a mostrar um outro comportamento.

Em novembro o IPCA recuou -0,21% e em dezembro avançou, apenas, +0,15%.  A estagnação e o desemprego nas alturas contribuíram, de alguma forma, para evidenciar a pouca força de reação dos preços.

Janeiro chegou, a tarifa de ônibus urbanos, os alimentos e as bebidas sinalizaram um novo patamar de +0,32% para a inflação em janeiro.  

O IBGE divulgou também a produção industrial brasileira em 2018.  A média da Indústria avançou em 1,1%. 

Em âmbito estadual, a indústria de São Paulo registrou incremento de 0,8%, a do Rio de Janeiro também teve aumento de 1,8%, enquanto a indústria de Minas Gerais vivenciou queda de 1,0%.  Rio Grande do Sul (5.5%) e Paraná (1,8%) também registraram aumentos na produção industrial. 

ESPORTES

A tragédia no ninho do Urubu deixou o Brasil de luto.  Nos próximos dias o país discutirá, mais uma vez, o que se deixou de fazer para evitar o acontecido. Nesse ínterim, as famílias chorarão as perdas dos jovens e promissores atletas do Flamengo.

FOTO ABAIXO: Avenida Independência, Porto Alegre, fevereiro de 2019

BRASIL, bom dia leitor do blog em 08.02.2019
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