Porto Alegre, 09 de abril de 2019

A data é 1970 e o local da imagem é do Aeroporto Internacional do Panamá.  Criado em junho de 1947, o Aeroporto Internacional de Tocumen que eu encontrei constituía-se de uma infraestrutura com alguns anos de funcionamento, mas que me chamou a atenção pelo excelente estado de conservação e pelos serviços oferecidos aos viajantes. 

Eu havia saído do Rio de Janeiro, pousado em Bogotá, cujo serviços relacionados à promoção do consumo do café me surpreenderam na época já que eu vinha do Brasil, com todo o seu histórico de maior produto internacional do produto.   

Pois, o Aeroporto Internacional Eldorado em Bogotá foi construído entre 1954 e 1959, durante a gestão do general Gustavo Rojas Pinilla e era o principal aeroporto entre a América do Sul e a América Central em cargas e passageiros.   Talvez por isso, movimentação intensa, o Eldorado me impressionou desde que o primeiro momento da minha estada no local.

Lá eu encontrei aquelas salas especiais reservadas para passageiros em trânsito pelo aeroporto que eu não conhecia até então.  Eu lembro que era um local com bastante luxo e extremo conforto para aqueles, como eu, que acessavam o local pela primeira vez.  

Já o Aeroporto de Tocumen parecia outro mundo.  Passava a impressão de eu me encontrar no centro de uma grande metrópole tal era a movimentação de público naquela oportunidade.   É importante lembrar que o país conta com o canal que liga o Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico, construído a partir de 1904 com 80 quilômetros de extensão.

Eu viajava de terno porque eu vinha de um longo período trabalhando em mercado de capitais e repentinamente eu migrei para a universidade.  Para quem vinha do mercado financeiro para a escola foi um baque.  Nos intermediários financeiros tudo era para ontem; na universidade, para depois de amanhã.

Essa passagem por atividades em financeiras daquela época, com viagens semanais ao centro do país exigiam que eu estivesse sempre de terno e gravata.  Na verdade, a minha rotina de trabalho exigia a minha presença em Porto Alegre às terças-feiras, São Paulo às quartas e às quintas-feiras eu seguia para o Rio de Janeiro. 

São Paulo já era o centro da economia nacional em meados dos anos 60.  A Velha Cap, o Estado da Guanabara e tudo o que mais aconteceu em termos de História do Brasil e do Estado fizeram com que São Paulo cada vez se distanciasse mais dos demais estados do país.

A volta do Rio para o Sul era uma rotina sempre muito bem planejada.  Eu deixava o Hotel Ambassador na Senador Dantas, na Cinelândia, acessava ao aeroporto de forma a embarcar no voo do Viscount da Vasp das 19h00. 

Eu lembro que as janelas do avião tinham formato de elipse de forma que podia se apoiar o braço e esquecer a agitação da semana.  Era um voo com a presença de um grande número de executivos que mantinham uma agenda de trabalho um tanto parecida com a minha, pois aos poucos fomos conhecendo uns aos outros.

Com esse pano de fundo de atividade de executivo o terno e gravata eram vestuário imprescindível para a ocasião.  No fotografia acima, no aeroporto da Tocumen eu mantinha o vestuário, mudança que aconteceu tão logo eu passei a estudar nos EUA onde nenhum professor utilizava terno e gravata.  Cavacos do ofício.

O ambiente em Tocumen permitia que os passageiros dispusessem de duas a três horas, em terra, até para tomar uma conexão e seguir viagem para o norte.   As minhas primeiras impressões de estar na América Central foram de alguma semelhança com o contexto que eu me criei na fronteira com o Uruguai.

Ao mesmo tempo eu notava muita diferença no ambiente de negócios.  Muitas lojas, muita iluminação, muitos produtos em exposição, muitos cliente se deslocando dentro e entre os pontos de comércio. 

Em dado momento eu cheguei à porta de entrada do aeroporto de Tocumen e acessei ao ambiente externo.  Um calorão incrível! Era impossível manter o terno naquele calor que me parecia algo semelhante ao que eu tinha convivido quando na Amazônia.   A foto foi batida nesse ínterim, antes de deixar o casaco de lado. 

Muito verde, uma sensação de estar convivendo com um ar pesado, beirando à adversidade, e a busca de um retorno à parte interna do aeroporto porque estava difícil de ficar do lado de fora.   

De volta ao Tocumen, ficou a lembrança que lá fora era duro de aguentar.  Eu lembro que após conviver com aquele clima inóspito eu fiquei na expectativa do que eu iria encontrar nas próximas horas ao pousar no Texas.   Aí, já é outra história.  Encerro por aqui. Uma boa terça-feira!   

 

MEMÓRIAS e outras histórias em 09.04.2019

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