Porto Alegre, 15 de abril de 2019

A INDÚSTRIA  

1 LANÇAMENTO DE UMA NOVA SEÇÃO NO BLOG

Na sexta-feira, dia 12.04, eu lancei uma nova seção no blog.  Dei-lhe o nome de CHINA, hoje.  A economia chinesa é a segunda maior do planeta e há três dias eu ouvi analistas comentando sobre a possibilidade de a economia da China superar a economia dos EUA  em algum momento no futuro.

No monitoramento que faço da economia internacional, com oito horas diárias de gravação na minha videoteca, há muita economia chinesa rolando em qualquer lugar que eu sintonize um canal de televisão na TV a cabo.    

Para evitar de inserir uma economia de tal dimensão em análises onde aparecem economias muito menores eu achei oportuno dar um destaque à terra de Xi Jinping.  Eu já faço uma recorrida virtual diária por jornais da Ásia, daí que redigir um post sobre as novidades do dia, da hora, é, apenas uma questão de detalhe.  

  2 LANÇAMENTO DE MAIS UM SEÇÃO NO BLOG

Hoje, segunda-feira, eu estou lançando mais uma seção no blog.  Eu precisava escolher uma denominação e a minha opção recaiu pelo título UM SETOR DA ECONOMIA, uma palavra. 

Há meses que eu vinha com a intenção de preparar um post sobre a infraestrutura do país.  Ela está travada.  Ela não pode ficar a mercê dos avanços de combate a corrupção.  É preciso encontrar uma forma de agilizá-la. 

Depois, com a previdência rural e o impasse que se criou na reforma eu migrei o meu interesse da infraestrutura para o agronegócio.  Nem tive tempo de realizar a tarefa e o país passou a conviver com a passagem do Ministro Vélez pela pasta da Educação.  O governo afastou o ministro e trouxe um executivo dos intermediários financeiros para gerenciar o setor mais importante da administração pública federal.  Eu confesso que nem acreditei na escolha.  

No momento, eu deixei o tema do Agronegócio e pensei em iniciar a nova seção pelo setor da Educação.  E, aí, a Indústria passou a ocupar o foco da mídia e eu resolvi matar a charada nessa segunda feira.  E assim, na nova seção, UM SETOR DA ECONOMIA, uma palavra eu decidi fechar questão em cima da INDÚSTRIA  e da palavra AMPARO.     

3 A CRENÇA TRADICIONAL NA IMPORTÂNCIA DA INDÚSTRIA

Já houve uma época em que a Indústria era o carro chefe da economia brasileira.  Se não nos números do desempenho, mas no interesse manifesto do governante.  Hoje, aparentemente, não mais.

3 UM NOVO DISCURSO CHEGA À BRASÍLIA

Eu lembro de ter ficado impressionado no início do atual do governo quando eu li algumas manifestações, algumas mensagens, que me soaram mal aos ouvidos. 

Algo como, agora o lobby da Indústria estará sob rigorosa observação por algo que não me pareceu muito bem explicitado.  Depois, surgiram todas aquelas críticas sucessivas ao Sistema S.  Foi um impacto na minha percepção. 

Eu imaginava que os números pífios da economia em um ambiente de uma profunda recessão, sucedida por uma estagnação avassaladora, levariam a debilidade da Indústria ao primeiro plano de atenção dos novos governantes. 

Um engano da minha parte.  Eu verificava que estava acontecendo exatamente o contrário. 

4 A INDÚSTRIA ESTÁ DIMINUTA

O leitor do blog que conviveu com os anos 80 deve lembrar da ameaça da hiperinflação e da quantidade de choques a que o governo recorreu para estabilizar a economia que punha em risco o padrão monetário nacional. 

Bem, naquele período do Plano Cruzado (1986), e tudo o que veio depois, até a crise do México (1994) a economia brasileira deve ter vivido o seu inferno astral.  Eu creio que nunca o país viverá um período tão difícil como aquele com crise interna aliada a uma crise externa que contagiou mundo afora. 

Pois com todo esse pano de fundo, a Indústria de Transformação representava 30% do PIB no fim dos anos 80.  E eu lembro que ninguém estava satisfeito com essa participação relativa.  Todos queriam mais, muito mais e a exigência corria fácil na mídia da época.  

Hoje a Indústria de Transformação encolheu.  Tudo o que aconteceu desde então levou a Indústria a representar apenas 11,3% do PIB em 2018.   Ela despencou como ninguém imaginaria que pudesse acontecer. 

 5 A INDÚSTRIA ESTÁ PARALISADA

Houve a transição de 2018 para 2019, o governo Bolsonaro chegou ao Planalto e o que aconteceu com a Indústria no início do corrente ano?

O último número da Indústria que foi divulgado no corrente ano aconteceu no dia 07 do corrente mês.  Ele mostra um recuo de 0,2% na atividade industrial do primeiro bimestre de 2019 quando comparada ao primeiro bimestre de 2018.

6 A COMPETITIVIDADE ESTÁ EMPERRADA AQUI DENTRO

Enquanto o produto chinês ganha espaço lá fora, aqui dentro mira-se na corrupção e paralisa-se a infraestrutura que já é bastante acanhada.  O custo Brasil vive às turras frente à carga tributária que afeta o empreendedorismo no desempenho da indústria do Brasil. 

O país participa pouco de acordos comerciais quando comparado a outros países e, agora, ao optar pela OCDE o país vai abrir mão das vantagens de estar na OMC.   Deixa o grupo dos países emergentes e migra para a corte dos países ricos. 

Eu lembro da indústria ser vítima da burocracia desde que houve um ministério para debelá-la à época do ministro Hélio Beltrão, mas no fim quem ficou no meio do caminho foi o próprio ministério e a burocracia correu solta todos esses anos. 

Aqui, o protecionismo se deu via tarifas de importação que o governo pretende reverter o que está aí com a abertura da economia nacional.  Certamente que as plantas físicas instaladas dentro do território começam a especular de quem virá para ficar?

O Brasil tem recursos humanos qualificados trabalhando em Universidades reconhecidas internacionalmente, com todas as condições de acompanhar o comportamento da Indústria de Transformação do país. 

 Pois até nesse quesito o governo atual tomou uma decisão um tanto intempestiva.  O governo definiu um corte nas despesas de investimento do Ministério da Ciência e da Tecnologia, Inovações e Comunicações.   E não foi um corte qualquer.  Ele foi da ordem de R$ 2 bilhões, o equivalente a 42% do total das citadas despesas.

7 A EXPORTAÇÃO DE MANUFATURADOS MARCA PASSO

Agora a economia internacional ensaia uma desaceleração.  Nesses momentos o exportador de bens industriais volta-se para o mercado interno na expectativa que o cenário em casa venha a melhorar.   

Na verdade a presença de exportações de manufaturados, por mais amplo que seja o espectro do mesmo, avançou muito pouco desde o início do século XXI.  Um comportamento bastante diferente daquele alcançado pelas importações da indústria no mesmo período. 

Eu li no editorial do jornal Valor Econômico da última quarta-feira que a presença dos bens industriais nas exportações brasileiras caiu de 57% (1998) para 35% (2018).   No fundo, a competitividade está em queda sistemática ao mesmo tempo que os concorrentes no Exterior aderem cada vez mais à industria mais sofisticada.  E esse hiato é cada vez maior e não mostra a menor tendência de reverter a situação. 

8 À GUISA DE CONCLUSÃO

Eu faço taxações de jornais a cinquenta anos.  A mudança do contexto político de 31 de dezembro para primeiro de janeiro foi abrupta.  Eu acredito que os eleitores pensavam que as mudanças aconteceriam dentro de um prazo dado e que um novo cenário estaria à frente da população à medida que um plano de governo viesse a público.  Isso não aconteceu.  O governo apostou na reforma previdenciária e está marcando passo nessa pauta. 

Nesse ínterim, a indústria brasileira encolhe a passos largos.   É mais do que preciso um amparo para evitar que o setor nobre da economia prossiga em sua trajetória de queda.  É  impossível deixar tudo como está imaginando que uma medida aprovada numa Comissão do Congresso possa reverter uma conjuntura consolidada em uma década perdida.  Amparar agora para não lamentar depois.   

FOTO ABAIXO: Mau tempo junto ao Guaíba, Zona Sul de Porto Alegre, abril de 2019

 

UM SETOR DA ECONOMIA, uma palavra, a Indústria em 15.04.2019

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