Porto Alegre, 27 de abril de 2019.

É meia noite de sexta-feira em Porto Alegre.  Chove torrencialmente.  Foi um dia atípico até aqui.   Na verdade, os dias de Verão ficaram para trás, mas o Outono parecia não se ter firmado.  Até hoje. 

A página do tempo parece ter virado nessa sexta-feira.  E a partir de agora podemos, nós os gaúchos, conviver com dias chuvosos mais frequentemente?  Eu penso que sim.  É isso, teoricamente, sim.

Hoje eu gostaria de tocar em um assunto que está formigando por dentro.  Eu lembro de quando  eu comecei a introduzir em sala de aula as imagens da minha  videoteca voltadas para a Internet.   Na época não se falava em Internet, mas em Arpanet.  

Eu lembro do interesse dos alunos em saber de como as atividades da Arpanet surgiram no Pentágono.  Era o ano de 1959.   Logo a seguir, eu apresentava uma entrevista de 1989 com Tim Berners Lee, o criador do WWW. 

Por fim, eu encerrava o conjunto de informações sobre o upgrade tecnológico com o criador do JAVA. Eu trazia para a sala de aula uma entrevista dos anos 80-90 com James Gosling, em inglês, mas legendada para o espanhol, e que eu carregava com atenção redobrada.   

Eu recordo que eu sentia que eu precisava preparar uma rede PERT para me situar na sequência de conteúdos que iam se acumulando na minha videoteca.  Eu precisava ter uma ideia precisa de que matérias vinham antes e que outras, vinham depois, naquele mundo de informações que se estruturava à minha frente.

…   

Eu não sei se é uma consequência de estar trabalhando com cenários econômicos em sala de aula durante muitos anos, e tudo deve ser resolvido na academia, ou se a idade chegou, não há mais volta ao passado e é preciso aceitar a configuração de um novo mundo, e tudo se resolver na psicologia. 

O que é certo é que eu vejo com reservas a continuidade de algumas atividades que foram tão importantes até aqui. 

Aulas presenciais tem futuro?  Profissionais que competem com robôs tem futuro?  Proliferação de partidos políticos tem futuro?   Jornais em papel tem futuro?   Empreendedores de mega-negócios tem futuro?  Bibliotecas, é duro pensar assim, mas bibliotecas tradicionais tem futuro?

E há outro assunto que me inquietava desde o início.  Todos os que me cercavam, eram qualificados, acumulavam experiências, estavam voltados para a ciência e andavam rumo à computação. 

Eu sempre acreditei que o foco deveria estar sempre direcionado ao pensamento, ao cérebro, à internalização dos conteúdos e à psicologia.   

Bem essa é uma questão que eu carrego desde que eu passei a lecionar uma disciplina denominada solução de conflitos metodológicos em Economia.   Eu lecionei uma disciplina com esse título por alguns anos no curso de pós graduação em economia no Brasil.

Quando eu saí do Brasil eu tinha um grupo em que a gente estudava estatística aqui no país.    Eu comprava livros de matemática de autores russos em Rivera e queimava fosfato para entender os conteúdos.  Eu havia chegado em Portugal com muito interesse no link entre matemática e estatística.  Eu havia estudado disciplinas sobre Econometria, Estatística no Curso de Matemática, Cálculo Numérico na Engenharia, tudo nos EUA, e depois, a modelagem matemática no Japão.  E , assim, eu fui lecionar metodologia em Economia, uma missão que foi uma verdadeira delícia.   Eu passei uns três ou quatro anos estudando História da Filosofia quando eu voltei ao Brasil, por absoluto interesse profissional.  Aí, eu sentia que eu me encontrava com a formação mínima para lecionar metodologia científica. 

Está chovendo com uma intensidade incomum em Porto Alegre.  Há muitas trovoadas e quedas de raios, a televisão a cabo perdeu o sinal e eu creio que é melhor desligar os equipamentos para não correr algum risco no meio dessa tempestade.  Amanhã, eu prossigo na tarefa de concluir esse post.

Choveu toda a noite.  Agora são 12h10 no horário oficial do meu beco, no Centro Histórico da Capital Gaúcha.   A chuva prossegue e não há sinal de alteração no clima.  O site do Climatempo mostra que a temperatura local é de 21 graus, a umidade local é de 87% e há vento soprando a velocidade de 16 km/h.  A previsão é de um sábado com chuva à tarde e à noite.  A temperatura máxima chegará aos 24 graus.  Da forma como está, o Brasileirão vai começar com mau tempo por aqui.

Ontem à noite eu escrevia sobre algumas atividades que me parecem que tendem a diminuir as suas presenças junto à sociedade, ou até, sumir do cenário atual em algum momento do futuro.

O ponto a refletir me parece que tem a ver com a educação e com a preparação da mão de obra para o mercado do trabalho.   No atacado é possível que os governos continuem em suas trajetórias atuais sem maiores alterações no processo de planejamento, do diagnóstico à formulação, mas no varejo, os trabalhadores tecnológicos vão revolucionar o que vem por aí. 

Pegue-se o exemplo da contabilidade.  Nos EUA eu fui apresentado a uma técnica um pouco distante do enfoque eu conhecia no Brasil.  Estava enraizada no Business, na Escola de Administração.  O que eu vejo agora?  Softwares contábeis encrustados dentro do meio empresarial.  Qual era o perfil do profissional do setor no passado?  Qual é o perfil do profissional no presente?  E, no futuro?

Eu li um artigo de Pedro Nicolasi da Costa na edição do mês passado, março de 2019, da revista Finance and Development publicada pelo FMI.   Nele, o autor citava que a brecha nos EUA entre empregados tecnológicos e científicos e empregados qualificados era de 3 milhões em 2016 e que esse número, o déficit mundial, iria a 85 milhões de trabalhadores em 2030.    Um indicador do que há de vir?

Na verdade, o autor foi mais além.  Ele resgatou a informação que o déficit seria maior no Brasil, Indonésia e Japão, e, menor, nos Estados Unidos e Rússia.  A China estaria em uma posição intermediária.  

Em suma, com tudo o que tem pago, as empresas prosseguirão com falta de recursos humanos tecnológicos qualificados.   

Paro por aqui.  Vou continuar tratando do assunto oportunamente.  Estou sendo solicitado para complementar alguma atividade no âmbito dos afazeres domésticos.   Fazer o quê?  

FOTO ABAIXO:  Imagens que ficaram da Esquina Democrática em realidade de Esquina Democrática, Sartori versus Tarso, em 2014.  

 

 

 

 

 

 

MERCADO DE TRABALHO, em 27.04.2019

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