Porto Alegre, 08 de maio de 2019

No beco 06h10, 16 graus, frio, nublado, chuva a qualquer momento, máxima 21 graus

As fotos são de agosto de 1970.  E o local da imagem é Houston, Texas, a quarta cidade em população dos Estados Unidos.  As minhas memórias de lá são maravilhosas, mas o calor do Texas… 

A primeira foto mostra o CULLEN-FIELD Apartments, o  conjunto habitacional onde eu residi em Houston, no Texas.  Eram sobrados localizados às margens do Cullen Boulevard, uma via muito movimentada que, por alguma razão, me deixou uma ideia dos prédios ou do ambiente existente no litoral gaúcho nos anos 60.   

Para ser mais objetivo o Cullen Boulevard de Houton me fazia sentir como seu estivesse me deslocando pela Avenida Paraguassu que é comum a algumas praias gaúchas inclusive a Capão da Canoa.   Pensando melhor, essa semelhança entre as duas avenidas pode estar associada ao calor, comum ao litoral gaúcho e à metrópole texana.   

Fazia muito calor em Houston.  Eu lembro que era impossível estudar, dormir e realizar algumas atividades sem a utilização do ar condicionado.  A impressão que eu tinha era que todas as casas daquele bairro onde eu morava dispunham de um ar instalado na residência.

Da esquina da foto acima até os primeiros prédios da Universidade de Houston (UH) havia uma distância não maior do que cinco quadras.  Era preciso percorrer três quarteirões e se chegava a um descampado que dava acesso ao prédio da segunda foto do post, a que está abaixo desse parágrafo. 

A partir dali havia uma nova realidade.  Não mais a cidade e as avenidas com grande movimento de carros e, sim, o início de um ambiente com estudantes de todos os lugares do mundo carregados de livros em direção às salas de aulas e às bibliotecas. 

O campus era parte de uma instituição criada em 1927.   Os prédios me passavam uma ideia de verdadeiros bunkers.  A propósito, eu lembro que o prédio da biblioteca tinha um espaço subterrâneo, prioritário, muito importante, que ficava no subterrâneo.   

Esses espaços subterrâneos eu encontrei em vários lugares nos Estados Unidos e eles me chamavam a atenção porque eram identificados para os leigos, como era o meu caso, como um abrigo antiaéreo.   Aí a minha curiosidade era redobrada porque eu era piloto de avião e eu queria saber detalhes, informações essas que nem sempre estavam disponíveis.

Em ponto estratégico do campus havia também um prédio onde funcionavam as cafeterias e o que hoje se convencionou chamar de praça de alimentação.  Lá havia uma enorme estátua de uma puma, cougar, que era o simbolo da UH.

Ali os estudantes permaneciam boa parte do tempo entre uma aula e outra, realizando tarefas escolares ou simplesmente utilizando o local para troca de ideias.   Eu lembro que no “calor de Cuiabá” que eu vivenciei em Houston, acessar o prédios das cafeterias era sinônimo de chegar a um local onde estava localizado o melhor ar condicionado da UH. 

É importante lembrar ao leitor do blog que naquela época não havia www e nem notebook.  Em vários lugares havia terminais de computador e tudo era rea ligado ao computador central.

Utilizavam-se cartões que eram perfurados pelos alunos em máquinas específicas e que permitiam que os programas passassem por uma outra máquina, a de leitora de cartões, que introduziam os programas dos alunos no CPD.

Normalmente eu ia para o CPD em torno das 23h00.  Eu perfurava os meus cartões e passava aquela pilha de cartões perfurados na máquina que os lia e eu ia para casa.  Em torno de 02h00 eu voltava ao CPD, ia até à estante onde a equipe da casa deixava aquele papel contínuo em cor verde com o programa rodado e o levava para casa.  Tarefa cumprida!

Nos fins de semana era comum os estudantes irem até Galveston que aparece na terceira foto do post.  E eu não fui exceção.  Na primeira oportunidade que surgiu lá fui eu em direção à praia para conhecer o local e passar o dia.

A distância de 82 quilômetros entre Houston e Galveston era percorrida em 50 minutos.  A estrada era maravilhosa.  Era fantástico de ver o fluxo de automóveis de todos os tipos imagináveis para um brasileiro que chegava de um pais onde havia muitos Dauphines, Gordinis, DKWs, Fuscas, Aero Willys, Jangadas e outros veículos rodando pela estradas nacionais.

Naquela época havia uma ou duas cidades próximas a estrada que levava o passageiro a Galveston.  Escreverei sobre Galveston em outra oportunidade.  Há muitas estórias para contar e o post já está ficando longo demais.  

 

Um bom dia aos leitores do blog! 

MEMÓRIAS e outras histórias, em 08.09.2019

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