Porto Alegre, 13 maio de 2019

No beco, 18h10, 21 graus, sol com muitas nuvens pela manhã, máxima 21 graus 

(Climatempo)

A semana começa com algumas informações de impacto no âmbito político e a consolidação da ideia que o desempenho da economia será muito tímido em 2019.

A informação que Moro irá para o STF explica porque o juiz deixou a Lava Jato e migrou para o Poder Executivo.   

Eu lembro de ter escrito um post à época em que se ficou sabendo que ele seria o Ministro da Justiça de Bolsonaro.  Eu achei surpreendente um juiz deixar um cargo daquela natureza para vir para o Poder Executivo e tratar de temas como as condições dos presídios e do combate às drogas. 

E complementei dizendo que no Executivo ele vivenciaria a experiência de administrar uma pasta com limitações de recursos orçamentários.   O contraponto de quem justificava a opção de Moro era que ele reforçaria a operação Lava Jato estando no Ministério.

Agora, com a especificação que ele ocupará a vaga do decano do STF no fim do próximo ano está tudo esclarecido porque Sergio Moro tomou a decisão naquela oportunidade,  

Uma segunda informação que ainda repercute no ambiente político é a ideia dos cortes orçamentários e, dentre eles, aqueles aplicados às universidades.  

O contingenciamento é um ato de gestão no âmbito da esfera pública.   Se é preciso retardar algum gasto público, o governo pratica o contingenciamento dos recursos.  É uma rotina de começo de ano quando o dinheiro está curto.   

É impossível imaginar um ministro da Educação tomar carona no processo de contingenciamento de recursos e justificá-lo com um ataque às ciências humanas.   Esse procedimento deixa as lideranças educacionais do país em um ambiente de incerteza crescente.

Finalmente, o futuro do meio ambiente global, onde o Brasil já foi um ator importante no cenário internacional e hoje está à merce de Mauro Salles e a desmontagem da agenda verde, poderá tomar um caminho sem volta nas próximas semanas?

Aos cem dias de governo, há uma falta de unidade de comando na cabeça e a ausência de um roteiro, de uma hoja de ruta, que sinalize onde o corpo leva o país.  É lamentável a perda de tempo de um governo que não dispõe de tempo a perder.   O país tem um  futuro promissor, o agronegócio é uma realização presente, mas o passado da gestão pública contagiou a administração atual. 

Há muitas cabeças falando pelo governo, e o corpo não consegue afastar o país do caminho da estagnação.   Os múltiplos discursos geraram equívocos desde os primeiros dias do governo.  A necessidade de interpretar o discurso de cada autoridade passou a ser rotina.   

O corpo tomou a reforma previdenciária no colo e tem repetido que o seu destino é a retomada da economia.  E os brasileiros acreditaram que virão vultuosos recursos de investimentos externos.   A necessidade de justificar o destino final do corpo passou a ser rotina.         

  … 

No desempenho da economia, o Boletim Focus mostrou que o incremento do PIB de 1,49% na semana passada recuou para 1,45% nessa segunda-feira. 

São onze semanas com o desempenho caminhando no sentido do contrário àquele esperado do governo.  O governo parece ter dificuldade em aceitar que a estagnação está enraizada e que o desemprego tardará a ser revertido.  

Na estabilidade da economia, o IPCA continua subindo.  Uma taxa de desemprego nas nuvens, um consumo fragilizado e a inflação não cede.  Em 2019, nos acumulado dos últimos 12 meses o IPCA avançou 3,78% (até janeiro), 3,89% (até fevereiro), 4,58% (até março) e 4,94% (até abril).   

Hoje, mesmo com essas taxas acumuladas nos últimos doze meses, o Boletim Focus manteve o IPCA para o corrente ano em 4,04%.  Nessa visão dos executivos do mercado financeiro o IPCA deve fechar o exercício abaixo da meta de 4,25% fixada pelo COPOM.

Sem emprego o consumo sofre.  Se confirmada o IPCA de 4,04% do Focus ao final do ano o consumo aguarda. 

Conjuntura truncada, produção industrial sofre.  O governo bate no sistema S como uma atividade de rotina e a industria sofre.  O superministro promete abertura e a indústria sofre.  Guedes mostra-se proposto a despedalar o BNDES, se ele foi efetivamente pedalado,(Estadão, 11.05.2019, página B6) e a indústria aguarda.

É isso aí.  É mais uma semana que começa.  Uma agenda densa.  É difícil avançar em meio a uma estagnação que não cede.  

FOTO ABAIXO:  Mercado Público de Porto Alegre, maio de 2019

 

BRASILIA distante de todos, post 09, em 13.05.2019

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