Porto Alegre, 14 de maio de 2019

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O jornal People’s Daily confirmou o aumento de tarifas de 10% para 25% sobre um total de US$ 60 bilhões de importações dos Estados Unidos, conforme foi amplamente divulgado pela imprensa internacional.

O jornal chinês, todavia, informou que esse avanço das tarifas se dará em três categorias a partir do dia primeiro de junho próximo vindouro.  Para as demais mercadorias as tarifas vão se manter no patamar de 5,0% que era o praticado até então.  A fonte dessas informações é a Customs Tariff Commission of the State Council.

Que produtos norte-americanos importados os chineses tem dado maior destaque dentro da imprensa local?  Alimentos, químicos e peças para automóveis.  São esses os mais frequentemente citados. 

O que eu percebo em qualquer jornal da China e em manifestações das autoridades locais é que a reação vem sempre acompanhada do argumento que o país não pode se submeter a pressões de quem quer que seja.   E, mais, a iniciativa é de parte dos norte-americanos.  Não foi a China que deu início a Trade War.

Outro ponto que eu verifico que os chineses repetem frequentemente diz respeito à incapacidade dos norte-americanos em reconhecer que a China estava disposta a negociar.

Isso porque os analistas econômicos locais reconhecem que se não houver uma solução para a guerra comercial em curto espaço de tempo, a continuidade do impasse irá afetar os consumidores não só nos Estados Unidos e na China, mas também em toda a corrente de comércio mundial.   Haverá impacto sobre a competitividade e sobre o emprego. 

Eu tenho escrito sobre a guerra comercial com muita frequência.  Eu lembro que a alguns meses Trump iniciou a pressão sobre os parceiros do NAFTA e sobre os chineses.  Melhor, também iniciou um movimento de cobrança sobre os parceiros da OTAN. 

Nas três frentes Donald Trump retomou um tema que foi discurso de campanha.  A todos repetia, insistentemente, que os EUA perdiam na corrente do NAFTA, citava os valores que os chineses se beneficiavam do comércio bilateral com os Estados Unidos durante um longo período de tempo e era crítico mais intenso quando afirmava que não havia razão dos EUA bancarem a defesa da Europa. 

Eu me mantive atento o que acontecia nessas diversas frentes.  Na nova configuração do NAFTA, Donald Trump ameaçou retirar os EUA do acordo em três oportunidades.  No final o acordo foi fechado.  

Na pressão sobre a OTAN, os antigos parceiros parecem ter entendido que não havia o que negociar com os EUA e eu notei que os europeus deixaram Trump “falando sozinho”.  Levaram o assunto para dentro da União Europeia e o tema tomou vida própria a partir do Parlamento Europeu.

Já com relação a guerra do comércio, ocorreram muitas reuniões alternadas entre Beijing e Washington.  Os participantes das reuniões eram cada vez mais políticos do alto escalão do governo chinês.   Ao final de uma agenda que foi cumprida conforme eu lia após a conclusão de cada reunião, eu pensei que era uma questão de semanas e o acordo entre as partes seria firmado.

No último encontro da pauta, antes de Trump “atravessar a ponte e explodi-la” eu lembro que para o evento final o primeiro ministro viria para Washington e em solenidade especial o acordo seria firmado e a guerra comercial seria encerrada.

Ledo engano.  Os chineses ficaram surpreendidos pela atitude de Trump, manifestaram o sentimento do momento, mas deram o fato como consumado.  A delegação voltou à Ásia e de lá vieram as sanções aos produtos americanos.

Uma observação final, os americanos jogam tarifas sobre um volume de US$ 200 bilhões de produtos chineses e o governo de Beijing reage com um volume menor, de US$ 60 bilhões. 

Eu acho que a China tem consciência que Donald Trump tem eleições à frente, está com muitas dificuldades na dimensão política norte-americana, está se beneficiando do bom momento da economia dos EUA, mas, acima de tudo, as reservas chinesas tem o volume maior destinado ao financiamento do tesouro americano.   

Há uma dívida dos EUA com a China que não cabe o governo de Beijing ir além de uma retaliação dentro de uma meta previamente fixada. 

FOTO ABAIXO: Rua Duque de Caxias, Centro Histórico de Porto Alegre, maio de 2019.

 

CHINA hoje, post 07, em 14.05.2019

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