Porto Alegre, 15 de maio de 2019

No beco, 18h10, 22 graus, chuva a qualquer hora

A noite passada eu fui deitar tarde.   Foi deitar e dormir.  Foi dormir e sonhar.  E quem foi que eu fui encontrar no sonho?   Nada mais, nada menos, que o Doutor Mariano.  Há dias que eu não lembrava de sonho algum.  Mas, na noite passada, pareceu tudo muito real.

Explico melhor.  Antes de vir para a UFRGS e para a FEE eu fui professor na Universidade Federal de Santa Maria, mais precisamente entre 1967 e 1973. 

Eu lecionava à noite.  Durante o dia eu trabalhava no Departamento de Administração Central (DAC) da UFSM, cujo diretor geral era o Professor Luiz Gonzaga Isaia, o administrador da gestão Mariano da Rocha. 

Nesse período em que eu mantive domicílio na Cidade Universitária, eu trabalhei um tanto próximo do Dr José Mariano da Rocha Filho. 

Eu tive um verdadeiro aprendizado com Mariano na gestão da Educação.   Eu o considero entre os cinco maiores homens públicos que eu conheci em minha vida como profissional da área de Economia. 

Eu o conheci como aluno do curso de Economia da Faculdade de Ciências Econômicas dos Irmãos Maristas, uma Instituição agregada à UFSM.  Contudo, eu me aproximei do Dr Mariano como economista do DAC no período 1967-70, antes de eu ir para os EUA.   

O DAC estava localizado ao lado do gabinete do reitor.  Oportunamente, eu vou fazer um post sobre Mariano da Rocha.  Hoje eu quero relatar o que ele me disse no sonho.

Ele sempre me chamou por professor, era uma forma de prestigiar aqueles que contribuíram para levar a UFSM adiante em uma trajetória de sucesso.   E nessa noite não foi diferente.  

Na conversa que mantivemos, o Professor Mariano estava muito preocupado com o Brasil de 2019.   Acompanhou o país em diversas crises e embora ele tenha falecido em 1998 ele me pareceu muito atualizado sobre o que acontece por aqui.  

O problema, professor Fraquelli, é que a crise está se retroalimentando e tomando uma dimensão muito maior de tudo o que o país vivenciou até o presente momento. 

Nesse ínterim, a educação foi deslocada para o foco central da crise.   A educação é solução.  Jamais pode ocupar o espaço do campo de batalha que é para onde o processo se encaminha nesse mês de maio. 

E o reitor continuou com os seus argumentos.  Do contingenciamento de R$ 30 bilhões houve um provisionamento de R$ 5,7 bilhões por parte do Ministério de Educação. 

É muita verba para quem tem uma tarefa de tamanha importância.   E não ficou apenas nesse valor, ele se tornou ainda maior e foi fixado em R$ 7,6 bilhões.

Da forma como o fato aconteceu um contingenciamento gerou um embate de reitores e universidades contra o ministério, contra o titular do MEC.  O episódio está gerando um ambiente totalmente adverso ao equilíbrio de demanda e oferta por educação.  

O pronunciamento do presidente sobre a utilidade de alguns cursos da academia, os termos inapropriados que foram utilizados na ocasião poderão limitar os diálogos entre as autoridades e os professores, as barras de chocolate levadas pelo ministro da pasta para explicar a decisão dos cortes, tudo isso em nada contribuiu  para estimular a criação de um ambiente adequado junto aos jovens que optaram pela docência.    

Sem professores qualificados o país torna o futuro incerto.  É preciso valorizá-los sempre.  É preciso adequar o discurso oficial às dificuldades que o país enfrenta.  Não há emprego e a estagnação se agrava a cada semana.  

Cortes nos recursos para a educação no presente representarão despesas redobradas na segurança no dia de amanhã e, certamente, gastos quadruplicados em saúde depois de amanhã. 

Não lembro como tudo terminou.  Ao mesmo tempo não tenho dúvida que o Dr Mariano esteve muito presente no meu sonho.  E o que escrevi acima foi tudo que sobrou da conversa com o mestre. 

FOTO ABAIXO:  A foto abaixo é de 1967.  Eu estou junto aos diretores e assessores que formavam a equipe do Dr Mariano da Rocha na reitoria da UFSM. 

De pé da esquerda para a direita estão o Colbert, Blaya Peres, Gilberto, eu e o Carlinhos, diretor do departamento do pessoal da UFSM. 

Sentado ao centro da mesa olhando para a câmera está o Sr Helio Silva, diretor da contabilidade, e os dois últimos à direita são o Professor Isaia, diretor geral, e o dr Basílio, diretor de obras da universidade.  

 

CARTUM, economista pensa demais, post 09, em 15.05.2019

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *