Porto Alegre, 18 de maio de 2019.

Horário oficial do beco, 06h10, 16 graus, pancadas de chuva à tarde (Climatempo)

A vida de um acumulador não é fácil.  A vida de um dissimulador é ainda mais incrível.  Faço taxações de jornais a 50 anos e criei a minha videoteca a 40 anos.  Uma voz isolada dentro de casa.

As 65 mil horas de fitas e de dvds gravados até que a maioria da casa aceita, mas os jornais, os jornais em papel, a maioria rejeita peremptoriamente.  Se eu, a minoria, quero entrar em conflito com a maioria, basta eu deixar alguns jornais na sala. 

Jornal em papel dá asma, argumenta a maioria, tossindo.  Tosse da verdadeira, eu asseguro ao leitor do blog.  Fazer o quê contra a asma de quem bateu pulmão a noite inteira?

A videoteca acumulada em 40 anos é “a minha última flor do lácio, inculta e bela”.  São oito horas de gravação todos os dias, nos 366 dias do ano quando ele é bissexto.

Os jornais já é outra história.  A maioria piscou e eu coloquei três camas no meu escritório. Daquelas camas que mais parecem beliche. 

Embaixo dos colchões. pacotes de jornais guardados em sacos de comprar batatas em supermercados, descansam o sono reparador de quem teve uma missão nobre a cumprir. 

O Frei Tibúrcio José da Rocha ficaria orgulhoso da forma como eu, a minoria da casa, trato os jornais e enfrento uma batalha contra a bancada da asma que lê jornais mais do que ninguém e, depois, tosse ao entrar no meu escritório porque “jornal dá asma”. 

A Gazeta do Rio do Frei Tibúrcio é de 10 de setembro de 1808, a minha dissimulação do local onde escondo os jornais é de 10 de setembro de 2018.  É duro aos 75 anos conduzir a vida equilibrando entre o acumulando e o dissimulando, mas as boas vibrações do Frei Tibúrcio me dão a força necessária para persistir no embate. 

Bem, vou ao primeiro post desse sábado porque as histórias começam a espoucar na minha mente e eu já estava ficando pronto para contar outra história sobre o dia em que meu pai chegou em casa com um vidro de Neuro Fosfato Eskay. 

Era um remédio para ajudar a enfrentar as 4 horas de aula da manhã no colégio Marista da minha cidade natal, e as 6 horas de aula – matemática, português, inglês, piano, desenho em grafite, francês e coral da igreja – da tarde. 

A parte da manhã era em Santana e a parte da tarde em Rivera.  Eu lembro que eu perguntava para o meu pai porque eu tinha que estudar português, em aula particular, no Uruguai.  E, ele, com a autoridade de um relho guardado atrás da porta, só dizia que eu que eu deveria ir para a aula sem perda de tempo.  Reclamações não eram permitidas. 

Coisas de pai.   Transcorria o ano de 1954 e o Neuro Fosfato Eskay iria substituir o Biotônico Fontoura à mesa, antes do almoço.  Eu tinha dez anos de idade.  Outro dia conto essa estória.

Bem, vou então ao primeiro post do dia.  Para valer.    Essa seção intitulada JORNAIS o tema da minha taxação eu criei para reunir matérias que eu lia e leio em jornais e que me chamaram a atenção pela originalidade do texto ou pela importância do conteúdo. 

Nessa manhã eu estou identificando um artigo sobre sucesso profissional.  O autor é Rafael Souto, o artigo é Existe um novo conceito de sucesso profissional e foi publicado no jornal Valor do dia 16.05.2019, página B2.

Rafael é um CEO de uma empresa e ele escreveu que o “conceito de carreira vem mudando”.  Há cem anos a carreira era uma sequência de cargos e o sucesso, se eu entendi certo, era medido pelo nível de evolução do profissional ao longo sua trajetória.         

Hoje, diz Rafael, há um novo conceito de carreira.  É um “conjunto de experiências significativas para o indivíduo”.  E, aí, o sucesso profissional “é medido pelo quanto o profissional consegue implementar seus objetivos e se realizar”. 

Bem, esse é apenas o início do texto do CEO.  Eu recomendo ao leitor que vá à fonte e leita todo o artigo que é bem interessante.  Há muitos anos eu acreditei que sucesso profissional implicava trabalhar com modelagem matemática.  Certamente que depois de ter lido o texto do Rafael eu vou precisar me reciclar.

Bom sábado a todos!  Realizada a catarse, eu continuo o fim de semana no beco, escrevendo e postando.  Às vezes, a maioria complica tanto que eu fico com os  textos no meio do caminho.  Outras vezes eu perco o texto e começo a entrar em luta contra o meu computador.  O post que eu publiquei ontem  sobre a fase 2 do Governo Bolsonaro eu perdi o texto por mais de 12 horas. Cheguei a ficar um tanto desanimado. 

Quando eu já estava perdendo a luta contra a tecnologia o texto reapareceu.  Momentos difíceis para quem foi criado em curso de datilografia, usando máquina FACIT para fazer cálculos e que utilizava muitas folhas emendadas  de papel de álbum seriado para calcular uma quarta derivada no Cálculo Diferencial  no chão de casa. 

FOTO ABAIXO: Edifício da Lebes, antigo prédio da Guaspari, novo cartão de visita da melhor cidade do país para se viver.  Centro Histórico de Porto Alegre, 17.05.2019, 18h30.  Fotógrafo amador desde 1967, tenho muita dificuldade de “acertar” uma fotografia.  Dessa vez, eu gostei da imagem!

JORNAIS o tema da minha taxação, post 03, em 18.05.2019

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