Porto Alegre, 25 de maio de 2019

O número surpreendeu.  No mesmo dia em que o governo utilizou os números do CAGED para informar que o mercado de trabalho registrou 129.601 empregos com carteira assinada em abril, o ministro Paulo Guedes ameaçou deixar o posto caso a reforma previdenciária não venha a ser aprovada. 

O presidente da Comissão Marcelo Ramos (PR AM) acredita que a mensagem dele não foi direcionada ao Poder Legislativo.  Ele disse que Guedes devia estar falando para dentro do próprio governo.  O relator da Comissão da Reforma Previdenciária Samuel Moreira (PSDB SP) também afirmou que a fala de Guedes não altera em nada a tramitação do projeto no Congresso. 

Os números para o mercado de trabalho para abril, embora seja um bom sinal para uma economia estagnada, não pode esconder o fato que a criação de 313.835 empregos gerados no primeiro quadrimestre 2019 implicou em queda de 6,83% na comparação com os empregos gerados no primeiro quadrimestre de 2018.     

Ora, paralelamente à queda do emprego com carteira assinada no quadrimestre, o número para abril era para ser comemorado, capitalizado pelo governo Bolsonaro.  Contudo, o que aconteceu hoje à tarde? 

Face à opinião do titular da pasta da Economia, o próprio presidente, após tomar conhecimento da entrevista de Guedes à revista Veja,  afirmou que ninguém era obrigado a se manter como ministro do seu governo.  Foi o que bastou. 

A partir daí, ninguém falou no desempenho do emprego com carteira assinada, no país, em abril.   As manchetes nas edições virtuais dos jornais, os noticiários da televisão, reafirmaram, muitas vezes, que Guedes afirmara que ia embora para casa se a reforma não avançasse em seu curso. 

Mais tarde, já no início da noite, Bolsonaro mudou o discurso.   Desconsiderou que ele havia criado o impasse com Paulo Guedes e empurrou para cima da imprensa o desentendimento existente dentro do seu governo.

As semanas vão passando, o primeiro semestre vai se aproximando do seu fim, e o que eu percebo é que os equívocos nas comunicações no governo que surgiram em janeiro se mantém até hoje.  Está difícil de o governo harmonizar o discurso dos seus representantes. 

Quem não se comunica se trumbica, dizia o mestre Chacrinha em sua interação com os telespectadores brasileiros nos anos 80.

FOTO ABAIXO:  Rua da Praia em noite de muita chuva, Porto Alegre, 22.05.2019

 

MERCADO DE TRABALHO, post 01, em 25.05.2019

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