Porto Alegre, 06.06.2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 16 graus, 6a feira, sem chuva

Depois de muitos dias sem dispor de matéria para elaborar o post que eu associo com o título Cartum, na noite passada eu sonhei e ao acordar o conteúdo do mesmo permanecia muito vivo na minha memória.

Eu havia encontrado o Marcelino.  Logo percebi que era uma feliz coincidência. Dia 6 de junho?  Aciono a memória mais uma vez e percebo que estou no dia do aniversário de falecimento de Marcelino Champagnat ocorrido em 06 de junho de 1840. 

Eu gravei essa data quando eu comecei o curso de Admissão ao Ginásio, equivalente à quinta série do Ensino Fundamental atual, no Ginásio Santanense em Livramento.  O professor chamava-se Irmão Firmo e a turma de uns 40 alunos seria aquela que iria me acompanhar nos próximos cinco anos.  

Continuei os quatro anos do curso ginasial no Colégio Marista, e anos mais tarde, eu me formei em Ciências Políticas e Econômicas (1966) e, também, em Ciências Jurídicas e Sociais (1973), ambas em instituições maristas agregadas à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).   

Todos os anos quando o calendário assinala a chegada de seis de junho eu lembro o meu tempo de estudante.  Tempos bons.  Tudo ficava em segundo plano quando o compromisso estava focado no colégio.  Depois, a época do colégio dos filhos.  Mais um pouquinho e os netos roubaram a cena. Hoje, a educação do Brasil. 

Pois com todo esse passado associado aos maristas, era até mais do que normal eu encontrar Marcelino.   

Eu lembrava da figura dele quando ele era reconhecido como venerável nos padrões da Igreja.  Eu estava no colégio quando eu fiquei sabendo que ele havia sido “promovido” de venerável a beato.  Mais tarde, em 1999, ele foi finalmente canonizado por João Paulo II nos padrões litúrgicos de Roma.

Mas na noite passada foi a primeira vez que eu o encontrei em um sonho.  Ele estava bem, tranquilo como eu imagino como cada santo deve se manter, mas um tanto apreensivo com o Brasil.  

Disse-me que o país travou, porém irá voltar ao caminho de todas as grandes nações.  Não é preciso se preocupar em demasia com o curto prazo, mas a saída da crise deve mirar para uma retomada promissora de longo prazo.

Falou-me da importância do processo de revisão das áreas de proteção ambiental e também de tudo o que está em processo de mudança do Fundo Amazônia, da necessidade de focar em soluções que amenizem a situação das famílias que sofrem com o desemprego, da revolução em curso na medicina a partir da convergência entre a química e a engenharia que irá beneficiar a população mundial e do agravamento das condições de insegurança que estão presentes em grandes metrópoles do país.      

Parecia-me que ele estava de partida sem falar em educação.  Sem pestanejar eu chamei a atenção de Marcelino quanto à necessidade de ele me dizer alguma palavra sobre aquele setor que o imortalizaria ao reunir dois discípulos e formar os Irmãos Maristas em janeiro de 1817.

Marcelino me olhou e disse que o futuro de um país está fundado na qualidade da educação.   É preciso ajustar os desejos das famílias com os projetos pedagógicos e com a base comum curricular.  O status do professor e a sua formação devem ser priorizados para viabilizar a internalização dos avanços tecnológicos.  Não é uma tarefa simples. Exige um diagnóstico adequado para dar conta das restrições vigentes e da definição  de estratégias voltadas para o porvir. 

E foi tudo.  Acordei pensando de como tudo podia ter acontecido.  Ao mesmo tempo despertei um tanto conformado por ter ouvido alguém com uma “folha corrida” amplamente reconhecida na educação.       

Levantei, enfim, pensando que eu deveria me preparar melhor para saber o que indagar se houver uma nova oportunidade de contato num futuro próximo. 

E foi o que foi!

Boa noite leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Viaduto da Avenida Borges de Medeiros, Centro Histórico de Porto Alegre, fim de tarde, 31.05.2019

CARTUM, economista pensa demais, post 10, em 06.06.2019

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