Porto Alegre, 08.06.2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12h10, 18 graus, chove agora na capital dos pampas blog

O presidente Jair Bolsonaro visitou a Argentina.  Para não perder o hábito de produzir equívocos, o presidente falou na criação de uma moeda única para os dois países.  A gênese do Peso real?  E como sói acontecer, logo, logo, surgiram os assessores para “interpretar” o que o Bolsonaro afirmou.

Dessa vez, a gafe do presidente transcendeu fronteiras e foi se alojar num país em que a economia local está  em pior situação que a conjuntura brasileira atual. 

Eu estava escrevendo outro post quando ouvi o jornalista informar do pronunciamento de Bolsonaro em Buenos Aires.  No começo, não acreditei.  Depois, pensei melhor.  O presidente não diria algo assim sem combinar com Paulo Guedes ou com o Banco Central. Continuei escrevendo o post com o tema martelando um pensamento carregado de dúvidas.  E a incerteza se dissipou à medida que os intérpretes entraram em cena e deram as suas versões.

…   

Lá atrás, em 1985, José Sarney visitou Raul Alfonsin (UCR), presidente do país, no momento em que as duas economias conviviam com profundas crises.  Naquela época eu escrevia, sistematicamente, sobre o Mercosul. 

Eu lembro de participar de muitos programas de televisão, inclusive um que havia imagens de Buenos Aires e de Washington.  Eu gravei a minha participação aqui da Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre, e quando fui assistir o programa na televisão eu percebi que a cobertura era internacional.  Mais tarde, no ano 2000, eu passei a escrever para a revista Derechos del Mercosur, cuja editora era La Ley de Buenos Aires.

O que eu posso dizer sobre a proposta do presidente Jair Bolsonaro?  Na época em que a União Europeia não enfrentava os eurocéticos e os nacionalistas, havia um roteiro para utilizar uma moeda única.

Ele implicava três etapas por parte das autoridades dos países que pretendiam concretizar um processo de integração.  Era preciso criar uma instituição nacional voltado para o âmbito monetário.  Posteriormente essa instituição, o Instituto Monetário, daria origem a um Banco Central do bloco e, finalmente os países membros criariam uma moeda única. 

Essa iniciativa era identificada como uma convergência de políticas monetárias dos países membros do grupo. 

Eu lembro, agora, que na época que esse assunto foi pauta no contexto do Mercosul, a moeda regional seria denominada Gáucho, com a pronúncia castelhana.   Afinal, eram três países de idioma espanhol – Argentina, Paraguai e Uruguai, e nós, brasileiros, fechávamos o grupo.  Naquela época do presidente Sarney não se falava em membros agregados ao bloco.

Essa iniciativa nunca foi posta em prática.  Hoje, a situação é ainda pior que a dos anos 80.   A Argentina está com a economia travada e a inflação nas nuvens.  O Brasil está com a inflação travada e a economia carente de diagnóstico. 

Lá, em Buenos Aires, as autoridades convivem com o receituário do FMI.  Aqui, em Brasília, as autoridades convivem com a bula da reforma previdenciária. 

A diferença é que Maurício Macri está à véspera de uma eleição e com o seu discurso fragilizado.  Aqui, Jair Bolsonaro saiu de uma eleição, mas não conseguiu abandonar o discurso do pleito.

Quando a informação veio a público eu ouvi noticiários informando que a origem da iniciativa era da Argentina.  Ouvi também que os titulares da Economia dos dois países estavam discutindo a matéria.  Por fim, eu li que o Banco Central do Brasil não tinha conhecimento da iniciativa de criar o peso real

… 

Em suma, mais um mal-entendido,  Ou mais um equívoco, como se diz na linguagem de Brasília.  

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FOTO ABAIXO: Leva um churro, senhora?  Vendedora de churros na esquina das ruas Uruguai José Montaury.  A noite estava chegando quando eu bati essa fotografia, em junho de 2019.    

ARGENTINA instabilidade sempre, post 04, em 08.06.2019, Bolsonaro e o peso real

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