Porto Alegre, 10 de junho de 2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 18 graus, não chove nessa terça-feirameu ip

A política nacional chegou em seu ponto crítico.  A economia brasileira foi ainda além.  É a hora de pegar o trem para o futuro.  É o último trem para um país chamado Brasil.  E ele está pronto para deixar a gare.  É uma partida sem volta.

O país está com a atividade travada.  O desempenho atual é inócuo.  O desempenho anual não é diferente. A renda per capita não decola, atola. A força da indústria se esvaiu.  A parceira Argentina perdeu o fôlego.   Mesmo assim, até o dia 9 do corrente mês o país acumulou um saldo positivo de US$ 23 bilhões na balança comercial em 2019.   

Nesse valor está a desaceleração das importações chinesas de soja, em ambiente de febre suína, presente na economia da nossa maior parceira comercial.  É a Trade War afetando o comércio internacional como um todo e a soja brasileira – recuo de 24% de maio/18 para maio/19 – em particular.   

A exceção no quadro nacional corre por conta do agro que “contribui para alimentar o mundo” e manteve o crédito do Plano Safra em cerca de R$ 159 bilhões (de julho/18 a maio/19).   Agora, face o contexto que está aí, foi adiada a comunicação em torno do volume de crédito para o Plano Safra 2019 e 2020.   A comunicação sairia na quarta-feira. 

Até o lazer e o entretenimento sentiram a crise.  A ocupação do setor hoteleiro despencou.   No Rio, que é o Rio, o fechamento de hotéis – em número de 16 desde a olimpíada -foi vertiginoso.  

No mercado de mão de obra, a subutilização da população apta a trabalhar extrapola.  São desempregados e desalentados que se acumulam.  Perambulam em filas em disputa de empregos que não chegam.   Os desalentados já desistiram de filas, de mochilas e até de sibilas.

E é curioso que sem solução para o problema interno do emprego, lá fora, em Genebra, a Organização Internacional do Trabalho (OIT} está de olho nas novas leis trabalhistas brasileiras. 

E, dessa análise sairá um parecer avaliando as negociações coletivas à luz da reforma trabalhista.  A OIT é status ONU, não pode ser ignorada.  Ela irá se pronunciar no sentido de o país estar, ou não, ferindo convenções internacionais.  E essa manifestação é “para ontem”.  A OIT está em ambiente de plena convenção da instituição. 

O país está com as finanças esfaceladas.   A esfera pública não resiste sem uma correção imediata.  O governo aguarda por um crédito extra e ameaça que não terá como pagar benefícios se o Congresso tolher a autorização dos recursos. A Lei de Responsabilidade FIscal está como uma pedra no meio do caminho.  E mais, se o crédito não vier há problema de não cumprir a regra de ouro.

…  

Bolsonaro propôs uma reforma previdenciária quilométrica para atrair investimentos vultuosos. 

Ele ignorou a ideia de fatiar as reformas que vinha de governos anteriores. Ele ignorou a necessidade de manter uma base de sustentação no Congresso que era a grande batalha de governos anteriores.  Ignorou a ideia de negociar com o Legislativo para alcançar algum objetivo maior que era uma prática que vinha de governos anteriores.  Ignorou que ele próprio foi contra a reforma previdenciária quando estava na câmara nos governos anteriores. 

E a situação chegou onde chegou. 

Bem, independentemente da conjuntura econômica atual, a segunda-feira começa com a Nova Previdência no foco do Legislativo em Brasília.  A desidratação do projeto está em curso.  O valor esperado, à essa altura, deve estar próximo a R$ 900 bilhões.   

A partir de agora o encaminhamento da reforma entra em sua fase mais importante.  A desidratação já absorveu a previdência rural e está na iminência de retirar o benefício da prestação continuada e a desconstitucionalização de algumas matérias que podem levar a um maior apoio do Legislativo.  

Amanhã tem reunião dos governadores.  Coincide coma discussão do abono salarial, mas o ponto central do evento é a inclusão dos servidores estaduais e municipais na Nova Previdência. 

Eu creio que as esferas estaduais e municipais não podem ficar de fora da reforma.  Não é a opinião dos membros do Legislativo Federal que não querem levar o ônus de tamanha carga junto aos eleitores. 

A carta que os governadores assinaram na semana passada mostra que o grupo está relativamente unido.  Relativamente por conta da participação de governadores do nordeste.  Eles se alinharão ao grupo maior se as suas exigências também forem aceitas e o relator as incluir na proposta. 

Eu acredito pelas últimas entrevistas do deputado relator da Nova Previdência que ele está pronto para absorver a agenda dos governadores.  Eu o ouvi quando esteve na capital debatendo a matéria.  Se o projeto incluir as pautas de Estados e Municípios é possível que o projeto tramite numa rapidez impensável no mês de maio.  A preocupação que fica de fazer tudo rápido demais nas próximas 72 horas é que haja necessidade de voltar à mesa de negociação a médio prazo.

O trem para o futuro não tarda em partir.   Alguma reforma tem que estar presente para que as finanças públicas possam ter, inicialmente, uma sobrevida.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Largo Glênio Peres, Mercado Público de Porto Alegre, junho de 2019 

 

BRASÍLIA distante de todos, post 14, em 10.06.2019, o caminho crítico da Nova Previdência

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