Porto Alegre, 06 de julho de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06h10, 05 graus, previsão que recue a 02 graus

Que encrenca que o país está metido.  Eu sempre pensei que Deus era brasileiro, mas depois que o Jair quis ironizar que o Senhor estava acima de tudo e de todos, eu compreendi que Deus é uruguaio. 

Dúvida atroz.  Desde criança eu olhava para o grande Arquiteto do lado de Santana do Livramento, Brasil, a fé batia fundo e uma voz me dizia que ele era daqui.   Contudo, à tardinha, passeando pela calle Sarandi, em plena Rivera, Uruguai, eu ia até à praça da Igreja Matriz, e uma outra voz, me dizia em castelhano, que Deus era dali. 

Aí, o Brasil foi penta campeão mundial de futebol “e tal e coisa e coisa e tal” e e eu me convenci de um Magnânimo essencialmente nacional.  Mas aí, veio o Jair, com a tal da conversa de um Deus acima de tudo e deu no que deu. 

Agora é preciso aguentar.  Deus mudou de lado, nos deixou com Jair, surgiu o tal Intercept Brasil e a encrenca está posta. O Intercept foi “adotado” pela Folha e hoje, sábado, o Russo tomou conta da capa da revista Veja.

Eu estava revoltado com a estagnação vigente em Brasília, que não, e passei a me resignar à estagnação do Brasil, que sim…

Senhor, são 13 milhões de desempregados, um Paulo de superministro, um Russo sob suspeita, Santos Cruz foi se juntar a Bebbiano para ver o destino de Vélez Rodrigues, há boatos que Onix vá se reunir ao grupo, enquanto o Jair, que havia batido contra a Carta de Paris, e voltou atrás na reunião do G20, ontem tornou a desafinar no tema do trabalho infantil. 

Que tremenda encrenca!

Eu quero analisar, friamente, a conjuntura econômica, mas até o Carlos Estevão, da antiga revista O Cruzeiro, escreveria com muito humor sobre o Brasil que ali estava.   

Estevão escrevia que nunca gostaria de ser o presidente JK porque ele vivia viajando pelo Brasil e para o Exterior, tendo que se hospedar em hotéis de luxo e fazer refeições em restaurantes caríssimos.  Carlos Estevão, recorrentemente, criticava os hábitos e costumes das celebridades com muito bom humor. 

Pois não é que Estevão passou e eu ainda estou aqui, com um Jair à minha frente, topete desalinhado à testa, com olhar estupefato, sentado no salão oval da Casa Branca, sem entender o que Donald Trump estava dizendo, e ter que se justificar para os brasileiros que a culpa do que está aí, não é dele. 

Eu não sei se o Jair aceitou ser o que é para evitar de ter que mostrar a que veio.  Nesse estado de dúvida generalizada sobre os destinos da nação, Jair, sabiamente, decidiu aceitar a disputa do terceiro turno.  Sabiamente, porque foi a forma que ele encontrou para prolongar a encrenca e manter o amor em penca.  

Não tem como Jair perder o terceiro turno.  Jair lançou uma reforma previdenciária quilométrica, ficou passivo perante a reforma previdenciária desidratada por Rodrigo e, sabidamente, deixou o barco tomar o rumo que fosse.    Quanto mais Jair batia em Rodrigo, que nem se bate em massa, a reforma previdenciária crescia…

UMA VERDADEIRA ENCRENCA, uma peça

Aí, sem estratégia sobre como proceder no momento, Jair convidou o Rogério Marinho para sentar no auditório e acompanhar o desempenho de Samuel Moreira no palco. 

Para não ficarem, só os dois, no teatro e no meio de tanta gente, convidaram o Paulo para se agregar ao grupo e assistir o desempenho de Samuel Moreira e Marcelo Ramos no cenário construído por Rodrigo Maia.  

A peça era incrível.  Jair estava com 47 votos para aprovar a reforma previdenciária original, mas conseguiu que Rodrigo conseguisse os 308 votos para aprovar a reforma previdenciária desidratada.

… 

Eu sentei, astutamente, atrás dos três no teatro, e ouvi o Paulo reclamar que aquela não era a proposta da reforma quilométrica que ele tinha enviado ao Congresso.  Jair olhou para Paulo com um olhar de Chico Anísio, e antes de se posicionar sobre o assunto, Marinho disse que o que importava era que a economia da reforma chegasse a R$ 1 trilhão em 10 anos. 

Paulo hesitou frente ao argumento de Marinho.  Paulo usou e abusou do argumento de que não foi ele que criou o cenário brasileiro atual.  Ele parece não perceber que ele foi conduzido à Pasta da Economia exatamente para reverter o cenário econômico brasileiro atual.  É para isso que Jair o convidou para reger a orquestra. 

E assim, Paulo deixou os pensamentos de lado e percebeu que Marinho lhe fazia um sinal de positivo.  Paulo quis continuar com o hábito de atropelar as palavras e jogar as culpas no Sarney e nos seus sucessores, mas achou que estava na hora de ouvir o presidente.

Ambos, Paulo e Marinho, voltaram-se para Jair, mas ele estava pedindo uma caixinha de chicletes para o lanterninha.  Tem que ser Chicletes Adams, meu amigão!  É isso aí, meu amigão!  Tudo bem, meu amigão! 

O lanterninha ficou lisonjeado ao perceber que estava atendendo ao Presidente da República do Brasil.  De hortelã ou tutti fruti, meu presidente, indagou o lanterninha?  O da caixa rosa, o tutti fruti!  O amarelo é muito forte, complementou, Jair.

Esperando por uma decisão do presidente para saber como proceder, Paulo e Marinho, insistiram com Jair.  E daí, presidente, o que vamos fazer?  E se esse público todo resolver aplaudir o desempenho do Marcelo e do Samuel ao final do espetáculo, o que vamos fazer?  Imaginou a reforma previdenciária desidratada aprovada e nós ficarmos de fora na hora da comemoração?

Jair estava procurando o número que acompanhava a caixinha do chiclete da marca Adams.  O problema era que o número na caixinha era muito pequeno e ele estava com a visão um tanto debilitada desde a tal facada.  Paulo, você com esses seus óculos ray ban consegue ler o número na caixinha?           meu ip

É o número oito, respondeu Paulo.  Se é o número oito, que era o meu número de sorte nas Agulhas Negras, vamos seguir a opinião do Marinho.

Vamos deixar que o Rodrigo dirija as atuações do Marcelo e do Samuel até o fim.  Quando, e sê, o público aplaudir, a gente sobe no palco e agradece juntamente com toda a turma do espetáculo.  Assim, como eu fiz no Maracanã com o Russo, lembra?  Assim como o Ricupero ensinou, lembra? 

Um tanto abatido, Paulo, disse que ia arrumar o cabelo se ele tivesse que subir ao palco ao final do espetáculo.  Levantou-se, ouviu a turma chiar porque a peça estava em curso e ele estava perturbando.  Mesmo assim, prosseguiu, e quando passou pela última fila antes de ir ao sanitário, viu que alguém lhe abanava da última fila, quase junto às cortinas. 

Paulo saiu sem saber quem era.  No hall do teatro, ele fez um olhar daqueles que Paul Newman fazia para Robert Redford, ao perguntar quem eram os sujeitos que os estavam perseguindo em  Butch Cassidy and the Sundance Kid, e resolveu voltar para ver quem lhe tinha abanado da última fila do teatro

Era o russo. Os dois se cumprimentaram e Paulo ainda ouviu o Russo dizer que qualquer coisa ele estava ali. 

Pois eu pretendia escrever sobre a encrenca que o Brasil enfrenta, mas, depois, encaminhei o post para descrever como o Samuel conseguiu transformar o limão em limonada. 

Em tempo: Eu assisti uma entrevista dos Santos Cruz no Canal Globo News.  Eu pretendia redigir uma matéria sobre o que eu vi e ouvi porque havia bastante conteúdo.  Jair o demitiu e eu fiquei com a tarefa no meio do caminho.  Na próxima vez que eu escolher uma matéria para o blog eu preciso ser mais rápido.

Nessas horas eu lembro de um filme com Glenn Ford dos anos 50. Ele era um exímio atirador.  Assim, como Jair.  Então um grupo de pistoleiros veio na cidade do Velho Oeste para enfrentar o personagem do Glenn Ford. 

Onde está o número 1? Onde ele está, indagou o pistoleiro.  O senhor é o número 1, disse-lhe o pistoleiro?  Não, respondeu o astuto Glenn Ford, eu sou apenas o número 2.  O número 1 já foi embora.  E, assim, o pistoleiro deu as costas e foi embora. 

No teatro, durante o espetáculo, Jair queria apenas confirmar se Rodrigo poderia ser o número 1.  Olhou para Marinho, que deu de ombros, e lhe respondeu que Rodrigo Maia nunca passaria de um número 2.

Jair concordou e sorriu.  Eu não disse que 8 era o meu número de sorte.  Rogério, cadê o Paulo.  Foi arrumar o cabelo, mas já deve estar voltando.  Vamos nos encontrar no palco quando a turma começar aplaudir os atores no final do espetáculo A ENCRENCA.

E assim, bem no fim, os três foram fotografados junto aos atores para as fotografias da imprensa.  Naquele momento eu pensei se o Juca estaria assistindo a tudo e a todos.  Brasil, meu Brasil, certamente que ele cantaria em alguma melodia original.  Seria demais conseguir um novo sucesso tão rapidamente.  No fim, no fim mesmo, eu achei que ele também não estava afim.

Está muito frio no meu beco, em Porto Alegre. O bom que aqui não há encrenca.

FOTO ABAIXO:  Recebi as laranjas de dois primos, Luiz e Nina, que devem ser leitores do blog e quem agradeço as frutas.

BRASÍLIA, distante de todos, post 20, em 06.07.2019, A Encrenca

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