Porto Alegre, 06 de agosto de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 00h10, 18 graus, sem chuva na terça-feira

A bolsa americana sentiu.  Todavia, quando é que a bolsa americana não sente?  Pois, nessa segunda-feira o DOW caiu -2,90%, o S&P recuou -2,98% enquanto o NASDAQ registrou queda ainda maior, de -3,47%. 

Estou começando a escrever esse post às 22h08  imaginando que vou concluí-lo após a meia-noite.  Eu imagino que estarei redigindo. por umas duas horas seguidas, em cima da instabilidade global. 

Ao mesmo tempo em que vou redigindo, estou acompanhando a abertura dos mercados na Ásia, o comportamento das bolsas e a cotação do yuan.  

O mercado está agitado.  A todo o momento as cotações vão surgindo na tela da televisão e vão refletindo a instabilidade do momento.  Entrevistadores e entrevistados mostram-se bastante prudentes nas questões postas em debate. 

Eu noto um certo delay entre a indagação formulada pelos jornalistas e o início da respostas por parte dos analistas econômicos.  Depois, à medida que há uma configuração identificada na explicação do entrevistado, o diálogo me parece seguir o seu curso normal.

Temas citados com menor frequência na programação internacional parecem voltar com maior intensidade nessa manhã na Ásia.  Dólar acima de sete renminbis, recessão, guerra comercial, impacto generalizado sobre as moedas do Continente, são alguns dos temas que vão e voltam a todo o momento no foco dos analistas econômicos.   

Trocam os entrevistados, mas a pauta parece se repetir.   O dólar estaria ajustado se permanecer em patamar de 6,9683 renminbis?  Afinal a china estabeleceu a taxa de referência do yuan em 6,9683 renminibis.   Você acredita que é hora de comprar renminbis?  Não seria arriscado adquirir yuans nesse instante? 

Vez ou outra, o foco escorrega para o comportamento das empresas face à instabilidade monetária ou, ainda, para o momento da crise em Hong Kong.  Contudo, bate e volta.  O câmbio é o que interessa a todos.  Então a agenda é ocupada novamente pelo comportamento do dólar e tudo que se possa imaginar em termos de desdobramentos conjunturais.

O que está acontecendo no centro da crise?  Donald Trump jogou com a mesma estratégia utilizadas em três ou quatro oportunidades prévias.   Tarifas e mais tarifas.   As medidas anteriores não produziram efeito?  Trump tem ampliado o espectro anterior ou dobrado a dose.  Entretanto, ele percebe que a China não se curva.  E, pior para ele, ainda reage.  

O que está acontecendo no centro da crise?  Dessa vez, Xi Jinping mudou o antídoto e partir para utilizar a taxa de referência de 6,9683 renminbis por dólar.  Trump não hesitou.  A partir de hoje a crítica dos EUA é que a China é manipuladora do câmbio.  E tuitou à vontade.  

O problema de investidores é que os ganhos do ano podem se esvair à medida que a crise persista.   Os papéis vão perdendo valor por dias consecutivos.  O que estou percebendo após uma hora do início desse post é que os números vermelhos dos índices da Ásia se mantém e novos entrevistados recorrem a argumentos para explicar os movimentos do momento. 

A todo instante novos gráficos são apresentados ao telespectador mostrando o comportamento nominal e real das taxas de câmbio e da expectativa das autoridades monetárias agirem nessa conjuntura. 

Ao mesmo tempo que a taxa de referência está dada abaixo de 7 yuans por dólar, as cotações são mostradas, com intervalos de poucos minutos, sempre com taxas acima de 7 yuans por dólar.   Nesse momento, 23h26, o dólar está cotado em 7,0481 renminbis. 

Para não dizer “que não falei em flores”, eu confesso que à margem “da manipulação chinesa” denunciada por Donald Trump há alguns assuntos que são tratados nas análises geradas na Ásia.  Entre eles, o bloqueio dos recursos venezuelanos, a queda no PMI da Alemanha, a situação no Oriente Médio, o lamentável ataque em El Paso, a situação em Caxemira e o momento do Brexit.   Cada assunto de uma vez e todos são tratados em linguagem telegráfica. 

… 

Meia noite.  Vou encerrar por aqui.  A descrição acima é o resultado de um acompanhamento rápido sobre o foco na Ásia. Eu encerro o post, mas continuo no posto.  A noite será longa, certamente. 

Nos últimos 50 anos eu acompanhei muitos momentos como esses.  Na hora, parecem que levam ao fim do mundo.  Dias à frente, o analista percebe que foi mais um “acidente de percurso” nos mercados financeiros.

Afinal de contas não são todos os dias em que se tem um presidente dos EUA a dizer o que quer sem esperar para ver no que vai dar. 

Ele joga palavras ao vento sem medir a distância entre o seu status de empresário e a sua posição de presidente.

Boa noite leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Caminhando pela Avenida Salgado Filho, Centro Histórico de Porto Alegre, agosto de 2019.     

 

CENÁRIO ECONÔMICO, o que vem por aí, post 14. 06.08.2019, 00h10, mercados despencam na Ásia, yen japonês se valoriza

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