Porto Alegre, 13 de agosto de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06h10, 10 graus, máxima de 15 graus nessa terça-feira, sem chuva  

O dia seguinte às eleições Previas, Abertas, Simultâneas, Obrigatórias (PASO), foi de extrema dificuldade para o presidente Maurício Macri e de festa para Cristina Kirchner.   Os resultados das pesquisas divulgadas anteriormente se mostraram muito distantes dos números apontados nas urnas. 

Alberto Fernández obteve 47% dos votos enquanto que Maurício Macri ficou em, apenas, 32% da preferência do eleitorado.   Ele afirmou que almeja que Macri vá até 10 de dezembro no governo quando termina o seu mandato.   E contrapôs aos argumentos do presidente que ele, Fernández, era a causa de tudo o que estava acontecendo no país.  E concluiu que nada pode fazer porque ele ainda não é o presidente.

Durante a segunda-feira o peso entrou em queda livre.   A desvalorização da moeda argentina frente ao dólar esteve em níveis superiores a 30%.  O risco país atingiu o patamar de 1.500 pontos.  A bolsa de Buenos Aires sofreu um baque.  Ela registrou uma queda de 38%.

Eu acompanhei a manifestação de Maurício Macri na televisão.  Ele disse que as eleições primárias mostraram que há um problema enorme entre o Kirchnerismo e o mundo.   Na visão do presidente, o mundo econômico e o mundo político não confiam em Cristina.  E ele indaga o que eles pretendem fazer com a Argentina? 

É surpreendente que com a inflação no teto e o desempenho no piso, Maurício Macri não reconheça o comportamento deplorável da economia argentina após um mandato completo de governo.   

E mais, as promessas de campanha não se concretizaram, a estratégia posta em curso não funcionou, ele precisou do socorro do FMI e, mesmo assim, com forte apoio externo – Buenos Aires foi sede da penúltima reunião do G20 – ele deixou a Argentina numa situação muito pior do que os analistas poderiam imaginar. 

Christine Lagarde que apoiou Macri vai deixar o FMI e assumir o Banco Central Europeu.  O acordo fechado por Maurício Macri com o FMI deverá ser absorvido pelo governo de Alberto Fernández e Cristina Kirchner.   Jair Bolsonaro que foi à Argentina para apoiar Macri e fez duras críticas à oposição argentina deve se preparar para levar adiante o Mercosul com a presença de Cristina.   

As informações mais recentes mostram que o Merval, o índice da bolsa de Buenos Aires, desabou.  É um conjunto de 22 empresas que perdeu a metade do seu valor em bolsa.   O risco país foi de 1500 para 1600 pontos. 

Há dois meses até as eleições de 27 de outubro.  Macri e Cristina vão ter que esquecer desavenças e negociar.   Essa polarização em nível dos eleitores, precisa ter um basta.  As consequências recairão sobre todo o país.

Boa dia leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Rua Andrade Neves esquina Borges de Medeiros, 10.08.2019, 19h00

ARGENTINA, instabilidade sempre, post 08, 13.08.2019, o dia seguinte às prévias (PASO)

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