Porto Alegre, 17 de agosto de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 29 graus, um sábado de verão

Um dia eu pousei no Alasca vindo de Nova York.  Eu estava bastante ansioso.  Eu havia estudado nos Estados Unidos e enfrentado estações de inverno com muito frio.  Na região dos grandes lagos, na fronteira entre os EUA e o Canadá, o sol é pouco e a neve é muita.  Conviver com uma temperatura de vinte graus abaixo de zero fazia parte da minha rotina nos meses de dezembro a fevereiro. 

Na foto abaixo que eu bati em 1970, a cidade de Syracuse, Nova York, durante um dia de inverno.  Era isso aí.  Neve, caminhões jogavam sal nas ruas para liberar o trânsito, mais frio e o que era neve se transformava numa “rocha” exigindo a presença de retroescavadeiras para retirar os blocos de gelo.  Resultado, ao retirar os blocos de gelo uma parte do asfalto era também removido e era preciso voltar ao ponto de partida. 

A minha expectativa era grande e eu fiquei um pouco decepcionado ao verificar o Alasca in loco.   É verdade que não era Inverno e aí tudo teria sido diferente.  Se eu estivesse chegando ao local no período de frio, quem sabe as minhas impressões seriam outras. .   

Tudo porque ao sobrevoar Fairbanks eu percebi que era uma cidade muito pequena e neve só no alto das montanhas.   Fundada em 1901, a cidade leva o nome do vigésimo-sexto presidente dos EUA, Charles Warren Fairbanks, um senador com base eleitoral em Indiana. 

A capital do Alasca é Juneau.   Fairbanks é a segunda maior cidade do Estado perdendo apenas para Anchorage.   Na foto abaixo a imagem que eu fotografei quando o avião sobrevoava a cidade de Fairbanks 

Imagine o leitor que eu havia pousado em uma cidade de 14.711 habitantes.   Cacequi, uma pequeníssima cidade do Rio Grande do Sul, tem hoje uma população de cerca de 13.000 habitantes. 

Fairbanks tem atualmente uma população de 31,5 mil habitantes e é sede da Universidade do Alasca.   A cidade é banhada pelos rios Chena e Tanana, que contorna o município de Fairbanks. 

Na verdade, em 1967 houve uma precipitação pluviométrica recorde, a cidade ficou inundada e foi construída a barragem de Moser Creek.   Desde então, precipitações em excesso levam a água a ser desviada do rio Chena para o Rio Tanana através da barragem que tem 13 quilômetros de extensão.

Hoje a economia do Alasca está concentrada em petróleo e gás, e é o maior estado produtor do ouro negro na economia norte americana.  

Desde que eu estive naquela cidade eu gravei, e ainda gravo muitas matérias e documentários sobre a região.  Eles são apresentados de forma recorrente na programação.  Há três programas na televisão a cabo que tratam das dificuldades com a estrutura de transportes, da colonização regional e dos acidentes decorrentes dos problemas climáticos.    Tenho me mantido atualizado, também, com a leitura sistemática de versões eletrônicas dos jornais locais.  

Por fim, eu criei o hábito de assistir, dia sim, dia não, as estações de rádio de Fairbanks através do aplicativo Radionet.  Normalmente eu fico na escuta da rádio KFAR 600 AM, da KUAC 89.9 FM, da radio KCBF 820 AM e, eventualmente, da North Pole Radio.  

Somadas todas as fontes, eu creio que consigo me manter atualizado sobre as oportunidades no estado do Alasca, e, ao mesmo tempo, obter informações sobre a política dos Estados Unidos.  Veja, o leitor, que nas eleições de 2008, a candidata à vice presidente dos EUA foi Sara Palin, uma política republicana que foi a décima primeira governadora do Alasca.

A foto abaixo eu bati quando o avião estava na reta final para pousar no aeroporto de Fairbanks.  

Por que eu optei por focar no Alasca no post desse sábado?  Eu tenho procurado acompanhar a pauta ambiental e as posições de Donald Trump, totalmente distante do consenso vigente nos governos anteriores e tão distante, atualmente, dos seus parceiros tradicionais.

Por isso, essa tarde eu acessei a versão eletrônica do jornal Daily News Miner, identificado com The voice of interior Alaska.   Eu encontrei algo pertinente à agenda do meio ambiente?

Pois, a manchete principal dava conta que Alaska records its warmest month ever; future records likelly.  O mês de julho foi o mais quente já vivenciado no Estado e, provavelmente, nos futuros registros.  A fonte da informação é o National Oceanic and Athmosferic Administration (NOAA).

A foto abaixo eu bati no aeroporto de Fairbanks em 1974.   Eu estou acompanhado na foto por um empresário e um médico brasileiro que estavam no mesmo voo.

Eu acessei o site do NOOA e nele eu encontrei a informação que as mudanças climáticas estão afetando o ambiente, as estações e as comunidades locais.  E, mais, diz no site que as mudanças observáveis, muitas delas com implicações regionais e globais, estão em curso ao longo do Oceano Ártico. 

As alterações estão afetando a saúde, a vida e os meios de subsistência dos habitantes do Alasca.    Atualmente, o NOAA prioriza e desenvolve pesquisa de dados para monitorar as mudanças climáticas e as variações na Região do Ártico.  Inclui, a perda de gelo no mar, a acidificação do oceano, o monitoramento de tsunamis e a modelagem de inundações.

A edição de hoje do jornal de Fairbanks traz outra matéria sobre o clima em que destaca que o mês de julho foi o período mais quente no planeta desde o início dos registros estatísticos iniciados em 1880. 

Em matéria assinada por Frank Jordans da Associated Press, o jornal informa que a temperatura do mês de julho de 2019 foi 1,71 grau Fahrenheit acima da média da temperatura do século XX, que foi de 60,4 graus para o mês de julho.   E, mais, que dos últimos 10 meses de julho mais quentes, a temperatura elevada de 9 deles ocorreu de 2005 para cá.  

É isso aí.  Nesses tempos de ameaça de recessão global e de ajustes no mercado do petróleo, vale a pena passar os olhos sobre as matérias correntes no Alasca.   Os interesses voltados para meio ambiente, petróleo e gás são matérias recorrentes na mídia local daquele que é um dos mais importantes dos 50 estados dos EUA. 

Em tempo:   Eu pretendia escrever um post sobre a polêmica vigente entre governo e cientistas em torno do desmatamento da Amazônia.  No fim de semana anterior eu assisti uma edição do programa Painel do canal Globonews em que estavam presentes o ministro do meio ambiente e o cientista afastado da direção do INPE. 

No começo do programa eu imaginei uma discussão acirrada entre as partes e isso até aconteceu.  Quando tudo parecia levar a um debate promissor, um terceiro participante do programa que representava o agronegócio, chamou a atenção dos presentes que uma discussão entre a ciência e a gestão evidenciaria uma divulgação no Exterior trazendo consequências imediatas para os interesses nacionais.

Boa noite leitor do blog!

JORNAIS o tema da minha taxação, post 06, 17.08.2019, Fairbanks (AK) e o clima

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