Porto Alegre, 27 de agosto de 2019

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A reunião do G7 mostrou uma face inesperada,  Macron colheu do ensejo que havia convergência para buscar contribuições para a Amazônia e introduziu um tema inesperado para Donald Trump, uma aproximação entre a Casa Branca e o governo de Teerã.

Emmanuel Macron, inclusive indicou quem seria o negociador iraniano e a expectativa é que a reunião de cúpula, se confirmada, venha a acontecer no prazo de uma semana.   A meta do presidente francês é que o dialogo seja retomado entre as partes.

O fato de Macron propor e Trump não rejeitar peremptoriamente a possibilidade de uma negociação poderia sinalizar um caminho do tipo vigente entre os norte-americanos e os chineses, ou seja, na base do stop and go.   

Nesse caso, a Casa Branca estaria abrindo uma nova frente onde o processo estava interrompido e nada levava a acreditar que as restrições poderiam ser revertidas.

Independentemente de mostrar boa vontade com relação à proposta francesa, Trump parece aceitar o diálogo na mesa, mas não quer se comprometer com o fim das sanções ao Irã

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A sinalização de um possível contato entre Donald Trump e Hassan Rohani esteve elencado no comunicado final da reunião de Cúpula de Biarritz, um documento que não se imaginava poder ser firmado para um encontro em que não havia a menor expectativa de convergência de opiniões por tudo o que tinha e tem acontecido recentemente entre as principais lideranças políticas mundiais. 

Eu lembro que no evento anterior as partes nem conseguiram chegar a alguns pontos em comum, razão porque não houve comunicação final do encontro.   Dessa vez o que teria acontecido?  Certamente que o primeiro indício de mudança deve estar associado ao comportamento de Donald Trump.    Ele teria longe demais em sua estratégia de bater em todos, mesmo os que eram antigos parceiros dos Estados Unidos? 

Estaria Donald Trump configurando uma nova agenda à medida que a economia que o sustentava possa estar começado a vazar?  Até agora o desempenho da economia norte-americana era exemplar.  A imagem do pleno emprego manteve a figura de Donald Trump a vontade na conjuntura economia recente.  

Uma taxa de desemprego de 4,0% que se convencionou associar ao pleno emprego parecia ser uma pré-condição para aspirar a uma reeleição à Casa Branca.  A taxa tem se mantido abaixo dessa régua. 

Esses números associados ao discurso do presidente que as empresas norte-americanas tem que investir nos Estados Unidos e gerar emprego dentro das fronteiras nacionais, torna a mensagem do primeiro mandatário como extremamente bem receptiva entre os eleitores. 

O que há de novo é que os executivos de grandes empresas estão temerosos de um possível fim de ciclo na economia norte-americana.  É o que leio na mídia internacional.  Há receio que o decênio de crescimento após a Grande Recessão de 2009 possa estar chegando ao fim.   

Nesse caso, os recordes sucessivos dos principais índices da bolsa de Nova York poderiam ter chegado ao teto e uma nova realidade poderia vir depois. 

A desaceleração da economia mundial é uma realidade, a recessão, uma possibilidade.  O que muda um curso para o outro tem a ver com a “guerra de Trump”.  Ele a começou e não estava acostumado a receber uma reação à altura. 

Ele não deve ter avaliado bem o arsenal de Xi Jinping.  A cada nova investida de Trump na Trade War, Jinping passou a criar restrições aos produtos dos campos dos Estados Unidos, onde estão eleitores importantes do atual residente da Casa Branca.

O problema de Trump não é de mera ação e reação.  Se o embate continuar é a economia americana que pagará a conta.  A desaceleração atual que começou a substituir os anos dourados poderiam convergir para uma recessão. 

Com Donald Trump no comando do que já veio e do que pode vir.  Maior desaceleração da China, redução do comércio global e, nesse contexto, a economia norte-americana pode realizar um pouso de emergência.  É a pior das hipóteses.  O pior dos cenários se Trump continuar com a sua guerra.  Todos perderão, inclusive chineses e norte-americanos. 

A intensidade da desaceleração determinará o período das “vacas magras”.   A economia japonesa, objeto de um post recente no meu blog, já vem avançando sem qualquer fôlego.   Nos últimos trinta dias foi a recessão na Alemanha que passou a ser matéria recorrente na mídia global.

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Está difícil imaginar qual é o futuro de curto prazo na estratégia de Trump.  Se uma nova agenda estiver sendo configurada pelo presidente o foco deve estar voltado para as eleições do próximo ano.  Pressionar a China implicará fortalecer a sua posição perante o eleitor fiel ao custo de dar as costas ao pleno emprego.   

À frente há duas datas chaves – primeiro de setembro e quinze de agosto – que permitem ao analista avaliar adequadamente as pretensões do candidato à reeleição.   Trump deverá incrementar tarifas aos produtos chineses no dia primeiro do próximo mês e em em meados de dezembro haverá um incremento residual. 

Até onde Trump está jogando para o eleitor e até onde ele esta jogando contra a própria economia?  É o dilema dessa terça-feira.  E nessa receita como ficam as conversações com o governo de Teerã?  Trump pode arriscar em Ormuz e colocar o mercado do petróleo no “fogo cruzado”?

Boa noite leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Rua Voluntários da Pátria, Porto Alegre, agosto de 2019 

CASA BRANCA, as últimas dos EUA, post 11, 27.08.2019, uma nova posição perante Teerã?

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