Porto Alegre, 28.08.2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 12h10, 14 graus, temperatura vai aos 31 graus, sem chuva fazer blog

A par de ficar com a atenção voltada o dia todo para a conjuntura econômica eu confesso que nos minutos de folga eu me dedico ao acompanhamento dos esportes.  Futebol, vôlei, futsal e tênis, eu procuro monitorar à medida do possível. 

Eu não gravo imagens das competição esportivas, salvo algumas raras exceções, por que eu não tenho tempo a perder.  Aos 75 anos eu preciso focar em um objetivo e o que vier a mais eu considero uma atividade de lazer.   

Eu confesso que os esportes fizeram parte da minha vida desde criança.  No meu curriculum eu jamais esqueço de uma manchete do jornal da minha cidade onde estava escrito que eu era o craque de futebol de salão do ano de 1958.  Eu tinha uns 14 anos e jogava pelo Irajá, um clube amador de Livramento. 

Eu tinha a sorte de jogar numa equipe em que os guris voavam na quadra.  Nossos adversários principais eram os Leões, formado por sargentos da brigada, que batiam muito, e outro clube da várzea formado por jogadores qualificados, entre os quais eu lembro de um atleta, o Dorinho, que jogou no Fluminense de Santana, mas que se consagrou como craque no Internacional de Livramento. 

Além disso, o Irajá participava de campeonatos intermunicipais com o Juventude de Uruguaiana, o Sete de Setembro de Alegrete e o Auxiliadora de Bagé.   O duro é que as viagens eram em caminhões da prefeitura, na carroceria, em dias de inverno de muito frio ou no calor tradicional do verão da fronteira. 

Hoje eu não sei como os meus pais permitiam que eu viajasse de carroceria de caminhão em estradas de terra porque não havia um quilômetro de asfalto na fronteira.   Se não me engano a distância em estrade de terra de Livramento a Uruguaiana era de 220 quilômetros.   A velocidade média dos tumbeiras, nome dado aos caminhões da prefeitura, era de 30 a 40 kms/hora.  Ora uma viagem dessa distância levava mais de 7 horas porque era preciso parar para um descanso no meio do percurso.   

Naquela época entre as cidades de Livramento, Alegrete, Uruguaiana e Quarai havia uma localidade denominada Harmonia, utilizada para obter algum suprimento, tomar um café, um refrigerante e aproveitar a sombra do local.    Eram 15 a 20 minutos para descanso e se retomava a viagem, uma verdadeira gincana.   E assim se chegava ao local da partida.  Sem descanso íamos para a quadra, disputávamos a partida e já começava a viagem de volta.  Que tempos!

Uma vez, em 1961, época do Parlamentarismo fomos disputar um torneio em Brasília.   De Kombi, ou seja, mais confortável que de caminhão da prefeitura.  Saímos de Livramento às 05h00, chegamos a Rosário do Sul onde a balsa estava quebrada, não havia a ponte atual e fizemos uma rotina alternativa – uma estrada vicinal – até Dom Pedrito.  Esse percurso de Rosário a Dom Pedrito foi a pior viagem da minha vida. 

A kombi não andava no barro.  Éramos 10 passageiros na Kombi, mais o material esportivo para disputar o torneio contra o Defelê e o Botafogo em Brasília.  A cada 10 minutos, quatro dos passageiros baixavam na Kombi para retirar o barro que prendia as rodas e não permitiam que o veículo se deslocasse.  Um frio terrível.  Chegamos em Dom Pedrito na noite do mesmo dia.  Perdemos um dia para percorrer uma distância que não era maior do que 50 quilômetros. 

A viagem seguiu, mas a Kombi fundiu o motor em Curitiba.  A nossa sorte é que o prefeito pagou a nossa estada durante três dias no hotel enquanto o veículo era consertado.  Mais alguns dias e, finalmente, chegamos a Brasília.  Ficamos hospedados no anexo do Brasília Palace Hotel, disputamos o torneio e iniciamos a longa viagem de retorno.

Desde criança eu era Flamengo.  Na fronteira éramos Flamengo ou Vasco.  Ninguém falava em Grêmio e Internacional.  A escalação do Flamengo tticampeão carioca de 53-55 eu sabia de cor.  Garcia era o goleiro, Tomires e Pavão eram os beques, Jadir, Dequinha e Jordan, formavam a linha de halfes, e a ataque tinha Joel, Rubens, Índio, Evaristo e Esquerdinha.   Eu lembro que Flamengo e Vasco faziam o Clássico dos Milhões, mas o grande adversário do clube da Gávea era o América que tinha um goleiro famoso chamado Pompéia. 

Não havia televisão naquela época.  Tudo era acompanhado via rádio, com toda a impedância que a tecnologia permitia.  Eu e o meu irmão Zezinho, hoje engenheiro-agrônomo, íamos para a casa do nosso amigo Vito Gallo que tinha uma eletrola que conseguia sintonizar a Radio Tamoio do Rio de Janeiro.  Ouvíamos jogos do Flamengo e do Vasco porque os dois eram torcedores do clube de São Januário. 

Quando sai de Livramento fui morar em Bagé, em 1963.  Lá havia dois clubes – Guarani e Bagé – que disputavam o campeonato gaúcho e que tinham dois estádios – Estrela d’Alva e Pedra Moura – que estavam sempre lotados.  Aí ouvi falar em Grêmio e Internacional.

Eu permanecia ainda um tanto distante da capital gaúcha, mas os dois times locais conseguiam fazer frente à dupla Grenal.  O centro avante do Guarani se chamava Max e fazia muitos gols enquanto o centro avante do Bagé era o Juarez, que tinha sido o Tanque do Olímpico e que era meu colega de inglês em sala de aula.   O futebol da Rainha da Fronteira era muito forte e reconhecido em todo o Estado no início dos anos 60.

No ano seguinte, 1964, fui morar em Santa Maria e assisti televisão pela primeira vez.  Eu lembro que em Livramento e Rivera vendiam aparelhos de televisão quando eu era criança.  Os aparelhos ficavam ligados na vitrines, mas não havia imagem para ver.  Apenas aquele sinal sem imagem.  Eu não se no início dos anos 50 alguém comprava televisão na fronteira e como instalavam antenas.  Realmente nunca procurei saber. 

Em Santa Maria a gente assistia a Televisão Piratini de Porto Alegre algumas horas por dia.  À noite, aos domingos, havia um programa denominado Conversa de Arquibancada.  Nessa época só havia televisão em preto e branco.   

Em Santa Maria havia dois clubes locais – Riograndense fundado em 1912 e Internacional fundado em 1928 – mas eu percebia que a torcida da cidade estava mais ligada na dupla Grenal.   

Nos anos seguintes eu morava em Santa Maria mas trabalhava em Porto Alegre, Rio e São Paulo.   Aí eu conheci o Maracanã e por ironia do destino o Flamengo jogou contra o Grêmio numa quarta-feira e Internacional versus Vasco da Gama.   Nessa época eu recordo que o Bangu era o grande adversário do clube da Gávea. 

Eu assisti o jogo do Flamengo no meio da torcida rubro-negra.  Foi emocionante.   O Grêmio saiu na frente, o Flamengo empatou mas o jogo terminou 2 a 1 para a equipe gaúcha.   Alcindo fez o gol da vitória para o tricolor de Porto Alegre. 

Eu estava numa fase de transição, clubisticamente.   Deixava de ser torcedor do Flamengo e assumia, de vez a opção por me considerar um Gremista. 

Os primeiros anos de residência em Porto Alegre eu ia com o meu pai, Aleixo Fraquelli, a todos os jogos no Olímpico e no Beira Rio.   Depois passei a ser frequentador sistemático dos jogos do Grêmio.  Assisti vitórias importantíssimas da dupla Grenal.  Em particular eu lembro a final do Brasileirão em que o Inter de Figueiroa venceu o Cruzeiro de Minas Gerais e se tornou campeão brasileiro e a final da Libertadores da América em que o Grêmio venceu o Penharol de Montevidéu e venceu o título de 1983.

Com o passar dos anos me tornei um torcedor de casa, via televisão.  Não perco uma partida da dupla Grenal.   Quando o Grêmio é derrotado eu não acompanho futebol por uns dois ou três dias para absorver o resultado contrário.  Parece o resultado de algum processo químico.  Já nas derrotas em partidas decisivas eu já as aceito com maior convicção porque eu consigo distinguir o quão importante é ficar entre os quatro maiores da América no caso da Libertadores, ou o ficar entre os quatro maiores do Brasileirão.

Aqui, em Porto Alegre, os gremistas vivem uma fase de glórias.  Foram muitos títulos em curso espaço de tempo.  Renato Portaluppi e os seus comandados priorizaram a Libertadores e a Taça Brasil e disputam o Brasileira com jogadores reservas.  Eu vejo muitas críticas da imprensa do centro do país pelas opções do Renato. 

O que é uma verdade à essa altura do ano é que os gremistas estão acostumados aos títulos e apoiam as opções do Renato, endossadas pela direção do Clube. 

Eu acredito que a direção do Internacional também prioriza a Libertadores e a Taça Brasil.  E parece que ambas as direções estão corretas.  O que vale são títulos que rendam dinheiro como é o caso da Taça Brasil ou a Libertadores que viabiliza disputar o campeonato mundial de clubes. 

… 

Ontem foi uma noite de muito futebol.  O Grêmio fez uma grande partida em Porto Alegre contra o Palmeiras.  Não merecia perder. Dominou praticamente todo o jogo.  De concreto, o Palmeiras conseguiu um gol em jogada originada no meio de campo.  Um verdadeiro milagre.

No jogo de volta, na noite passada, eu não tinha esperança numa classificação do Grêmio.   No jogo anterior o tricolor dominou a partida, mas não conseguiu fazer o gol.  Eu imaginava uma repetição no Pacaembu.  Muito domínio de bola, mas uma defesa muito postada pelo Felipão. 

O Palmeiras fez um a zero.  O Grêmio reagiu e deu fez a virada no placar.   A partir daquele momento o clube fez uma grande partida.  Os guris do Grêmio nem pareciam jogar contra o time milionário do Palmeiras.  Dominavam a partida e a zaga tricolor não deu a menor chance para o Palestra reagir no segundo tempo.

Hoje é a noite do jogo do Inter contra o Flamengo.  Eu creio que o Internacional tem todas as condições de levar o jogo para os pênaltis porque ele é absoluto nos jogos no Beira Rio.  Eu penso que Grenais definindo os títulos da Taça Brasil e as semi-finais da Libertadores serão prêmios às direções e aos planteis do dois clubes.

Assim como ontem, daqui há pouco eu vou preparar o meu chimarrão vespertino e esperar a noite chegar.  Ontem houve um jogo mais cedo em que o Brasil de Pelotas conseguiu uma vitória em casa pela série B.  Eu acompanho também todos os jogos do Xavante.   Hoje, é preciso esperar até 21h30 para o jogo do colorado.  Eu acredito que será uma grande partida.  Eu creio que Jorge Jesus terá o grande teste do seu Flamengo.  Acho que é a primeira vez que ele vem a Porto Alegre.  Ele não imagina as adversidades que vai encontrar em Porto Alegre.

Por enquanto eu preciso voltar a acompanhar a conjuntura econômica e. mais tarde, certamente que vou voltar a atenção para o jogo do Beira Rio 

… 

Boa tarde, leitor do blog! 

FOTO ABAIXO:  Uma noite azul na rua da Praia, Centro Histórico de Porto Alegre, 27.08.2019. 

 

ESPORTES ao vivo, post 05, 28.08.2019, uma longa trajetória convivendo com esportes

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