Porto Alegre, 04 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 14 graus, vento frio em dia ensolarado

A crise argentina se consolida em meio ao fim de um governo que prometeu muito e realizou pouco.  Tantas foram as crises econômicas locais que eu acompanhei desde a transição para o governo de Raul Alfonsin que fica difícil imaginar a dimensão da instabilidade atual quando comparada a outros momentos semelhantes nos últimos quarenta anos.

Houve ocasiões em que as crises políticas se sobrepunham à instabilidade econômica.  O ambiente local ficou extremamente conturbado quando do atentado à AMIA.  A passagem de Domingos Cavallo pela pasta da Economia trouxe muita contestação dos agentes econômicos locais devido à equivalência do peso com o dólar.  O que dizer da presença de três presidentes – Fernando de la Rua, Adolfo Rodrigues Saa e Eduardo Duhalde – em apenas doze dias, entre 20 de dezembro de 2001 e 02 de janeiro de 2002?  

A Argentina conviveu com o pesadelo do corralito.    O país enfrentou um período de pesadas acusações contra o ex-presidente Carlos Menem.  O leitor lembra da chegada do casal Pinguim à Casa Rosada?  Várias foram as críticas a presença do FMI na economia argentina.   E as denúncias contra a ex-presidente Cristina Kirchner?   O que dizer do assassinato do procurador Alberto Nisman?

Ao fim e ao cabo, Maurício Macri chegou ao poder geranerdo muitas expectativas para uma parte expressiva do eleitorado argentino.   A gestão chegou ao fim sem que os argentinos percebessem uma melhora no cenário econômico.  A inflação está nas nuvens e a economia anda de ré.    

Recentemente foram realizadas as prévias na Argentina.  As Primárias Abertas Simultâneas Obrigatórias (PASO) devem ter surpreendido os presidente Maurício Marcri.  As previsões eram de uma diferença mínima a favor da oposição.  Os resultados foram desoladores para o governo conservador.   De repente, o governo percebeu que tinha os dias contados.

Sem saber a que atribuir o resultado das urnas, Maurício Macri jogou a imensa diferença à presença da esquerda no pleito.  As eleições para a presidência acontecem no dia 27 de outubro.   Alberto Fernández, advogado e contador público, já é tratado como futuro presidente tendo Cristina Kirchner como a sua vice-presidente. 

Mesmo amplamente derrotado nas prévias, Maurício Macri lançou um pacote para fazer frente à crise econômica.  Fora de época e fora de propósito, o plano não estava no script do acordo firmado com o FMI.  A instabilidade se aprofundou na Argentina.  O peso se fragilizou ainda mais.  Tempos dificílimos para a gestão do câmbio.

Um dia surgiu na mídia a hipótese de um calote argentino.   Inadmissível.  Estando subordinado às decisões acertadas com o Fundo, jamais se poderia imaginar uma ruptura dos termos acordados pelas autoridades locais com o programa de estabilidade fechado com Washington.   O que fazer quando o governo está, possivelmente, com os dias contados, a economia em frangalhos, o acordo com o FMI sem resultados e a busca por dólares de volta ao passado?

… 

Eu lembro de Aníbal Fernandez afirmar que Maurício Macri deveria levar o seu governo até o fim dos 57 dias que lhe restavam.  Eu lembro que Cristina Kirchner se ausentou da mídia, quem sabe para deixar o processo correr ao natural.   A preocupação dos vitoriosos nas PASO parecia ser de distensionar o que fosse possível o contexto político até a transição.

Ontem o preço médio do dólar fechou em $ 58,486 pesos, uma diferença de -$ 0,485 sobre o dia anterior.    A cotação do Banco De La Nacion fechou o dia em $ 56,950 pesos.  O dólar tem alternado entre dias calmos, outros não.  Os argentinos tem uma longa tradição com a dolarização que há necessidade de algum fato muito importante para que haja alguma mudança no mercado cambial.  

Os jornais de Buenos Aires dessa quarta-feira deram conta que estão sendo agendados os debates que antecedem as próximas eleições presidenciais.   

Alberto Fernández que se encontra na Espanha confirmou que irá participar das discussões previstas para os dias 13 e 20 de outubro próximos vindouros.  Até então era incerta a presença do candidato da oposição nos debates que antecedem as eleições.  Amanhã está prevista uma reunião da Câmara Eleitoral para estabelecer as normas para o evento.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Mercado Público de Porto Alegre, agosto de 2019

 

ARGENTINA, instabilidade sempre, post 09, 04.09.2019, a crise se consolida

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