Porto Alegre, 05 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 18h10, 13 graus, vento gelado à noite

Quem trabalha com informações da mídia a 50 anos, sem interrupções significativas, a noite passada foi importante.  Tendo em vista que eu gravo em média oito horas por dia de imagens de televisão, na maioria das vezes eu já sei, antecipadamente, das programações importantes que vão acontecer como origem nos Estados Unidos, na Ásia ou na Europa.  Não foi o que aconteceu nessa quarta-feira. 

Eu liguei a televisão e me dei de cara com Bernie Sanders, o sempre candidato ao governo dos EUA pelo Partido Democrata.   Eu aprendi a admirá-lo, não por suas crenças mas por suas atitudes. com o passar dos anos. 

Ele é um guerreiro na disputa; uma aliado impressionante quando derrotado dentro do próprio partido.  Pois, Bernie participava da Presidential Town-Hall, um evento em que o candidato à presidência conversa com o próprio eleitor.

Eu nunca tinha ouvido falar em Presidential Town-Hall, daí a minha surpresa.   Na verdade, o termo adequado não é surpresa.  Como é possível dedicar-se uma vida a trabalhar com informações, seja em sua versão jornalística, seja em sua versão econométrica, e não saber que os norte-americanos tem um momento da campanha em que o eleitor questiona o seu candidato?

Fui em busca de compreensão e percebi que o evento é um local de debate e de protesto.  É um momento em que o político interage com os eleitores para discutir legislação ou regulação.   

O evento Presidential Towm-Hall não acontecem em prefeituras.  Ocorrem em igrejas, escolas, bibliotecas ou qualquer edifício dos municípios de um distrito e podem, até ter formato digital. 

Pois as imagens que eu assisti de Bernie Sanders, 77 anos,  fazia parte da programação da CNN Town Hall e mostrava os candidatos democratas às eleições presidenciais a 2020.  Exatamente.  Um deles irá concorrer, provavelmente, contra Donald Trump. 

Depois de Sanders, eu assisti a Elizabeth Warren, senadora por Massachusetts desde 2013 e professora de Direito de  Harvard durante vinte anos.

Na oportunidade, Warren discutia com um eleitor sobre a agenda climática, mas eu a acompanhei em pronunciamentos e debates anteriores e fiquei com uma boa impressão da candidata.  É verdade que ela tem um adversário forte dentro do próprio partido, Joe Biden, que foi vice presidente de Barack Obama, mas sabe lá o que írá acontecer até à realização das prévias. 

Elizabeth Warren tem 70 anos e Joe Biden, 76.  Contudo, a senadora passa uma ideia de jovem e muito bem articulada enquanto o ex-vice presidente parece um “pouco devagar” ao responder questionamentos.

Na oportunidade, o foco estava na preservação do clima.  Sanders prometeu trilhões de dólares para a agenda nacional.  Warren afirmou que pelo fato de não prometer tanto recurso orçamentário para a pauta, não significa que ela dará menor importância que Sander para a agenda do clima. 

O plano de Warren prevê dois trilhões de dólares para a agenda do clima.  A metade, um trilhão de dólares, será utilizada para cortar 70% das emissões de carbono até o ano 2035.

Warren também diverge de Sanderes no que diz respeito à estatização dos serviços de energia que o senador junior por Vermount pretende colocar em prática se eleito. 

Até onde eu entendi corretamente, Warren está com a atenção dirigida, especialmente, a três industrias no tema do lançamento de emissões de carbono no ar:  a construção, os automóveis e a energia elétrica.    E mais, os cortes na poluição para as três industrias teriam prazo de validade de 2028, 2030 e 2035, respectivamente. 

Acho Elizabeth uma forte candidata pelos argumentos.  Tem currículo.  Nesses 50 anos acompanhando as eleições norte-americanas, tenho me defrontado com muitas surpresas.   Na noite das eleições e a a partir dali, no avanço da contagem dos votos, eu fico muito ligado na televisão.  Há caixas de surpresas ao longo do período.  Por isso é dificil prever o desempenho de Warren lá na frente.  Se é que ela não vai abandonar as prévias antes da definição do candidato do Partido Democrata.

Tem deixado claro que com ela na Casa Branca não haverá construção de nenhuma planta nuclear.   Ela me parece muito incisiva quando questionada por jornalistas.  Passa a impressão que não aceita segundas intenções nas perguntas.   Entendida a dúvida do interlocutor, Warren é precisa na resposta.  Nem mais, nem menos. 

Por fim, uma palavra sobre Joe Biden.   Senti como se ele tivesse jogando para os eleitores respostas que ele já trazia da experiência no governo de Obama.  Acredita que o país precisa de trens de alta velocidade e com custos adequados.  É a forma como ele imagina retirar milhões de carros das estradas. 

Se entendi bem, também, ele não é favorável a exportação do shale gas, do gás do xisto.  Ele disse que não defende uma proibição do fracking, porque ele sabe que jamais seria aprovada uma medida dessa natureza.  Ao mesmo tempo, ele defende a paralização do processo em terras federais. 

Joe fala com o peso de já ter sido governo.   Sabe muito.  Está preparadíssimo.  Nada parece ser novo, desconhecido, para ele.  Eu sinto que lhe falta empatia para o tamanho do desafio.  Fazer o quê?05

… 

Participaram do evento os candidatos a candidato à presidência dos EUA pelo Partido Democrata,  Amy Klobuchar, Andrew Yang, Bernie Sanders, Beto O’Rourke, Cory Booker, Elizabeth Warren, Joe Biden, Julian Castro, Kamala Harris e Pette Buttigieg 

O processo eleitoral norte-americano é prato cheio para analista econômico como é o meu caso.  Tudo acontece dentro de um labirinto político. 

Os cenários se configuram e se transformam à medida que as semanas vão passando.  Há muita informação.  A mídia cobre de cima.  Analistas preparadíssimos.  Pontos óbvios surgem “do nada”.  Desdobramentos instantâneos sobre a Asia e imediatos sobre a Europa.  

Um mundo extraordinário em que eu sigo de carona.   Aquele em que o retorno e a tecnologia protagonizam um verdadeiro espetáculo de Tom e Jerry. 

E dizer que há muitas décadas eu sonhava em construir uma galena…     

FOTO ABAIXO: Na imagem eu  estou com o meu ex-professor (UFSM,1965) e amigo Armindo Trevisan durante a ultima feira do livro de Porto Alegre,  

 

CASA BRANCA, as últimas dos EUA, post 13, 05/09/2019, Presidential Town Hall, o candidato à candidato presidencial debate com o seu eleitor

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