Porto Alegre, 08 de setembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 12h10, 22 graus, dia nublado 

E chegou o domingo.  Foi-se a primeira semana de um novo mês e nada.  A economia continua na mesma.  Não há o menor sinal de retomada.   Depois da recessão chegou a estagnação.    O desempenho do primeiro trimestre mostrou um recuo de -0,2% no PIB. 

Há alguns dias se falava em nova recessão.  Na undécima hora os oficialistas comemoraram o avanço de 0,4% no Produto no segundo trimestre.  E já descartaram a recessão técnica como um episódio que ficou para trás.  Em definitivo. 

Surpreende-me que a exigência de um proposta objetiva para a retomada não venha dos agentes econômicos que tem condições de fazê-la.   Há parcela expressiva da população à margem do processo produtivo.   

Não se pode ignorar que a população desempregada fechou o segundo trimestre com 12,8 milhões de desempregados e 7,4 milhões de sub-ocupados segundo o IBGE.   

Mesmo com uma melhora de população empregada num total de 1,479 milhão de pessoas no segundo trimestre de acordo com os dados da PNAD, a situação do mercado de trabalho é crítica porque são muitos anos sucessivos de crise e a base de comparação é extremamente frágil.  

A estabilidade política que deveria estar presente ao longo do corrente ano vive aos sobressaltos e sem qualquer expectativa de normalidade por tudo o que aconteceu nesses nove meses de gestão. 

Todos os dias acontecem manifestações dos agentes políticos que minam a confiança da população e dos empreendedores.

Eu acredito que as reformas indispensáveis aos ajustes econômicos e que os investimentos empresariais como pré-condição de crescimento futuro devem ser trabalhados de forma convergente pelas lideranças nacionais.  

A futura retomada deve fazer frente, também, a causas geradas externamente.  A incerteza decorrente da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China deve criar embaraços à retomada brasileira à medida que a desaceleração global sinaliza uma queda no ritmo da economia dos países emergentes.   

Certamente que a desaceleração em curso e a ameaça de uma recessão global podem atrasar os movimentos da economia brasileira.   Tudo porque há possibilidade de diminuições nos investimentos internacionais e nos preços das commodities, fatores importantes na configuração de cenários econômicos para os próximos exercícios.    

Paralelamente, o governo deve ter reconhecido a gravidade do momento quando optou por jogar recursos na economia estagnada.

Nesse sentido, as autoridades optaram por uma MP como a forma de liberar recursos do FGTS e do PIS/PASEP no valor de R$ 42 bilhões.  Trata-se de uma dose homeopática.  Um recurso irrisório para chegar à economia até março do próximo ano.

 

À medida que o Poder Executivo propõe e o Poder Legislativo desidrata cria-se um lapso de tempo para que possa se discernir quem é quem no andamento das reformas estruturais.

Nesse contexto,  o governo recorre também a ajuste microeconômicos que devem devidamente explicados à sociedade para que ela compreenda a gestão como uma melhora do ambiente de negócios no país.

…  

Há alguns anos eu lembro de fazer palestras no SEBRAE ou em alguma instituição equivalente, em que eu estava muito ligado às perspectivas de fusões e aquisições na economia brasileira.       

Recursos externos sempre estiveram disponíveis.  O Brasil, tradicionalmente, conta com um potencial consumidor imenso.  Daí a minha percepção que o processo iria se consolidar no curto prazo.

Veio a crise.  Tudo o que poderia prejudicar o desempenho da economia tomou um formato real.  O pais ficou dividido.  Criou-se um “diálogo de surdos”.     A polarização se acentuou, a retomada atrasou, os retornos ficaram em standby e as fusões e aquisições não se confirmaram.  

Eu creio que a reforma tributária é uma peça chave no Brasil que há de vir.  Desde a primeira vez que ouvi Paulo Guedes eu pensei que essa poderia ser a grande contribuição desse governo.  

A essa altura do ano, há três opções em curso, mas a proposta oficial ainda não chegou ao Congresso.  Os Estados estão com dificuldades de se manterem em pé, Guedes fala convicto de um novo pacto federativo, enquanto eu, aqui no meu beco, já não desprezo qualquer alternativa disponível, contudo enfrento dificuldades de aceitar convergência de posições tão distintas.

A outra reforma, a previdenciária, é dada como um episódio superado por autoridades da capital federal.   Não me parece que seja assim. 

Desde que a Nova Previdência migrou na Câmara para o Senado eu ouvi com atenção as manifestações do senador Tasso Jereissati.  Eu acreditei que ele estava certo em introduzir a previdência dos Estados e Municípios na pauta da reforma.

Eu penso que Jereissati fez bem em introduzir os trabalhadores informais no regime geral e de estabelecer que nenhuma pensão do INSS será abaixo do salário mínimo.      

Também considero que a PEC Paralela é uma ideia positiva.  Ela inclui o direito à seguridade social para crianças em situação de pobreza e a aposentadoria por incapacidade grave de 100%.    Outrossim estou de acordo com acumulação de funções quando houver caso de dependentes com deficiência grave.

O meu maior receio é que ao desdobrar a Nova Previdência, a PEC Paralela fique no meio do caminho.   Houve muita reação quanto a introduzir a previdência de Estados e Municípios na reforma original.  Não visualizo o que possa ter mudado para que a Câmara concorde com a ideia da PEC Paralela.

Tendo em vista que tudo o que avançou é produto de medidas desidratadas, não sei o Centrão, ou quem quer que seja porque o governo não tem e nem parece pretender ter maioria, poderia pressionar pela inciativa que vem do Senado para a Câmara.

Ao apagar das luzes da elaboração desse meu post sobre o momento intrincado da conjuntura, eis que surgiu o pacote de combate ao desemprego. 

Como tudo nesse governo, as informações fluem em pílulas.  Fala-se em liberação de R$ 65 bilhões para capital de giro das empresas.  Há uma mistura de dez frentes que deram forma ao pacote.   Vou preparar um post sobre a iniciativa que ainda está em elaboração no Ministério da Economia.

É isso aí.  Uma boa tarde!

FOTO ABAIXO: Praça da Alfândega, Centro Histórico de Porto Alegre, setembro de 2019

BRASIL, bom dia leitor do blog, post 276, 08.09.2019, um momento hiper intrincado da conjuntura

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