Porto Alegre, 10 de setembro de 2019 

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Há algum tempo eu escrevi um post sobre Ursula von der Leyen.  Na época ela ocupava a pasta da Defesa no governo de Angela Merkel e buscava apoio externo para se candidatar à presidência da Comissão Europeia.   

Ela teve o seu nome proposto pela Comissão Europeia em 02 de julho, obteve a confirmação do seu nome pelo Parlamento Europeu em 16 de julho e deve assumir a presidência Comissão no dia primeiro de novembro em substituição a Jean-Claude Juncker.  

Eu acompanhei o trabalho de Jean-Claude e considero que ele mostrou muito empenho para levar adiante a sua administração.  Ele sofreu com as criticas de Donald Trump, presidente de um país que era antigo aliado e parceiro até então. 

Não desejou partir para um processo de reeleição alegando motivos pessoais.  Eu acredito que tenha algo a ver com o seu estado de saúde porque ele mostrou limitações nos últimos meses da sua gestão.  

Ursula trabalha com quatro grandes objetivos, quais sejam, a promoção da economia digital, a geração de energia, a preservação do meio ambiente e o avanço da confiança dos habitantes do bloco.

A par dos seus objetivos, há toda uma expectativa que Ursula leve adiante a proposta de criar uma unidade de Defesa dentro do bloco que abrange 28 países.  Eu registrei em textos anteriores a pressão que Donald Trump fez às autoridades europeias nos dois primeiros anos de sua chegada à Casa Branca.

Em diversas oportunidades, Trump nem parecia visualizar antigos parceiros nas lideranças europeias atuais.  Ele jogava em todos os eventos bilaterais o valores dispendidos pelo governo de Washington para assegurar a defesa dos países do Velho Continente.

A pasta da Economia que diz respeito, prioritariamente, as minhas análises no blog, ficará a cargo de Paolo Gentiloni, jornalista de 64 anos, político do Partido Democrático e ex-Primeiro ministro da Itália entre dezembro de 2016 e junho de 2018.

Tendo em vista que as mudanças acontecem em menos de 60 dias, achei importante buscar os nomes da nova equipe que acompanhará Ursula na gestão do bloco. 

É interessante registrar que para enfrentar eurocéticos e nacionalistas nos anos à frente, a direção da UE precisa consolidar alianças entre conservadores, liberais e sociais-democratas. 

Com Úrsula não foi diferente. Ela terá representantes das três correntes políticas em suas vice-presidências executivas.  São eles Valdis Dombrovskis (conservador), Margrethe Vestager (liberal) e Frans Timmermans (social democrata)

Para colocar em prática as decisões que tem origem no Parlamento e no Conselho, a presidência de Ursula na Comissão terá a companhia de 28 comissários, um para cada país do bloco.

… 

Por fim, uma palavra sobre o que eu considero o maior desafio de Ursula van der Layer.   Ao contrário do seu antecessor, voltado prioritariamente para a integração, ela precisa ir além e ocupar o espaço político reservado ao Velho Continente.  

É preciso dar um basta a Trade War lançada por Donald Trump.  As restrições e a reações, lado a lado, levarão a economia global a uma instabilidade cada vez maior.   

Os EUA lançam novas medidas a cada semana e a China reage sem dar espaço para outras lideranças globais.   Eu acredito que é possível agrupar uma terceira força política para levar adiante uma mensagem que transcenda o momento da economia atual.

Não sei se Ursula tem um perfil para se lançar em um projeto dessa natureza.   Eu penso que ela se projetou à medida que Angela Merkel mostrar sinais que o seu tempo pode estar chegando ao fim.

Ela deve contar com Joseph Borell, um político espanhol experiente, como o seu vice-presidente, além de acumular com as funções de alto representante da Política Exterior.

Quem sabe Borell não seja o complemento que Ursula precisa para se projetar em voos mais altos?

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Mercado Público de Porto Alegre, setembro de 201910

 

UNIÃO EUROPEIA, Comissão, post 33, 10.09.2019, a nova chefia de Ursula von der Leyen

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