Porto Alegre, 04 de outubro de 2019.

Horário oficial do beco da rua General João Manoel, 18h10, 18 graus, chove todo o dia, esfria à noite

Acesso a música New York, New York, com Frank Sinatra no YouTube.  Eu conectei o notebook numa caixa de som do meu computador antigo e joguei a voz de Frank Sinatra no meu estúdio.   É hora de inspiração para escrever sobre o Brasil dessa sexta-feira. 

Eu reflito sobre o Brasil desde que comecei a ser professor de Economia há 52 anos.  Conheci muito profissional competente e convivi com professores qualificadíssimos, no Brasil e no Exterior.

Trabalhei em todos governos estaduais de Euclides Trichês até meados do Governo Tarso Genro, quando fui para casa a fim de encaminhar os meus últimos 25 anos como economista.  Estou iniciando o 4/4 de uma vida densa em  estudo, gestão de informações e elaboração de cenários econômicos.

… 

Nessa convivência com desafios imensos, eu recorri à área quantitativa porque eu percebi que ela me facilitava a tarefa de compreender os liames do que foi com o que é.   

Na Universidade eu lecionei a disciplina de método em economia, um exercício maravilhoso, que me obrigou a estudar História da Filosofia por quatro anos, e me proporcionou a identificação de um novo partidor na minha carreira acadêmica. 

Por fim, optei por trabalhar com imagens, o que me facilitou a trajetória e me criou o “vício” de uma videoteca, que já acumula 65 mil horas de imagens.   Em média são oito horas de gravações diárias.  Não há pausa nem aos sábados e domingos.  O meu banco de imagens inclui todas as entrevistas que eu concedi nesses últimos 35 anos. Sem esquecer que também conservo todas as gravações em fita cassete, das minhas entrevistas nas estações de rádio.

E, assim, eu cheguei até essa sexta-feira. 

Brasil, oh, meu Brasil.  O teu formato de coração diz muito da tua contribuição à medida que consigas migrar do país do futuro para o domínio do teu andar.   E está difícil.  Brasília não está conseguindo retomar o crescimento econômico do país. 

A economia mundial tomou a dianteira e ficamos para trás.  O país enfrentou a recessão, a estagnação, e agora convive com Paulo Guedes, na pasta da Economia, que não consegue retirar o país do marasmo. 

É preciso que Guedes comprove na dimensão da Economia a que veio porque na dimensão da Política a conjuntura está se tornando difícil para a gestão de Jair Bolsonaro.

A reforma da previdenciária de Guedes foi desidratada na Câmara por Samuel Moreira e Marcelo Ramos.  No Senado, Tasso Jereissati assumiu o compromisso de levar adiante a Nova Previdência com a configuração vinda do Senado.  Houve rejeição das emendas e a reforma passou em primeiro turno. 

Em todas essas movimentações, desidratação na Câmara e PEC Paralela no Senado, ambos poderes se movimentam independente do Poder Executivo que não conseguiu e nem fez esforço para criar uma maioria.

A reforma desidratada da Previdência na Câmara chegou ao fim da linha sem a presença de Guedes.  No Senado, também não houve contribuição da Pasta da Economia e ainda surgiu uma pequena desidratação de R$ 76,2 bilhões.

A essa altura, a economia em 10 anos que Guedes previa em R$ 1,3 bilhão já está em R$ 800 bilhões.

A reforma tributária de Guedes ainda não chegou ao Congresso.  Tramitam dois projetos com movimentações independentes do governo.

A lei de abuso de autoridade, entre idas e vindas repletas de controvérsias, foi aprovada e recebeu, instantaneamente de parte de juízes e magistrados, a pecha de lei da mordaça.     

A Câmara aprovou o projeto de lei e o Senado chancelou o teto de gastos com atenção voltada para o pleito do próximo ano.

Agora, com a mais recente decisão de periciar as mensagens vazadas via Vaza Jato cria-se um cenário extremamente delicado para a Lava Jato e para o próprio governo pelo impacto que poderá produzir em decisões judicias.

Mais uma semana se foi e nada de retomada da Economia.  As palavras de Paulo Guedes não encontram receptividade na conjuntura simplesmente porque a estratégia é bastante simplista.

… 

Como não há um programa específico para alcançar o crescimento, a ideia que depois das reformas a economia melhorará está se mostrando uma falácia. 

Na ausência de uma estratégia concreta do ministro salta aos olhos do analista que sobra a Guedes o caminho do petróleo, gás e Petrobras. 

Eu denominei essa estratégia de pgp.  Ela é extremamente simples, mas pressupõe a ausência de um programa de retomada de crescimento e uma agenda econômica totalmente desarticulada.

 

Em suma, de um lado Guedes diz que a Petrobrás atrasou a produção e a exploração do petróleo no país e que, na sua visão, todas as estatais seriam privatizadas.  O governo fala se desfazer de ativos.  Todos os dias eu faço taxações de jornais em que há expectativa de privatizar subsidiárias que incluem refinarias e gasodutos.   

O assunto que eu mais leio sobre a Petrobras nos jornais diz respeito à venda de ativos.   Com esse discurso sistemático e com essas ações eventuais as autoridades vendem uma imagem adequada à atração de investidores.    Aqueles que irão contribuir para a retomada do crescimento.

De outro lado, Guedes aposta em outorgas nas concessões, onde os investidores participam de leilões.  Pagos os royalties, o governo engorda o caixa. 

Nesse ínterim o governo promove um novo pacto federativo onde recursos substanciais começam a ser direcionados para Estados e municípios.  Dessa forma o desiquilíbrio das contas públicas é atacado e as finanças das esferas regionais, viabilizadas. 

Guedes fala muito em pacto federativo.  Eu lembro que a primeira vez que eu o ouvi falar, chamou-me a atenção pelo fato dele minimizar os problemas decorrentes do desequilíbrio das contas estaduais e municipais.   

Com o tempo Guedes me pareceu tratar do pacto federativo como uma proposta iminente.  Pois, ontem, ao tomar conhecimento da derrota na previdência, a desidratação de R$ 76,2 milhões realizada no Senado, o ministro disse que iria enfraquecer a proposta do pacto.  

Bolsonaro chiou.  Discordou do seu ministro.  Bolsonaro precisa do apoio do Legislativo.  Guedes estaria agindo no sentido contrário.  O impasse foi mais um a se somar aos desgastes acumulados entre ambos.  

Paro por aqui, leitor do blog, boa noite!

FOTO ABAIXO:  Evento religioso no Mercado Público de Porto alegre, 04.10.2019, 11h00 

 

BRASÍLIA, distante de todos, post 18, 04.10.2019, a estratégia pgp

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