Porto Alegre, 08 de outubro de 2019

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As eleições argentinas estão chegando.  As primárias evidenciaram que a diferença entre os candidatos Alberto Fernández e Maurício Macri era muito superior que os resultados das pesquisas sinalizavam.   Da forma com o ambiente político está, tudo leva a acreditar que o pleito de 27 de outubro introduzirá um novo presidente na Casa Rosada.

Na dimensão social, Maurício Macri prometeu fome zero para os argentinos no início do seu governo e deve encerrar o governo com a pobreza atingindo 35% da população, percentual que pode se elevar até dezembro.  O número de famílias que padece de dificuldades para  se alimentar corresponde a uma quarta parte da população.

Os preços dos alimentos básicos direcionados às crianças explodiram no espaço de um ano.   Dentre os menores de idade, a metade das crianças vive na pobreza que Macri prometeu varrer do cenário local.  

Na dimensão econômica, Maurício Macri prometeu uma outra Argentina.  O país convive com 10,6% da sua população em condição de desemprego.  O desempenho da economia mostrou o PIB registrando taxas de -2,1% (2016), +2.7% (2017), -2.5% (2018) e -1.2% (2019). 

Esses números eu retirei da última versão do World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial do FMI.   Amanhã, a Instituição publicará uma nova versão do WEO e o desempenho argentino virá ainda pior.

Os dados referentes à inflação quem sabe sejam o pior legado da gestão Macri.  O Índice de Preços ao Consumidor, o IPC, evidenciou taxas de crescimento de 25,7% (2017), 34,3% (2018) e 43,7% (2019).  

A recessão argentina combinada com a explosão nos preços, resumem, por si só, porque Maurício Macri se deu muito mal nas eleições primárias de agosto.  Prometeu o que não podia cumprir e vai entregar o país em uma situação crítica.

Para que o leitor brasileiro do blog compreenda, a economia argentina está em situação devastadora, algo como se manter anos luz atrás da economia brasileira, que também vivencia um presente delicado, porque há cinco anos – recessão, e depois estagnação -marca passo sem sair do mesmo lugar. 

O Brasil parou no meio da estrada há cinco anos, a Argentina anda de ré há dois anos.  No Brasil há esperança; na Argentina, parece não mais. 

Macri fora, volta Cristina.  Sim, a mesma Cristina, justicialista, do casal K.  Alberto Fernandes, 60 anos, advogado e professor de Direito, na presidência, tendo Cristina Kirchner na vice-presidência, são os nomes que os analistas estão projetando para assumirem a presidência argentina. 

Alberto e Cristina vão chegar à Casa Rosada com o país dentro de um acordo de standby com o Fundo Monetário Internacional.  A negociação foi implementada com Christine Lagarde, 63 anos, a política francesa que renunciou ao cargo de Diretora-Gerente do FMI em 16 de julho próximo passado para assumir o Banco Central Europeu, em 01 de novembro, em substituição ao italiano Mario Draghi. 

Então, se as previsões se confirmarem, haverá novos nomes na reunião que decidirá o futuro da Argentina junto ao FMI.  Não mais Mauricio Macri e nem Christine Lagarde.  Nesse instante é fundamental que prevaleça o bom senso. 

Nesses momentos de configurar a Argentina a partir de 2020 é preciso estar atento ao discurso da União Industrial Argentina (UIA). Acompanho aquela economia há 50 anos.  Na década de 80 para a de 90 eu tinha uma coluna na Revista de Derecho del Mercosul, da Editora La Ley de Buenos aires. 

Eu escrevi muitos artigos sobre a Argentina como economista da FEE, aqui em Porto Alegre, e em publicações nacionais e internacionais.  Nesse processo, eu apreendi a estar atento a todas as manifestações dos dirigentes da UIA porque eram sempre muito importantes nos momentos de grandes decisões do governo argentino.

Nessa semana houve um evento patrocinado pela UIA em Córdoba, o XXII Coloquio de la Unión Industrial de Córdoba. A pauta foi concentrada em recessão e desemprego, carga tributária e crédito.

Miguel Acevedo, presidente da UIA, propôs que o governo tome medidas imediatas e de um choque para enfrentar a crise.  Maurício Macri foi para o encerramento do evento e não encontrou Miguel Acevedo que havia viajado.  O discurso das medidas ficou no ar.   Houve um vazio entre ambos.

Bem, para encerrar,  os empresários da indústria argentina pregam um “consenso” entre os partidos para enfrentar a crise de 2020.  Em paralelo, Alberto Fernandez, tem defendido a necessidade de se criar um “pacto” para fazer frente aos anos difíceis que vem por aí.

Situação difícil da Argentina.  Para um país que pensa em dólares e com a ameaça de uma recessão mundial cada vez mais presente na mídia global eu fico a pensar “com os meus botões”, que vou ter muito trabalho sobre os acontecimentos no país vizinho nos próximos meses.  

Está difícil, ou melhor, será uma tarefa difícil.  Não sobra tempo para outra coisa que não a recessão global, ou melhor, a ainda ameaça de uma recessão global.  Das oito horas diárias de gravações que realizo, eu acredito que seis já estão direcionadas à crise internacional.  Donald Trump cria uma nova frente a cada semana e os seus antigos aliados me parecem atônitos. 

Fazer o quê?

Boa tarde, leitor do blog!  

FOTO ABAIXO: Esquina Democrática, Centro Histórico de Porto Alegre, 07.10.2019, 16h00

ARGENTINA, instabilidade sempre, post 11, 08.10.2019, crise econômica, eleições e a União Industrial Argentina

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