Porto Alegre, 09 de outubro de 2019

Horário oficial do beco da rua General João Manoel, 06h10, 13 graus, um dia sem chuva e com muito futebol

Ontem eu comecei cedinho.  Em época de ameaça de recessão o meu trabalho dobra.  E quando a ameaça é de uma recessão global as minhas atividades quadruplicam.  Foi assim em crises anteriores e eu começo a sentir que a dinâmica mudou desde a última quarta-feira quando os mercados sentiram o impacto de notícias inesperadas.

Quando eu me refiro às crises pretéritas eu estou falando em cinco décadas de observações.  Com o passar do tempo eu percebi que a intensidade do trabalho é muito maior à medida que a configuração da crise se consolida. 

Convicto que há um novo cenário em curso, eu já me proponho a uma pauta diferente daquela praticada até então.   Eu já sento à mesa do meu estúdio com a atenção voltada para o fuso horário.  Eu sei que Beijing está onze horas à frente do Beco da General João Manoel, no Centro Histórico de Porto Alegre onde resido. 

A propósito durante muitos anos a hora oficial do beco era dada por um relógio Mido de origem suiça.  Quando eu estive em Berna eu o tinha como o meu sonho de consumo.  Com o passar do tempo surgiu o celular como o uber dos relógios.  Deixei de lado o meu Mido e adotei um iPhone da Apple como a fonte do novo horário oficial local.

Cedinho, o dólar estava cotado em 7,1540 renminbis chineses.  Era um flash em um movimento intraday, onde se constatava que havia uma variação positiva de 0,0195 de renminbi, ou seja uma variação de 0,27% naquele preciso instante em que estou atento ao que acontece no Exterior.

Posteriormente, com o andar da manhã, no horário do beco, eu percebi que o dólar se valorizou frente ao renminbi entre às 03h00, quando eu deveria estar dormindo, e às 07h00 quando o sol da primavera abençoava a capital gaúcha com tanta luz.  Entenda, o leitor que tudo o que descrevi estava acontecendo, de fato, na Ásia.

Na condição de analista eu absorvo a informação para, no momento seguinte, interpretar o que está acontecendo efetivamente na conjuntura econômica internacional.   Na verdade eu procuro acrescentar os novos dados àquele cenário que eu tinha presente antes da hora de ir dormir.

Até onde eu consigo entender o processo de eclosão da guerra comercial, ele se encaminha para que haja um novo plano de embate entre as partes.  Essa terça-feira o que eu constatei foi que o governo norte americano está atento em travar o acesso de ações dos chineses aos títulos governamentais norte-americanos.

Nesse novo plano de embate salta aos olhos o rol de empresas chinesas que os norte-americanos estão com a atenção redobrada sobre o comportamento das mesmas.  Essas quedas nos mercados devem estar refletindo o que os analistas percebem sobre novos desdobramentos da guerra comercial.

Ora, do lado de cá do oceano, os EUA estão no front com os chineses; do lado de lá, são os ingleses às turras com os europeus à luz do BREXIT que deve se concretizar no próximo dia 31.

Entre as múltiplas facetas da recessão que pode estar avançando, há especial consideração aos movimentos dos bancos.  E, aí, há todo um foco nos bancos europeus porque a fala em torno dos testes de estresse está de volta entre analistas de mercados.

…  

Ao mesmo tempo em que eu ainda identifico o que estou vendo como uma ameaça de uma crise, eu já vejo nomes importantes do metier econômico internacional consentindo que a guerra comercial levará à recessão global.

Isso deve estar acontecendo porque os chineses justificam o comportamento das suas empresas à medida que os norte-americanos o reprovam.  

Paro por aqui.  Seguirei em busca de novas evidências de outros focos da crise.  Nas últimas horas é a retirada das tropas norte-americanas do norte da Síria que vem roubando a cena dos analistas internacionais.  O governo turco afirma que suas tropas estão prontas para realizarem a travessia da fronteira.  

A região ocupada pelos curdos está sob uma tensão intensa.  Parceiros dos EUA, os curdos estão sem proteção alguma há dois dias.  Recep Erdogan, o presidente turco, disse que a ação militar é iminente.  Donald Trump reagiu avisando que se isso acontecer, as sanções econômicas à Turquia se darão em proporções nunca vistas.

Vou estar atento à conjuntura nessa quarta-feira.  Seja nos mercados, seja nos movimentos bélicos, eu vou redobrar a atenção nesse dia que começa por aqui.

Bom dia, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Esquina Democrática, Centro Histórico de Porto Alegre, 07.10.2019, 16h00

 

 

CENÁRIO ECONÔMICO, o que vem por aí, post 18, 09.10.2019, a recessão internacional toma forma?

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