Porto Alegre, 19 de outubro de 2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 22 graus, domingo com céu nublado

Mais um fim de semana chegou.   Acesso à seção Business do New York Times e percebo que os três principais índices da Bolsa de Nova York registraram quedas nessa sexta-feira, quais sejam, Dow (-0,93%), Nasdaq (-0,83%) e S&P (-0,39%). 

Anteriormente, eu já havia percebido que houve recuos também nos mercados de Shangai (-1,32%), de Londres (-0,44%) e de Frankfurt (-0,17%).

A percepção dos mercados está associada ao fato que a economia mundial, que já convivia com uma desaceleração, passou a acumular novas restrições e a imagem de uma recessão em curso emergiu com maior intensidade na conjuntura econômica internacional. 

Entre as restrições que surgiram recentemente no cenário internacional, certamente que merece destaque a retirada das tropas norte-americanas da Síria em função do incremento de incertezas que gerou na região.   

É de se imaginar que se Trump conhecesse, em profundidade, o desenrolar dos fatos passados nos conflitos na Síria e também na Líbia, não teria optado para retirar-se da região deixando os curdos à mercê das tropas turcas.    

A linha de fronteira da Turquia parte da Síria junto ao Mar Mediterrâneo, e segue rumo, em direção de oeste para leste, ao Iraque e ao Irã.  Certamente uma área extremamente conturbada por tudo o que tem acontecido na região.   

E há centros urbanos importantes como são os casos, também na direção de oeste para leste, de Idlib, Aleppo, Manbij e Raqqa.

São muitos grupos com interesses em jogo que incluem as forças curdas, os exércitos turcos de ocupação, o governo da Síria, grupos que se opõe a sírios e turcos e, ainda, aqueles alinhados ao estado islâmico.

E é com esse pano de fundo que a Turquia pretende controlar uma franja de terra na fronteira com a Síria, que era e ainda é ocupada também pelos curdos, embora esses últimos estejam em fuga à medida que perderam a proteção das tropas dos EUA.   

Eu lembro de um alerta formulado pelo senador Lindsay Graham, um representante Republicano pela Carolina do Sul, em que ele reafirmou que o Califado foi vencido pelo apoio dado pelos curdos aos norte-americanos, mas que muitos dos membros do Estado Islâmico continuam na região que a Turquia está invadindo junto à Síria.   

A propósito da opinião do senador Graham, eu gravei em minha memória o que ele disse dessa vez porque nos anos 80, ainda quando economista da FEE, eu escrevi um artigo sobre o déficit público norte-americano e sobre o Graham-Rudman Budget Act que visava equilibrar o orçamento e as contas públicas do governo de Washington .  

Tendo em vista que Graham atribui à ação unilateral dos turcos a fuga dos curdos da franja de terra em que se encontravam, é fundamental, disse ele, que haja duras sanções econômicas contra o governo de Ancara.   

Quem sabe foi por isso, que Trump disse que pretende dizimar a economia turca.  No fundo, a ideia que ele teria traído os curdos deixou-o um tanto inseguro e o forçou a buscar uma forma de reagir à altura que o momento exigia.  E deve ter sido a maneira encontrada para compensar um erro estratégico, e irreparável, do seu governo. 

Hoje os turcos divulgaram a existência de um cessar fogo por prazo determinado.  No momento em que estou fechando o post a mídia internacional está denunciando a existência de violações ao cessar fogo.   

Estarei acompanhando os desdobramentos da guerra na Síria durante as próximas horas e dependendo do que acontecer durante a madrugada, no horário do beco, amanhã eu volto ao assunto. 

É lamentável as cenas de guerra, os bombardeios aos centros urbanos, a fuga dos civis e a presença de crianças nas ruas, tudo à vista do telespectador. 

Quando veremos políticos responsáveis buscando alternativas ao que está aí?  Nem parece que as lideranças das economias avançadas tenham assimilado as lições de duas guerras mundiais.   Até quando? 

O tema do Brexit é mais um assunto que não abandona a pauta europeia e reflete diretamente sobre a economia internacional.   

Há previsões em torno das consequências do BREXIT sobre as economias do Reino Unido e da União Europeia em um momento em que o desempenho do Velho Continente está muito fragilizado.

Depois de três tentativas frustradas por Theresa May, Boris Johnson vai para a quarta tentativa de aprovar o polêmico acordo.  Ele conta com 287 votos entre os conservadores e precisa alcançar um total de 320 votos para fechar, de vez, a saída do Reino Unido da União Europeia.  

Nesse sábado o Parlamento britânico debate uma ultima versão negociada ao longo da semana, e fechada na última quinta-feira, por Boris Johnson e Jean Claude-Junker.   

Durante a sexta-feira, eu senti que o Primeiro Ministro procedeu como um verdadeiro falastrão antecipando que havia obtido uma grande negociação e que, em casa, o Parlamento deveria aprovar os termos do acordo.    

Estou acompanhando pela televisão os intermináveis debates entre conservadores e trabalhistas no Parlamento britânico. 

De novo, surgiu uma emenda proposta por Oliver Letwin, que não estava no script, e em que ele almeja uma prorrogação do prazo do Brexit que deve se concretizar no último dia do corrente mês.   

O primeiro ministro aparenta estar desconcertado porque nesse sábado ele pretendia buscar os 61 votos que precisava.

Bem, a emenda Letwin foi a votação e foi vitoriosa por um placar de 322 contra 306 votos.  A partir desse momento, tudo o que Johnson havia negociado com a União Europeia fica em standby.  Por ora, nada de BREXIT. 

Johnson havia ameaçado o Parlamento, no sentido de aprovar a negociação ou sair da UE sem acordo.   Essa hipótese está descartada pela legislação vigente, mas o Primeiro Ministro não parece dispor de qualquer argumento adicional para persistir na sua empreitada.  

Em suma, o sábado se foi e nada de Brexit.  Na agenda há a busca de um novo prazo junto à UE para prorrogar o status quo

Dane-se a conjuntura internacional que tem agora mais um entrave ligado ao ambiente de incerteza que reina nessa migração de um cenário de uma desaceleração para o de uma recessão econômica.

Sem acordo no Parlamento Britânico, os índices FTSE, DAX, CAC devem mostrar resultados à frente de acordo com as expectativas vigentes.   

À medida que a presença de uma recessão mundial volta ao foco da mídia, as bolsas internacionais reagem. 

Foram quatro vezes nos últimos meses em que as bolsas registraram quedas expressivas.    A última vez que o fato se repetiu, aconteceu no início do corrente mês.  E a cada vez que isso ocorre, o mínimo anterior é testado.  E o efeito bate no preço do barril do petróleo, no preço das commodities, na cotação das moedas e, dependendo da gravidade da situação, no preço da onça do ouro. 

Outro evento que trava a economia mundial e faz o cenário convergir para uma recessão é a Trade War.   As negociações já vem desde o início da guerra, desde o primeiro momento em que Donald Trump impôs restrições aos produtos chineses.   

Foram muitas rodadas, muitas vezes comemoradas pelos resultados, mas tão logo havia otimismo em torno da pauta alcançada, Donald Trump anunciava novas sanções e a instabilidade retornava com muita intensidade.

Na última semana, mais uma vez, as negociações sinalizaram que a guerra poderia tomar um rumo distinto daquele que trouxe o comércio mundial a uma desaceleração concreta.  Nos termos acertados entre as partes naquela sexta-feira, as tarifas ficariam congeladas nos níveis do dia 15 do corrente mês. 

Daqui para a frente, a nova fase levará as relações comerciais entre norte-americanos e chineses até a reunião da APEC que será realizada no Chile, oportunidade em que a guerra poderia chegar ao fim.   Então haverá todo um rito em que a paz comercial será selada por Donald Trump e Xi Jinping 

O comportamento da economia norte-americana está entre aqueles conteúdos que tem importância vital na transição de uma desaceleração para uma recessão global.   

A maior economia do planeta prossegue com pleno emprego.  Em Zurique Jerome Powell (FED) afirmou que não trabalhava com a hipótese de uma recessão.  

A taxa de desemprego de 3,5%, a convergência entre estimativas de novas vagas e os números divulgados pelas autoridades e, finalmente, a possibilidade de novas taxas de juros estão a sinalizar a possibilidade, ou não, de uma eventual contração da atividade econômica nos Estados Unidos. 

Para não me prolongar em demasia nesse post, eu gostaria de enfatizar aos leitores do blog que me chama a atenção a frequência com que a pauta dos juros negativos tem estado na mídia especializada em economia. 

Na verdade, o problema que já está presente na economia europeia e na economia japonesa, e parece estar na volta da esquina para os executivos norte-americanos.

Eu percebo que os entrevistados na América procuram jogar o tema para além das fronteiras dos Estados Unidos. 

Quando extremamente pressionados pelo jornalistas, alguns executivos mostram-se contrariados em ter de responder alguma indagação específica sobre essa matéria.  Outros, preferem não responder ou argumentar que os juros negativos não chegarão aos Estados Unidos.    

De concreto, as autoridades americanas voltaram a enfatizar a expectativa de uma taxa de inflação em 2,0% ao ano.   Já se fala com frequência em deflação, em uma nova crise e em comparação com sinais conhecidos da recessão mundial de 2009.  

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Rua da Praia, Centro Histórico de Porto Alegre, outubro de 2019 

CENÁRIO ECONÔMICO, o que vem por aí, post 18, 19.10.2019, a recessão global está próxima?

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