Porto Alegre, 23 de outubro de 2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10,  graus 

Em meio à frustração de não ter confirmado o seu ingresso à OCDE, ao contrário do que aconteceu com a Argentina, o Brasil prossegue em sua convivência com a estagnação que sucedeu a recessão.  A luz no fim do túnel, a tão retomada do crescimento econômico, ainda não surgiu à vista do cidadão comum.

Não se pode dizer a mesma coisa, que não haja luz no fim do túnel, na versão do ministro Paulo Guedes e sua equipe.  

A partir do momento da aprovação da reforma previdenciária proposta pelo governo Bolsonaro e que previa uma economia de R$ 1,3 bilhão em 10 anos, mas que passou no Congresso a partir do empenho exclusivo dos membros do Poder Legislativo e da desidratação realizada a partir da Comissão da Câmara e que veio a resultar numa economia de R$ 800,3 bilhões em 10 anos, é inegável que o governo irá comemorar o feito.

O mérito do Senado ter aprovado o texto-base, pelo placar de 60 a 19 votos nessa terça feira, é, inequivocamente, uma grande vitória iniciada por Rodrigo Maia e concluída por Davi Alcolumbre, conforme eu escrevi no blog, em diversas oportunidades nos últimos meses.   

Entretanto é só verificar nos principais jornais de hoje e observar quem ocupou o papel de papagaio de pirata junto à presidência da mesa no grande momento em que foi anunciado o resultado do pleito da Nova Presidência.

É isso mesmo, Paulo Guedes e Flávio Bolsonaro estavam devidamente colocados atrás da mesa principal e complementaram as fotografias históricas da aprovação da Nova Previdência no Senado.   

É verdade que desde a terça-feira passada, dia 15 de outubro, o Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou a informação que nos próximos 10 anos a Nova Previdência exigirá R$ 5,1 trilhões, ou seja, tudo o que se obteve com a reforma previdenciária até aqui está muito aquém do necessário para equilibrar o que vem por aí.   

Eu creio que nos próximos dias o mercado vai absorver essa informação e precificar resultados.   Eu creio que nos próximos dias o governo vai absorver a informação e ter de justificar a diferença entre os valores aprovados no Senado de R$ 800,3 bilhões e os cálculos do TCU no total de R$ 5,1 trilhões.   

É um hiato de economia que não fechará nos próximos dez anos.   À essa altura eu penso que é melhor nem pensar nessa imperícia de gestão.  Fica difícil administrar um país em crise quando os números são tratados de forma inadequada.  Faço o registro e sigo adiante.

Abro um parêntese.

Nesses tempos de reforma trabalhista e, agora, de reforma previdenciária, eu lembro os meus tempos de aluno do professor Milton Monteiro, professor titular da Universidade Federal de Santa Maria, lá por 1967-68.   Ele era muito rigoroso nas provas alusivas aos conteúdos referentes à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).  Naquela época eu realizei um estágio de seis meses na Justiça do Trabalho, orientado pelo professor Ronaldo Lopes, juiz e também uma autoridade acadêmica na matéria.  Conteúdos densos em sala de aula e presença sistemática em audiências.  Foi um período de muito aprendizado!

Fecho o parêntese. 

….

Bem. independentemente de quem receber o mérito pela aprovação da reforma previdenciária, independentemente de qual o valor que será economizado no decênio a seguir, eu acredito que Bolsonaro e Paulo Guedes podem iniciar as suas gestões a partir do momento que for concluída a votação dos destaques nessa quarta-feira. 

Até agora houve muito discurso e pouca ação.   A partir de hoje quem sabe o governo foca no mercado de trabalho porque é impossível conviver com 25,3 milhões entre desempregados, subempregados e desalentados.   É preciso medidas urgentes para a retomada da economia porque o resto é o resto. 

O mal de tanta crises anteriores – a inflação – parece estar perdendo o fôlego.  Isso porque há desempregados aos milhões e os brasileiros nem tem como homologar aumentos de preços.  Houve até deflação em setembro.

Um fato positivo pró governo de Paulo Guedes é dado por uma nova informação da CONAB e que diz que o país comemorará uma excelente safra 2019-20 de 245,8 milhões de toneladas de grãos, ou seja, 1,6% a mais do que a safra anterior.   

Há um recorde de produção e de área plantada.   Destaque, entre outros produtos, para a soja que evidenciará um aumento de 4,7% em relação à safra passada e alcançará um patamar de 120,4 milhões de toneladas.

Eu não posso deixar de registrar a impressão positiva que me deixou a ministra Tereza Cristina da Costa Dias, 65 anos, desde a primeira entrevista dela que eu assisti. 

O seu currículo inclui a formação acadêmica como engenheira-agrônoma, a experiência como secretária de Desenvolvimento Agrário em seu estado de origem, o Mato Grosso do Sul, a experiência política como deputada federal, além da sua significativa vivência empresarial.

Ela mostra muita destreza na gestão da pasta no país e na representação dos interesses nacionais no Exterior.   Quem sabe ela devesse entrar mais em cena quando a pauta da mídia estiver voltada para o tema da Amazônia.    

O presidente viajou para a Ásia.  Eu creio que a sua ausência dará uma folga à gestão da Economia devido às suas manifestações intempestivas.   Nesses tempos em que a força tarefa de Curitiba pode seguir outro destino, é bom que tudo transcorra dentro de um processo de normalidade possível. 

Não esquecendo que hoje há votação no Supremo Tribunal Federal (STF).  Na pauta um tema muito importante, a prisão de condenados na segunda instância.  Um tema a menos para Bolsonaro se pronunciar por estar distante do país.

Bolsonaro chega hoje à China em busca de investimentos.  Na hora em que ele estiver acordado promovendo privatizações e concessões, o Brasil deve estar dormindo. 

Quando Brasília acordar, Bolsonaro estará repousando, distante de tudo e de todos.   Nessas condições, nada deve acontecer de mal entendido por aqui.  Quem sabe é a oportunidade para Guedes por em prática alguma medida relacionada à infraestrutura ou à indústria.

…    

Encerro aqui.  Hoje tem Grêmio no Maracanã.  Ontem eu assisti Boca versus River.  Para minha surpresa eu assisti 90 minutos de anti futebol.  Ao contrário do primeiro jogo em Nuñez, em que o RIver deu uma aula de prática esportiva, no segundo jogo da noite passada o Boca Juniors passou o jogo inteiro realizando chutes, lançamentos, para o gol adversário.   

Eu me decepcionei com o que deveria ter sido um espetáculo na Bombonera.   Em suma, deu a lógica e Marcelo Gallardo estará em mais uma final da Libertadores, dessa vez em Santiago do Chile.  Grêmio ou Flamengo será o adversário?  O meu palpite para essa noite é de um placar de 2 a 1.   Quem sabe, de um 3 a 2?  

..

FOTO ABAIXO: Rua da Praia à noite, Centro Histórico de Porto Alegre, outubro de 2019. 

BRASÍLIA, distante de todos, post 22, 23.10.2019, OCDE, aprovação da Nova Previdência, agronegócio, Teresa Cristina e Bolsonaro na China

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