Porto Alegre, 23 de outubro de 2019

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Nesses tempos de convivência com a ante sala de uma recessão global, eu tenho me mantido muito preocupado com o comportamento da economia do Cone Sul do Continente.  Argentina e Brasil vivenciam crises sem perspectiva de retomada do crescimento no curto prazo.   

Eu leio sobre o otimismo de alguns formadores de opinião com relação à chegada de investimentos à região tão logo algumas reformas apregoadas sejam aprovadas.  

Contudo, eu também leio sobre as vítimas dos confrontos no Chile, a falta de transferência das eleições bolivianas, a transferência do governo equatoriano de Quito para Guayaquil, o desaparecimento de lideranças populares na Colômbia, a permanência do bolivarianismo na Venezuela, o suicídio do ex-presidente do Peru, e as eleições uruguaias do fim de semana.     

E aí eu percebo que as dificuldades não são exclusivas do Cone Sul, mas de todo o Continente Sul Americano e Caribe.  Há instabilidade política e desempenho insuficiente na economia regional.  

Saio em busca de informações e verifico que a economia da América Latina e Caribe  cresceu, em média, 3,2% ao ano na década passada, no período 2001-10.   

Após a Grande Recessão Mundial de 2009, durante o quinquênio seguinte (2011-15) a economia regional entrou em processo de desaceleração, tendo o PIB crescido a taxas de 4,6% (2011), 2,9% (2012), 2,9% (2013), 1,3% (2014) e -0,6% (2015). 

Mais recentemente, entre 2016-18, o desempenho da América Latina foi extremamente tímido, evidenciando taxas de 1,2% (2016), 1,0% (2017) e 0,2% (2018). 

Para o corrente exercício, a versão desse mês do World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial do FMI, estima que o PIB crescerá 1,8% e, dentro do relativo otimismo que a Instituição está observando a economia à frente, ela estima que o PIB regional crescerá 2,7% ao ano. 

… 

Em termos de estabilidade econômica, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) vem registrando incrementos sucessivos desde o início da década na América Latina e Caribe.  De acordo com o Panorama Econômico do FMI, o IPC vem crescendo de 4,6% (2013), 4,9% (2014), 5,5% (2015), 5,6% (2016), 6,0% (2017) e 6,2% (2018). 

Para o corrente biênio, a estimativa da instituição é de que o IPC deve alcançar os patamares de 7,2% (2019) e 6,7% (2020)

… 

O continente conta uma das cinco comissões regionais da Organização das Nações Unidas (ONU), a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), criada em 1948, e que visa incentivar a cooperação econômica entre os países membros.   Hoje eu acessei ao site da CEPAL para constatar como os técnicos da instituição estão a perceber a conjuntura regional.   

Eu lembro de ter ficado atento aos investimentos chineses na Argentina depois de ter lido uma matéria em um jornal portenho.  Observando o que vinha acontecendo a mudança de orientação.

… 

Na semana passada, a CEPAL foi sede de um evento denominado o Segundo Fórum de Investimento e Cooperação de Alto Nível China-América Latina.  O encontro foi promovido pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina, do Ministério das Finanças da República Popular da China com a presença de Yu Weiping, Viceministro da pasta e da própria CEPAL.  Participaram do evento autoridades internacionais, regionais e representantes do setor público e privado. 

A ideia do evento consiste em construir uma plataforma que implique praticas melhores, identifique novas áreas de cooperação e colabore na elaboração de processos de formulação de políticas em âmbito regional.

Segundo a matéria divulgada no site, a China representava, em 2017, 11% das exportações e 18% das importações regionais, atrás, apenas dos Estados Unidos.  A ideia em torno do Fórum visava diversificar a pauta da corrente de comércio, elevar os investimentos, aumentar os financiamentos e contribuir com a atualização industrial na relação da China com a economia da America Latina e Caribe.

Em suma, a economia da região apresenta desempenho insuficiente, a estabilidade econômica se mantém devido a fragilidade das economias dos principais países membros e a aproximação com as autoridades do governo de Beijing, no formato de um Fórum Internacional, visa articular uma opção de desenvolvimento com apoio de investimentos externos chineses.

Bom dia, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Esquina Democrática, Centro Histórico de Porto Alegre, outubro de 2019

 

AMÉRICA LATINA, post 10, 23.10.2019, novo relacionamento da America Latina e Caribe com a China

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