Porto Alegre, 01 de novembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12h10,  23 graus, chove à tarde

O ano está chegando ao fim à medida que o calendário sinaliza o início do penúltimo mês do ano.  A economia mundial vai para uma recessão?  O tema é polêmico porque os mercados estão alcançando novos recordes, mas me impressiona a frequência com que os analistas falam em crise.

Hoje eu procuro utilizar a ideia de um programa de televisão que eu gosto de assistir, O MUNDO VISTO DE CIMA, e adaptar a ideia à minha percepção sobre o momento da economia global.   

… 

Olhando a economia mundial de cima, eu a vejo se deslocando de uma área onde o desempenho é estável, chegando à entrada de uma ponte que liga a outra área onde há muitas nuvens que impedem que se conclua com convicção como está o que há de vir.

Do lado de cá da ponte os mercados comemoram resultados; do lado de lá, o FMI descarta recessão.   Eu me encontro como que no alto, sobrevoando a ponte e um tanto desconfiado que as nuvens possam estar escondendo uma nova contração.  Há muitos analistas internacionais comungando desse ponto de vista. 

O FMI elaborou um diagnóstico em que identifica a presença de uma desaceleração global sincronizada.   Ela é explicada pelo avanço das barreiras comerciais e os conflitos geopolíticos.   A Trade War implicará redução do desempenho mundial em 0,8% no ano que vem.  Fatores estruturais – baixa produtividade e envelhecimento populacional – também contribuem para o cenário vigente da economia internacional. 

O FMI identifica também a deterioração da atividade da Indústria e do comércio global.  O incremento de barreiras e as incertezas sobre o futuro das relações comerciais derrubaram os investimentos e a demanda de bens de capital.   Paralelamente, a Instituição percebe que os Serviços prosseguem fortalecidos pelos níveis do emprego e dos salários nas economias avançadas.   

Na ponte, vista do alto, eu vejo também a reunião do FED de terça-feira e que termina ontem.  Eu estou ligado nos bancos centrais.  Da cosmovisão eu contemplo das alturas a conjuntura e as movimentações do FED e do Banco Central Europeu (BCE) por tudo o que representam. 

No BCE, Mario Draghi está cedendo o posto de presidente a Christine Lagarde (ex-FMI).  E deixou Quantitative Easing, ferramenta de afrouxamento monetário, em curso.  Eu não acredito que Lagarde irá realizar alteração brusca na política monetária de Draghi.

Um ponto novo que surgiu nessa minha percepção atual da conjuntura internacional diz respeito mais à Política do que à Economia, embora haja um impacto de uma sobre a outra, via credibilidade, via confiança, e tudo o que ela representa o futuro dos negócios. 

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No âmbito político, em cima da ponte eu vejo a fragilidade de Donald Trump.  Ela se torna mais intensa à medida que os dias passam.  A Câmara dos Representantes começou o movimento de enfrentamento ao presidente no processo de impeachment.  É uma fase muito inicial, ainda, todavia, tudo gera desgaste para quem buscará a reeleição em 2020.

Virão audiências públicas e tudo o que elas representam em termos de divulgação de novas informações.  Uma das últimas informações que vi divulgada foi sobre uma audiência realizada em Washington com Alexander Vindman, um militar, que teria ouvido a conversa entre os presidentes e relatado aos seus superiores.  

A Câmara dos Representantes tem maioria do Partido Democrata e o Senado tem maioria do Partido Republicano. Nesse momento a expectativa é que na Câmara o impeachment avance, todavia ele pode ser contido no Senado onde Donald Trump tem maioria,

Nessa semana foi realizada a abertura do processo de impeachment contra Donald Trump, tudo porque a Câmara de Representantes decidiu por 232 a 196 dar curso à iniciativa, conforme Nancy Pelosi vinha antecipando em seus pronunciamentos recentes. 

Agora, com a decisão implementada, há normas a serem observadas e um rito a ser seguido, assim como a defesa do Presidente tem ampla liberdade para se manifestar ao longo do processo.

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É isso aí.  Quando a gente olha a imagem das alturas, ganha-se em termos de amplitude, mas perde-se nos detalhes.  Tarefa proposta, tarefa cumprida. Volto a redigir um novo post até o fim do dia. 

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Galeria Chaves, Centro Histórico de Porto Alegre, outubro de 2019

 

 

CENÁRIO INTERNACIONAL, o que vem por aí, post 17 , 01.11.2019, o momento da conjuntura

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