Porto Alegre, 02 de novembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10,  23 graus, chove na capital 

A América Latina convive com uma fase de migrações que eu não lembro de algo semelhante em períodos recentes.  O que está acontecendo na Venezuela é inusitado.  Durante os meus tempos de professor de Cenários Econômicos nos anos 80-90 eu tratava aquela economia exclusivamente a partir do petróleo.  Havia razões de sobra para tanto.  Houve uma dobra numa esquina da história e tudo mudou.  Agora, são as emigrações que estão na pauta.

Hoje, pela manha, eu assisti um programa na televisão e tomei conhecimento de alguns números que estão acontecendo na Venezuela.    Na matéria divulgada pela TV Espanhola os números da migração venezuelana já estão no patamar de 4,5 milhões de pessoas e podem alcançar 6,0 milhões de pessoas em mais um ano.

Tendo em vista que a repercussão do fluxo de migrantes para o Brasil é amplamente conhecida, eu procuro focar nesse post como se dá o interface entre a Venezuela e a Colômbia.

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Os venezuelanos atravessam a fronteira com escassos recursos no bolsos e chegando no lado colombiano não conseguem empregoe partem para o artesanato e atividades afins.   E do pouco que ganham ainda precisam enviar parte dos recursos para a Venezuela porque parte da família, a mais fragilizada que inclui as crianças e os idosos, ficou para trás.

Segundo a matéria da TV Espanhola, há dez meses, a prefeitura de Bogotá criou um Centro Integral de Atendimento ao Imigrante (CIAM) que atende a todos os que atravessam a fronteira, mesmo sem satisfazer os pré-requisitos para ser classificado como migrante legal.   

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Atualmente, entram na Colômbia uma média de 1,6 mil emigrantes por dia, totalizando 1,45 milhão de pessoas até esse início de novembro.   Desse total, 350 mil pessoas migraram para a capital do País.   Considerando que Bogotá possuía uma população de 7,25 milhões de habitantes, segundo o censo de 2009, e que a região Metropolitana alcançava um total de 8, 49 milhões de habitantes, o leitor pode compreender a importância de contar com 350 mil migrantes em um período extremamente reduzido.

De parte da prefeitura de Bogotá eu ouvi uma autoridade local afirmar que na área da Educação ainda há vagas para matricular crianças venezuelanas, mas com relação à saúde as dificuldades são imensas e só será possível prestar algum atendimento aos migrantes se houver liberação de recursos por parte do governo nacional.

As imagens da televisão mostravam migrantes venezuelanos rumando à Bogotá do “jeito que dá”.   A pé, ou de através de locomoção em qualquer meio de transporte possível.   É uma verdadeira multidão que segue de um destino para outro em verdadeira fila indiana. 

A todas essas, o que ficou evidente na minha percepção que não há a menor possibilidade dos países vizinhos absorverem um grande contingente de migrantes como está acontecendo na Venezuela.  O tema já está sendo tratado pela comunidade internacional em foros específicos.

Eu tive a oportunidade de assistira a entrevista de Eduardo Stein, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), onde ele afirmou que a região não estava prepara para uma crise dessa natureza e para absorver o êxodo dos venezuelanos.  E, complementou, o pior é que a pressão não para de crescer. 

Nessas condições, concluiu o representante do ACNUR, se tudo permanecer como está e a pressão prosseguir haverá um processo inevitável de ruptura.  No começo, em 2015, os países vizinhos eram solidários, mas com o avanço da crise, não há orçamentos que suportem as chegadas de novos migrantes.

Hoje já há mal estar na região, há falta de recursos e os venezuelanos que emigraram não mostram o menor sinal que desejem retornar ao país de origem.   Ou se cria uma solução política estável interna na Venezuela ou o processo levará a uma ruptura iminente. 

É isso aí, boa noite leitor do blog! 

FOTO ABAIXO: Feira do Livro de Porto Alegre, novembro de 2019

VENEZUELA em crise, post 07, 02.11.2019, migrações para a Colômbia

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