Porto Alegre, 04 de novembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12h10, 20 graus, chove todo o dia

Os posts que eu escrevo sobre os países europeus eu os reúno título da Comissão Europeia.  Se o assunto disser respeito à política eu utilizo o subtítulo Parlamento e, se o assunto for do âmbito da economia eu recorro ao subtítulo Comissão.  Isso não impede que os dois subtítulos incluam também as matérias do bloco, da União Europeia.  Daí eu tratar a economia alemã no post dessa segunda-feira dentro da Comissão Europeia, Comissão.

Há algum tempo eu venho escrevendo sobre a maior economia da Zona do Euro e, mais especificamente, sobre a recessão atual.   Hoje eu pretendo fazer um apanhado da conjuntura alemã nesse fim de 2019.

Durante a década passada (2001-10), a economia da Alemanha cresceu, em média, 0,9% ao ano.  É importante lembrar que o bloco da União Europeia, como um todo, enfrentou a Grande Recessão de 2009.  Esse fato inclui todo o processão de desaceleração que antecedeu a recessão.

… 

Os indicadores econômicos que eu mostro a seguir tem como fonte o World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial, do Fundo Monetário Internacional (FMI), em sua última versão, publicada em outubro de 2019. 

No início da década atual, durante o primeiro triênio, a economia cresceu 3,4% (2011) porque vinha de uma recessão, e depois desacelerou com taxas de crescimento de 0,4% (2012) e 0,4% (2013).  Superada a fase, a economia alemã registrou incrementos de 2,2% (2014), 1,7% (2015) 2,2% (2016) e 2,5% (2016).  A partir de então, a economia se deparou com novo processo de desaceleração evidenciando taxas de 1,5% (2017), 0,5% (2018), 1,2% (2019).

…  

Em termos de estabilidade econômica, a economia alemã conviveu com um Índice de Preços ao Consumidor (IPC), em média, de 1,6% ao ano ao longo da década passada (2001-10).   Na década atual, à medida que a economia desacelerou, o IPC também desacelerou registrando taxas de 2,5%(2011), 2,2% (2012), 1,6% (2013), 0,8% (2014), 0,7% (2015) e 0,4% (2016).  Mais recentemente, o IPC subiu para um novo patamar e alcançou níveis de 1,7% (2017), 1,9% (2018) e 1,5% (2019).

Na versão do FMI, que apresentou como diagnóstico da situação atual a presença de um processo de desaceleração sincronizada global, em 2020 o PIB da Alemanha deve crescer 1,2% e o IPC deve alcançar o patamar de 1,7%.   

Paralelamente, o presidente do Banco Central da Alemanha vem trabalhando com taxas de crescimento do PIB ainda menores que as estimativas do FMI.  De acordo com uma matéria que eu li no site da BBC, Peter Altmaier, presidente do BACEN, reduziu a sua expectativa de desempenho da economia alemã, de 1,0% para 0,5% ao ano.

A propósito em lembro de ter escrito um post sobre uma entrevista que eu gravei de Jerome Powell (FED) quando ele se encontrava em Zurique.  Naquela oportunidade, Powell afirmou para um público de 500 empresários que ele não via uma recessão no cenário econômico e que não trabalhava com tal hipótese.

No fim de 2017 e início de 2018, Angela Merkel precisou recorrer a uma grande coalizão para administrar a Alemanha.  Os dois grandes partidos, a União Democrata Cristã (CDU) da chanceler e o Partido Social Democrata (SPD), principal agremiação da oposição, formaram a Grande Coalizão. 

O relacionamento entre Angela Merkel e Donald Trump apresentou alguns ruídos nesse último biênio.  Houve aquele episódio em que Trump deu as costas à chanceler e a deixou com a mão estendida sem cumprimentá-la.   

Nos encontros com lideranças europeias e inclusive na OTAN, Trump sempre manifestou o seu descontentamento com o fato dos EUA bancarem a segurança europeia.   Trump também apoiou à primeira ministra anterior, Theresa May, e enfatizou a necessidade do Reino Unido deixar a União Europeias. 

E, assim, Merkel sentiu, diretamente, o fim da grande parceria existente entre europeus e norte-americanos.  Mais recentemente, a não mais que dois meses, Trump iniciou uma guerra comercial contra o Velho Continente.

Em termos de expectativas, eu li no El Economista que o Índice de Confiança Empresarial, o IFO, Business Climate Germany, referente ao mês de outubro, manteve-se estabilizado em 94,6 pontos, um patamar próximo àquele alcançado em seus níveis mínimos vigentes em 2012. 

E tomei conhecimento, também, que em outubro pela quinta vez consecutiva, o número de desempregados cresceu em 6 mil pessoas, totalizando um contingente de 2,28 milhões de trabalhadores parados.  Perda de empregos no setor privado e na Indústria. 

Hoje, eu li que o Índice de Atividade dos Gerentes de Compras (PMI) Industrial alcançou o patamar de 42,1 pontos.   O que está em discussão na Alemanha é se a atividade industrial tocou no fundo do poço ou se o processo ainda poderá piorar nos próximos meses.  São treze meses de queda nos pedidos de compras da indústria local. 

Em suma, Angela Merkel, 65 anos, está bastante desgastada.  O tema da recessão é recorrente no país.  A indústria local é fortemente exportadora e ela precisou conviver com uma mudança no cenário econômico à medida que começou a guerra comercial entre as duas potencias mundiais, os Estados Unidos e a China. 

E, mais, recentemente, começou uma segunda Trade War, dessa vez entre EUA e a União Europeia.  Se a desaceleração alemã se acentuar eu imagino o impacto que refletirá na Zona Euro.  Isso porque a Alemanha sempre foi considerada a locomotiva da economia européia. Tranca aqui, emperra lá.

O quadro da conjuntura econômica da Alemanha tende a se agravar?  A desaceleração sincronizada, diagnosticada pelo FMI, poderá se consolidar?   Ou a recessão deve se confirmar?

Volto ao assunto em breve.  Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Feira do Livro de Porto Alegre, novembro de 2019 

 

UNIÃO EUROPEIA, Comissão, post 38, 04.110.2019, o mau desempenho da Economia da Alemanha

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *