Porto Alegre, 05 de novembro de 2019

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O presidente da Petrobrás, Roberto Castello Branco, concedeu uma entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, em sua edição da segunda-feira passada, 28.10.2019, página C2, cuja manchete foi “Barril de petróleo a US$ 100 ficou no passado”.  No subtítulo o jornal publicou que “Para presidente da Petrobrás, empresa tem que se preparar para viver com barril a US$ 50.”

Face à  entrevista de Roberto Castello Branco que afirmou que a Petrobrás está se preparando para conviver com a cotação do barril a US$ 50 e namorando um patamar de US$ 60, fui ao New York Times para verificar como estão os preços no presente momento.

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Realizada a consulta ao site do New York Times eu verifico que o preço do petróleo do tipo West Texas Intermediate (WTI), negociado na Bolsa de Nova York, está cotado em US$ 56,94 para entrega em 19.12.2019 e a cotação do barril do tipo Brent, extraído no Mar do Norte e comercializado na Bolsa de Londres, está em US$ 62,70 para entrega em 10.01.2020.  

O Light Sweet Crude cotado em Nova York registrou aumento de 2,76% nos últimos 5 dias, elevação de 7,66% nos últimos 30 dias e, finalmente, uma queda de 9,03% nos últimos doze meses. Esses são os números nessa manhã de terça-feira ao final de uma pesquisa realizada na edição de hoje do New York Times. 

As cotações atuais são consistentes com a perspectiva de uma queda no ritmo de crescimento global.    De acordo com a última edição do World Economic Outlook (WEO), o Panorama Econômico Mundial publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia mundial convive com um processo de desaceleração sincronizada.  Outros analistas tem enfatizado que a economia global pode estar próxima a uma recessão global.

A última Grande Recessão Global aconteceu em 2009 e eu tenho escrito que assisti, via televisão, a palestra de Jerome Powell, chairman do FED em Zurique, ocasião em que ele afirmou que não vê uma recessão à frente e não trabalha com essa hipótese. 

É com esse pano de fundo que Castello Branco declarou que o preço do barril a US$ 100 é coisa do passado.  Paralelamente, é importante justificar o aumento dos preços recentes registrados nos parágrafos anteriores.   Ocorre que houve ataque terroristas ao maior campo de petróleo da Arábia Saudita, conforme posts publicados anteriormente aqui no blog, e que produziu a reação dos preços. 

Bem, a par dos movimentos recentes dos preços internacionais do petróleo, é preciso migrar para o cenário nacional e registrar que amanhã, quarta-feira, dia 06 de novembro, será realizado o tão esperado megaleilão do pré-sal – referente aos campos de Atapu, Búzios, Itaipu e Sépia – tudo porque ele representa uma cessão onerosa que implica repercussão nas finanças da esfera pública nacional.

A importância do leilão previsto de um valor de R$ 106,5 bilhões está associada à forma como irrigará os cofres públicos.  A Petrobrás ficará com R$ 33,6 bilhões por todo o investimento realizado ao longo dos anos e que permitiu a viabilização do pré-sal como uma realidade concreta.

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O complemento dos recursos originados no leilão, no total de R$ 72,9 milhões, será dividido entre a União, os Estados e os Municípios de acordo com decisão originada no Congresso Nacional. 

A partilha dos recursos destinará R$ 48,8 bilhões para a União, R$ 10,95 bilhões para Estados e o Distrito Federal, R$ 10,95 bilhões  para os municípios e o Estado do Rio de Janeiro, de onde a commodity é extraída ficará R$ 2,9 bilhões. 

Na entrevista de Castello Branco, os recursos citados irão “ajudar a tapar o buraco das contas públicas”.   Indagado sobre a possibilidade da estatal receber alguma indenização devido à diferença da cotação do barril que se encontrava no patamar de US$ 120 em 2010, o presidente afirmou que são três as variáveis relevantes no leilão, quais sejam, o bônus de subscrição que é fixo, a fatia do óleo oferecido ao governo pelas empresas participantes e o ressarcimento à Petrobrás.  

Para encerrar, sob a perspectiva da Petrobrás, eu creio que o megaleilão está devidamente detalhado, seja no montante a receber, seja no destino que será dado aos recursos, porque eles viabilizarão novos investimentos da empresa.   

Já do lado da esfera pública os recursos partilhados serão de extrema importância “para tapar o buraco das contas públicas”.  Entretanto, o diagnóstico do que vai acontecer com a economia brasileira no pós-leilão – como será o impacto nas finanças nas diversas esferas de governo – que eu imagino que precisa ser devidamente explicado pelas autoridades da pasta da Economia.   

É o que tenho para analisar no momento.  Volto ao assunto até o próximo fim de semana. 

Boa tarde, leitor do blog!

FOTO ABAIXO: Rua Marechal Floriano, nas imediações do Largo Glenio Peres, Centro Histórico de Porto Alegre, novembro de 2019

ECONOMIA DO PETRÓLEO, comportamento recente, post 57, 05.11.2019, o megaleilão do pré-sal

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