Porto Alegre, Porto Alegre, 02 de dezembro de 2019

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 18h10, 19 graus

Conforme informei ao leitor em posts anteriores, eu reúno os conteúdos referentes aos países do Velho Continente dentro de um titulo geral UNIÃO EUROPEIA, e o subdivido em Parlamento e Comissão se o assunto estiver relacionado à Politica ou à Economia.

…  

Uma segunda informação que me parece pertinente repassar ao leitor do blog é que eu escrevo sobre países em que vivi, visitei ou decidi acompanhar as suas conjunturas a partir da importância dos mesmos no cenário internacional.  Essas decisões foram tomadas há quatro décadas e, desde então, venho acompanhando o que me parece pertinente à luz de fatos anteriores. 

A opção por acompanhar a conjuntura espanhola vem desde a noite em que eu entrei na Comunidade Autônoma de Castilla y Leon via Salamanca.    Eu estudava em Portugal e viajei pela Europa.    Eu queria mais Europa e menos Espanha.  Natural da fronteira com o Uruguai eu confesso que não tinha a menor expectativa ao passar pelo território espanhol. 

A minha visão deu uma volta de cento e oitenta graus quando, à meia noite eu acessei a Plaza Mayor da cidade.  Era inverno de 1969.   Parei o carro junto à margem, e fui tomado de um estado de felicidade indescritível.   Era um quarteirão inteiro, amplo, cercado de uma construção em estilo barroco espanhol, totalmente iluminado. 

Era como se fosse uma cidade dourada.   Não havia uma viva alma na rua porque era madrugada e no dia seguinte era feriado na Espanha.    Na manhã seguinte visitei uma cidade fundada no século XII.  Um centro urbano notável que respirava História por todos os seus poros.  

Mais um dia na Espanha e eu visitei a cidade de Tordesilhas na província de Valladolid.  Estive na casa da Reina Joana de Castela, a reina Joana, la loca, e fiz valer os meus estudos de piano para tocar música no cravo, o instrumento da rainha que permanecia até aquela época na residência que eu visitava.   

Fui, também, à casa onde cartógrafos espanhóis e portugueses assinaram o acordo de Tordesilhas.   Bati fotografias e segui viagem.  Eu havia começado a absorver um pouco do país que eu iria percorrer com outros olhos a partir daqueles dias na região de Castilla y Leon

Enfim, eu visitei muitas outras cidades espanholas, conheci muitos locais maravilhosos, aprendi muito sobre história e cultura nessa viagem inesquecível que fiz pela terra de Cervantes. 

Migro da história para a política, e registro que eu optei por acompanhar o cenário espanhol há muitos anos, mais de trinta, certamente.   Quem trabalha com o volume de informações que eu lido diariamente, a utilização de vídeos me ajuda a fixar as imagens das lideranças políticas e gravar os principais acontecimentos correntes nas economias nacionais.  

O fato de gravar oito horas diárias de imagens faz com que durante uma gestão de governo eu consiga assimilar o que pensa o ministro da economia da Espanha da mesma forma como eu procedo com relação à autoridade equivalente do Brasil.   O mesmo acontece com relação aos primeiros ministros e presidentes de países tão distantes um dos outros.

Dentro desse processo eu acompanhei o trabalho de Mariano Rajoy, o presidente do governo espanhol até recentemente.   Hoje, quando eu gravava um programa de lá, eu tomei conhecimento que ele havia publicado um livro e que estava obtendo uma boa divulgação junto à mídia. 

A obra de Mariano Rajoy leva o título Una España mejor e é publicado pela Editora Plaza y Janés.   Trata-se de uma análise da sua gestão da política espanhola. 

É uma espécie de uma segunda biografia de Mariano Rajoy.  Ele disse recentemente que escreveu o livro para evitar que outros contassem o que ele passou em Mancloa.  Ela trata, entre outros temas, da abdicação do rei Juan Carlos ao trono espanhol, a crise financeira, a corrupção, o calcanhar de Aquiles do Partido Popular, e a crise da Catalunha.

Mariano Rajoy recebeu uma moção de censura após seis anos de governo do Partido Popular.  Mesmo com 84 cadeiras no Parlamento, os socialistas do Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE) conseguiram reunir o número suficiente para aprovar (180 votos a favor e 169 votos contra) a moção de censura que o retirou do cargo e levou Pedro Sánchez a assumir a presidência do Governo. 

…   

Tudo aconteceu a partir da elucidação do caso Bárcenas.   No meu blog eu escrevi diversos posts falando sobre Luis Bárcenas, ex-tesoureiro do Partido Popular (PP), que era o responsável pelo “mensalão espanhol”.  Mariano Rajoy foi ministro de José Aznar, ex-presidente do governo espanhol, e durante todo esse período houve corrupção e, posteriormente, foi divulgada a informação que Bárcenas mantinha contas vultuosas na Suíça.

O caso Bárcenas tomou uma dimensão maior quando um jornal de Madri publicou matéria que comprometia o ex-tesoureiro e autoridades do PP.   Daí a moção de censura e o afastamento de Mariano Rajoy do Palácio de Mancloa.

Então, como escrevi antes, o livro divulgado hoje é uma segunda biografia de Rajoy em que ele conta a sua passagem pelo governo e descreve o episódio Bárcenas de dentro do processo descoberto entre os políticos Populares.   

Eu creio que é uma fonte que não pode ser desprezada por todos os que estudam a política espanhola.  Desde hoje, o livro de Rajoy estará disponível nas livrarias do Velho Continente.

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Rua da Praia, Centro Histórico de Porto Alegre, outubro de 2019

 

UNIÃO EUROPEIA, Parlamento, post 40, 02.12.2019, memórias de Mariano Rajoy

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *