Porto Alegre, 14 de janeiro de 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06h10, 20 graus, terça-feira sem chuva

Passaram as festas do fim do ano.  É hora de cair na realidade.  A economia segue rumo ao sexto ano pedindo passagem.  E nada de crescimento.  O sexto ano, nessa sequência, eu já chamo o fato de apagão de gestão.  

Nesse contexto o IPCA fechou 2019 em 3,75%.  O leitor lembra das exportações de carne para a China e os preços elevadíssimos nas prateleiras dos supermercados do Brasil?

Promessas e mais promessas de retomada da economia no inicio do ano, nunca confirmadas no fim do exercício.  Ameaças, muitas; consolidação, nem pensar.  Aparentemente, as previsões “insistem” em dar erradas.   É  lamentável que assim seja.  

Acesso ao boletim Focus e leio que os executivos dos intermediários financeiros estão, outra vez, a prever taxas de crescimento de 2,3% para o PIB de 2020.  Avançou de 2,25%, no mês passado, para 2,30% na última sexta-feira.  Tudo de novo?.

Não.  Provavelmente, não.  A palavra da vez é que  “dessa vez” poderão avançar os investimentos e do consumo das família.    E se as reformas ficarem em standby e não houver fatos novos a registrar?   Tudo como dantes?

Eu lembro do quanto mudou o ambiente quando os deputados Samuel Moreira e Rodrigo Maia colocaram o projeto da reforma previdenciária em baixo do braço e a deixaram em condições de ir para o Senado.  E, lá chegando, Tasso Jereissati procedeu da mesma forma e a Nova Previdência foi, finalmente, aprovada.

Daria para repetir o sript daquela ocasião?   Provavelmente, não, porque o roteiro anterior parece ter sido interrompido. 

Guedes deve ter esquecido que o capital político de Bolsonaro está se esvaindo.   No Datafolha, a avaliação de ruim ou péssima do Presidente (36%) já evidencia que ela está, ali ali, com a dos ministros do STF (39%).  O presidente vai, recém, para o mês 13 do seu governo.    O próprio Guedes se desgasta ao tratar de temas que não lhe competem, como lembrar do AI 5, a beleza da esposa do presidente francês, ou ainda, a pauta surreal do tigrão versus tchutchuca.  

Guedes não conseguiu desindexar o salário mínimo, a reforma tributária ainda é uma incógnita, o ministro não conseguiu desindexar os benefícios da Nova Previdência, a infraestrutura está a passos de cágado, o Investimento não poderá crescer sem saber como será a tributação, o desemprego não evidencia sinais de queda, o ministro voltou a falar em imposto sobre pagamentos depois da saída de Marcos Cintra, a Argentina abandonou a intensidade da parceria anterior, os investidores externos que haviam retirado recursos da bolsa em 2018, por causa da crise dos caminhoneiros, voltaram a repetir a dose e retiraram  mais de R$ 44 bilhões em 2019, as projeções da desaceleração global são motivo de muita polêmica, e, ainda, o ministro disse que não há dificuldade de conviver com câmbio valorizado.

Ora, há problemas que não acabam mais.   E as reformas – quais e para quando – vão mudar a cara do país?  Ou muda o diagnóstico, ou muda o diagnóstico…  É possível apostar todo o final de mês que a economia está mudando lentamente?

E tudo acontece com Investimentos Externos Diretos (IED) da ordem de US$ 60 bilhões.  Todo esse dinheiro é um excelente sinal e as autoridades deveriam encaixá-lo em uma programação que sinalizasse a retomada. 

E tudo acontece com queda da Taxa Selic.  Ao invés de divulgar que a participação da dívida no PIB pode estabilizar, o que se vê nos jornais é a divulgação de novos aumentos nas taxas de juros na ponta do consumidor.

É bem verdade que houve a fixação da taxa de juros do cheque especial da Caixa Econômica Federal no patamar de 8,0% ao mês.  Quem se sensibilizará no Exterior porque o Brasil reduziu a taxa mensal do cheque especial nos intermediários financeiros de 12,0% para 8,0% AO MÊS.   É isso mesmo, AO MÊS.

Na percepção dos executivos, consultados pelo Boletim FOCUS, o IPCA fechará o ano de 2020 em 3,25% e a taxa de câmbio em R$ 4,09, tudo em uma conjuntura econômica com uma meta inflacionária de 4,5% ao ano.     

Repito o que eu escrevi no início do post.  Passaram as festas do fim do ano.  É hora de cair na realidade.  A economia segue rumo ao sexto ano pedindo passagem.  E nada de crescimento.  O sexto ano, nessa sequência, eu já chamo o fato de apagão de gestão.  É fundamental que alguém acenda a luz da administração para encerrar, de vez, o tal apagão de gestão.

Faço uma pausa para o chimarrão.  Afinal, gaúcho que se preza não abre mão do mate.  Até amanhã volto a pauta desse inicio de terça-feira.  Não há nuvens sobre o Centro Histórico.  Tomara que o calor de uma folga por aqui. 

Bom dia leitor do blog!

FOTO ABAIXO:como fazer uma loja virtual Igreja Nossa Senhora das Dores, inaugurada em 02.02.1807, a mais antiga de Porto Alegre

 

 

BRASÍLIA, distante de tudo, post 25, 14.01.2020, no sexto ano da crise há um apagão de gestão?

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