Porto Alegre, 15 de janeiro de 2020

Horário oficial do beco da Rua General João Manoel, 06h10, 31 graus, vai chover à tarde

A Argentina convive com uma recessão desde o terceiro trimestre de 2018.  A taxa de inflação acumulada em doze meses é superior a 50 % ao ano desde fevereiro de 2019.  

As reservas internacionais da Argentina vivenciam a sua via crúcis.  Encontravam-se no patamar de US$ 61,2 bilhões (julho 19), recuaram para US$ 47,8 bilhões (agosto 19), US$ 42,4 bilhões (setembro 19) e alcançaram o seu menor nível de US$ 36,9 bilhões (outubro) no mês da realização das eleições presidenciais (27.10.2019).

Em novembro, as reservas argentinas se mantiveram na casa dos US$ 37,9 bilhões, um nível baixo para um pais que está com um programa de apoio do FMI na ordem de US$ 57 bilhões, acordado entre o governo do ex-presidente Maurício Macri e o Fundo e cujos compromissos estavam difíceis de serem honrados.

Alberto Fernández assumiu prometendo manter o programa de apoio fechado em Washington, mas para tanto seria preciso que a economia voltasse a crescer.  Para tanto adiou, unilateralmente, o pagamento de um total de US$ 9 bilhões em títulos do tesouro para o final de agosto.   É uma porta de entrada para o calote, para o default. 

Essa negociação com o Fundo é crucial para o novo governo instalado na Casa Rosada porque ela permitirá que as finanças públicas migrem de um déficit de 0,7% do PIB (2019) para um superávit de 0,6% do PIB (2020).

Eu venho observando que o FMI vem elogiando as iniciativas do governo Fernández, mas, ao mesmo tempo, vem afirmando à comunidade econômica internacional que o governo argentino ainda não procurou a Instituição para iniciar qualquer negociação em torno do empréstimo de standby.  Nesse ínterim o default, na classificação restringido, já está a atormentar as autoridades da Casa Rosada. 

Eu pensei que com toda a experiência argentina em torno de default, Fernández fosse evitar o pior.   Como não pegou a mala e levou o ministro da Economia para negociar em Washigton, o Presidente parece ter preferido focar no plano interno e priorizar a polarização.   A estratégia parece estar em pleno curso.  É lamentável que o erro se repita. 

É isso aí.  A chuva está chegando, as férias de Boas Festas ficaram para trás, o futebol voltou à telinha, a dupla GRENAL estão encaminhando muito bem as suas formações para 2020 e eu vou iniciando a minha caminhada para os ’76 sem que o Brasil volte a crescer.   Está difícil.  É só uma questão de mudar de diagnóstico. 

Torço para que alguém coordene melhor a articulação do atual ministério e substitua discursos imprecisos, nesse sexto ano consecutivo de crise, por ações concretas que levem à retomada da economia, caso contrário vou ter que me resignar a mais um exercício com o apagão de gestão!

Boa tarde, leitor do blog!       

FOTO ABAIXO: Interior da Igreja de Nossa Senhora das Dores, a mais antiga de Porto Alegre, inaugurada em 1807

ARGENTINA, instabilidade sempre, post 18, 15.01.2020, a Casa Rosada e o FMI

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