Porto Alegre, 25 de março de 2020

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Surpresa!  Bolsonaro voltou a ser Bolsonaro.  Desdisse o que disse e voltou ao que tinha dito.  Os brasileiros pensaram ter escolhido um estadista, mas conduziram um atleta ao Planalto.

Está difícil de entender o que o presidente pensa.   Colocou um Posto Ipiranga na Pasta da Economia, e não teve nenhum e nem outro.  A equipe lançou um pacote de medidas para fazer frente à crise.  

Eu imaginava que em algum momento a pasta da Fazenda assumiria o papel que lhe cabia e apresentasse um conjunto de medidas para enfrentar a crise.  Nos últimos 50 anos, frente à cada crise surgia um titular da Economia e expunha um rol de medidas com diagnóstico e estratégia de ação, mas, dessa vez, não havia nada até então.

Quando eu acompanhei os rapazes apresentando a solução junto a Paulo Guedes eu quase nem acreditei. O ministro fez uma apresentação errática, a certa altura levantou e disse que tinha que ir para uma reunião ministerial e que estava deixando os assessores para responder dúvidas.

Levantou-se, no meio da surpresa geral, deu três passos em direção à saída do local do evento, parou, e em momento de rara lucidez, falou em voz alta que talvez fosse melhor ficar.

Ninguém entendeu nada do que estava acontecendo.  A seguir, os assessores apresentaram as suas posições, sem qualquer coordenação, e veio a pá de cal, os contratos de trabalho estavam suspensos e etc…

Eu continuei sem crer no que via.  A propósito, no dia em que tudo aconteceu eu redigi um post a respeito do que eu estava assistindo, surpreso, na tela da televisão.

Bem, ao fim e ao cabo, eu acredito que ao revogar a decisão sobre os contratos de trabalho o Presidente percebeu que havia assinado um documento que pode não ter lido, o Ministro da Fazenda disse que aquela não era a intenção e o rapaz que apresentou o parágrafo da MP tentou justificar que o Brasil não tinha entendido, ou tinha entendido de forma incorreta, o que ele havia redigido.

No fundo, eu acredito que o rapaz não percebeu que ele estava mexendo com a Historia do Brasil, de Getúlio aos governos militares e de tudo o que aconteceu posteriormente.  No país, há uma tradição em relação ao mercado de trabalho que jamais pode ser ignorada.  E foi o que aconteceu.

Ontem, então, o presidente minimizou tudo o que a comunidade internacional vem diagnosticando e propondo como solução para a crise.  Agora, o caminho que me parece óbvio é repetir o que aconteceu com a reforma da previdência.

Na ocasião, o ministério da Fazenda enviou ao Congresso uma proposta quilométrica sem qualquer perspectiva de aprovação.  Para minha surpresa, o Legislativo, bastante rejuvenescido, apanhou o texto, desidratou-o e o aprovou, como foi possível, creio eu. 

Eu acredito que as medidas propostas por Paulo Guedes, que eu não o vejo na televisão a alguns dias, será assimilada por quem for relator da matéria e a “pedra de Jean-François Champollion” será decifrada, colocada em pé, e formalizada de forma acessível, com início, meio e fim por parte do Congresso.

Eu creio que a posição errática do presidente na tarde passada vai se manter em oportunidades à frente.  À essa altura não me parece que haja o que fazer. 

Agora, no meio de tamanha incerteza, é indispensável que surja uma luz no Ministério da Fazenda e os brasileiros saibam para onde estão sendo conduzidos.  Do que está aí, eu acredito que os ministros da Saúde, da Agricultura e da Infraestrutura, em particular, estão fazendo um bom trabalho em meio a uma crise sem precedentes.  

 

Independentemente, do sexto ano consecutivo de crise e de milhões de desempregados à margem, é preciso fixar um marco zero, acompanhar as decisões do G 20 dessa semana e seguir as orientações das lideranças globais para as próximas semanas e meses.   

Não há como errar se o Brasil acompanhar os 19 demais parceiros.  E mais, se há um lugar onde buscar liquidez, certamente, que é junto ao G 20.  Capacidade de negociação?  No passado, o país já demonstrou que possui.  Tudo é uma questão de apostar na pessoa certa.  

É fundamental lembrar que a comunidade internacional sabe que o Brasil tem alimentos, petróleo, recursos naturais inesgotáveis, educação de qualidade, oportunidade ilimitada de investimentos, tradição política, influência regional e uma população cordata.   Um parceiro para ninguém colocar defeito!

Eu vou escrever um post sobre essa reunião do G 20 ainda essa semana.

Bom dia leitor do blog!   meuip.co

FOTO ABAIXO: Avenida Borges de Medeiros, Porto Alegre, imagens dos meus arquivos, dezembro de 2014.

 

BRASILIA, distante de todos, post 29, 25.03.2020, um discurso errático e os seus desdobramentos

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