Porto Alegre, 25 de março de 2020

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A economia mundial estava em desaceleração antes da crise do coronavírus e já havia toda uma discussão em torno de como proceder frente àquela conjuntura vigente. 

O mundo discutia a configuração de um modelo de desenvolvimento sustentável.  Turbulências sociais ocorriam em Hong Kong, no Irã, no Chile, na França, na Espanha e na Rússia.   Os governos recorriam a estímulos para frear a trajetória do desempenho insuficiente recente. 

Os norte-americanos estavam focados na possibilidade de iniciar o processo de impeachment de Trump.   A China presenciava um avanço dos preços ao consumidor e um recuo nas projeções de crescimento econômico. 

A Trade War, de forte impacto no cenário econômico do exercício passado, em meados de janeiro perdeu o ímpeto com a assinatura do acordo em que os americanos reduziram à metade as tarifas de produtos importados da China, ao mesmo tempo em que os chineses se comprometeram em importar produtos agrícolas (US$ 40 bilhões), produtos industrializados (US$ 77 bilhões), energia (US$ 52 bilhões) e serviços (US$ 37 bilhões).    

Paralelamente, o Fórum de Davos reunia a comunidade internacional para debater uma reforma global visando a configuração de um novo capitalismo.   Tudo porque o sistema atual é extremamente concentrador.  Nessa migração de um para outro sistema ficou evidente a necessidade de convergir ações para a preservação ambiental.

O mercado do petróleo já vinha convivendo com um horizontes de economia mundial em desaceleração.  Eu acesso aos dados da cotação do barril do petróleo do tipo Light Sweet Crude e percebo que no momento em que estou redigindo esse post  a cotação do barril está em US$ 24,31 na New York Mercantile Exchange, com uma variação de US$ 58,86% nos últimos 12 meses.   

O ano chegou ao fim e houve a comunicação das autoridades chinesas, isso em 31 de dezembro de 2019, sobre a eclosão do episódio em Wuhan e esse fato precipitou a mudança de cenário de forma abrupta. 

Não mais uma desaceleração global, mas a iminência de uma recessão acompanhada de uma estratégia de isolamento da população.

Com o passar das semanas, o epicentro da crise migrou da China para a Itália, daí para a Espanha e, finalmente, chegou a Nova York, de onde pode seguir para o sul e para demais estados da maior economia do planeta.  Essa migração do epicentro da crise foi acompanhada de a necessidade de preparar-se para uma possível crise de crédito. 

Sem perda de tempo, no dia 22.03, segunda-feira, as autoridades monetárias internacionais passaram a convergir esforços para produzir ações que minimizem os desequilíbrios e potencializem as medidas de política econômica.   

Essa iniciativa, que ocorreu no início dessa semana, foi uma medida extremamente importante porque ela deve estar focada em suprir a economia de liquidez.    Eu fiz um post sobre essa ação ao longo dos últimos dias. 

O que me parece evidente é que, embora necessária, a política monetária é insuficiente para o enfrentamento do coronavírus. 

…  

Eu creio que é fundamental, também,  identificar medidas de política fiscal para potencializar as medidas concebidas pelos governos nesse momento de tantas adversidades em todos os continentes.   

…  

E assim, eu acredito que o  próximo passo dentro dessa, que eu identifico como uma estratégia global de enfrentamento da crise, é a reunião do Grupo das Vintes Maiores Economias (G 20) agendada para a próxima sexta-feira, dia 27.03.

Na oportunidade, será preciso estabelecer diretrizes de procedimento que incluirão uma estratégia para enfrentamento de uma dívida global que é recorde e que já representa 322% do Produto Global.

O quadro é complexo.  O dólar e a bolsa mostram, diariamente, o tamanho das perdas. A moeda verde avança e os países emergentes se tornam ainda mais debilitados.  A bolsa cai e os investidores convivem com o pânico.   

Em suma, está difícil para todos.  A antecipação da conjuntura para o dia depois da crise do coronavírus exigirá a presença de profissionais qualificados e técnicas sofisticadas.  Por enquanto, surfa-se na incerteza. 

…     

Agora, depois de todo o dia ouvindo a polêmica em torno da proposta do isolamento vertical do Planalto, eu me desloco, virtualmente, para a Ásia, onde o dia vai começar nas próximas horas.

Paro por aqui. Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:  Mercado Público de Porto Alegre atingindo por um incêndio em 2013, imagens do meus arquivos, 2014.

 

CENÁRIO ECONÔMICO, o que vem por aí, post 47, 25.03.2020, desaceleração global, recessão iminente e a reunião do G20

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