Porto Alegre, 26 de março de 2020

Horário oficial do beco da Rua João Manoel, 12h10, 24,3 graus, 75% de umidade, sem chuva

Hoje é o oitavo de quinze dias de isolamento programado para os que residem comigo no beco.  É um dia especial para mim porque é o dia do aniversário de um dos meus irmãos, do José Luiz Coitinho Fraquelli, 74 anos, engenheiro agrônomo, conhecido como Zezinho, entre nós, os seus familiares.

FOTO ABAIXO: Zezinho junto à casa no Touropi, imagem dos meus arquivos. 

 

FOTO ABAIXO: Zezinho junto às mangueiras, no Touropi, imagem dos meus arquivos.

Somos 6, ou melhor, éramos seis, Aleixo e Stella, pai e mãe, ambos falecidos com 104 e 87 anos, respectivamente, e quatro filhos, Ítalo Danilo casado com Maria Hermínia, eu com Eunice, Zezinho com Elayne e Stella Maris com Altair.

FOTO ABAIXO: Aleixo Fraquelli e Stella Cotinho Fraquelli, meus pais, em fotografia dos meus arquivos  

Meu irmão mais velho, Danilo, foi para a Escola Militar quando eu tinha uns dez anos e a minha irmã mais moça, Stella Maris, nasceu quando eu tinha doze anos.   Então, eu o Zezinho, fomos criados praticamente como dois irmão da mesma idade.   É incrível que hoje também somos seis, Eunice, Henrique, Ângela, Lívia, Vanessa e eu. 

FOTO ABAIXO: Meu irmão mais velho, Ítalo Danilo, em imagem dos meus arquivos 

FOTO ABAIXO: Eunice, Stella Maris, Elayne e Maria Hermínia, imagem dos meus arquivos

Zezinho nasceu com o felicitá-vírus.  Sempre foi uma pessoa incrível.  Eu, até os 17 anos, tinha um gênio difícil.  Quando saí de casa e fui estudar fora eu aprendi o que deixei para trás.  E mudei de humor da noite para o dia. 

O meu irmão nasceu com o vírus da felicidade e eu não lembro de tê-lo visto mal humorado alguma vez.   Estava sempre com um ar de alegria, rindo e com um olhar de quem está compreendendo tudo o que está acontecendo.

Quando criança, o meu pai, criado no interior do Uruguai, trabalhava em Rivera, e minha mãe, que era uruguaia, atendia um armazém que estava localizado na esquina das ruas Rivadávia Correa e Uruguai, no centro da cidade de Livramento.   Éramos três filhos homens com uma mãe que atendia a casa e os clientes no que era uma espécie de mercearia. 

Naquela época tudo era vendido a granel, era preciso pesar e empacotar cada produto vendido.  O açúcar, o arroz, a farinha, como exemplos, eram guardados em caixas de madeira, que era o local de onde nós retirávamos os produtos para atender os pedidos de cada cliente. 

Imagine, o leitor, o que nós, os três irmãos, aprontávamos para a nossa mãe a cada comprador que chegava ao pequeno estabelecimento comercial.  Zezinho, em todas as ocasiões, era sempre o mais obediente.

Naquela época não havia frigidaire.   As carroças transportavam grandes barras de gelo em um espaço reservado da carroceria, que permitia levar produtos com temperatura zero.  O geleiro chegava, perguntava se íamos ficar com uma barra, meia barra ou alguma subdivisão da barra de gelo. 

Se lembro bem, adquiríamos, todas as tardinhas, duas barras de gelo, que ia diretamente para o interior de uma geladeira muito grande que havia no armazém.  Era a forma de guardar produtos e líquidos que exigiam a manutenção em baixa temperatura.  Zezinho, em todas as ocasiões, estava sempre disponível para atender as solicitações da minha mãe, a atendente da loja.

Zezinho estudou no Colégio das Freiras, no Grupo Escolar Professor Chaves, no Ginásio Marista Santanense. Aos 15 anos foi estudar no Colégio Agrotécnico de Santa Maria da UFSM, onde foi colega do ex-governador Tarso Genro.  Estudou Agronomia, casou com a Elayne Beatriz de Souza Peres, com teve quatro filhos, José Luiz, Cristiano, Natália e Rafael. 

Zezinho trabalhou na CARESC em Santa Catarina, no CONDEPE, na Granja, na Emater até se tornar um produtor rural, atividade que desenvolve até agora.    Sempre mostrou muita qualificação, criatividade, flexibilidade e disponibilidade para atender as suas atividades profissionais.  Voltado aos esportes desde criança, apreciava a prática do futebol, do basquete e do futebol de salão.

FOTO ABAIXO:  Elayne, quando menina no Touropi, em fotografia dos meus arquivos 

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Eu imagino que hoje a casa do Zezinho e Elayne está em festa.  Ele tem cinco netos, Ana Paula, Felipe, Luisa Helena Pedro Luiz e Helinho.  Quando criança, em dia de aniversário, minha mãe fazia um bolo xadrez, cobertura branca, com as devidas velas, uma pizza de sardinha e alguns complementos.  Havia, sempre, uma caixa de guaraná e outra de malta, ambos refrigerantes, que eram encomendados da Cervejaria Gazzapina. 

Entre os convidados estavam, sempre, alguns dos amigos, dentre eles, o Vito Mario Mandarino Gallo e as suas irmãs, o José Luiz Savi, conhecido como Cecito, o Ephraim, que sofria de problemas respiratórios e que foi a primeira criança que eu vi falecer, o Antoninho Guerra Soares, o Luiz Antonio Cavalheiro Dias, o Tiquinho, o Juarez Boscacci Hernandes, o Lúcio Guimarães que era filho do Sr Ciro e dona Adriana Guimarães, ele contador do Banco do Comércio, o Paulinho Bonatto, que era filho do gerente do banco do Comércio e o Hugo do Paiva.

Zezinho trabalha com pecuária de corte e elabora projetos para o setor rural.   Qualquer dúvida que eu tenha e que diga respeito às minhas plantas eu formula a pergunto para a Elayne, professora e orientadora pedagógica aposentada, que sabe tudo de agricultura.   

Ela foi criada pelos pais, Sebastião Peres Filho e dona Leatrice, que sempre tiveram vida campeira em propriedades rurais no interior de Sant’Ana do Livramento.  Ela e o meu irmão Zezinho iniciaram o namoro quando ele tinha 13 anos.

… 

FOTO ABAIXO: Imagens do Touropi, interior de Sant’Ana do Livramento, RS

 

 

Pois é, amigo leitor, fiz um exercício de memória para homenagear o meu querido irmão nesse 26 de março.  Devo ter esquecido muita coisa que poderia ser contada nessa ocasião.  Estou preparando um post para publicar, oportunamente, sobre o dia do meu nascimento, o dia 31 de agosto de 1944.  Tenho muita matéria prima para elaborar o produto. 

Então, para encerrar, fica aqui o meu abraço fraterno ao meu irmão, almejando que ele continue conosco, junto a todos os seus familiares, por muitos e muitos anos.   

Por fim, cabe o registro final que a única diferença entre nós é que ele era Vasco e eu, Flamengo, e agora, ele é colorado e eu gremista.

Boa tarde, amigo leitor!

FOTO ABAIXO:  Eu, o Zezinho e o seu filho, José Luiz, na noite do jogo Inter x Shakhtar no Beira Rio, 2015 

 

CARTUM, economista pensa demais, post 19, 26.03.2020, o aniversário do Zezinho

2 ideias sobre “CARTUM, economista pensa demais, post 19, 26.03.2020, o aniversário do Zezinho

  • 27/03/2020 em 09:20
    Permalink

    Confortáveis recordações, expressivos sentimentos de carinho e de amor , saudáveis emoções …

    Parabéns, Ilustre e Caro Professor Fraquelli, por ser “garoto-mensageiro” de tão belas, comoventes e restauradoras lembranças. (NRMatos)

    Resposta

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