Porto Alegre, 12 de abril de 2020

Horário Oficial do beco da rua General João Manoel, 06h10, 14,8 graus C, 71% de umidade, sem chuva

O isolamento da turma de casa começou em 18 de março.  São muitos dias “a ver navios”.  As rotinas parecem se tornar mais rígidas.  Não sei se é falta de criatividade ou monopólio do tema do vírus sobre os demais, qualquer um que surja ao longo do caminho. 

A televisão parece não estar ajudando em nada.  Todas as opções convergiram para um só caminho.  Eu me refiro aos canais que detém de maior audiência segundo as pesquisas que são divulgadas de forma recorrente.  São imagens de pacientes entubados em UTIs, são caixões enterrados em série e a céu aberto, são estatísticas mostrando quem lidera o número de infectados mundo afora.

Acesso um site que mostra letra e música de um cantor famoso, no caso Frank Sinatra.  São 500 músicas, mas paro pela Garota de Ipanema.    https://www.ouvirmusica.com.br/frank-sinatra/79006/

Quem sabe, uma outra opção.   Escrever o blog ouvindo música de jazz que pode ser acompanhada através do endereço eletrônico    https://www.ouvirmusica.com.br/membros/2866846/#letras:479428        Tento Donna Summer, faço três tentativas, vou a uma quarta onde Louis Amstrong toca Saint Louis Blues, mas não deu química.

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Saio fora do circuito e sigo adiante.   Penso melhor, e faço uma última tentativa.  Busco Modugno em  https://www.ouvirmusica.com.br//domenico-modugno/                 Não há como errar.  Suas melodias caem bem aos meus ouvidos como acontecia lá nos anos 50.   Tempos em que ouvia Gigliola Cinquetti, Sérgio Endrigo, Ornella Vanoni, Peppino di Capri, Jimmy Fontana, e não posso esquecer de Rita Pavone.

Nem precisei recorrer a Cartola, Maysa, Emílio Santiago, Marcos Vale, Roberto Menescal, Caubi.   Eu gosto muito da MPB.  Contudo, eu confesso que Modugno deu conta e encheu o meu escritório de som de primeira qualidade. 

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O difícil para quem passou alguns anos em música clássica é que o tempo foi ocupado da forma como foi ocupado.   Depois, a música veio muito bem comigo até à bossa nova.   É isso.  Do Nelson Gonçalves e a Ângela Maria eu me convivi com os músicos até à época  da MPB.   Simonal, eu gostava muito, Tim Maia, Elis, Chico, Caetano e outros tantos.  Aí, ela, a música seguiu e eu parei

Agora idoso, eu fui percebendo que parei no tempo no repertório musical.  Ainda gosto de mais alguma coisa.  Aprecio o pagode, mas reconheço que toca relativamente pouco na mídia.  Essa noite eu assisti Altas Horas.  Uma reapresentação de 2015, com a presença de Laura Pausini.  Um vozeirão.  O programa estava muito bom.   

Na televisão procuro estar sempre indo e vindo pelo Canal Brasil.  Seguidamente eu assisto filmes e documentários que me fazem entender melhor a história e a cultura brasileira.  Aí eu percebo os vazios que ficaram no caminho que eu percorri. 

Surgiram muitas bandas.  Pouco ouvi falar das mesmas.  Eu creio que a vida profissional e docente não permitiram que eu mantivesse a atenção voltada para além dos livros, para a minha videoteca e todo o tipo de informações que eu acompanhava no país e no Exterior. 

Bem, hoje é domingo.  De páscoa.  Nessa data, e em outras afim, a memória bate na minha porta e pede passagem.   As imagens dos entes queridos que passaram estão todas de volta.  Os meus filhos netos, sobrinhos, familiares e amigos ocuparam todos os espaços à minha volta com muita galhardia.  Tudo isso me faz, junto com a minha esposa, um ser muito feliz.   

Almejo uma boas páscoa a todos os leitores do blog.  Eu não conheço muitos dos meus leitores, apenas pelas mensagens que me mandam, alguns de locais muito distantes do Brasil, mas esse dia a dia, de muita interação, nem me permite perceber que o tempo passou.  E que continua avançando, celeremente.

Essa manhã amanheceu fria em Porto Alegre.  É preciso muita fé para levar adiante essa fase de isolamento que afeta a todos.  Orar que o vírus não volte a Wuhan e que a vida retome, progressivamente, o seu curso.  Jamais imaginei que eu ia conviver com um filme de ficção na realidade de 2020.  Será preciso de muita criatividade para repor o país nos trilhos da retomada do crescimento.   

Quem sabe as nossas autoridades pegam carona com alguma iniciativa de retomada em âmbito global e conseguem evitar um desequilíbrio ainda maior no mercado de trabalho.  É uma pena que a polarização tomou conta do que está aí.  Sem gente com muito estudo à frente é preciso contar com uma resistência invejável para superar os próximos meses.   Bem, é páscoa e estamos no coração do mundo, a pátria do Evangelho. 

Estou contando os dias para que o isolamento chegue ao fim.  Com saúde e segurança, sem precipitações e sem infecções à vista. 

Buona Pasqua!

…   

FOTO ABAIXO: Avenida Borges de Medeiros, Porto Alegre, imagens dos meus arquivos, setembro de 2014

 

CARTUM, Economista pensa demais, post 20, 12.04.2020, feliz páscoa!

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