Porto Alegre, 15 de abril de 2020

Horário Oficial do beco da rua General João Manoel, 12h10, 21,5 graus C, 42 % de umidade, tarde nubladameuip

Houve um tempo em que eu trabalhei no comércio.  Eu fui contratado por uma empresa que distribuía oxigênio, uma filial de uma multinacional, que me tornou uma pessoa extremamente cuidadosa.   Foi um dos meus primeiros empregos.  Eu já falei a respeito dessa atividade em algum post do meu blog.

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Eu trabalhava com um catálogo com centenas de produtos e com um tanto maior de códigos de mercadorias.  A comercialização implicava um grupo de vendedores comerciais pelo interior que davam uma dinâmica única no negócio.

Muitos fatos me marcaram nessa época.  Eu lembro, em particular, do treinamento a que fui submetido, dos controles de estoques e do conhecimento necessário para vender cada um dos produtos das prateleira e em exposição na loja, do controle externo rígido, detalhado e com forte impacto no estado emocional dos empregados, tudo, enfim, me fez compreender a dinâmica empresarial e a  distância entre a família e o trabalho.

Depois, das experiências que eu vivenciei como trabalhador, eu lembro do tempo em que eu estive no mercado de capitais.  Foi um período ímpar, eu imagino, para qualquer um.   As decisões me pareciam que eram tomadas em alta velocidade.  Eu sentia como se estivesse trabalhando junto a um semáforo.  Ele tinha uma função importante de dar a luz, verde ou vermelha, para os movimentos de demanda e de oferta na economia   

A possibilidade de estudar mercado de capitais na academia, em universidade norte-americana nos anos 70, me permitiram compreender melhor a lógica de todo o processo em curso.  A noção da precificação, o ingresso de novas empresas à bolsa, as oscilações da cotações, a ideia da volatilidade, a presença da incerteza, em suma, a importância do significado de Wall Street (WS), a rua que hospeda a Bolsa de Nova York, na economia norte-americana, em particular, e na economia mundial.

Até à eclosão do coronavírus, e durante a mesma, WS representa, ou melhor, sinaliza o tamanho da crise que a economia global enfrenta.   Ela tem a capacidade de antecipar cenários porque lida com precificações.  Por pior que a conjuntura se apresente, a WS tem a habilidade de prever rumos e fixar metas para o que há de vir.

Durante a minha experiência docente eu utilizava em sala de aula muitas imagens da minha videoteca.  Eu lembro da importância dos documentários que eu apresentava e do interesse discente pelo tema da quebra da bolsa de Nova York em 24 de outubro de 1929.  Hoje, mais uma vez, a bolsa prossegue em foco de analistas econômicos mundo afora.   

A bolsa de NY parece estar sempre atento a tudo, separando o acessório para destacar o que é principal no momento, e, bater o martelo para que o jogo recomece.   No momento em que escrevo esse post, o principal parece ser a queda de 8,7% nas vendas do varejo em março nos Estados Unidos.   

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Dada a queda nas vendas do comércio varejista a bolsa recua no momento em que redijo o post.    O setor bancário norte-americano, por exemplo, recuava 5,2%, uma queda para “ninguém colocar defeito:

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E a bolsa vai oscilando ao longo do dia até o encerramento do pregão quando já será tardinha aqui, no meu beco.   Mas nem tudo é espinho em Wall Street.  O uso da vacina BCG, que eu conheci desde criança, parece estar ensaiando novo protagonismo um século depois de sua utilização em 1921. 

Há poucas evidências do alcance da vacina do bacilo Calmette-Guérin (BCG),  mas em tempos de coronavírus tudo está sob rigorosa investigação científica.   E, daqui da minha rua, eu penso o quanto o mercado deve estar atento à eficacia do velho combate à tuberculose desde outros tempos sobre esse incrível ano de 2020.

Isso posto, eu chego eu encaminho o final do post.   Semanalmente eu tenho redigido textos sobre os mercados financeiros internacionais.  Quedas abruptas dos principais índices, recuperações sucessivas com pouca estabilidade, em resumo, muita volatilidade.   Tudo é devidamente explicado, na minha percepção,  a partir da experiência acumulada ao longo das últimas cinco décadas.

Conforme eu apreendi na minha experiência como empregado de uma multinacional, lá no inicio dos anos 60, até a minha passagem pelo mercado de capitais, ainda na mesma década, eu encontrei uma lógica em toda a minha caminhada pelo ambiente à minha volta.

Agora, nesse momento em que os economistas juntam as partes das suas configurações da recessão que já chegou  – o PIB mundial vai recuar algo em torno de 3,0% em 2020 – o que está em aberto para os analistas econômicos é como se dará a retomada da economia no próximo ano.   As pedras estão sendo dispostas no tabuleiro, as apostas estão sendo apresentadas aos bookmakers e a incerteza grassa o mundo no grande xadrez que a conjuntura preparou para os virtuosos, mas também para os incautos.

Um fato novo que me deixou perplexo e até me perturbou o sono na noite passada foi a possibilidade de as duas maiores corretoras chinesas – a Citic Securities e a CSC Financial – reuniriam atividades para a formação de um banco de investimentos maior que o Godman Sachs.  Como assim?   Citic mais CSC riariam um banco de investimento maior que o Goldman Sachs, o maior banco de investimentos do mundo?

 

Que mundo vem por aí?  O que nos aguarda a todos em 2021?   Será que as autoridades da China tem alguma informação que assegura que Wuhan, na província de Hubei, está livre de um novo rebote do vírus?   E no plano financeiro, a China terá, efetivamente, alguma vantagem em encerrar o ciclo do coronavírus antes dos Estados Unidos?   Fico por aqui.

Boa tarde, leitor do blog!   Eu volto ao anoitecer.

FOTO ABAIXO: Touropi, Sant’Ana do Livramento, RS, imagens dos meus arquivos, setembro de 2014

 

CARTUM, Economista pensa demais, post 21, 15.04.2020, das memórias à bolsa de Nova York, e a possibilidade do fim da crise do coronavírus trazer uma nova dimensão ao mercado financeiro global

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