Porto Alegre, 24 de maio de 2020

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A edição de domingo do New York Times me fez lembrar o monumento existente no navio Arizona, ambos com os nomes dos mortos. 

Explico melhor. 

A capa da edição de hoje do jornal traz uma manchete, subtítulos e um obituário. 

O encouraçado USS Arizona ficou parcialmente submerso quando do ataque japonês em Pearl Harbor, tendo se transformando em memorial com um obituário. 

Explico ainda melhor.

A manchete do New York Times diz US DEATHS NEAR 100,000; AN INCALCULABRE LOSS.    Junto à edição virtual há uma cópia do que seria uma página de capa totalmente ocupada pelos nomes dos que faleceram vitimas do coronavírus.   

Em um ataque sem declaração de guerra os japoneses bombardearam Oahu, Havaí, no domingo, 7.12.1941,  resultando em 2335 mortos e 1343 feridos.  Uma bomba que acertou o paiol de munição do USS Arizona matou a metade (1.177 homens) das todas as vítimas do ataque japonês.   O encouraçado que eu visitei em 1974, estava totalmente ocupado pelos nomes dos que faleceram vitima do ataque.

Nesse domingo, há 5.383.582 infectados em âmbito mundial, dos quais 1.640.972 infectados se referem aos Estados Unidos.   Ao mesmo tempo, há 344.077 óbitos por coronavírus no mundo dos quais 97.679 casos se referem aos Estados Unidos. 

Então, à medida que o número chegou a 97.679 óbitos nos Estados Unidos, o jornal optou por fazer a chamada de capa com o número de 100.00 óbitos, uma perda irreparável. 

Dado o número alcançado foi necessário elaborar um projeto para chegar ao produto, à capa do jornal com o nomes das vítimas.   O obituário reflete as notícias originadas em jornais existentes em todo o pais.

… 

Ao invés de reproduzir apenas os nomes, o jornal optou por identificar fragmentos das vidas dos mesmos.  Foi preciso saber previamente o que cada uma das vítimas tinha como ocupação.

Fundamentalmente, era preciso ocupar página inteira.  Como preenchê-la?  Reviu-se jornais do século passado, percebeu-se que sempre havia imagens junto às matérias.  No produto divulgado na capa do Times, o primeiro na história recente, há 1.000 nomes com as respectivas identificações.

Apos o nome da vítima do coronavírus, o jornal identificou a idade, a cidade de origem e a atividade profissional de cada uma das 1.000 pessoas citadas.  E assim foi publicada a capa que acompanha a edição virtual, a manchete, os nomes das pessoas em negrito e a identificação em letra tamanho normal. 

Pois essa é a história por trás da edição de hoje do New York Times.    Na verdade, o pano de fundo da página de capa do maior jornal do mundo.

Interessante que quando eu estava escrevendo o post eu vi que também o presidente Donald Trump fez uma comparação entre os óbitos de Pearl Harbor e do Coronavírus. 

Boa noite, leitor do blog!

FOTO ABAIXO:

Eu saí de Portugal rumo à França, de carro, esperando chegar no tempo mais breve possível à Paris.   Eu expliquei em post anterior que quando entrei em Salamanca, a Espanha mudou totalmente na minha percepção e, realmente, apreendi muito no interior daquele país. 

Depois de alguns dias na Espanha cheguei a San Sebastián.  Eu queria conhecê-la porque ela era parte do Pais Basco.  Uma cidade com lindíssimas praias e com acesso através de muralhas, com muitos brasões a cada entrada.    De San Sebastián até Lourdes havia uma distância de pouco menos de 200 quilômetros. 

Eu acessei à França, via Biarritz, que eu também queria conhecer.  De lá segui até Lourdes, uma cidade pequena no noroeste do país.  Conferi a população atual e verifiquei que é de, apenas, 15.254 habitantes (2007).  

A Basílica de Nossa Senhora de Lourdes fica no alto, é ampla e muito bonita.  A gruta de Nossa Senhora, que aparece na foto que eu bati em 1969, fica na parte baixa, encrustada na montanha.  O dia era de céu de brigadeiro.   Contudo, havia chovido na véspera e estava muito molhado no acesso ao local.  

O lugar era muito úmido.  Vertia água de dentro da montanha para à gruta.   Eu cheguei cedo e vi que havia muita gente vindo para o local.  Um ambiente de muita fé. 

A Virgem apareceu, algumas vezes, para Bernadette Soubirous em 1858.  Quando eu estive lá eu achei que estava num centro de peregrinação igual ao de Fátima, que foi objeto de post anterior. 

Na parte superior da gruta havia centenas de muletas e muitas cadeiras de rodas deixadas por fieis que tiveram as suas graças alcançadas.   Na gruta é como se os visitantes “respirassem fé”.  Todos se deslocavam em atitude de extremo respeito.  

O percurso que eu segui da fronteira da Espanha até Paris não era o mais indicado para as pessoas que estavam a turismo no país.    Tendo em vista que eu tinha o objetivo de passar em Lourdes, a viagem a partir dali foi um tanto trabalhosa, para não dizer cansativa.  Eu fui obrigado a seguir um percurso em que eu passava no centro de muitas cidades.  Mesmo assim, a experiência foi válida. 

CASA BRANCA, as últimas dos EUA, post 42, 24.05.2020, coronavírus e óbitos no NYTimes

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