Porto Alegre, 09 de julho 2020

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Depois de 50 anos em sala de aula, nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Elas estão subdivididas em (1) informações internacionais, (2) informações do Brasil e (3) informações do Estado do Rio Grande do Sul. 

01.14.03, ARGENTINA, Kristalina e o momento da negociação da dívida 

(01 Brasil, 14 Argentina, 03 Número de ordem do post)

O leitor que me acompanha sistematicamente sabe que eu escrevo sobre a Argentina há 50 anos.  Com a crise do coronavírus eu optei por criar no blog o que eu chamei de Micro Cursos.  Esse que eu publicarei hoje é o terceiro na ordem do post.

O post 01.14.01 foi publicado em 19.06.2020 e levou o título de Argentina, quando a crise começou?  Nele eu fiz uma retrospectiva buscando as alternâncias de poder entre autoritarismo e democracia na história do país.   O post 01.14.02, foi publicado em 02.07.2020 e levou o título de Argentina, a atuação do governo em tempos de pandemia. 

Hoje eu escrevo o post 01.14.03 e trato dos acontecimentos desde a semana passada.  A agenda argentina é densa.  O país está em recessão, super inflação, calote externo em iniciação e crise sanitária em eclosão.

Acesso ao site da Johns Hopkins University e tomo conhecimento que a Argentina contabiliza 83.426 infectados e 1.654 óbitos.  Eu percebo que o governo conseguiu reter o ritmo inicial de expansão do coronavírus, mas agora os números começam a avançar em maior velocidade.  

O coronavírus está centralizado na Região Metropolitana de Buenos Aires.  Essa é a maior preocupação do governo porque o contingente populacional é denso e o número de casos está em seu recorde.   É difícil focar em estabilidade e desempenho da economia com o vírus tendo matado mais de 70 pessoas apenas nessa segunda-feira.

No fim de junho, o FMI publicou um artigo de Alejandro Werner sobre as Perspectivas para a América Latina e o Caribe.  O foco esteve centralizado na intensificação da pandemia.   A constatação de Werner?   Não houve possibilidade de achatamento da curva de infecções, ao final do octogésimo dia do coronavírus na região,  nos dez países estudados pelo autor.   

Nele, houve observações pertinentes ao caso da Argentina.   No texto, já surge, pela primeira vez, a informação que a queda do PIB deve alcançar um patamar de -10,0% em 2020.   

A razão para essa queda mais profunda é explicada pelo prolongamento da quarentena em Buenos Aires, pela diminuição dos preços das matérias primas e pelo recuo da demanda externa.   Essas três explicações anularão qualquer estimulo fiscal porque o crédito está restrito.   

...

Afora a essa trava na retomada da economia, há a reestruturação da dívida externa que segue como a maior incógnita da gestão da Casa Rosada na conjuntura atual.   

Eu acompanho os calotes argentinos de a longa data.  Dessa vez, há, o Papa Francisco e a reunião do Vaticano de novidade na negociação do governo de Fernández.   Nessa, o próprio FMI esteve presente através de seus titulares.

… 

Da minha experiência anterior, a Argentina já está em calote e não escapa das reações convencionais da comunidade econômica internacional.  Principalmente por parte dos credores abutres.

Ao mesmo tempo eu preciso reconhecer que tanto Cristina Kirchner, como Maurício Macri, foram muito mal sucedidos nas negociações da dívida externa em administrações anteriores.

Bem, hoje, Kristalina Georgieva, a diretora geral do FMI, a economista búlgara que é a nova chairman do FMI desde o fim do ano passado quando substituiu Christine Lagarde no cargo, afirmou que os credores deveriam convergir para a proposta apresentada pelo governo de Buenos Aires e negociar a reestruturação nos termos formulados pelo governo de Alberto Fernández.
Amanhã, vou buscar na mídia internacional a repercussão da pauta proposta por Kristalina.  Novos tempos ou novos atores?  A dívida externa é a mesma e os abutres devem estar atentos ao que está acontecendo em tempos de pandemia na Região Metropolitana de Buenos Aires.  Teria mudado algo, além de Francisco? 
Boa noite, leitor do blog!
MICRO CURSOS, Internacional, post 01.14.03, 09.07.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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