Porto Alegre, 30 de julho 2020

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Aposentei-me na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1997.   Após 52 anos em exercício docente (1967-2019) chegou a hora de ficar em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.09.07 ESTADOS UNIDOS, economia em voo rasante e Trump aposta em adiar eleições  

(01 Internacional, 09 Estados Unidos, 07 número de ordem do post)

Em meio à crise do coronavírus e com uma recessão profunda já contabilizada é preciso estar atento a todos os movimentos das autoridades econômicas nesse cenário sem precedentes da economia norte-americana recente.

Durante a crise atual o FED reuniu em 18 de março, 29 de abril e 10 de junho.  Eram reuniões com dois dias de duração, inícios às terças-feiras e encerramentos às quartas-feiras.     

O mundo todo esteve sempre atento às decisões tomadas pela Instituição em cada uma dessas oportunidades.   Havia, em especial, duas razões para tanto.   Em primeiro lugar, os agentes econômicos desejavam conhecer o diagnóstico da situação e, em segundo lugar, compreender a lógica das medidas implementadas pela autoridade para debelar a crise.   

Nessa semana estava programada mais uma reunião mensal, que iniciou na terça-feira, dia 28, e foi encerrada nessa quarta-feira.   

No final do dia de inauguração do evento o FED comunicou que o crédito, nas condições atuais, estava prorrogado de 30 de setembro até 31 de dezembro, enquanto que a linha de liquidez municipal estava mantida até março do próximo ano.   

Era preciso que assim fosse porque as empresas estão relativamente travadas pela ausência de mão de obra que deseja continuar em isolamento.   O seguro desemprego permite que os empregados se mantenham em casa.    Eu imagino que deva ser o único lugar em que eles se sentem com um mínimo de segurança. 

O FED demonstra alguma confiança no cenário vigente porque ele considera que está fazendo a sua parte.   Tudo está  dentro dos padrões mínimos exigidos.  O crédito está chegando, e está disponível, ao ponto final de destino.

Não se pode esquecer que desde março, o FED implementou uma estratégia básica de ação frente à crise do coronavírus.   Ela tem, entre outros, dois vetores importantes, o que se chama Quantitative Easing (QE) e os juros zerados.   No primeiro há flexibilização da liquidez; no segundo as taxas básicas de juros foram fixadas no intervalo de zero a 0,25%.

O Quantitative Easing (QE) permite que o FED adquira títulos com lastro em hipotecas e títulos governamentais;  os juros zerados, obtidos em duas reduções consecutivas de 50 e 100 pontos básicos, foram amplamente utilizados na Grande Recessão de 2009. 

Eu redigi um post em 21.01.2013, no momento em que norte-americanos e europeus divergiam sobre a utilização do QE, medida que os últimos viriam a adotar posteriormente.    Veja, leitor, o post no endereço

http://antoniocarlosfraquelli.com/2013/01/20/a-convergencia-de-politicas-economicas-entre-os-bancos-centrais/

Dessa feita, além das operações de QE, dos juros zerados e de uma injeção de US$ 2,3 trilhões em empréstimos generalizados, o FED dispõe de um extenso menu de oferta de opções para os agentes econômicos.   

A par de uma política de swap para oferecer liquidez em dólares a bancos centrais, há diversos programas de concessão de crédito para enfrentamento da crise.    Utilizando as siglas em inglês, o FED dispõe de:  PDCF para a concessão do crédito primário,  FIMA Repo Facility para concessão de crédito para os mercados financeiros, CPFF para o fundo de financiamento de títulos comerciais, MMLF para o mecanismo de liquidez para o mercado monetário, PMCCF para os créditos corporativos do mercado primário, SMCCF para os créditos corporativos do mercado secundário e TALF para o mecanismo de empréstimo de valores com garantias de ativos.

No segundo dia da reunião do FED, levada a efeito nessa quarta-feira, Jerome Powell, o chairman da Instituição,  informou que a economia americana registrou uma queda inimaginável no segundo trimestre do corrente ano.   

O recuo anualizado do PIB, que tinha sido de -5,0% no primeiro trimestre, foi da ordem de -32,9% no segundo trimestre do corrente ano.    A recessão tornou-se uma realidade. 

Eu pensei com os meus botões que quase houve a quebra do termômetro porque os EUA nunca vivenciaram uma diminuição desse tamanho.  O maior tombo até hoje, foi de -10% e aconteceu no primeiro trimestre de 1958.

Agora, houve quedas generalizadas na economia.   Com exceção dos gastos do governo federal que procuraram fazer algumas compensações possíveis, caíram as exportações e as importações, o consumo das famílias, os investimentos privados e os gastos dos governos locais.   

Alerto ao leitor que esse número receberá duas leituras complementares nas próximas semanas.   É uma atividade de rotina porque faz parte da metodologia desenvolvida pelo BEA, o Bureau of Economic Analysis

Para encerrar, como fica a reeleição de Trump nesse cenário econômico em que o pessimismo é generalizado.   À essa altura, Trump já está praticamente derrotado nas eleições de 3 de novembro?  Joe Biden já pode comemorar que será o próximo inquilino da Casa Branca?

Ora, só quem não conhece Donald Trump para minimizar Donald Trump.  Veja, leitor, a última do presidente: ele pretende prorrogar as eleições.   Nas condições atuais os eleitores vão votar via correio e a iniciativa, por si só, transformará o pleito na eleição mais fraudulenta da história dos Estados Unidos.  Coisas de Donald Trump!

Boa tarde, leitor do blog!

Micro cursos, Internacional, post 01.09.07, 30.07.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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