Porto Alegre, 01 de agosto 2020

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Aposentei-me na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1997.   Após 52 anos em exercício docente (1967-2019) chegou a hora de ficar em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

01.02.05 PETRÓLEO/COMMODITIES, Lucros caindo    

(01 Internacional, 02 Petróleo/Commodities, 05 número de ordem do post)como criar um blog

Eu gosto demais de acompanhar o mercado do petróleo.   O ouro negro tem uma certa magia para o analista de economia.  Eu lembro quando comecei a me interessar pela matéria.  Isso foi há mais de quarenta anos, eu imagino.

Pois é, tudo começou na minha videoteca.  Na verdade, mais de oitenta por cento da minha agenda há imagens de vídeo que eu gravei em algum momento da minha experiência como economista.   Quando eu me interesso por uma pauta, eu vejo ao mesmo vídeo repetidas vezes.   Chega o momento em que eu me sinto como se estivesse presente ao cenário dos acontecimentos.

No caso do petróleo, há uma fita de vídeo – naquela época ainda não havia o DVD – em que a BBC ou alguma outra emissora internacional, mostrava a saída dos ingleses do mercado e a chegada dos norte-americanos.  A mídia mostrava as borboletas negras sobre as areias escaldantes do deserto. 

Onde estavam?  De onde vinham?  Quais os estoques existentes?  A partir daí havia uma longa história que passava pela chegada do capital estrangeiro e o conflito com os movimentos nacionalistas no mercado do petróleo.   Tudo acontecia em meio a crises políticas, embates econômicos e conflitos bélicos.

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Era um assunto que eu apresentava nas aulas quando eu migrei da UFSM (1973) para a UFRGS (1974).  Eu lecionava metodologia em Economia no pós em Economia da UFRGS, na gestão do professor Haralambos Simeonidis, e Cenários no curso de pós graduação em Administração na gestão do professor Volnei Correa. 

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Eu já lecionava na UFRGS quando o professor Haralambos Simeonidis me convidou para ser professor no pós de Economia.   Simeonidis, de saudosa memória, era grego, veio para o Brasil em 1940, tinha mestrado em Economia na Ohio State University e faleceu aos 47 anos de um infarto em seu ambiente de trabalho.   Ele deixou a esposa Catarina e os seus filhos Paulo Cleo e Ioannis.   

O Professor  Volnei Correa tem mestrado em Administração Publica e foi meu colega durante o período em que eu cursei o meu mestrado em Economia, na Syracuse University, Nova York, no início da década de 70.  Ficamos muito amigos.  Foi uma época incrível porque eu aproveitei para fazer todas as disciplinas possíveis na área de matemática e econometria. 

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De volta ao mercado do petróleo, foi um tema do meu maior interesse nos quarenta anos em que fui economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE).   Lamentavelmente, o governador José Ivo Sartori extinguiu a Instituição.   O leitor pode ler alguns dos meus artigos sobre o mercado do petróleo no endereço fee.tche.br

Bem. eu achava que tinha visto tudo sobre o mercado de petróleo nesses 40 ou 50 anos taxação diária sobre a commoditie.  Ledo engano.  Eu jamais imaginei que eu abriria a cotação do barril no New York Times e iria encontrar preço negativo.  Só uma crise como a do coronavírus para gerar uma cotação dessa natureza. 

Nessa sexta feira a cotação do barril de petróleo do tipo Light Sweet Crude (LSC), cotado na New York Mercantile Exchange, fechou em US$ 40,43, com um avanço de US$ 0,51 sobre o dia anterior, que corresponde a um incremento de 1,28%.

Observando o comportamento da cotação durante a semana verifica-se que ela havia recuado US$ 0,91, o correspondente a uma queda de -2.20%.    Nos últimos trinta dias, todavia, a cotação registrou um incremento de US$ 0,61, o equivalente a um aumento de 1,53%.

Eu abri o gráfico dos últimos doze meses da cotação do barril na edição de hoje do New York Times e o que eu consigo visualizar?   De 01.08.2019 até 20.02.2020 ela se mantém, aproximadamente, estável em torno de US$ 53,45 o barril.

A seguir eu visualizo uma letra V no comportamento do barril do petróleo do tipo LSC.  De US$ 53,45 em 20.02.2020 ele mergulha em direção ao patamar de -US$ 37,63 no dia 20.04.2020.   Observe, o leitor, que nesse dia a cotação foi negativa.   A partir daí os preços se recuperam e fecharam a última sexta-feira em US$ 40,43 o barril.

Eu lembro que naquele dia em que os preços do petróleo foram negativos, pela primeira vez na história, a expectativa dos analistas econômicos era de que não haveria uma recuperação possível dos mesmos no curto prazo.   Recordo, também, que a necessidade de rever os investimentos setoriais era pauta da mídia em âmbito global. 

Eu acredito que a realidade do mercado do petróleo vivenciará a sua plenitude à medida que a economia retome a sua normalidade.   Ora, isso deverá acontecer com a descoberta da vacina.   Há 21 projetos em curso para chegar à meta.  

Eu acompanho de perto essa pauta.   Eu vejo muitos analistas com otimismo devido aos trabalhos desenvolvidos pelos laboratórios farmacêuticos.  Entretanto, quando quer que surja a vacina eu creio que a economia normalizará lá para abril do próximo ano.   

É difícil imaginar uma recuperação da economia no corrente ano.  O mercado do petróleo está ajustado à essa realidade.  As perdas de bilhões de dólares por parte das petroleiras internacionais é uma constatação confirmada pela mídia nesse sábado.   A extremidade inferior da letra V citada anteriormente explica os níveis dos resultados das empresas do setor. 

A identificação das perdas no segundo trimestre, por empresa internacional,  já era plenamente esperada.   Se alguém se mantinha em dúvida até então,  o cenário mudou no momento em que o NBER divulgou a confirmação da recessão norte-americana ao final do segundo trimestre do corrente ano.

É isso aí.  Boa noite, leitor do blog! 

Micro cursos, Internacional, post 01.02.05, 01.08.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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