Porto Alegre, 01 de setembro de 2020

Horário oficial do beco, 12:10, 15 graus C, 80 % de umidade, mais um dia de céu encoberto

Aposentado na UFRGS em 1997 eu lecionei durante 52 anos (1967-2019) e agora estou em casa.   Nessa seção de MICRO CURSOS eu estou postando informações diárias que eu utilizaria se eu ainda fosse professor de Cenários Econômicos.

02.01.15 BRASIL, o tamanho da crise e a necessidade urgente de uma retomada   

(02 Brasil, 01 desempenho da economia, 15 número de ordem do post)

Hoje, pela manhã, o IBGE divulgou o PIB do segundo trimestre do corrente ano.  Houve uma queda de 9,7% no segundo trimestre de 2020.   O desempenho da economia está fechando o sexto ano de crise.   O coronavírus abateu a economia mundial que estava em desaceleração.  A pandemia não foi diferente com relação à economia brasileira que já estava estagnada.

Eu fui em busca de informações sobre como se encontrava a discussão em torno do crescimento econômico há 12 meses e há 18 meses.   Todas as manchetes e editorias de jornais já davam conta que o nível de atividade era extremamente fraco.    Essa estagnação tolhia iniciativas promissoras para a economia brasileira.

No dia 01 de março de 2019, o jornal Valor Econômico mostrou o evento  E agora, BRASIL? promovido pelo jornal O Globo e pelo próprio Valor.  Na ocasião, o Ministro Rogério Marinho afirmou que o PIB poderia crescer até 3,0% no período logo após a reforma. 

Na manchete de primeira página do mesmo jornal havia a informação que a retomada atual da economia brasileira era a mais lenta da história.   Um gráfico colorido ilustrava o comportamento do PIB no período. 

Na matéria do Valor Econômico havia números para os  períodos imediatamente anteriores.    Nela, constava que a média anual de crescimento do PIB foi de + 4,82% (2004-08), + 3,26% (2009-13) e de -0,83% (2014-18).  

Seis meses depois, no dia 05 de setembro de 2019, o presidente da República já se manifestava a favor de ajuste no teto de gastos.  Ele pretendia tocar os programas do governo pressionado pela Casa Civil e os militares, mas Paulo Guedes rejeitou.    Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre também se opunham à proposta do Presidente.

Nos dados divulgados hoje, percebe-se na comparação de um trimestre com o trimestre imediatamente anterior, que os números recentes da economia nacional mostraram incrementos do PIB de, apenas, 0,2% (1T2019), 0,5% (2T2019), 0,5% (3T2019), 0,4% (4T2019), -1,5% (1T2020) e, agora -9,7% (2T2020).

Tecnicamente, dois trimestres consecutivos caracterizam uma recessão.   A partir da informação divulgada nessa manhã, foi o que aconteceu nos dois primeiros trimestres do corrente ano. 

Eu venho argumentando em torno da necessidade de o governo partir para uma fase II.   É impossível imaginar que o país suporte permanecer nesse ritmo por mais tempo. 

O governo declarou o estado de alarma, propôs o auxílio emergencial de R$ 600, reforçou o Bolsa Família, não criou o Renda Brasil e hoje prorrogou o auxílio emergencial na base de R$ 300. 

Na oportunidade da divulgação do auxilio emergencial de R$ 300, eu acompanhei pela televisão o pronunciamento de Jair Bolsonaro, seguido das manifestações dos ministros Paulo Guedes e Rogério Marinho e dos deputados do Centrão Eduardo Gomes, Fernando Bezerra e Ricardo Barros, este último líder do governo.

Observando atentamente a imagem do Presidente, não me parece que ele se mantenha em posição confortável desde que entrou em choque com a sua equipe econômica por causa do Renda Brasil.   Bolsonaro quer o programa Renda Brasil; Guedes afirma que não há recursos.

No impasse dos últimos dias o Renda Brasil ficou de fora do Orçamento para 2021.  Ora, com a fragilidade da economia descrita nos parágrafos anteriores, o leitor percebe que Bolsonaro não deve abandonar o Renda Brasil.   Eu creio que, em algum momento à frente,  o Programa voltará à pauta do Presidente.   E acredito mais.

Eu acredito que o governo não ficará apenas no Renda Brasil, ele deverá recorrer a uma proposta mais ousada que viabilize a retomada sistemática da atividade econômica em prazo mais exíguo.   Logo, a seguir, aparecerão incrementos trimestrais maiores porque a base de comparação é frágil.  O problema é o que vem depois.  É esperar para conferir. 

Da forma como se comporta a economia internacional no cenário vigente, é mais do que chegada a hora do país atrair capitais para expandir a infraestrutura existente.  Isso se dá com uma retomada consistente.  Para tanto, é imprescindível a construção de uma proposta criativa e convincente. 

Boa tarde, leitor do blog!

MICRO CURSOS, Brasil, post 02.01.15, 01.09.2020, se eu ainda estivesse em sala de aula

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